Daylight
16 Capítulo Quinze
Notas iniciais
Edward não soube dizer exatamente o que o acordou no dia seguinte.
O quarto estava completamente escuro, graças à cortina cobrindo a janela. Devido a isso, era impossível para ele dizer se era dia ou noite, e ele não quis levantar da cama para verificar. A cama estava muito confortável para se mover.
Na verdade, o detetive não se lembrava de se sentir tão bem e confortável assim.
Ele continuou com os olhos fechados e, aos poucos, começou a se sentir sonolento novamente. Moveu-se um pouco na cama, querendo que o edredom cobrisse-o até o pescoço, mas congelou assim que sentiu um peso bom no seu peito.
Completamente rígido, ele abriu os olhos, somente para encontrar Isabella Swan encolhida contra ele, o braço sobre ele, a cabeça pousada sobre o seu peito. Ela ressonava de forma calma, seus cabelos espalhados sobre o braço dele. Edward engoliu em seco, sem saber o que fazer.
Ele se lembrou do que tinha acontecido na noite anterior quase imediatamente, seus olhos nunca deixando a morena deitada praticamente colada a ele. Ela havia lhe revelado coisas que ele nunca tinha esperado, tinha confiado nele de uma forma que o detetive nunca esqueceria… E no final de tudo, quando ela tinha tido um pesadelo…
Ela tinha pedido que ele ficasse…
Incerto do que fazer, ele permaneceu imóvel na cama, seu coração martelando contra o seu peito. Parecia tão… certo tê-la ali, tão confortável.
E por mais que não quisesse admitir tal coisa, Edward não conseguiu deixar de pensar nisso.
Ele ficou parado durante mais alguns instantes — não mais do que dois minutos -, até que resolveu que se afastar era o melhor. Ele não queria que ela acordasse e se assustasse com ele deitado ali. Começou a se mover lentamente, afastando o braço dela com cuidado. Ainda de forma lenta, moveu o seu corpo para fora da cama, até que Isabella se mexeu, fazendo com que ele congelasse.
Ela resmungou algo inaudível e rolou na cama, como se estivesse à procura de algo. Edward esperou, seus olhos nela, até que a morena pousou a cabeça em seu peito novamente.
– Hmmm… — ela soltou, um pequeno sorriso nos lábios.
Edward esperou algum tempo, até que a respiração dela estivesse calma novamente, indicando que ela tinha voltado a dormir, antes de tentar se afastar. E, pela segunda vez, Isabella o segurou.
Ele decidiu, então, esperar até que ela estivesse completamente adormecida. Entretanto, aos poucos, a respiração dela foi o acalmando e ele se viu fechando os olhos…
E logo ele havia adormecido novamente.
Quando Edward acordou novamente, uma hora mais tarde, Isabella já não se encontrava na cama. Ele se sentou, confuso, seus olhos disparando de um lado para o outro no quarto, à procura da morena. Quando ele não a encontrou, ele olhou ao redor, até achar o relógio. Um suspiro de surpresa escapou de seus lábios quando ele viu que se passava das dez.
O detetive não conseguia se lembrar da última vez que tinha dormido tanto.
E tão bem.
Ainda se sentindo confuso, ele jogou as cobertas para o lado e se levantou. Incerto do que fazer, ele ficou parado durante um momento, enquanto analisava as opções. Ele devia ir procurar pela morena ou ir até o quarto de visitas e colocar as suas roupas primeiro? Devia sair sem que ela visse ou conversar com ela primeiro? Ele não tinha ideia. Ele nunca tinha passado por uma situação dessa…
– Hm… Edward?
O ruivo arregalou os olhos, virando-se completamente para a porta, onde estava Isabella, já vestida, fitando o chão.
– Eu… eu comprei o café da manhã — ela continuou, sem esperar que ele falasse algo. — Você pode usar o banheiro se quiser… e eu vou estar esperando na cozinha e…
Ela abriu e fechou a boca, mas nenhum som saiu. Então, sem dizer nada — não conseguindo encontrar coragem para tal coisa -, a morena saiu do quarto, indo às pressas até a cozinha. Ela se sentou e fechou os olhos, enquanto apoiava a cabeça nas mãos, sem conseguir acreditar no que havia acontecido na noite anterior… e em como ela havia acordado nessa manhã.
