Daylight

32 Capítulo Trinta e Um


Notas iniciais
Atrasei horrores, eu sei, mas explico na N/A, ok? Espero que gostem do capítulo!

Royce não passaria 30 anos na prisão. Ele não passaria toda a vida na prisão, até que estivesse velho e morresse. Ele morreria, sim, mas muito mais breve do que ele tinha imaginado. Porque ele tinha recebido a pena de morte.

Ele tinha sido condenado à morte.

—x-

Um ano depois

Isabella levantou, sorrindo, e deu um abraço rápido em Jasper, antes de sair da sala dele e marcar sua próxima consulta com seu psiquiatra. Ela tinha começado vindo duas vezes por semana, depois uma vez por semana, depois de quinze e quinze dias, e agora ela passaria a vir uma vez por mês.

E por mais que ela gostasse de conversar com Jasper e que sempre se sentia bem quando saía de lá, ela estava feliz por aquilo ter acontecido. Significava que ela estava ficando melhor. Até alguns meses atrás, ela sempre pensava que tinha um grande caminho pela frente, mas não agora. Agora, a morena sabia que podia ligar com seus problemas — bem, a maior parte deles, pelo menos — sozinha. Ou com Edward.

Edward.

Ela suspirou ao pensar nele e sorriu ainda mais. Ela não conseguia acreditar que eles estavam juntos havia pouco mais de um ano. Ela sabia, com toda a certeza, que o amava e que estava completamente apaixonada por ele. Eles já tinham dito isso um para o outro, alguns meses atrás. É claro, o relacionamento deles não era perfeito, mas nenhum era, certo? E embora as primeiras brigas que eles tiveram — por mais bobas que fossem -, a tivessem feito correr para o Dr. Hale, com medo de ter estragado tudo, já que não tinha experiência nessas coisas, com o tempo, ela foi entendendo e aprendendo. Ela entendia agora que a conversa, em um relacionamento, era umas das coisas mais importantes.

E os dois gostavam de conversar. Mesmo quando tinham um dia cheio no trabalho e não podiam se ver porque ela estava indo dar outro plantão e ele estava preso na delegacia, eles faziam questão de conversar, todos os dias. Nem que fosse uma ligação rápida para dizer que sentiam saudade e que se amavam.

Fazia com que eles se sentissem bem.

Eles sabiam balancear a relação, também. Se antes, os dois mal saíam da casa um do outro, preferindo passar tempo juntos, agora eles costumavam sair mais. Bella já tinha se encontrado com Ben, com quem Edward fizera as pazes meses atrás, com Alice, Emmett, Rosalie… e, por incrível que pareça, Jasper.

Foi uma surpresa para morena, encontrar o Dr. Hale no hospital um dia, com o rosto mais pálido do que o comum e parecendo extremamente nervoso. Ela se assustou um pouco ao visualizá-lo desse jeito, já que ele estava sempre bem composto e profissional quando eles se viam no consultório. Seu plantão estava quase acabando, e ela tinha combinado de almoçar com Alice, em um restaurante perto dali, antes de seguir para casa e só sair no dia seguinte. Ela decidiu extendê-lo um pouco mais, no entanto, assim que viu o garotinho no colo de Jasper, segurando o braço e chorando.

Naquele dia, ela descobriu que o Dr. Hale era um homem divorciado e que seu relacionamento com sua ex-mulher, Maria, tinha resultado no nascimento de um menino, agora com 5 anos, James.

Isabella mesma atendeu ao garoto, descobrindo que ele tinha caído da bicicleta e que seu braço estava doendo muito. Depois de examiná-lo rapidamente, checando por outros machucados, ela pediu que uma enfermeira o levasse para tirar uma radiografia. Tirando um joelho ralado, ele não parecia ter machucado nada mais do que o braço.

— Ele vai ficar bem. — Isabella virou-se para Jasper, enquanto eles esperavam pela enfermeira. — Provavelmente é só um braço quebrado. Ele vai poder escolher a cor do gesso e terá muitos coleguinhas querendo assinar.

