Daylight
6 Capítulo Cinco
Notas iniciais
Espero que gostem (;
Leiam a N/A, por favor, ok?
Ele sentiu cada músculo do seu corpo travar diante da cena que acontecia à sua frente. Tentou se mover, querendo, de alguma forma, ajudar a pequena garota, mas soltou um gemido de dor quando sentiu pontadas por todo o seu corpo. Sua cabeça estava latejando um pouco e o local parecia girar.
Ele sabia que não iria conseguir ficar acordado por muito tempo.
Tentou gritar, querendo avisar aos seus colegas que havia uma criança ali, que eles deveriam recuar, mas nada mais que um gemido escapou de seus lábios.
Sabendo que tudo dependia dele, ele ignorou a dor e começou a se mover. Fechou os olhos com força quando a dor de cabeça piorou. Apoiou-se em um pedaço de pedra, procurando se levantar , e deu um sorriso à garotinha, querendo mostrar que tudo estava bem e que logo ele chegaria até ela, mas seu corpo não obedeceu aos seus comandos; antes que ele conseguisse se levantar, ele escutou tiros.
Caído no chão, ele tentou gritar para a menina se jogar atrás da pedra. Ela parecia assustada, olhando para Edward com os olhos arregalados, a perna machucada. Ela tremia e, impossibilitado de ajudá-la, ele viu o exato momento em que a bala a atingou.
E era tarde demais.
Um grito surdo escapou de seus lábios e a dor piorou. Ele tentou se manter acordado, mas a dor de cabeça se tornou insuportável.
E ele não viu mais nada.
Edward se sentou de repente, ofegando. Olhou ao redor e percebeu que tinha adormecido na poltrona do quarto da irmã. Passou a mão no rosto, querendo afastar o pesadelo e, depois que se viu mais calmo, olhou para o lado, onde Rosalie repousava de forma serena na cama.
Ela ainda se recusava a sair de casa.
Sua mãe tinha ligado mais cedo, quando ele voltava da casa de Isabella, pedindo que ele tentasse convencer a sua irmã a sair de casa.
Mas ele não conseguira.
Rosalie ainda se recusava a sair de casa, com medo de que a atacassem novamente. Seus pais estavam cogitando levá-la a um psicólogo, mas a mesma não queria. Conseguir fazer com que ela fosse ao jardim era quase impossível... E ela até mesmo se recusava a receber as amigas.
As mãos de todos estavam atadas. Ele não tinham ideia do que fazer para tirá-la daquele muro que havia criado ao redor de si.
E isso fazia com que Edward se lembrasse de Isabella e de sua recusa em falar do que havia acontecido há dez anos.
Ben havia descoberto o que havia acontecido no hospital naquele plantão sem dificuldade alguma, o que tinha agradado, e muito, a Edward. Ele procurou por todos os pacientes de Isabella naquele dia e descobriu que ela tinha perdido um; um que ela tinha começado a atender quando ainda era apenas uma interna. E ele apostava sua carreira que aquilo, juntando com o fato de ela ter atendido uma garota que tinha sido atacada mais cedo, a tinha deixado daquele jeito no carro. Talvez não fosse muito, e Edward até sentia muito por estar aproveitando de situações assim, mas... toda vez que ele olhava para Rosalie e via aquele olhar amedrontado dela...
Ele simplesmente tinha que fazer alguma coisa.
Suspirou pesadamente, e tateou a poltrona onde estava sentado, à procura do controle da televisão. Ele a desligou sem nem mesmo olhar para a tela e após ver se Rosalie estava tendo um sono tranquilo, se dirigiu até a cozinha.
Ele não comia nada desde que tinha chegado à casa dos pais.
Preparou algo simples, apenas uma macarronada, não querendo fazer muito barulho e acordar alguém da casa. Quando terminou, serviu-se e se sentou à bancada, sentindo seu estômago urrar de fome. Deu algumas garfadas enquanto pensava no seu próximo passo. Isabella tinha, sim, um muro erguido ao seu redor. Ele tinha achado que era impossível retirá-lo, mas as informações que Ben havia lhe dado... eram extremamente animadoras.
- Comendo a essa hora, filho?
Ele olhou para cima e sorriu ao ver seu pai entrando na cozinha, indo direito para a geladeira. Observou-o pegar um copo de leite lá e se aproximar da bancada, sentando-se à sua frente.
- É — comentou. — Eu acabei cochilando enquanto assistia a televisão...
Carlisle lhe deu um sorriso triste, provavelmente pensando em Rosalie.