O quarto estava escuro quando a morena abrira os olhos. Sua cama estava muito confortável e ela se sentia mais descansada do que nunca — não conseguia, afinal, se lembrar da última vez que dormira tão bem assim. Ela demorou algum tempo para notar o braço ao seu redor e a respiração suave em seus cabelos, mas congelou assim que percebeu. Sentou-se de uma vez, um grito mudo de surpresa saindo de seus lábios quando ela viu o detetive deitado ali. Ele se remexeu um pouco na cama, a testa franzida, provavelmente porque a morena tinha se movido de forma brusca. Mas Bella não conseguiu se importar muito com isso.
Rapidamente, ela se lembrou do que havia acontecido na noite passada. O que ela havia contado ao detetive, ela arrumando o quarto de hóspedes para ele… E o pesadelo que tinha tomado conta de si quando ela havia deitado…
Ela estremecia só de lembrar dele.
Ainda muito pálida e assustada, a morena pulou da cama e correu para o banheiro, onde se trancou. Ela se sentou atrás da porta, apoiando a sua cabeça na mesma e respirou fundo, tentando se acalmar. Ela tinha pedido ao detetive que ficasse… Ela o tinha impedido de voltar para o quarto de hóspedes…
E ela não tinha tido nenhum pesadelo…
Assustada com isso, porque ela não conseguia se lembrar da última vez que tivera uma noite toda sem nenhum sonho, a morena ofegou e fechou os olhos com força, assustada com os últimos acontecimentos.
O que ela deveria fazer? Deveria fingir que nada acontecera? Conversar com ele como uma adulta conversaria? Porque ela sabia que ele havia dormido ali porque ela pedira… Provavelmente, ele a ignoraria por completo…
Provavelmente, ela tinha estragado tudo.
A morena se levantou e decidiu se recompor não muito depois, não acostumada a se sentir daquela maneira. Aquela insegurança, medo e aquele aperto no peito não eram normais… Aquilo não era para estar acontecendo.
Ignorar e só falar algo caso ele dissesse, foi o que ela decidiu, depois de ter feito a sua higiene matinal. Depois, ainda um pouco nervosa — embora não quisesse admitir -, ela saiu rapidamente do banheiro, não olhando para a cama mais do que uma vez.
Ela não estava pronta para enfrentá-lo ainda e suspirou de alívio quando viu que ele ainda parecia estar dormindo profundamente.
Após pegar uma calça e uma blusa, ela correu para o quarto ao lado — o que havia preparado inicialmente para o detetive — e se vestiu, antes de pegar as chaves de casa e correr até a padaria mais próxima, torcendo para que o detetive não acordasse. Teria sido mais fácil fazer o café da manhã em casa, mas Isabella preferia comprar.
Mesmo depois de todo esse tempo, ela ainda não se sentia confortável o suficiente para cozinhar. Eram raras as vezes que ela se permitia cozinhar algo para si.
E ela não cozinhava para outros há pouco mais de dez anos.
A casa estava silenciosa quando ela voltou, o alarme ainda ativado, o que fez com que ela suspirasse de alívio. Ela arrumou a mesa, andando de um lado para o outro, ainda nervosa, até que resolveu verificar se o detetive estava acordado.
E ele estava.
E após dizer algumas palavras rapidamente, ela estava de volta ali, a cabeça baixa, o coração acelerado.
Por que ela estava se sentindo assim? Por que ele a deixava nervosa?
Ela ouviu o barulho de passos não muito depois, mas não teve coragem de olhar. O detetive se aproximou com cuidado, olhando para Isabella, e parou em frente à mesa, seus olhos disparando dela para a morena, ainda calada.
– Eu comprei um pouco de tudo — ela soltou, de repente, quando o silêncio começou a ficar muito desconfortável. — Não sabia do que você gostava, então… Espero que goste…
Ela puxou a cadeira e se sentou, esperando que ele a seguisse. O detetive a observou durante algum tempo, antes de segui-la. Ele sabia que estava atrasado para o serviço e que teria que sair logo, mas não queria ir daquela maneira. Não antes de ele trocar algumas palavras com Isabella.