Jasper tinha sorrido e assentido. Algum tempo depois, Isabella observava um ortopedista examinar a radiografia do braço esquerdo do pequeno James e confirmado a fratura. Bella, então, perguntou ao menino qual a cor do gesso que gostaria.

Ela estava terminando de conversar com Jasper, o braço de James já engessado, quando Alice apareceu. Elas haviam combinado de se encontrar no restaurante meia hora atrás, e pensando que tinha acontecido algo, quando a amiga não apareceu, ela tinha vindo até o hospital, apenas para ver se estava tudo bem.

Jasper e Alice eram inseparáveis desde então.

Bella riu ao lembrar disso, enquanto saía do prédio. Seu sorriso aumentou quando ela viu Edward encostado em seu carro. Ela caminhou até ele e se deixou ser envolvida em seu abraço, antes de beijá-lo levemente.

— Posso saber o motivo de a senhorita ter saído do prédio rindo? — ele ergueu as sobrancelhas.

Ela revirou os olhos, ainda sorrindo.

— Só estava me lembrando de quando Alice e Jasper se conheceram — ela encolheu os ombros. — Não consigo, às vezes, acreditar que o tempo tenha passado tão rápido.

Ele riu também, antes de se afastar um pouco.

— É verdade — comentou. Ele abriu a porta do carro para ela, sabendo que os dois tinham um compromisso naquele dia. — Pronta? Meus pais estão nos esperando…

Bella sorriu ao entrar no carro. Ela jantava com a família de Edward agora. Ia às festas, aos almoços de família e coisas do tipo. Ele fazia isso com a família dela também.

E ela ainda conseguia se lembrar de como tinha se sentido nervosa na primeira vez que tinha ido para a casa dos Cullen. Eles já sabiam que ela e Edward estavam juntos, mas aquela era a primeira vez que isso se tornaria oficial para eles. Edward dissera, na época, que não havia necessidade de ela ficar nervosa, que os pais dele a adoravam, mas ela não conseguia evitar. Foi difícil para ela conseguir vencer aquele medo e começar a ter coragem de sair mais de casa, sem ser para ir à academia, à casa dos pais, ao hospital ou ao supermercado. Ela sempre tinha tido uma rotina, e quebrá-la foi um pouco difícil. Ela tinha criado essa rotina por sentir medo, afinal.

Mas com Royce preso e sem nenhuma chance de sair da cadeia, ela começou a relaxar um pouco mais.

Então, cerca de dois meses depois do julgamento, quando Royce fora condenado à morte, Edward comentou com Bella como os pais adorariam recebê-la para jantar. Ele até comentou que Emmett estaria lá também. Ela relutou um pouco, embora não tivesse certeza de quais fossem suas inseguranças, até que decidiu tentar.

E foi muito melhor do que ela imaginava.

Como ela ainda se sentia insegura em cozinhar, ela comprara uma torta alemã em uma padaria perto da sua casa, uma que ela sabia que era deliciosa, decidindo levá-la para a casa dos Cullen como uma sobremesa. Edward tinha dito que não havia necessidade alguma, mas ela se sentia melhor assim.

Os Cullen foram realmente muito receptivos. Ela esperou que eles a tratassem como a garota que tinha sido sequestrada e tinha conseguido escapar, mas eles nem mesmo tocaram no assunto. Ela e Carlisle se envolveram em uma conversa sobre o hospital e sobre o trabalho dos dois. Ela pensou que não teria muito em comum com Esme e que as duas acabariam não tendo nada para conversar, mas ela estava errada. Esme trabalhava como voluntária em algumas instituições de caridades, muitas delas envolvendo crianças, e elas passaram um tempo conversando sobre isso também, junto de Rosalie.

Eles comeram a torta alemã, que Bella havia levado, na sala, enquanto assistiam a um filme de comédia que passava na TV. Quando o filme acabou, eles foram embora, Bella prometendo voltar logo.

E desde então, ela sempre ia à casa dos Cullen.

A morena saiu de seus devaneios quando Edward estacionou em frente à casa dos seus pais. Esme já os esperava na porta, e ela abraçou os dois como se não os vissem há meses, ao invés de apenas dias, já que eles tinham vindo almoçar com os dois no domingo.

