Daylight

4 Capítulo Três


Notas iniciais
Olá, olá! Mais um capítulo para vocês! (;
Espero que gostem haha

Edward respirou fundo e apoiou a cabeça no volante do carro, enquanto esperava o sinal abrir. Ele cantarolou a música que tocava – mal sabendo a letra –, somente porque queria se distrair e impedir sua mente de se lembrar do que havia acontecido naquele mesmo dia, de manhã.

Entretanto, ele não obteve tanta sorte assim.

Enquanto seguia até a casa dos seus pais, ele se lembrou do olhar no rosto da doutora Isabella, a fúria contida ali. Seus punhos fechados, apertados tão firmemente que ele duvidava que não estivesse machucado. E ela nem pareceu ter notado tal coisa enquanto falava com ele de forma tão raivosa.

Obviamente, ele não iria desistir. Porém, precisava pensar em uma abordagem diferente. Falar diretamente com Isabella não parecia ter dado certo.

Ele soltou um suspiro enquanto digitava a senha da casa dos pais e esperava a garagem se abrir. Ele estava cansado e queria descansar um pouco, antes de retornar a investigação – que infelizmente dependia completamente de Isabella –, mas queria desesperadamente ver sua irmã e se certificar que ela estava bem, antes de qualquer outra coisa.

Desceu do carro e puxou as chaves do bolso. Procurou pela certa e a colocou na fechadura, antes de entrar. Um sorriso imediatamente tomou conta de seu rosto quando viu Esme sentada no sofá, rindo de algo que passava na televisão. Ele se aproximou dela e se sentou ao seu lado, rindo um pouco quando a viu gritar de susto.

— Edward! – Ela o repreendeu. – Você me assustou!

- Desculpe, mãe. – Ele não pareceu sentir nada enquanto falava, ainda sorrindo. – Você sabe que não posso evitar ser silencioso... Não é minha culpa que não me viu entrar...

Ela riu por fim, revirando os olhos, antes de puxá-lo para um abraço rápido e depositar um beijo na sua face.

- Eu pensei que você estaria trabalhando agora... – ela comentou, voltando sua atenção para a televisão somente para desligá-la. – Não esperava sua visita.

Edward deu de ombros, mas não disse nada, não querendo que Esme soubesse que ele tinha fracassado em pegar o cara que tinha feito mal à Rose.

- Eu vim ver como estavam as coisas por aqui – ele disse por fim. – Como está Rose?

Esme suspirou.

- Está no quarto – murmurou. – Parece um pouco melhor, mas não está querendo sair de casa... Sugeri mais cedo que ela fosse ao shopping comigo, porque você sabe como ela adora essas coisas… mas ela não quis...

Foi a vez de Edward suspirar.

- Vai demorar um tempo, mãe – ele disse de forma suave. – Estou fazendo o possível para pegar o cara que fez isso a ela… mas vai demorar um tempo. Ela não vai querer sair da noite para o dia.

Eles conversaram durante mais alguns minutos, antes de Edward se levantar e ir falar com seu pai, que estava na biblioteca, lendo um livro de medicina, como ele gostava de fazer. Depois foi até o segundo andar e caminhou até o quarto de Rosalie.

- Rose? – Ele bateu à porta suavemente. – Posso entrar?

Ele escutou a irmã dizer que sim e abriu a porta, sorrindo um pouco ao encontrá-la ainda de pijama, jogada na cama e assistindo à televisão. Fechou a porta atrás de si e caminhou até a cama, sentando-se ao seu lado.

- Oi, tampinha – ele a cumprimentou, passando o braço ao redor dela. – Como você se sente?

Sua irmã revirou os olhos e bufou, dando um soco de brincadeira em seu braço, como sempre fazia quando ele a chamava daquela forma. Edward sorriu ainda mais quando aquilo aconteceu, feliz pelo ataque não a ter feito mudar aquilo.

- Pare de me chamar assim, cabeção – ela respondeu. – E eu estou ótima. Sei que estão preocupados, mas eu só… só não vejo motivos para sair de casa.

Ele percebeu imediatamente que Rose estava fingindo fazer pouco caso daquilo, mas que a estava abalando profundamente, e suspirou. Puxou-a para mais perto de si e beijou o topo da sua cabeça, desejando que pudesse fazer algo que tirasse aquele peso e aquele medo da sua irmã. Ficou em silêncio durante alguns minutos, apenas a abraçando e fingir estar prestando atenção ao filme que estava passando.