Eles comeram em silêncio, no entanto. Nenhum dos dois comeu muito, apenas beslicaram aqui e ali. Quando o detetive percebeu que a morena havia acabado, ele terminou de tomar o seu suco e limpou a garganta, cruzando as mãos sobre a mesa.
– Muito…. obrigado pelo café, Isabella. — Ele disse, algum tempo depois. — É muita gentileza sua.
Ela assentiu.
– Não há de quê — murmurou. — É o mínimo que posso fazer depois de…
Ela hesitou e suspirou, sem coragem para terminar. Mordeu o lábio inferior e olhou para as mãos. Ela não gostava de se sentir assim, tão… vulnerável.
– Não precisa agradecer, Isabella. — A voz do detetive era suave, mas, mesmo assim, não foi o suficiente para fazê-la olhá-lo. — Eu entendo. Você reviveu muitas coisas ontem. É normal ter pesadelos.
A morena mordeu o lábio inferior e assentiu, mas não disse nada. Ele provavelmente havia pensado que ela tinha sonhado somente na noite anterior. Se ele soubesse que ela tinha esses sonhos todos os dias…
Suspirando, ela balançou a cabeça, não querendo pensar naquilo naquele momento.
– Mesmo assim — sussurrou -, obrigada.
Ele sorriu e assentiu, mesmo que ela não estivesse olhando para ele, antes de se colocar de pé.
– Eu gostaria de conversar mais um pouco com você, mas sei que você precisa de tempo para assimilar tudo — respondeu. — No entanto, antes de partir, eu queria te pedir algo…
Com o coração batendo cada vez mais forte, Bella o olhou, sem conseguir acreditar que ele tinha algo para pedir a ela.
– Pedir algo a mim? — ela sussurrou, antes que se desse conta do que estava dizendo.
Ele assentiu.
– Estou ciente, agora, de que você tem recebido ameaças — ele começou. — Então, por favor, você poderia me avisar se recebesse alguma? Se ele aparecer por aqui?
Isabella engoliu em seco e desviou os olhos do dele, sem saber o que dizer. Ela havia admitido a ele, na noite anterior, que tinha sido sequestrada, algo que nunca tinha acontecido antes, mas ainda não se sentia confortável para falar tão abertamente sobre algo do seu passado, principalmente em relação às ameaças.
Por fim, sabendo que ele não ficaria satisfeito enquanto ela não concordasse, ela assentiu.
– Obrigado — ele disse, sorrindo novamente. — Sei que é difícil para você, sabe como é, falar disso, e fico feliz que esteja se abrindo… Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, é só me ligar, ok? E não importa se ele aparecer aqui de madrugada… basta me telefonar.
Ainda sem saber o que dizer, a morena apenas assentiu. O ruivo, sabendo que já não conseguiria mais nada dela, agradeceu por tudo e saiu da casa dela quase voando.
Ele estava, definitivamente, muito atrasado para o trabalho. E antes de começar a investigar casos, ele queria trocar uma ou duas palavras com o seu chefe.
Ele passou rapidamente em casa para tomar um banho e se trocar, e só então seguiu para a delegacia. Ele cumprimentou os colegas, não mais do que duas palavras, e foi direto até o seu chefe.
– Detetive Cullen. — Newton sorriu para ele gentilmente. — Está tudo bem?
Edward sorriu, assentindo.
– Eu gostaria de conversar com o senhor em particular, se o senhor puder — disse. — É um pouco importante.
Newton observou o detetive durante alguns instantes, antes de assentir e seguir para a sua sala. Ele fechou a porta e se sentou à mesa, apontando para a cadeira em frente a ela.
– Então, o que posso fazer por você hoje, detetive? — ele indagou, após Edward estar devidamente acomodado.
Sabendo que o seu chefe não gostava quando enrolavam muito, Edward rapidamente começou a explicar tudo o que ele podia. Ele contou que Isabella havia começado a se abrir e tinha contado algumas coisas. Contou que sabia que ambos tinham um longo caminho a percorrer, mas ele sentia que ela, aos poucos, poderia contar tudo o que havia acontecido em seu passado. Assim como contou que achava que ela ainda não estava disposta a testemunhar, mas achava que futuramente ela podia rever isso.
– Eu descobri umas fotos quando fui conversar com ela ontem, senhor — ele disse. O senhor Newton o observava atentamente, interrompendo-o algumas vezes; quando tinha uma pergunta a fazer. — Tenho motivos para acreditar que o cara da van esteja a ameaçando. Ficou bem claro pelo que estava escrito na foto.