— Olá, querido — ela os cumprimentou. — Tudo bem?

Eles conversaram um pouco enquanto caminhavam até a cozinha, onde Esme preparava o jantar. Bella ofereceu ajuda, já se sentindo mais a vontade em relação a isso. Ela trabalhara seus medos e inseguranças com o Dr. Hale ao longo dos meses, afinal. Esme recusou, porém, dizendo que estava quase tudo pronto e que só estava esperando a carne terminar de assar.

— Onde está meu pai, mãe? — Edward indagou, voltando para a cozinha. — Fui até o escritório, mas ele não está lá…

Esme encolheu os ombros.

— Ele deve ter ido tomar banho ou algo assim — disse. — Chegou a pouco do hospital e foi direito para o escritório. Quando eu disse que vocês estavam chegando, eu falei com ele para ir se trocar…

Eles ficaram ali um tempo, e logo Carlisle se juntou a eles. Era sempre bom conversar com os Cullen e Bella sempre gostava dos dias que eles se reuniam. Eles não se demoraram muito lá, no entanto, já que a morena trabalharia cedo no dia seguinte, assim como Edward. O horário dos dois continuava uma loucura, e Bella vinha pensando em conversar com seu namorado sobre isso.

Nos últimos 12 meses, muita coisa tinha mudado na vida dela. Ela se sentia mais confiante. Mais livre. Podia sair sem medo de que algo fosse acontecer, podia se divertir sem reviver a noite de seu aniversário ou achar que ela aconteceria novamente. Foi trabalhoso e por várias vezes ela achou que não conseguiria, que realmente era defeituosa demais e que nunca conseguia ser apenas uma mulher normal, com seus problemas, como todo mundo tem, mas também com uma ótima família, amigos e um namorado incrível.

Houve choros, brigas… Conversar sobre tudo o que lhe acontecera no julgamento tinha ajudado bastante e por um momento ela pensara que seus problemas acabariam ali, mas Royce tinha deixado muitas cicatrizes em sua vida, e não só físicas. Bella precisou de tempo, paciência e muita força de vontade para conseguir viver tudo aquilo.

Mas agora, ela quase conseguia se imaginar como uma mulher normal, que tinha um trabalho, um namorado, seus pais, amigos… Ela ainda fazia as mesmas coisas que fazia quando tinha sua rotina, mas não era mais apenas por obrigação ou algo assim, ou para manter sua sanidade e essas coisas. Ela gostava de ir à academia algumas vezes por semana, fazer compras para a sua casa. Mas agora ela também tinha adicionado outros programas à sua vida, e sabia que estava tudo bem fazer isso.

Pela primeira vez desde que ela tinha sido sequestrada, Isabella estava vivendo.

E por mais que fosse algo simples e que todo mundo fazia, ela se sentia incrível com isso.

Seu relacionamento com Edward tinha avançado um pouco, mas eles ainda não tinham dado aquele passo. Eles já haviam conversado sobre isso, alguns meses atrás, mas Bella ainda não se sentia pronta e Edward tinha dito que respeitaria e que esperaria por ela. Ela ainda não conseguia entender isso, às vezes — e sabia que talvez fosse devido à sua insegurança -, porque ele era um cara incrível e provavelmente tinha milhares de mulheres caindo aos seus pés. Ela sabia que ele não precisava esperar por ela.

O que o tornava mais incrível ainda. Ele a amava. E esperaria exatamente por isso.

— Você está meio pensativa hoje. — Edward comentou, parando em frente à casa dela, algum tempo depois. — Está tudo bem?

Ela sorriu um pouco ao ouvir a preocupação na voz dele, amando a forma que ele sempre agia. Ele não se preocupava tanto quanto antigamente, quando Royce estava atrás dela, não dessa forma, pelo menos. Mas o modo como ele agia… fazia com que Isabella se sentisse extremamente amada.

E ela o amava ainda mais por isso.