- E sua irmã? — ele indagou. — Ela ainda está dormindo?
Edward suspirou, e apenas acenou, sem saber como diria ao pai que a conversa que ele tinha tido com sua irmã caçula, não tinha tido efeito algum. Sabia que seus pais estavam morrendo de preocupação — assim como ele também estava — e sabia que eles tinham tentado de tudo.
- Está — murmurou. — Sinto muito, pai, não consegui convencê-la a sair... Não sei o que fazer, sinceramente. Ela parece estar melhorando algumas vezes, mas depois... bem, acho que você e a mamãe sabem disso melhor do que eu.
Seu pai assentiu.
- Eu sei — suspirou. — Tento conversar com ela sempre, ou convencê-la a aceitar que uma de suas amigas venham aqui, mas ela mal sai do quarto... Você teve alguma notícia sobre o cara que fez isso? Conseguiu alguma pista ou algo assim?
Edward largou o garfo, sem se importar com o pouco de macarrão que restava; seu apetite se fora.
- Está sendo mais difícil do que eu esperava — ele disse. Ele não deveria estar contando nada ao pai, mas ele, como irmão, sabia o que Carlisle estava passando. — Tive algumas pistas hoje, mas não sei se vou chegar a algum lugar com elas. Está sendo mais difícil do que eu imaginava.
Seu pai o observava atentamente, e quando ele terminou de falar, apenas suspirou. O que mais ele poderia fazer? Ele queria, mais do que tudo, pegar quem tinha tentado fazer mal à sua garotinha, fazer com que ela se sentisse segura novamente, mas ele sabia que a polícia ia atrás daquele cara há mais de dez anos. Ele era bom no que fazia, infelizmente.
- Há uma garota que escapou, não há? — Carlisle indagou. — Eu me lembro de ler isso no noticiário há alguns anos... Você já tentou falar com ela?
Edward olhou para o pai durante alguns minutos e depois resmungou.
- Estou atrás dela nesse momento — comentou. — Entretanto, infelizmente, ela se recusa a comentar sobre isso. Ela insiste em dizer que nada aconteceu. Estou tentando ainda algo com ela, ver se ela me dá uma informação, qualquer uma, mas... não sei, pai. Sinceramente, não sei.
Edward se pôs de pé e caminhou até a pia. Jogou o resto do macarrão fora e lavou o prato, sabendo que seu pai ainda o observava, provavelmente querendo mais alguma informação. Infelizmente, ele não tinha muitas e já tinha falado mais do que deveria.
- E você teve alguma notícia sobre a mídia? — ele perguntou. — Eles ficaram sabendo sobre algo da sua irmã?
Edward tinha feito o seu melhor e tinha evitado que a mídia publicasse algo sobre Rosalie. A notícia sobre a van ter aparecido tinha sido publicada, mas não citavam o nome da vítima dessa vez.
- Eu consegui adiar mais do que eu imaginava, pai — ele respondeu. — Não sei se vai demorar muito, porém. Eles estão atrás do pessoal da delegacia, à procura de informações. Esse cara tinha ficado sumido por muito tempo. Eles querem saber o que aconteceu com a garota que ele tentou pegar...
Edward ouviu o barulho do banco se afastando e soube que seu pai tinha se levantado. Permaneceu de costas, enxugando as louças que tinha sujado, esperando para ver se seu pai tinha algo para dizer.
- Só faça o seu melhor, filho. — Ele o escutou sussurrar, por fim. — Só faça o seu melhor e coloque esse desgraçado atrás das grades o quanto antes.
Ele sentiu seu pai apertando seu ombro e se virou, sorrindo um pouco.
- Vou fazer tudo o que posso, pai — ele jurou. — Eu o quero preso tanto quanto vocês.
E após trocarem um sorriso, pai e filho deixaram a cozinha juntos, cada um mergulhado em seus próprios pensamentos.
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Isabella não dormiu bem naquele dia. Mesmo estando exausta devido ao plantão e tudo o que ocorrera nele, cade vez que ela fechava os olhos, ela se lembrava da garota que tinha sido atacada, do garotinho que ela tinha atendido quando era apenas uma interna. E depois de sonhar com isso, depois de ter pesadelos que ela não queria ter, ela desistiu e se levantou. Tomou um banho longo e quente, e depois se dirigiu até a cozinha. Preparou um café para si e um sanduíche, embora não estivesse com muita fome. A casa parecia estar silenciosa demais, até mesmo para alguém que gostava de ser sozinha, como ela. Aquele silêncio só contribuía para que ela mergulhasse em seus próprios pensamentos e se lembrasse do olhar no rosto dos pais de Malcon. A forma como eles choraram um no braço do outro... era demais.