Entretanto, tudo o que ele desejava naquele momento era poder dizer a ela que estava perto, que o cara que lhe tinha feito mal logo estaria preso.

E ele então prometeria que nunca deixaria nada como aquilo acontecer a ela novamente. Afinal, era o seu trabalho como irmão mais velho.

Desde sempre, Edward e Rose tinham sido unidos, mesmo tendo quatro anos de diferença entre eles. Ele não se lembrava muito bem como as coisas eram quando ela tinha nascido, já que tinha apenas quatro anos, mas pelo que seus pais contavam… ele tinha cuidado dela desde sempre. Conforme eles foram crescendo, essa cumplicidade também foi crescendo. Ele a acobertava quando ela fazia algo de errado para que não levasse xingo dos pais, esteve com ela em seu primeiro dia de aula em uma escola diferente, não tendo mais suas amigas por perto, fez questão de assustar sua primeira paixão quando descobriu que o garoto não prestava... Ele fazia aquilo com orgulho, com prazer.

E seria com prazer também que prenderia quem a tinha feito se sentir insegura, com medo, e tinha lhe tirado a liberdade de até mesmo fazer compras – algo que ela sempre tinha adorado.

- Vai ficar tudo bem, tampinha – ele sussurrou, suspirando pesadamente. – Estou fazendo tudo o que posso e continuarei fazendo enquanto não tiver prendido quem fez mal a você, ok? Prometo.

Rose sorriu, se aconchegando mais no abraço do seu irmão.

- Eu sei que você vai, cabeção – ela sorriu. – Eu nunca duvidei que você não pudesse cuidar de mim.

Ele sorriu para ela também e deu um beijo em sua bochecha.

- Por que você não vem dar uma volta comigo? – pediu. – Podemos ir aonde você quiser, almoçar o que você quiser, que tal? Não precisa sair do carro, podemos ir a um drive-thru… exatamente como fazíamos quando éramos pequenos...

Rosalie apertou as mãos uma na outra, ponderando por um momento, mas depois suspirou e balançou a cabeça negativamente; ela ainda não estava pronta para sair. A cada vez que tentava – como tinha feito no dia anterior – lembranças do que tinha acontecido com ela, do cara a perseguindo, a atingiam com força, e ela não era capaz de seguir em frente.

- Acho melhor não – disse por fim. – Podemos pedir alguma coisa e comer por aqui, não podemos? Tenho certeza que nossos pais vão adorar se juntar a nós...

Edward segurou um suspiro e assentiu, sabendo que demoraria um pouco até Rose conseguir sair de casa.

- Quer que eu chame aquela sua amiga, Alice? – ele indagou. – Ela pode se juntar a nós também... Tenho certeza de que ela vai adorar.

Mas Rosalie tornou a negar, dizendo que preferia que aquele fosse um almoço em família. Ela ainda não estava pronta para ver nenhum de seus amigos. Sabia que todos já deveriam estar cientes do que estava acontecendo e por isso mesmo não ligara seu celular desde a noite anterior. Fugir talvez não fosse o certo a fazer, mas como ela poderia evitar? Só queria ficar mais um pouco sozinha, reclusa na casa dos pais.

Ela tinha o direito de fazer isso, certo?

Edward se afastou da irmã apenas por um momento, indo até o andar debaixo e avisando aos pais sobre o almoço. Eles pareciam um pouco felizes que teriam um almoço familiar, como não tinham há algum tempo, e concordaram com o almoço nada saudável. Edward, então, fez os pedidos e voltou ao quarto de Rose, somente para avisá-la que o almoço chegaria dentro de uma hora.

- Vá tomar um banho, tampinha – ele falou. – Vou estar lá embaixo com nossos pais.

Eles tiveram um almoço divertido, relembrando da infância, sem falar sobre o que tinha ocorrido com Rosalie. Edward notou que a irmã tinha ficado um pouco tensa quando a campainha tocou e prometeu a si mesmo que logo voltaria a procurar pela senhorita Swan. Seria difícil convencê-la, ele sabia disto, mas não havia mais nada que pudesse fazer.

Ele tinha que devolver à Rosalie a paz, a segurança... Tinha que tirar esse medo de receber até visitas que ela estava tendo.

E ele faria tal coisa em breve.