— Está sim — ela respondeu, ainda sorrindo. Eles desceram do carro e ela puxou a chave, destrancando o portão e abrindo espaço para que ele entrasse. — Eu só estou pensando em umas coisas que queria conversar com você…

Como ela ainda estava sorrindo, ele não pareceu se preocupar tanto, achando que tinha, de fato, acontecido alguma coisa, mas ele franziu o cenho, sentindo-se curioso.

— Aconteceu algo em sua sessão com Jasper? — ele tornou a indagar. — Eu acabei me esquecendo de perguntar…

Eles entraram na casa da morena e foram direto para o sofá. Isabella se jogou lá e puxou Edward para se sentar ao seu lado, antes de se acomodar nos seus braços, de forma que pudesse olhá-lo.

— Bem, agora só terei que ir uma vez por mês — comentou. — Não é uma ótima notícia?

Ele sorriu de orelha a orelha, o que só fez com que ela se sentisse um pouco mais feliz. A cada passo que ela dava na terapia, Edward estava lá com ela. Às vezes, ela tinha tido dias ruins, quando só precisava de um abraço dele, como, por exemplo, quando tinha uma conversa extremamente difícil com o Dr. Hale. Outras, ela estava tão feliz que simplesmente saía falando em disparada, sem nem perceber a velocidade das palavras que saíam da sua boca. Edward não parecia se importar, porém. Mesmo quando não conseguia entender o que ela estava falando, ele apenas sorria e assentia, sabendo que ela precisava daquilo.

— Isso é ótimo, baby! — ele disse, apertando-a em seus braços. — Estou muito orgulhoso de você!

Ele ergueu o rosto dela, pronto para beijá-la um pouco, mas ela se afastou e balançou a cabeça, rindo. As notícias não tinham acabado, afinal.

— Obrigada, mas… — ela hesitou por um momento. — Eu queria falar com você sobre outra coisa que venho pensando ultimamente…

Edward franziu a testa, mas não disse nada, esperando que ela continuasse.

— Você sabe como amo trabalhar no hospital — ela começou. Ele assentiu. — Mas você sabe como acabo ficando muito cansada e que meus horários são bem malucos. Mais que os seus, até. Então… eu meio que estou pensando em abrir um consultório, onde posso atender meus pacientes em um horário normal, e dar plantão cerca de uma vez por semana, talvez?

Ela parou de falar, então, e ficou fitando o namorado, esperando que ele dissesse alguma coisa. Não era algo que ela tinha decidido de uma hora para outra e sabia que não podia ser realizado imediatamente, mas ela queria muito compartilhar aquilo com Edward.

Ele sorriu, por fim, e ela soltou um suspiro de alívio.

— Bem, eu achei que isso é uma ótima ideia — ele disse. — Mas você tem certeza? Como você disse, você realmente gosta de trabalhar no hospital…

Ela deu de ombros, entrelaçando seus dedos nos dele.

— Eu vou continuar trabalhando lá — respondeu. — Tudo bem que vai ser uma vez por semana, mas… pelo menos eu terei um horário mais decente, não é? E os fins de semana livres, o que não tenho já faz… bem, algum tempo.

Ele riu.

— Você sabe que vou apoiá-la seja lá qual for a decisão que você tomar — comentou. — E se você tem certeza disso, então ótimo. Vou ajudá-la no que você precisar.

Ela se jogou nele, então, enquanto ria.

Definitivamente, ela estava vivendo. E estava amando tudo isso.

— Eu amo você, Edward — ela sussurrou, ainda o abraçando. — Eu realmente amo você.

Ela o sentiu sorrir contra seus cabelos.

— Eu também amo você, baby — ele sussurrou de volta, apertando seus braços um pouquinho mais ao redor dela. — Muito.

E enquanto estava ali, nos braços dele, Isabella não pôde deixar de lembrar de como tinha sido quando eles tinham trocado aquelas palavras pela primeira vez.