Tentando fazer com que as lembranças fossem embora, Isabella se dirigiu até a sala e se sentou no sofá, antes de puxar o controle da televisão para si. Ligou e ficou passando os canais, até chegar ao noticiário local. Ela não tinha muito interesse naquilo, mas também não estava com vontade e paciência para lidar com filmes e séries. Que fosse aquilo, então.
Pegou seu sanduíche e deu uma grande mordida, enquanto ouvia a mulher comentar sobre a temperatura nos próximos dias. Sorveu um grande gole do seu café e suspirou, sabendo que aquilo não a ajudaria a dormir. Pelo menos, pensou, eu não terei pesadelos.
O noticiário não estava falando nada que a interessasse, na verdade, estava fazendo com que ela sentisse cada vez mais tédio. Ela já estava esticando a mão para pegar o controle e procurar outra coisa, quando escutou algo que lhe chamou a atenção e que fez com que ela congelasse.
- Há alguns dias anunciamos aqui que o maníaco da van tinha feito um novo ataque. — Anunciou o repórter, parado em frente à uma casa grande e elegante. - Não tínhamos muitas informações, porque a polícia estava trabalhando com muito sigilo, mas finalmente fomos capazes de descobrir quem foi a última vítima.
Isabella permaneceu parada ali, seus olhos observando tudo com atenção. Ela evitava ouvir notícias sobre esse assunto, mas ela não conseguia se mover. Algo chamava sua atenção ali, embora ela não soubesse o quê.
- Rosalie Cullen, meia-irmã do detetive responsável pelo caso, Edward Cullen — ele continuou, e ela ofegou, seus olhos arregalados -, foi a mulher que sofreu uma tentativa de sequestro. O detetive se recusou a dar mais informações, assim como a família da moça.
Uma foto de Rosalie surgiu na tela e Bella engoliu em seco, finalmente encontrando forças para se mover. Ela pegou o controle e desligou a televisão, sua mente viajando a mais de mil milhas dali. Então era por isso. Era por isso que o detetive Cullen ficava atrás dela e não a deixava em paz.
Eles tinham tentado fazer com a irmã dele o mesmo que fizeram a ela.
Sentindo-se incapaz de chegar a alguma conclusão — ou até mesmo saber o que pensar -, a morena largou metade do sanduíche e o café da mesa, antes de se levantar. Ela não voltaria a ligar a televisão — tinha perdido totalmente o interesse se assistir a alguma coisa -, mas também não ficaria ali, no silêncio. Caminhou até o seu quarto e pegou o primeiro par de roupas ali. Arrumou-se o mais rápido que pôde e saiu de casa, mais distraída do que nunca.
Tão distraída que ela não notou o carro parado em frente à casa dela.
Caminhou durante algum tempo, sem ser para um lugar específico, e acabou parando em uma pracinha que ficava próxima à sua casa. Sentou-se em um dos bancos e apoiou a cabeça nas mãos, fechando os olhos com força.
Quando aquele pesadelo iria acabar de uma vez por todas? Quando ela teria a chance de seguir em frente com a sua vida, sem ter alguém que sempre a fizesse se lembrar de seu passado?
- É uma surpresa lhe encontrar aqui, Srta. Swan.
Isabella ergueu a cabeça imediatamente e viu o detetive Cullen ali, parado, as mãos no bolso da calça jeans. Ele a observava com atenção, seu rosto sério demais. Ele provavelmente já sabia que a mídia tinha descoberto que a irmã dele era a vítima, mas seu rosto não mostrava nada disso. Em um momento de devaneio, Bella se perguntou como ele poderia se manter assim, tão seguro de si.
- Detetive Cullen — ela cumprimentou. — Eu deveria ter imaginado que você não desistiria.
Edward sorriu para ela rapidamente; um sorriso que logo morreu. Sem se importar com o fato de que provavelmente ele estava a incomodando, sentou-se ao seu lado, seus olhos agora voltados para a movimentação da praça.
- Desistir... — ele sussurrou. — Está aí uma palavra que não existe no meu dicionário, Isabella. Pode ser difícil e pode levar um tempo, mas eu pretendo conseguir as informações que eu quero. E, talvez, infelizmente para nós dois... você é a única que pode dá-las a mim no momento.