Enquanto os pais juntavam as embalagens do almoço deles e se afastavam para jogar fora, e Rosalie pulava no sofá e pegava o controle remoto, ainda rindo do que eles tinham conversado enquanto comiam, ele pegou seu celular discretamente e mandou uma mensagem a Ben.

Preciso que você descubra tudo sobre a vida de Isabella Swan, Ben. Desde que ela era um bebê, até hoje. Quero lugares que ela frequenta, pessoas com que ela conviveu e convive... E Ben, por favor, preciso disto tudo para ontem.

Ele sabia que estava sendo um pouco grosso com aquele cara que estava ao lado dele desde que foi promovido a detetive, mas não podia evitar. Enquanto ouvia a irmã rir e seus pais continuarem a contarem casos de quando eles eram crianças, como faziam sempre que tinham um almoço familiar, ele prometeu que faria tudo o que estivesse ao seu alcance para que ela não perdesse aquela risada nunca.

E se Isabella Swan era o único meio de conseguir tal coisa… ele estaria em sua cola a partir de agora, até conseguir o que queria.

_

Renée soltou um suspiro pesado enquanto se sentava no sofá e espreguiçava. Olhou rapidamente para a janela enquanto fazia isso e sorriu ao ver que o dia estava começando a escurecer. Tateou o sofá à procura do controle e desligou a televisão, antes de levantar e começar a dobrar a manta que tinha usado para se cobrir enquanto assistia ao filme. Por ela, ela continuaria a assistir algum filme, aproveitando o dia preguiçoso que estava tendo, mas ela sabia que aquele dia era o dia de folga de Bella.

E em dias de folga, ela ia visitar seus pais.

Charlie tinha ligado há pouco, falando que tinha conseguido concluir o trabalho antes do esperado e que tinha conseguido um voo de última hora. Isso significava que ele chegaria em breve, provavelmente quando Bella já estivesse ali.

Guardou a manta no armário e se dirigiu até à cozinha, verificando o que Annie, sua empregada, tinha deixado adiantado para o jantar. Quando viu que não havia muito o que ela podia fazer – não até que Bella tivesse chegado, já que não queria que a comida esfriasse –, foi até o segundo andar, disposta a tomar um banho e tirar a preguiça do corpo.

Enquanto se banhava, pensou no detetive que a tinha procurado no dia anterior e suspirou. Provavelmente àquela altura ele já tinha conversado com sua Isabella e não tinha conseguido nada, como ela lhe avisara. Sempre que algum policial aparecia e lhe pedia informações do que tinha acontecido anos atrás, ela desejava que Bella se abrisse e contasse de uma vez por todas.

Quem sabe assim ela não voltaria a ter sua menina de volta?

A relação entre eles tinha mudado bastante desde que tudo acontecera. Ela nunca se esqueceria como Isabella costumava ser antes de ser seqüestrada: uma menina doce, feliz, rodeada por amigos e inteligente. E então, depois que ela fora achada e que Renée pensara que voltaria a ter paz em seu coração, agora que tinha Bella de volta… ela simplesmente não era a mesma. Continuava sendo aquela menina calma e estudiosa, mas se excluiu completamente.

Charlie e ela a tinham levado para diversos psicólogos e psiquiatras, mas sempre escutavam a mesma coisa: eles não podiam fazer nada para ajudar enquanto Bella não abrisse a boca. Remédios foram receitados para diminuírem os ataques de ansiedade e os pesadelos que ela vinha tendo quase todas as noites, mas a menina Swan se recusou a tomar qualquer um deles; ela lutou, sozinha, contra aquilo.

Os primeiros meses foram os mais difíceis. A imprensa em cima deles, pessoas procurando por Isabella, querendo sua ajuda para prender quem tinha feito mal a ela, ela se recusando a sair de casa... Não quis voltar para a escola e se formou em casa, mais cedo do que seus colegas de classe. Tão logo recebeu sua carta de aprovação em uma faculdade longe dali, ela se foi… e só voltou quando a mãe adoeceu e Charlie implorou para que ela fizesse isso.

Pensar em tudo isso ainda fazia o coração de Renée doer. Ela nunca mais escutara Bella dar uma risada, a não ser que ela estivesse perto de crianças. A filha continuava a visitar os pais e estar ali tanto quanto seus longos plantões permitiam, mas não era a mesma coisa.

Era como se ela tivesse morrido no dia em que tinha sido seqüestrada.