Quatro meses haviam se passado desde o julgamento de Royce. Isabella continuava na terapia e ela já tinha conversado com o Dr. Hale várias vezes sobre o que sentia pelo detetive Cullen. No começo, ela não tinha muito bem certeza sobre como se sentia, mas não por ela estar tentando negar seus sentimentos e sim porque nunca havia se sentido daquela forma antes. Parecia estranho uma mulher da idade dela se sentir daquela maneira, mas o que ela podia fazer? Royce tinha tirado muitas coisas da vida dela e agora que ela estava recuperando tudo, pouco ao pouco, ou pelo menos adaptando de alguma forma, ela não sabia muito bem como agir.

Ela realmente não tinha certeza de como foi que ela chegou à conclusão de que aquilo era amor. Talvez tenha sido quando ele tinha sorriso de certa forma para ela e ela tinha sentido seu coração acelerar. Talvez tenha sido quando ele a beijara da mesma maneira que beijara sempre, mas com um toque especial. Talvez tenha sido quando eles estavam assistindo a um filme juntos e eles estavam deitados juntos no sofá e ela pensou em como se sentia bem e protegida ali nos braços dele. Fosse quando fosse, Isabella percebeu que ela sempre tinha se sentido daquela forma, só tinha achado que esse sentimento era alguma outra coisa, por ele estar protegendo-a de Royce e tentando fazer com que ela contasse a verdade.

Ela amara o detetive. Ela tinha certeza disso.

Depois de ter descoberto tal coisa, outro dilema começou. Como ela contaria a ele? E quando? Porque ela sabia que ele sentia algo, mas não sabia se podia chamar de amor. E não queria estragar o que eles tinham.

Foi quando ela aprendeu outra lição com o Dr. Hale. A vida era cheia de incertezas, nada era concreto e as coisas nem sempre sairiam como desejamos. Mas não deveríamos deixar que o medo controlasse nossas ações. Então, ele sugeriu que ela falasse com Edward sobre o que ela sentia, chegando a dizer que ela podia até mesmo se surpreender com o que ele falaria de volta, e que isso não tinha que ser, necessariamente, algo ruim.

Então, um dia, depois que ele a levou para jantar em um restaurante que sabia que ela gostava de pedir comida para entregar, ela falou. Eles estavam caminhando até a casa dela, de mãos dadas, e embora estivesse nervosa, a morena sabia que não conseguiria segurar aquilo mais dentro dela. Então, ela se virou, parando em frente a Edward, e antes que ele pudesse começar a perguntar o motivo de eles terem parado, ela falou:

— Eu preciso te contar algo — ela murmurou, sentindo o martelar do seu coração contra o seu peito. — É um risco que vou correr, porque talvez você não sinta o mesmo e talvez isso estrague tudo, mas eu…

Ela foi interrompida pelos lábios dele nos dela. Edward a beijou por um tempo, antes de se afastar e sorrir.

— Eu também te amo — ele sussurrou, e ele sorria de forma tão linda, que Isabella não conseguiu não retribuir. — Eu queria ter te falado isso há tanto tempo, mas não queria te assustar. Prometi que sempre vou esperar até que esteja pronta, baby, e planejo cumprir essa promessa.

Eles se beijaram novamente. Isabella logo se afastou, no entanto. Ela ainda não havia dito as exatas palavras, afinal.

— Eu te amo, sabia? — ela sussurrou. — Eu realmente te amo.

Depois desse dia, ela se pegou dizendo isso para ele várias vezes, simplesmente porque ela tinha medo de que ele achasse que ela mudaria de ideia ou algo assim. Edward rira quando ela contara isso.

— Eu sei que você me ama, baby — ele dissera. — E sei que você não vai mudar de ideia quanto a isso.

Ela ainda era meio nova nisso de namorar, de sentimentos e essas coisas, e sabia que pisaria na bola algumas vezes.

E ficava feliz por Edward entender.

Ela voltou ao presente quando ele quebrou o abraço, dizendo que precisava ir, já que os dois trabalhariam cedo no dia seguinte. Ela não queria realmente que ele fosse, mas sabia que ele estava certo.

Enquanto se arrumava para dormir, a morena se lembrou de quando começou a perguntar para Edward sobre ele, querendo conhecer mais da vida do namorado, ao invés de saber só sobre o detetive Cullen. Ele foi meio relutante no começo, o que gerou uma briga entre os dois, uma das primeiras que eles tiveram, principalmente quando ela perguntou sobre a época dele no exército. Sempre que ela mencionava isso, ele se fechava completamente.