Ela o observou, vendo cada detalhe do seu rosto. Seus cabelos voavam levemente com a ventania e eram de um tom estranho bronze, algo que Bella nunca tinha visto antes. Seus olhos eram de um verde claro, límpido, e havia, neles, algo que ela não soube identificar. O detetive se mostrava uma pessoa confiante, segura e forte, mas havia algo por trás daquela máscara, Bella sabia, muito embora ela não pudesse dizer o que, exatamente, era.
- Por que você não se abre de uma vez? — ele indagou, virando-se de repente e fazendo com que ela corasse por ter sido pega o observando. — Se quer tanto assim se livrar de mim, por que não me diz logo tudo? Eu pego o cara, o prendo e fim. Você provavelmente vai ter que testemunhar, eu não posso negar isso, mas depois... você estará livre.
Querendo se livrar da intensidade daqueles olhos, ela desviou o olhar para as suas mãos, que estavam fechadas em punhos em seu colo. Livre. Ela era independente e morava sozinha há anos. Tinha sua carreira — uma carreira que a fazia se sentir bem e feliz — e sua vida, mas... liberdade era algo que Isabella nunca tinha tido, mesmo que ela não quisesse admitir.
Ela estava presa ao seu passado há tanto tempo que ela tinha aprendido a conviver com isso.
Sentiu seu coração apertar, ao mesmo tempo em que diversas lembranças invadiam suas mentes. Cada uma delas ainda estava vívida dentro de si, mesmo que ela tentasse mantê-las longe. Abriu a boca, pronta para dizer ao detetive que ele estava errado, que ela não era a garota que ele procurava, mas não conseguiu dizer tal coisa.
As lembranças estavam vindo com mais força, uma em particular. Ela cerrou a mandíbula, não querendo — não podendo — tê-la ali, no meio da rua. Mas tinha sido um dia longo, ela não tinha dormido bem...
E não havia nada que ela pudesse fazer para evitar.
Ele vinha com frequência agora. Às vezes apenas ficava parado na porta, a observando. Outras, ele entrava e trancava a porta atrás de si, fazendo questão de se sentar próximo a ela, querendo conversar... Isabella se recusava; ela não queria conversas, só queria ir embora dali. Mas ele insistia. Falava por horas, sem se importar em ter uma resposta. Ele contava sobre o que estava planejando, às vezes comentava sobre como tinha sido o dia dele...
Coisas inúteis, coisas que Bella não queria saber.
Mas ele insistia em falar.
- Com o tempo você vai adquirir confiança para se abrir — ele dizia, quando ela se recusava a responder uma de suas perguntas. — Com o tempo, você vai ver como tudo se tornará mais fácil.
Entretanto, como ela nunca respondia nada, ele suspirava e saía do quarto. E demorava alguns dias para aparecer.
Dormir era difícil, comer, quase impossível. Ele trazia algumas roupas para ela às vezes e a fazia tomar banho, em um banheiro minúsculo, que ficava no andar de cima da casa — o único cômodo dela que ele permitia que ela visse, além daquele que ela ficava, é claro. Ela tomava rapidamente, seus olhos grudados na porta — que, para a sua sorte, trancava somente por dentro -, atenta a qualquer movimento suspeito. Quando terminava, ela abria a porta, e ele sempre estava lá, esperando por ela.
Isabella já tinha perdido a conta de quanto tempo havia se passado desde o seu aniversário. Sem um calendário, ela não conseguia saber que dia exato do mês era. Se não fosse pela janela que ficava ali, ela nem mesmo saberia diferenciar o dia da noite.
Ela soltou um suspirou pesado e se ajeitou na cama, seus olhos observando a escuridão do lado de fora. Ela estava cansada — ultimamente, ela estava sempre cansada -, mas não conseguia dormir. Ela sonhava com os pais quando dormia, com os amigos, com a escola... Um soluço escapou de seus lábios quando ela se perguntou se teria a chance de algum dia vê-los novamente. Ela não era idiota. Sabia quem era aquele cara, ela tinha lido as notícias.
E todas as suas vítimas tinham morrido, sem excessão.
Afundou a cabeça no travesseiro e se permitiu chorar durante algum tempo, embora tentasse engolir os soluços. Afinal, ela não queria acordá-lo e ter de ouvi-lo conversar durante horas a fio. E ela também não queria que ele soubesse que ele a estava afetando.
Ela tinha que ser forte.
