_Mãos pra cima! — o policial gritou, apontando a arma para mim. Sorrio de volta, levantando os braços.

Ele se aproxima e puxa as algemas automaticamente. Fica em minha frente e coloca meus braços atrás do corpo, prendendo meus pulsos com as algemas metálicas.

_Seu nome, senhorita? — pergunta, se prostrando a minha frente de novo, com um bloquinho e caneta.

_Acho que sabe, senhor. — retruco.

Ele me dá um sorriso falso e busca minha ficha no bloco. Quando a encontra, anota algo ilegível. Com cuidado, tiro o livro que estava escondido debaixo de meu moletom azul. Quando o policial nota o movimento, tento distrai-lo:

_Como é seu nome, senhor? — pergunto.

_Willian.

_Willian, bom. E você dirige este carro todos os dias ou apenas quando garotas jovens inocentes entram por acaso em uma biblioteca?

Pela primeira vez, ouço a risada de um policial. Ele me dá um sorriso sarcástico, revirando os olhos.

_Senhorita Alice... Quero saber o que gosta tanto em bibliotecas. Você explodiu a terceira maior da cidade e agora invadiu a segunda. Gosta de ler?

Balanço a cabeça.

_Dislexia, senhor. E sou uma boa americana, eu posso! — brinco. Ele revira os olhos, e finge que não ouviu a ultima parte.

_Quero saber o que queria em uma biblioteca ás quatro da manhã.

Franzo a testa, respirando bem fundo. Aperto os dedos no livro de capa dura as minhas costas, me preparando. Um, dois, três...

_Isso! — giro o corpo atingindo-o no pescoço.

Ele cai no chão por não ter esperado o golpe mas puxa sua arma de choque da cintura e mesmo deitado tenta me atacar. Chuto o objeto e ele cai ao lado de Willian, tento pegá-lo, meia desajeitada, mas alguém o pega antes.

Encaro os olhos negros.

_Eu vou perguntar uma vez. O que diabos você está fazendo aqui?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.