E doía nela. Porque ele sabia tudo sobre ela, até da parte mais dolorosa da sua vida.

E ela começou a pensar que talvez ele não confiasse nela o suficiente. Que talvez ele tinha mudado de ideia em relação a ela e que não a amava mais e não iria mais esperar por ela.

Ela tentou agir como se estivesse tudo bem. Procurou não falar mais sobre essa época da vida dele, não querendo perdê-lo, não querendo ouvir as palavras que ela tanto tinha medo de ouvir. Entretanto, conforme os dias foram passando e ela foi ficando mais tensa, ela não conseguiu segurar.

E ela resolveu tentar mais uma vez. Ela perguntou para ele se eles poderiam conversar sobre a época que ele estava no exército e, novamente, ele fugiu do assunto.

E ela não conseguiu segurar mais.

Ela não queria ficar emocional e não queria dizer aquilo. Mas ela estava se sentindo machucada. E as palavras saíram antes que ela pudesse contê-las.

— Você sempre me pediu para confiar em você — ela se lembrou de ter sussurrado. — Como pode ter me pedido isso quando tão claramente você não confia em mim?

Ela foi para o seu quarto depois disso e fechou a porta. Edward bateu à porta algumas vezes, pedindo que ela saísse para conversar, mas a morena não disse nenhuma palavra. Eventualmente, ele tinha desistido e a casa ficou silenciosa. E quando ela ouviu o barulho da porta da frente, ela sabia que ele tinha ido embora.

Foi a primeira vez que eles ficaram dias sem conversar, desde quando ele tinha falado, um tempo atrás, que tinha desistido dela. Ela se jogou no trabalho, cobrindo turnos para seus colegas e ficando mais do que o necessário. Ela só ia para casa para descansar um pouco e logo voltava para o trabalho. Ela sabia que Edward tinha tentado entrar em contato com ela, já que mandara algumas mensagens pedindo desculpas e dizendo que ainda não estava pronto para falar daquilo. O que só fizera com que ela sentisse mais raiva ainda. Por isso, quando ele ligava ou quando aparecia na porta da casa dela, ela não atendia e fingia que não estava em casa.

Tudo isso mudou na sua próxima sessão com o Dr. Hale. Ela contou o que havia acontecido em meio a lágrimas. Ele esperou que ela se acalmasse antes que ele explicar que o detetive Cullen deveria estar se sentindo exatamente da forma que ela se sentia no começo, quando ele tentava fazê-la falar sobre Royce.

— Cada um tem seu próprio tempo para lidar com os traumas do passado, Isabella — ele dissera. — E eu sei que você quer muito saber dessa época da vida dele, o que é normal, já que você estão em um relacionamento, mas ele te deu um tempo, não deu? Quem sabe este não seja o momento para você dar um a ele?

Ela foi para casa naquele dia, pensando no que Jasper havia dito. E então quando a ficha dela caiu e ela entendeu como ela estava agindo, ela imediatamente se sentiu culpada. Assim que chegou em casa, ela pegou o celular dela e imediatamente ligou para o detetive.

Ela precisava pedir desculpas.

— Eu sinto muito — ela murmurou assim que ele atendeu, parecendo extremamente aliviado por ela estar ligando. A morena já estava à beira das lágrimas. — Eu não entendia antes, mas agora eu entendo… Eu só… eu realmente sinto muito. Eu vou dar o tempo que você precisa. E eu…

Ela fez uma pausa e respirou fundo, não querendo exatamente dizer as próximas palavras, mas sabendo que ela precisava.

— Eu vou entender se você me odiar agora — sussurrou. — E se não quiser me ver nunca mais.

Edward ficou calado durante um tempo do outro lado da linha, antes de suspirar.

— Eu não estou bravo, amor — ele murmurou, por fim. — Importa-se se eu for até aí agora? Eu realmente acredito que é melhor que essa conversa seja feita pessoalmente.