Ele descreveu as fotos, então, sentindo um aperto no peito e uma raiva estranha tomar conta de si. Lembrar-se do que ele tinha visto… Ele não conseguia nem imaginar como Isabella tinha se sentido ao reviver aquele momento.
– Eu ainda não acho que ela vá nos dar as fotos de bom grado — continuou. — E sei que elas não podem ser usadas como provas, a não ser que ela esteja disposta a colaborar. Mas eu sei que ele sabe onde ela mora, onde os pais dela moram… E gostaria que o senhor colocasse, se pudesse, é claro, um policial, disfarçado, a vigiando e/ou os pais dela durante algum tempo.
Edward sabia que ele estava correndo um grande risco ao dizer tudo aquilo para o chefe, mas ele confiava no senhor Newton como ninguém. E ele não podia simplesmente deixar Isabella desprotegida. Ele estremecia só de pensar nisso.
– Eu sei que estou pedindo algo que talvez o senhor não consiga — prosseguiu, por fim. — Mas estou realmente certo do que estou fazendo. Isabella Swan é a chave para fecharmos esse caso. Pode demorar um pouco, mas não acho que vamos conseguir chegar a algum lugar sem ela.
Depois disso, ele ficou em silêncio, não conseguindo pensar em nada para dizer. Seu chefe, Newton, também não disse nada durante alguns minutos, analisando tudo o que o detetive Cullen havia acabado de lhe dizer.
– Vou colocar dois homens meus na rua — ele disse, de repente, pegando Edward de surpresa. — Não posso colocá-los durante à noite, no entanto. Nosso orçamento não permite que eu fique trocando turnos. Pedirei que um deles fique de olho na casa dos pais dela e o outro, na casa dela. Tudo bem?
O detetive sorriu, agradecido, e se levantou, estendendo a mão e agradecendo ao chefe. Depois de eles trocarem mais algumas palavras, Edward saiu da sala dele e se dirigiu à sua.
Ele chamou Ben e ambos começaram a trabalhar nas novas informações que Isabella havia lhe dado. Ele sabia que as informações o levariam a milhares de suspeitos e talvez não ajudasse muito, mas ele preferia tentar do que desistir.
Ele acabou saindo da delegacia um pouco mais tarde, para compensar o fato de ter se atrasado. Quis passar na casa de Isabella para conferir se estava tudo bem, mas achou melhor dar um tempo a ela.
Ela tinha progredido muito. Ela precisava descansar.
Ele seguiu para a casa dos pais, então. Esme sempre ficava feliz quando ele ia jantar com eles, não importava a hora. E ele sentia falta de passar um tempo com a sua família.
Principalmente agora que Rosalie estava melhorando e estava se abrindo mais. Ela ainda não tinha coragem de sair sozinha nem nada do tipo, mas pelo menos não gritava e se escondia no quarto cada vez que via um homem andando pela casa.
Enquanto se dirigia para a casa dos pais, Edward não pôde deixar de se lembrar de quando as coisas eram diferentes — e não pôde deixar de estremecer com a lembrança também. De quando Esme e Carlisle tentaram ajudá-lo, exatamente como tinham feito com Rose agora.
Ele tinha agido muito diferente, porém. Algo que o envergonhava até hoje…
– Seus pais não disseram que você tinha que estar em casa às dez? – Seu amigo berrou por cima do som, enquanto entregava mais um copo de cerveja para Edward.
O ruivo encolheu os ombros e apertou os ombros, mas não respondeu. Ultimamente ele estava mais desobediente do que nunca. Saía todos os dias, não importava o que os pais diziam. Ia para todas as festas e sempre dava um jeito de beber, mesmo ainda não tendo idéia para tal coisa. Talvez fosse verdade e ele estivesse se comportando como uma criança, mas ele não conseguia se importar.
Carlisle e Esme haviam mentido para ele durante toda a sua vida. Como ele podia confiar neles agora?
– Vamos — ele berrou de volta, sorrindo. — Vamos nos divertir! A noite é, afinal, uma criança.
