Daylight
34 Epílogo
Notas iniciais
Um ano depois
A casa quase parecia totalmente vazia agora.
Era estranho olhar para o que tinha sido seu porto seguro durante anos e encontrá-lo praticamente vazio. Ela podia imaginar que todos os móveis ainda estavam ali e tudo estava como sempre fora, se apenas fechasse os olhos. Agora, no lugar de tudo o que ela tinha, restavam apenas algumas caixas e outras coisas que faltava ela decidir se guardava ou se jogava fora.
A morena sentou-se no chão e suspirou, abrindo um sorriso logo em seguida. Ela mexeu na caixa à sua frente, verificando se realmente não cabia nada, antes de fechá-la e pegar a fita próxima a ela, para lacrar a caixa. Quando terminou, ela puxou mais uma e começou a guardar mais alguns objetos.
Ela abriu outro sorriso ao pensar que não dormiria naquela casa naquela noite. De fato, ela não dormiria ali nunca mais — embora ela soubesse que nunca fosse realmente uma palavra muito forte. Tanta coisa tinha acontecido desde a morte de Royce King, cerca de um ano atrás, principalmente para Isabella. Ela se via completamente livre agora de todos os medos e anseios que tomaram conta de sua vida por tanto tempo. Tinha sido um processo lento, que levara muito tempo.
Mas hoje ela podia se dizer completamente livre do seu passado.
Ela sabia que àquela altura do relacionamento — considerando que ela e Edward já estavam juntos há uns bons anos -, muitos casais já teriam casado e começado uma família, mas nem ela e nem Edward se incomodavam muito com o tempo nesse caso. Eles estavam dando passo a passo, levando seu tempo, aprendendo um sobre o outro, sobre inseguranças e sobre defeitos e qualidades. Eles já passavam mais tempo juntos do que separados — com Edward dormindo mais na casa dela do que dormia na dele -, mas só dois meses atrás eles tinham tomado a decisão de morar juntos, e depois de um tempo conversando, eles decidiram que seria melhor se vendessem a casa dos dois e comprassem uma, juntos.
Demorara cerca de um mês para eles acharem a casa que queriam. Ela era um pouco grande para os dois, com quatro quartos, um escritório, quatro banheiros, cozinha, duas salas e inclusive com piscina. Mas eles estavam planejando o futuro deles e um dia, Isabella simplesmente sabia, aqueles quartos seriam preenchidos com os filhos deles.
Ela riu um pouco quando se lembrou da conversa que teve com Edward sobre esse assunto. Ambos sempre gostaram de criança e decidiram que queriam ter cerca de três filhos, daqui uns anos. Eles conversavam sobre casamento também, mas não tinham pressa. Eles chegariam lá, algum dia. E enquanto isso, eles apenas curtiriam e aproveitariam o relacionamento deles.
Todos os móveis de Isabella já tinham sido vendidos, assim como os de Edward, já que eles decidiram que iriam comprar novos. Agora, cada um tinha ficado responsável por juntar os objetos pessoais, já que eles que tinham que decidir o que seria jogado fora e o que iria para a casa nova. E finalmente, depois de dias juntando tudo e escolhendo móveis, decoração e etc, eles iriam para a casa deles. Juntos.
E só de pensar nisso, Isabella tinha vontade de sorrir ainda mais.
Ela terminou com a última caixa e se colocou de pé, andando pela sala, agora vazia, e jogando algumas coisas foras e separando outras para doar. Ela estava terminando de organizar tudo em um saco de lixo preto quando ouviu o barulho de chaves e, logo em seguida, alguém mexendo na porta. Ela parou o que estava fazendo a passou as mãos rapidamente pelo rosto. Edward abriu a porta e a encontrou ali, o cabelo preso em um longo rabo de cavalo, shorts e uma camiseta. E mesmo vestida de forma simples, ela era a mulher mais linda que Edward já tinha visto.
— Hey, babe. — Ele andou até a ela e depositou um beijo em sua bochecha. — Precisa de ajuda com algo?
Ela sorriu.
— Só tenho que terminar de juntar essas coisas para jogar fora e depois levar as caixas até a caminhonete.
Juntos, eles terminaram rapidamente. Edward informou que estava tudo pronto na nova casa deles e que tudo dele já estava na caminhonete. Informou também que o restante dos móveis já tinham sido vendidos e ele tinha acabado de liberar o caminhão. Não demorou muito mais do que vinte minutos para eles terminarem.
— Tudo certo? — o detetive indagou, colocando a última caixa na caminhonete. — Ou você tem mais alguma coisa em algum dos outros cômodos?
Ela sorriu e negou. Tudo o que ela queria era chegar à nova casa, tomar um longo e relaxante banho com seu namorado e descansar um pouco, antes de começar a desempacotar tudo. Mas antes…
Antes, ela precisava fazer uma coisa.