Ele apareceu na casa dela um tempo depois e eles finalmente conversaram. Ele contou que tinha começado a fazer um tratamento com um psicólogo da delegacia, porque ele sabia que precisava conseguir falar sobre aquilo com ela, e que só queria realmente um tempo até que fosse capaz.

— Passei por momentos horríveis lá, Bella — ele disse. — Coisas que eu desejo, todos os dias, poder simplesmente esquecer. As coisas nem sempre são tão bonitas como eles colocam nas séries e nos filmes. Pode ser realmente assustador.

Ele falou, então, como tinha ficado chateado por ela ter fugido dele e o ignorado. Que ele entendia o motivo de ela ter feito aquilo, mas pediu que não fizesse nunca mais.

— Eu sei que tudo isso é novo para você — ele dissera. — E de certa forma, também é extremamente novo para mim. Mas… por favor, caso algo aconteça, converse comigo, ok? Não fuja ou se esconda…

E então, após mais um pouco de conversa e mais alguns pedidos de desculpa da morena, eles fizeram as pazes.

Demorou um pouco mais de três meses para Edward ser capaz de começar a compartilhar detalhes da época do exército com Bella. Ele contou sobre como foi ver pessoas morrerem na sua frente, inclusive crianças, e não poder fazer nada. Contou sobre como foi ter que matar pessoas, mesmo que fossem terroristas, e como aqueles momentos tomaram conta dos pesadelos dele por anos.

E ele contou sobre Jane.

Para Isabella, foi extremamente difícil escutar aquilo e saber que ele tinha estado com outra mulher. Edward dissera que ela tinha sido a única com quem ele tinha estado fisicamente, porque, embora sexo não fosse nada demais para a maioria dos caras, para ele sempre tinha sido mais sobre o sentimento, e por mais que muitas vezes ele quisesse sair com várias mulheres diferentes, quando largara o exército, apenas para esquecer tudo o que tinha passado e, principalmente, esquecer Jane, ele não conseguira fazer aquilo.

— Eu sei que não a amei, porque depois que me apaixonei por você, vi como me sentia diferente em relação a ela — ele comentara. — E eu prometo que ela foi a única, baby. Assim como prometo que meu coração é seu, e esperarei pacientemente por você.

É claro que ela ficava nervosa quando eles conversavam sobre isso, já que ainda não se sentia totalmente pronta para isso. Mas ela ficou feliz quando ele falou isso.

Ela era realmente uma mulher de sorte por ter Edward. E um dia, ela sabia que estaria pronta e ela daria este presente para ele. E só ele.

Deitada na cama, a morena balançou a cabeça, afastando esses pensamentos. Ela sorriu para o teto do seu quarto, sabendo que estava chegando lá. Ela confiava em Edward, ela o amava. Ela só precisava terminar de trabalhar em alguns anseios antes de conseguir dar aquele passo.

Soltando um suspiro, a morena se virou na cama e fechou os olhos, obrigando-se a tentar dormir, já que ela tinha um longo dia pela frente.

—

Os dias se passaram de forma rápida e, com a ajuda de Edward — e de Esme e de Renee -, Bella começou a procurar por salas disponíveis para compra, já pensando em montar o seu consultório. Até mesmo Carlisle começou a ajudá-la, já que tinha passado por aquilo. Ele dava dicas dos melhores lugares.

— Sabe, tem uma sala ao lado da minha à venda — ele mencionou um dia. — Você poderia comprá-la ou alugá-la, não sei, e podemos fazer uma espécie de consultório juntos. Poderíamos dividir uma secretária e as despesas… Não temos a mesma especialização, então ter um consultório em conjunto não vai atrapalhar em nada…

Isabella gostou da ideia e começou a buscar informações sobre essa sala. Ela tinha sido um consultório para uma médica antes, então caso a comprasse, Bella não teria que fazer tantas modificações. Além de algumas ideias dadas pela mãe de Edward e pela sua, ela teria mesmo que mudar a porta de lugar. Carlisle já tinha comprado duas salas e feito uma para seu consultório e outro para a secretária e para a sala de espera. Ela só teria que colocar a porta de forma que os pacientes poderiam ir direto da sala de espera até seu consultório.