Seu amigo revirou os olhos e riu, puxando-o de para o centro da casa. Diversos adolescentes pulavam e gritavam e dançavam, e mesmo não curtindo muito esse tipo de coisa, Edward se uniu a eles, porque aquela diversão era, ultimamente, uma das poucas coisas que permitiam que ele esquecesse o que o aguardava em casa.
E naquela noite não foi diferente. Assim que chegou, pouco depois da uma da manhã, Carlisle estava sentado próximo à porta de entrada, sentado em uma cadeira, a cabeça inclinada para trás enquanto ele roncava baixinho. Edward revirou os olhos e passou por ele, indo direto para a cozinha, sem se importar em não fazer barulho.
Ele pegou um pouco de suco na geladeira e se sentou à bancada, bebendo aos poucos.
– Edward?
Ele congelou imediatamente ao escutar a voz de Esme, mas não se moveu. Apertou o copo entre as mãos e continuou de cabeça baixa, não querendo falar nada com ela.
– Edward, por favor… — A voz dela estava trêmula. — Será que podemos conversar?
Irritado, ele se colocou de pé, deixando o suco esquecido. Passou por ela e subiu as escadas, indo até o seu quarto e fechando a porta. Por dias, os dois tentaram conversar com ele, contar o porquê de eles terem escondido que Esme não era a mãe biológica dele, mas Edward não queria ouvir. Ambos tinham até mencionado levá-lo até um psicólogo ou algo assim, mas ele não quis.
Tudo o que ele sabia era que sua mãe biológica, Elizabeth, havia morrido no seu parto e que, quando Edward tinha um ano e alguns meses, Carlisle havia conhecido Esme.
Ele não procurara saber mais.
Resmungando, o ruivo sentou na cama e respirou fundo, fechando os olhos com força. Ele desejou, naquele momento, que ele pudesse fazer dezoito anos logo — o que aconteceria dentro de alguns meses — e se formar.
Ele queria ir embora logo.
A porta do seu quarto se abriu de repente e Carlisle entrou, sua boca formando uma linha. Ele cruzou os braços, algo que indicava que ele não planejava sair dali tão cedo, e ergueu a sobrancelha.
– Eu não quero saber de você tratando a sua mãe desse jeito! — Carlisle xingou. — Você vai descer agora e nós vamos conversar!
Edward fechou os olhos e apertou as mãos em punhos, virando o rosto para o lado.
– Ela não é a minha mãe — ele disse, a raiva presente em sua voz. — Ela nunca foi a minha mãe. E eu não vou descer, pai. Me deixa em paz.
Edward sabia que ele tinha passado dos limites. Sabia que ele estava errado e que seu pai tinha todo o direito de castigá-lo. Mas ele estava magoado. Não conseguia sentir o fato de a sua mãe biológica ter morrido, porque ele nunca soubera dela. Entretanto, descobrir que apenas Rose era filha biológico de Esme e Carlisle… enquanto ele não… ele sentia como se não encaixasse na família.
Carlisle observou o filho durante algum tempo, antes de suspirar. Aproximou-se, então, e se sentou ao seu lado na cama, ignorando quando ele tentou se afastar. Por fim, colocou a mão em seu ombro e o apertou gentilmente.
– Edward, nós erramos em não contar quando você era pequeno, mas… — ele começou. — Não queríamos que você se sentisse menos especial. Nós te amamos da mesma maneira que amamos Rosalie. Esme te ama como um filho. Sempre amou.
O ruivo continuou calado.
– Por que você não desce e conversa conosco um pouco? — ele sugeriu. — Você deve ter tantas perguntas…
Irritado, ele se colocou de pé e se virou, suas mãos fechadas em punhos.
– Eu quero ficar sozinho — grunhiu. — Posso?
Seu pai o encarou durante algum tempo, mas logo suspirou, derrotado, e assentiu. Ele desejou boa noite ao filho e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. Edward, não querendo receber mais nenhuma visita naquela noite, correu até ela e a trancou, desejando que o tempo passasse voando.
É. Ele não via a hora de completar dezoito anos.
O ruivo suspirou pesadamente e balançou a cabeça, enquanto esperava o portão da casa dos pais abrir. Ele tinha sido tão tolo e infantil quando adolescente, magoado demais para perceber o quão ele estava magoando os seus pais.
E isso o tinha levado a se candidatar para o exército, por onde ficou pelos próximos três anos.