Eventualmente, ela e Charlie aceitaram a nova Bella, sabendo que aquela garotinha deles nunca voltaria a ser a mesma. Entretanto, eles ainda se perguntavam com freqüência como a vida seria se eles nunca tivessem dado aquela festa em seu aniversário de quinze anos.

Se ela pudesse mudar o passado...

Suspirando pesadamente, ela rapidamente terminou o seu banho e saiu do mesmo, puxando a toalha e se enxugando. Vestiu uma roupa casual e secou os cabelos com a toalha, sem se preocupar com o fato de eles ainda estarem úmidos quando tornou a voltar para a cozinha. Bella não ia ali frequentemente, talvez uma ou duas vezes por semana, e ela sempre esperava por esses dias com ansiedade.

Era tão bom ter sua menina por perto, nem que fosse somente para um jantar.

Ela sorriu imensamente quando escutou o barulho de um carro e logo a porta de entrada sendo aberta. Um minuto depois, seu marido surgiu na cozinha, e foi com alegria que ambos de cumprimentaram, trocando um abraço e um beijo.

- Senti saudades – ela disse, sorrindo.

- Eu também, querida – riu. – Prometo que vai demorar um pouco até a minha próxima viagem... Bella já chegou?

Renée negou.

- Ainda não – disse. – Por que você não vai tomar um banho enquanto eu termino de preparar o jantar? Ela logo estará aqui...

Charlie assentiu, e abraçou e beijou a esposa mais uma vez, antes de subir para o quarto. Deixou sua mala em um canto e pegou uma roupa. Meia hora depois ele estava descendo, e estava sorrindo antes mesmo de chegar à cozinha; ele já podia ouvir a voz da filha.

Cumprimentou-a com um abraço e um beijo, mas logo se afastou. Ele desejava poder curtir sua garotinha muito mais do que curtia, mesmo ela já sendo uma adulta agora. Entretanto, Bella não permitia que as pessoas se aproximassem muito.

E ele não sabia se algum dia ela iria.

Enquanto jantavam, conversaram sobre o trabalho, o que era tudo o que eles conversavam. Falaram também sobre o aniversário de Charlie, que se aproximava. Todos os anos eles faziam uma grande festa, já que Charlie era um importante advogado. E naquele ano não seria diferente. Se dependesse de Isabella, os pais podiam muito bem desistir daquilo tudo, mas ela já tinha tirado coisas demais deles.

Fazê-los abrir mão de algo que os divertia anualmente era algo que não podia fazer.

Era por isso que ficava feliz quando era chamada para uma emergência quando estava na festa. Desta forma, ela não precisava ficar muito, sorrindo, sendo apresentada como filha e herdeira dos Swan, e escutar muitas pessoas dizendo que ela era bonita e como os pais deveriam ter orgulho dela. Isso quando alguém não insistia em falar sobre o caso de mais de dez anos e ela rapidamente tinha que pensar em uma desculpa. Quando seu pager apitava e ela podia escapar de tudo isso… era algo que ela profundamente agradecia.

Como sempre acontecia quando ia à casa dos pais, Bella não ficou muito. Retornaria ao hospital no dia seguinte, logo após o almoço, e queria ir para a academia de manhã. Não sabia quando poderia voltar a fazer seus exercícios e a treinar um pouco, então queria estar lá bem cedo.

Despediu-se do pai e saiu, entrando em seu carro rapidamente e dirigindo para casa. Na casa dos Swan, Charlie abraçou Renée pelos ombros, puxando-a para perto de si, e suspirou.

Será que algum dia sua garotinha voltaria a sorrir como sorria quando menina?

Ele, de todo o coração, esperava que sim.

_

Ela permaneceu praticamente colada na parede, seus olhos arregalados de medo enquanto via a porta se abrir de forma lenta. Apertou suas mãos uma na outra, sem ter ninguém ali para apoiá-la. Ela estava ali há dias, mas ele nunca tinha feito sinal de que entraria em contato com ela.

Até aquele momento.

Seus olhos examinaram suas feições assim que ele apareceu por completo, suas mãos vazias. Seus olhos eram de um intenso azul, que chegavam a ser frios. Seus cabelos eram de um louro claríssimo e suas feições poderiam pertencer a um anjo. Entretanto, Bella sabia que de anjo ele não tinha nada. Talvez fosse até o próprio demônio. Ele não sorria, nem nada do tipo. Apenas a fitava com atenção.