De repente, uma ideia lhe atingiu; uma ideia meio maluca. Ela se sentou na cama e olhou para a porta, seus olhos um pouco arregalados. Ele vivia falando em confiança, vivia dizendo que se ela fizesse tudo o que ele pedir... Engolindo em seco, ela limpou as lágrimas, seus olhos presos, de repente, na pulseira de ouro que seus pais haviam dado a ela de presente de aniversário. Ela a acariciou com os dedos e tomou uma respiração longa.
Ela conquistaria a confiança dele, até descobrir uma maneira de fugir.
Isabella apertou as mãos ainda mais, fugindo das lembranças. Ela se odiava por ter feito o que fez, por ter começado a, de fato, conversar com aquele cara. Isso tinha a ajudado a fugir, é claro, mas pensar naquilo ainda a afetava mais do que esperava.
- Eu não posso — sussurrou, por fim, fazendo esforço para não se mostrar abalada pelo que acabara de se lembrar. — Não me peça isso, detetive. Por favor.
Edward se surpreendeu ao ouvir tais palavras dela e arregalou os olhos. Ela olhava para as mãos, ainda fechadas em punhos, e tinha os olhos fechados com força. Seus ombros tremiam, algo que ele nunca tinha visto antes — e ela provavelmente nem tinha se dado conta daquilo. Ele ficou parado, quase congelado, diante do que ele via. Isabella estava se mostrando vulnerável.
E ele não tinha a ideia do porquê.
Ele estendeu a mão por um momento, mas logo abaixou, não querendo tirá-la daquele estado. Ele tinha medo de que, se a tocasse, ela voltaria a levantar os muros e iria embora.
Ele tinha que aproveitar aquela oportunidade; ele não sabia se teria uma daquelas novamente.
- Eu preciso, Isabella — murmurou. — Eu preciso saber quem é esse cara, eu preciso prendê-lo. Por favor, só me dê uma pista.
A morena tremeu ainda mais, seus olhos ainda fechados. Ela tentou voltar a si, tentou respirar fundo, tentou se lembrar de todas as técnicas que tinha aprendido ao longo dos anos. Mas o que acontecera no hospital naquela noite e a notícia que ela tinha lido naquela manhã tinham mexido demais com ela.
Por quê?, ela se indagou. Por que está mexendo tanto comigo?
Edward sentiu seu coração acelerar quando viu todas aquelas reações em Isabella, sem conseguir acreditar que enfim tinha conseguido penetrar aquela barreira que ela mantinha ao seu redor de forma tão firme. Ele parou por um momento, pensando na sua irmã, pensando que logo poderia falar que ela estava totalmente segura novamente, antes de voltar a se concentrar em Bella.
Ele tinha que fazer as perguntas certas.
- Diga-me quem é — murmurou. — Fale o nome ou qualquer outro detalhe que se lembrar. Eu só preciso disso, Isabella, e eu... eu prometo a você, eu vou fazer com que ele passe o resto da vida na prisão. Ele nunca mais poderá machucar ninguém mais, nenhuma garotinha...
Ela balançou a cabeça de forma negativa e se encolheu contra o banco. Naquele momento, a vendo daquele jeito, Edward sentiu algo estranho dentro do seu peito e ofegou, franzindo a testa. Ele não se sentia assim desde... Não, ele pensou, cortando seus pensamentos. Não posso pensar nisso.
Ele abriu a boca para fazer mais uma tentativa com Isabella, quando sentiu seu celular tocar contra o bolso da sua calça. Ele pensou em ignorar, já que estava perto de conseguir algo — mesmo que não fosse muito, o que ele não esperava, já que Isabella tinha mantido isso em segredo por mais de dez anos -, mas resolveu atender. Era o toque que ele escolhera para o pessoal da delegacia; poderia ser alguma informação importante.
Sem tirar os olhos da morena, ele pegou o celular e o atendeu rapidamente, colocando o aparelho em sua orelha.
- Detetive Cullen — respondeu, ainda fitando Isabella.
Ele escutou o que a pessoa tinha a dizer e arregalou os olhos. Pôs-se de pé rapidamente, ainda fitando Isabella, e assentiu, mesmo a pessoa não podendo vê-lo.
- Estou a caminho. — Foi tudo o que ele disse, antes de finalizar e ligação.
Isabella ainda tinha os olhos fechados, ele observou. Queria poder ficar mais ali com ela, já que estava quase conseguindo algo, mas sabia que precisava ir à delegacia.
- Eu, infelizmente, tenho que ir para a delegacia agora, Isabella — ele disse, por fim. Finalmente, a morena abriu os olhos e respirou fundo, antes de levantar a cabeça e olhá-lo. — Eu espero que possamos retomar essa conversa em breve.