Balançando a cabeça, querendo afastar aqueles pensamentos antes que eles o levassem a outra memória dolorosa, ele estacionou o carro e desceu, sorrindo um pouco ao ver Esme da janela. Ela sorriu de volta e acenou.
Foi um bom jantar.
Eles conversaram e riram um pouco, antes de Edward se despedir e ir para casa. Ele não estava com sono, mas sabia que precisava dormir. Queria chegar mais cedo ao trabalho e dedicar mais tempo à pesquisa que vinha fazendo.
Talvez ela não o levasse a lugar algum, mas ele queria tentar, ao menos.
Ele tomou um banho rápido, se jogou no sofá e ligou a televisão. Ele mudou de canal algumas vezes, à procura de algo interessante, até que uma série policial chamou a sua atenção. Assistiu-a durante algum tempo, um pequeno sorriso nascendo em seu rosto quando percebeu que o jeito de uma das vítimas daquele episódio lhe lembrava Isabella.
Será que ela estava bem?, ele se viu perguntando. Será que ela tinha tido mais daquele pesadelo?
E o que ela tinha sonhado?
Revirando os olhos para si por estar pensando naquilo, o ruivo terminou de assitir o programa e desligou a TV, antes de seguir para o seu quarto. Deitou-se ali, um sentimento estranho tomando conta de si. Por que, de repente, a sua cama parecia maior e desconfortável?
E por que ele não conseguia parar de se perguntar o que Isabella estava fazendo naquele momento?
Suspirando e balançando a cabeça, ele se virou na cama e fechou os olhos, enquanto ajeitava o edredom ao seu redor, desejando que ele conseguisse dormir logo e que tivesse uma noite sem pesadelos, exatamente como na noite anterior.
Ele não teve tanta sorte, porém.
Porque apenas duas ou três horas depois, ele estava tendo um pesadelo.
– Hmmmm… — Edward murmurou por entre o beijo. — Tem certeza de que temos que ir?
A loira riu por entre o beijo, segurando o rosto dele entre as suas mãos, não querendo que o turno deles começasse. Seria um dia longo e difícil, ela tinha certeza disso. E daria tudo para poder aproveitar a companhia dele, nem que fosse por mais algumas horas.
– Sim — ela respondeu, interrompendo o beijo e fitando os olhos verdes que tanto amava. — Estamos planejando essa missão há algum tempo, já. Precisamos tomar aquela escola ou tudo o que fizemos até agora poderá ser comprometido.
Ele suspirou.
– Eu sei, eu sei — revirou os olhos, puxando-a para mais perto de si. — Eu não vejo a hora dela acabar, no entanto. Sabe por quê?
A loira ergueu a sobrancelha, inclinando-se para trás e sorrindo para ele.
– Por quê? — perguntou, mesmo ela tenho quase certeza do que ele iria dizer.
– Porque isso vai significar que estaremos mais próximos de ir para casa — sussurrou. — E aí não teremos que nos esconder mais…
Jane revirou os olhos para Edward, mas não disse nada. Eles só tinham mais alguns minutos, talvez dois ou três, juntos antes de irem se preparar e se juntar aos outros. E ela não queria perder tempo.
– Vou sentir saudades — ela sussurrou, quando os minutos acabaram. — Nos encontramos mais tarde? Aqui?
Ele assentiu, depositando mais um selinho demorado em seus lábios.
– Sempre — murmurou.
Ela saiu primeiro, como sempre fazia, deixando-o para trás. Ele ajeitou a sua roupa e o cabelo, antes de ir pela direção contrário. Eles estavam juntos há algum tempo, quase três anos, e ele não via a hora de voltar para casa. Durante todo esse tempo, ele e Jane tiveram só algum período de férias, mas nunca conseguiram coincidir as suas férias para o mesmo mês. Agora, porém, seria diferente. Eles passariam as férias juntas. Um mês.
E depois eles iriam decidir se iriam se recandidatar para o exército ou se colocariam um ponto final naquele período de suas vidas.
Ele a observou se aproximar dos soldados que estavam sendo treinados por ela e sorriu, desejando que ele tivesse mais alguns minutos para aproveitar a companhia dela. Ele ainda não conseguia acreditar que eles estavam juntos há tanto tempo. Ela era mais velha, mais experiente, mas Edward nunca havia se sentido assim antes.