- Isabella. – Ele finalmente disse, parado diante da porta. – Desculpe-me por demorar tanto a aparecer, mas… estive um pouco ocupado esses dias, preparando tudo aquilo que vamos precisar nos próximos meses.

Ela não disse nada, apenas ficou o observando com atenção, seus olhos ainda arregalados, seu corpo ainda tentando se fundir à parede. Observou o espaço que o corpo do cara à sua frente deixava vazio. Ela poderia passar ali, ela sabia. Mas será que daria tempo de correr e conseguir encontrar a saída antes que ele a pegasse?

Como se tivesse lido seus pensamentos, ele balançou a cabeça e pela primeira vez, ele sorriu.

E aquilo, embora não parecesse fazer algum sentido, o deixava ainda mais assustador.

- Não tente fugir, Isabella, por favor – disse, ainda sorrindo. – Isso não seria bom para nenhum de nós dois, principalmente por você. Vim apenas lhe buscar para tomar um banho, trocar essas roupas por algumas mais limpas... Estou pensando em construir um pequeno banheiro aqui embaixo, para que você não precise ficar dependendo de mim para usá-lo, mas vamos ver; com o tempo eu termino de decidir tudo aquilo que temos para fazer.

Ele se aproximou dela e fechou a porta atrás de si, antes de tornar a bloqueá-la com seu corpo. Ajoelhou-se na frente de Isabella e tornou a sorrir.

- Não precisa ter medo de mim – ele disse. – Sei que é assustador, acredite, você não é a primeira a passar por isso. Mas se você se comportar bem e fizer tudo aquilo que eu pedir… eu lhe garanto, Isabella, seu fim será muito diferente das outras...

Isabella soltou um grito e se sentou na cama, sua mão indo diretamente para o seu coração, sentindo-o bater de forma acelerada. Respirou fundo e procurou se recompor, odiando o fato de os pesadelos estarem mais freqüentes do que nunca. Isso sempre acontecia quando um policial procurava por ela, querendo saber o que tinha acontecido... E isso só fez com que ela odiasse ainda mais o detetive Cullen.

Ela só queria que os pesadelos fossem embora.

Pulou da cama em um pulo e correu para o banheiro, onde rapidamente fez sua higiene matinal. Ficar em casa, se distraindo e curtindo o silêncio, só a faria ter mais lembranças; podia ser cedo demais ainda, mas era hora de ir à academia. Fazer exercícios e colocar toda aquela adrenalina para fora faria bem a ela.

Quando saiu de casa correu seus olhos por todo o bairro, à procura do detetive. Quando viu que ele não estava em lugar algum – não que ela pudesse ver, pelo menos –, fez sua usual caminhada até a lanchonete, pediu um café e uma rosquinha, e depois seguiu para a academia, que não ficava muito longe dali.

Desta vez, ela não encontrou com Emmett, porém. Fez seus usuais alongamentos, exercícios, aulas, e quando terminou e estava de saída, encontrou o amigo entrando. Como ela já tinha acabado tudo o que tinha que fazer e se sentia bem mais calma, mal pensando no pesadelo, não havia mais motivos para ficar ali. Trocou algumas poucas palavras com o amigo e logo saiu apressadamente. Ela ainda tinha algumas coisas a fazer antes de ir para o hospital trabalhar.

Ela estava tão apressada que não viu o detetive Cullen entrando na academia pouco depois que ela se foi. O ruivo conversou com a recepcionista durante alguns minutos, fingindo interesse em se matricular ali, e pediu que alguém o mostrasse a academia, ainda se fingindo interessado. Observou o amigo da doutora Swan durante o tempo todo, enquanto a moça da recepção lhe passava informações da academia. Com a promessa de que pensaria a respeito de fazer a matrícula, ele logo se foi, mas ao invés de voltar à delegacia, ficou parado em frente à porta, esperando que Emmett McCarty saísse.

E logo ele saiu.

- Sr. McCarty. – Edward o cumprimentou, escolhendo ser direto.

Emmett era um advogado que estava conquistando seus clientes rapidamente e que logo uniria seu escritório ao de Charlie Swan. Ele não aceitaria ser enrolado tão facilmente e Edward nem mesmo tinha tempo para tal coisa.

Emmett se virou imediatamente e encarou o homem parado ali, pensando se o reconhecia de algum lugar.

- Posso ajudá-lo? – indagou.