Ela sabia que não poderia sair imediatamente do hospital, já que tinha que conquistar seus pacientes primeiro. Claro que ela já tinha alguns no hospital, que iam até lá especialmente para consultar com ela. Ela queria garantir que eles iriam até a ela e também que ela teria novos pacientes.

Com tudo em relação à sala encaminhado, ela se concentrou mais em Edward. Ela teria dois dias de folga pela frente e ele tinha conseguido um, para eles passarem o dia juntos.

Um mês havia se passado desde a conversa sobre abrir um consultório que ela tinha tido com ele, e agora havia um novo assunto do qual ela queria falar.

Algo que ela havia conversado com Jasper na última sessão e que vinha se preparando há algum tempo.

Às vezes, quando ela estava com Edward e eles estavam se beijando, eles acabavam se deixando levar um pouco, e nesses momentos, ela sentia algo diferente, algo que ela logo descobriu ser desejo. O medo que ela esperava que sentiria, não estava lá.

E ela sabia que estava pronta para dar aquele passo no relacionamento com ele.

Por isso, quando ele ligou naquela noite para conversar, antes de ir se deitar para dormir, ela perguntou se ele podia ir até a casa dela, que queria conversar pessoalmente com ele.

— Ou eu posso ir até aí, caso esteja muito cansado — ela falou rapidamente, sentindo-se um pouco nervosa. — Eu não me importo. Não mesmo.

Ele ficou calado durante um tempo.

E ela simplesmente sabia que ele deveria estar preocupado.

— Não aconteceu nada, é sério — ela soltou uma risada nervosa. — São boas notícias… Pelo menos, eu acho que são.

Ele prometeu que chegaria logo, o que a deixou um pouco mais nervosa. Ela ajeitou o robe no corpo, sem saber se aquilo aconteceria naquela noite. Ajeitou seu cabelo, para logo em seguida parar, sabendo que estava sendo uma tola.

Ela nem mesmo sabia se Edward queria isso.

Ele não demorou a chegar. Ela correu e abriu a porta e o portão, ansiosa para falar logo aquilo e ver o que ele tinha a dizer.

— Você tem certeza de que está mesmo tudo bem? — ele indagou, quando eles já estavam dentro da casa dela. — Você parece meio nervosa…

Ela riu.

— Sim, eu só… — Ela apontou para o sofá. — Por que você não se senta? É uma coisa boa, eu acho… mas eu só estou um pouquinho nervosa, nada demais…

Ele a fitou e suspirou, sentando-se e puxando-a para perto dele.

— Então? — indagou, um tempo depois. — Bella, você está me matando! Pode me tirar desse sofrimento, por favor?

Ela riu novamente.

— Ok, ok — murmurou. — É algo que eu venho pensando há um tempo já e eu sinto que está na hora, sabe? Então…

Ela fez uma pausa e sorriu para ele.

— Eu estou pronta, Edward — ela sussurrou, fazendo questão de fitar os olhos dele, para ele saber que ela estava mesmo certa disso. — Eu estou pronta para me tornar completamente sua.

Notas finais
N/A: Olá, meninas! Quase três meses sem postar, eu sei... mas a minha beta adoeceu e eu precisei esperá-la me enviar o capítulo betado para postar. A boa notícia é o que o próximo já está betado, então posto ainda esse mês, prometo! O próximo é o último e depois só tem o epílogo. Tenham um pouquinho de paciência que a fanfic está quase acabando! E então, o que acharam do capítulo? Eu resolvi passar um pouco o tempo e mostrar como a Bella e o Edward tinham evoluído nesse um ano, ao invés de ficar capítulos mostrando isso e tal. Espero que tenham gostado! Deixem reviews, e logo logo posto o último! Até mais xx N/B: Que coisa mais fofa. Agora ela já se sente pronta para passar para a próxima base. Garanto que vai fazer a alegria do rapaz. Acho que estamos chegando ao final. Sentirei saudades. Bjs, Lu.