E ele não achava que se sentiria novamente desta maneira algum dia.
Ainda sorrindo, principalmente por ter tido a chance de ficar com ela naquele dia antes da missão, ele seguiu para junto de seus colegas, desejando, no entanto, que ele tivesse tido apenas mais alguns minutos com ela.
Ofegando, o ruivo se sentou na cama. Quando ele percebeu que não havia passado de um sonho, ele respirou, aliviado. Ficou sentado ali, esperando a onda de culpa, de dor e de saudades tomar conta de si, e estranhou quando ela não veio. Geralmente, ele sempre acordava desejando que aquele pesadelo, mais do que qualquer outro, não passasse de um sonho e que ela ainda estivesse viva. Ele sempre se perguntava se teria aproveitado um pouco mais o tempo que tinha com ela, caso soubesse que aquela seria a última vez dos dois juntos, mas não se perguntou daquela vez.
E ele não tinha certeza se gostava disso.
Não querendo pensar naquilo e sabendo que não conseguiria dormir, o ruivo se levantou e se trocou rapidamente, antes de correr para a delegacia e mergulhar na pesquisa que vinha fazendo.
Durante as próximas horas e, depois, dias, ele conversou com diversas pessoas, mas nunca conseguiu chegar a lugar algum. Procurou sempre se manter em contato com Isabella, mas a morena estava um pouco ocupada com os horários de plantões no hospital e quase não parava em casa. E, devido a isso, ele não consegui que ela lhe desse mais nenhuma informação.
Entre os casos que ele estava trabalhando e a pesquisa que vinha fazendo, Edward também se viu mais ocupado do que nunca, vivendo na delegacia praticamente. Ele já estava pensando em dar um tempo e descansar um pouco, quando conseguiu entrar em contato com um orfanato antigo, que ficava em um bairro mais afastado da cidade.
– Ben? — ele chamou o seu parceiro, que estava ocupado olhando algumas fotos, como Edward pedira. — Eu consegui algo em um orfanato antigo, acho. Na verdade, provavelmente é só outra pista falsa, mas acho que vale a pena pesquisar. O nosso cara não foi adotado legalmente, afinal. Mas talvez a mulher que o trouxe para cá trabalhasse em um orfanato…
Ele sabia que estava divagando, mas Ben nem pareceu perceber. Ofereceu-se para ir com ele, mas Edward disse que não precisava. Apenas avisou que estaria no celular, caso alguém precisasse dele, e partiu em direção ao orfanato.
A casa era mais antiga, mas bem cuidada. Alguns funcionários estavam no pátio da frente, olhando as crianças, e alguns adolescentes jogavam cartas em uma mesa mais ao fundo.
– Boa tarde. — Uma menina baixinha de olhos azuis sorriu gentilmente para ele. Ela não devia ter mais do que dezenove anos. — Posso ajudá-lo em algo?
Ele assentiu, sorrindo de volta.
– Eu conversei com o dono daqui há alguns minutos… — ele começou, procurando pelo seu bloco em seu bolso, querendo lembrar o nome do homem com quem ele havia falado. — Ele disse que estaria esperando por mim… O nome é Royce King…
Ela assentiu.
– Sim, claro — disse. — Detetive Cullen, certo? Ele está esperando por você no escritório… Se o senhor puder me acompanhar…
Edward a seguiu, em silêncio, observando tudo ao redor com atenção. O ambiente era claro, espaçoso, bonito. Ele seguiu a moça por um corredor comprimido e bem decorado, até parar em frente à uma porta dupla. Ela bateu, duas vezes, antes de Edward escutar um ‘entre’.
– Senhor King? — A menina disse. Annie, dizia o crachá dela. — O detetive Cullen chegou…
Edward entrou no escritório, sorrindo gentilmente, e encontrou um homem alto e loiro, os olhos do mais profundo azul fitando-o com atenção.
– Detetive Cullen, é um prazer. — Ele apertou a mão dele. — O que poderia fazer por você hoje?
Incerto de como começar, ele aceitou o convite para se sentar e respirou fundo, pronto para começar a falar, esperando que Royce King pudesse ajudá-lo com a sua investigação.
Ele realmente esperava que sim.
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