Ele firmou as mãos no bolso de sua calça ao ver os olhos castanhos dela. Ela costumava mascarar as emoções muito bem, o que admirava, e muito, a Edward, mas, naquele momento, ela parecia uma garotinha desamparada. Uma garotinha que tinha sido sequestrada no seu aniversário de quinze anos.
Observou-a durante mais algum tempo, gravando cada detalhe do seu rosto em sua mente, e por fim se afastou, quando a necessidade de consolá-la de alguma forma se tornou forte demais.
Bella o viu se afastar e soltou um suspiro pesado, ainda se sentindo muito estranha. Procurou forças para ir fazer alguma coisa, ir até a academia e descarregar aqueles sentimentos, mas não encontrou. Só depois de alguns minutos, que ela se levantou do banco e voltou para casa.
Ela permaneceu ali durante o resto do dia, não fazendo nada em especial. Tentou ler, tentou assistir a televisão, tentou estudar... mas nada parecia estar prendendo a sua atenção. Ela ainda estava se sentindo vulnerável demais e não estava gostando daquilo.
Novamente, dormir foi difícil, mas ela conseguiu cochilar um pouco. Acordou cedo demais e preparou um café da manhã, antes de ir até a porta da sua casa e pegar seu jornal. Sentou-se à mesa e se serviu, tomando seu tempo, já que não precisava se preocupar em voltar para o hospital até a manhã seguinte. Puxou o jornal para si, por fim, depois de dar um gole em seu café, perguntando-se qual tinha sido a última vez que ela tinha tempo para ler todas as notícias.
Mas o que ela viu na manchete do jornal local, fez com que ela parasse, antes mesmo de virar a página.
Um corpo de uma adolescente tinha sido encontrado no dia anterior. Um corpo, de acordo com a mídia, com os mesmos ferimentos característicos de todas as outras que tinham sido encontradas depois de passarem um tempo com o cara da van.
Isabella soltou o jornal imediatamente, as emoções do dia anterior caindo com força sobre ela. Apertou uma mão na outra, desejando que elas parassem de tremer, e respirou fundo. Tentou se acalmar, tentou não pensar em tudo aquilo, mas era demais.
Ela tinha demorado anos para se recuperar, para ter controle sobre si novamente, para se sentir confiante quanto a isso, e de repente parecia que tudo tinha resolvido acontecer de uma vez só. Lembrou-se da garota que tinha sido atacada e que tinha custado a confiar nela, lembrou-se de Rosalie Cullen, lembrou-se do detetive Cullen... e, mesmo não querendo, voltou seus olhos para o jornal.
Mais uma mulher morta. Mais uma vez ele tinha atacado.
Trêmula, Isabella se pôs de pé e pegou a chave do carro, sem se importar com o fato de estar usando roupas de dentro de casa. Ela já estava dentro do carro quando se lembrou que ele não estava ligando, o que a fez grunhir. Voltou para a casa, então, e pegou uma nota de vinte dólares.
Ainda sem se importar com a roupa que usava, ela correu para fora de casa, mal se lembrando de fechá-la, e chamou um táxi. Já lá dentro, disso o endereço da mãe, e esperou, de forma impaciente, até ele chegar. Entregou-lhe a nota e saiu, sem esperar o troco, praticamente correndo até a porta da casa dos pais.
Tocou a campainha, se sentindo a cada minuto mais ansiosa, e soltou um suspiro de alívio quando a mãe atendeu.
- Bella? — Renée indagou. Ela arregalou os olhos um pouco quando viu o estado da filha. — Aconteceu alguma coisa?
Sem dizer uma palavra, ela se aproximou, sentindo sua garganta apertar. Renée, embora ainda confusa, aceitou o abraço de Isabella, enquanto dizia que tudo ficaria bem.
E pela primeira vez em mais de dez anos, Isabella se permitiu chorar nos braços da mãe.
Notas finais
Enfim, moças, sei que demorei, mas essa fanfic é um pouquinho mais complicada de escrever, caso vocês não tenham notado e tudo o mais. O próximo já está prontinho e para eu postá-lo no sábado que vem só depende de vocês. Ando sentindo falta dos reviews, então, comentem, ok?
xx
N/B: Mais um capítulo pronto. Acho que as defesas de Bella estão começando a cair. Vários tijolos se foram com esses acontecimentos. Espero que logo ela se abra. Comentem o que vocês acharam. Bjs, Lu.,
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