Ela fitou Edward por um momento, antes de voltar seus olhos para a casa que tinha sido seu porto seguro pelos últimos seis anos, por onde ela tinha passado tanta coisa. E onde o detetive Cullen tinha aparecido uma vez atrás da outra, disposto a fazê-la falar sobre o passado.
Ela voltou a fitá-lo, então, e sorriu. Pegou as chaves, que em breve não lhe pertenceriam mais, e suspirou.
— Eu só preciso de um momento… — ela disse. — Tudo bem?
Ele a olhou por uns segundos, mas depois sorriu. Isabella também sorriu. Ele a conhecia tão bem. Ela sabia que não precisaria explicar nada para ele. A morena encurtou o espaço que os separava e depositou um beijo demorado em seus lábios, antes de se afastar.
— Não vai levar muito tempo, prometo — murmurou. — Apenas alguns minutos, ok?
Ele assentiu novamente, e assistiu-a se afastar, deixando o portão aberto atrás de si. Ele se encostou na caminhonete e sorriu, sem conseguir acreditar que eles estavam mesmo indo morar juntos. E ele mal esperava pelos momentos que viveriam juntos. Ele se via tendo tudo aquilo com ela: casamento, filhos… E sabia que não demoraria muito para ele ir atrás de um anel e pedi-la em casamento. Ele mal podia esperar para chamá-la de Dra. Cullen, afinal.
Isabella entrou na casa pela última vez, deixando seus olhos percorrerem por todo o ambiente. Ela fitou o alarme próximo à porta, seus dedos dedilhando as teclas da senha; senha que ela já digitara tantas vezes. Em seguida, a morena andou pela sala, pelo corredor… seus olhos observavam as grades na janela. Ela entrou no seu antigo quarto, então, e imediatamente fitou o local onde guardava a arma registrada em seu nome. Arma que agora se encontrava com Edward. Pouco tempo depois que Royce morrera, ela entregara a arma ao seu namorado e pedira que ele lidasse com isso. Ela não precisava daquele tipo de proteção mais.
Afinal, ela estava livre.
Logo, ela fitou o local onde mandara preparar o quarto do pânico, quarto que Edward vira uma vez, quando ela pensara que Royce tinha invadido a sua casa e na verdade tinha sido um gato. Ela andou até lá, encontrando a passagem aberta. Ela tinha deixado tudo pronto para o caso de precisar ficar ali por dias — caso Royce conseguisse entrar ali e estivesse atrás dela. Isso não era algo que ela precisava se preocupar mais. Algo que ela não precisaria mais se preocupar.
Depois de ficar no seu antigo quarto por mais uns minutos, a morena saiu, indo até o quarto ao lado, um pequeno sorriso em seus lábios quando ela pensou na primeira noite que o detetive tinha ido dormir ali, à pedido dela. E depois tantas outras noites, até ele passar a dormir na cama com ela, de onde ele nunca mais saiu.
Depois de andar por todos os cômodos da casa, Isabella foi até o que ficava no fim do corredor. Ela entrou, por um momento esperando encontrar todas as telas de computador, que monitoravam as câmeras que outrora existiam naquela casa. Mas não havia nada ali. Ela havia se livrado das câmeras, das telas… os próximos donos provavelmente não precisariam daquilo, afinal.
Isabella logo fechou a porta e saiu. Caminhou durante mais um tempo, lembrando de tudo o que acontecera desde que ela mudara para aquela casa, só querendo viver isolada e protegida, um dia de cada vez, dedicado ao trabalho e aos seus pais. Ela nunca imaginara que acharia alguém que a amaria, alguém que cuidaria dela e a protegeria.
Alguém que a libertaria.
Ela parou na sala, seus olhos fitando Edward, encostado na caminhonete, mexendo no celular. Ela sabia que provavelmente ele estava um pouco ansioso, querendo checar para saber se ela estava bem, mas ele estava respeitando o espaço dela, permitindo que ela desse um adeus definitivo ao passado e seguisse em direção ao futuro, com ele.
Ela pensou em tudo o que eles tinham passado, tanto juntos quanto separados. Eles tiveram sua cota de cicatrizes, talvez mais cicatrizes que um ser humano pudesse ser capaz de superar. Mas eles tinham conseguido. Ele a tinha libertado do passado e ela tinha feito o mesmo com ele. Em meio a tanta escuridão em sua vida, ele tinha sido sua luz.
E ele sempre seria.
Sorrindo, a morena saiu da casa e trancou a porta atrás de si. Assim que ele ouviu o barulho da porta, ele olhou para cima e sorriu para ela, deixando o celular de lado. A morena enfiou as chaves da casa no bolso, fazendo um lembrete mental de ligar para o corretor no dia seguinte e marcar de entregá-las para ele.
Era hora de começar a viver a vida a dois com Edward, afinal.
— Pronta? — ele indagou, envolvendo seus braços ao redor dela e beijando-a de leve, assim que ela chegou perto o suficiente.
Ela sorriu, fitando aqueles olhos verdes que tanto amava.
— Com você? — indagou. — Sempre.
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