Edward pegou seu distintivo e o mostrou rapidamente.

- Sou o detetive Cullen – respondeu. – Posso trocar algumas palavras com você?

Emmett franziu a testa, tentando se lembrar de algum cliente que precisava de ajuda para algo contra ou a favor do detetive Cullen, mas nada vindo à sua mente. Por fim, suspirou e assentiu, conduzindo-o até a lanchonete que ficava ali perto. Ele tinha acabado de fazer diversos exercícios e precisava se alimentar para recompor as energias gastas.

Sentou-se à mesa e fez um pedido, antes de se voltar para o detetive Cullen.

- Estou um pouco confuso aqui, detetive – ele disse, soando formal até demais para alguém tão brincalhão quanto ele. – Não me lembro de ter nenhum caso no momento que envolva o senhor...

Edward assentiu, tamborilando os dedos na mesa.

- Eu sei, não quero conversar sobre o seu serviço, Sr. McCarty – sorriu gentilmente. – Preciso falar de uma amiga sua, na verdade. Preciso dela para uma investigação, mas ela não está cooperando muito.

Emmett imediatamente franziu a testa, se lembrando das palavras que tinha trocado com Bella no dia anterior e no quão tinha ficado preocupado com a amiga, como geralmente estava. O detetive Cullen tinha sido aquele que procurara por ela… e pelo visto ele não tinha desistido tão facilmente, como os outros policiais. Os outros nunca procuraram por Emmett.

- Ah, vejo que foi o senhor quem procurou por Isabella – ele disse. – Sinto muito, detetive, mas não há nada que eu possa fazer. Sou amigo de Isabella há anos e nem mesmo eu sei o que aconteceu com ela...

Edward assentiu, odiando a resposta de Emmett. Ele tinha lido o que Ben havia pesquisado sobre Isabella e tinha esperanças que o advogado poderia ajudá-lo... Era difícil arrancar algumas coisas de advogados, ele sabia, mas bem, ele tinha esperanças de conseguir algo.

Não estava pronto para encontrar outro obstáculo.

- Certo – murmurou. – Vejo que terei que voltar a conversar com a Srta. Swan, então.

Emmett sorriu de forma triste. Ele abriu a boca para dizer boa sorte, mas a garçonete chegou com seus pedidos naquele momento e ele preferiu esperar. Depois de dar uma mordida em seu sanduíche e tomar um pouco de café, ele voltou sua atenção para o detetive novamente.

- Não acho que o senhor vá conseguir algo com Isabella – ele disse. – Eventualmente, vai desistir, como todos os outros. Mas espero que tenha sorte, detetive. Tudo o que eu mais quero é o cara que fez mal à minha amiga preso e espero que o senhor consiga.

Havia algo de diferente naquele detetive, algo que Emmett não conseguiu identificar. Os olhos de Edward escondiam algo. Ele tinha uma determinação e algo lhe dizia que não iria desistir tão fácil.

E Emmett não sabia dizer se isso era algo bom ou não.

Observou-o se levantar e se despedir, antes de jogar uma nota de dez dólares na mesa. Assistiu enquanto ele saía da lanchonete e suspirou pesadamente, voltando sua atenção para o seu café da manhã.

Ele realmente esperava que Bella fosse capaz de contar tudo ao detetive e se livrar dessa história e peso de uma vez por todas, coisas que ela carregava sozinha desde que ainda era muito nova para tal coisa.

Edward saiu da lanchonete se sentindo mais perdido do que nunca. Durante toda a manhã ele tinha buscado coisas que pudessem o ajudar a montar um caso, descobrir mais sobre esse cara que tinha tentado sequestrar a irmã. Conversara com antigos colegas de Isabella, vizinhos, até mesmo o amigo dela… e até agora nada.

Xingou um palavrão alto, sem se importar com as pessoas que olhavam para ele e caminhou até o seu carro, sem saber o que fazer. Por fim, pegou os papéis – que Ben tinha passado para ele na noite anterior – e deu outra olhada neles. Havia ali os horários de Bella, os locais que ela freqüentava, todos os detalhes de sua vida… exceto pela enorme lacuna do que tinha acontecido durante o período que tinha ficado desaparecida.

Pensou na sua irmã, ainda com medo de sair de casa, e pensou em tudo o que Renée Swan e Emmett McCarty haviam dito a ele. Qualquer pessoa em seu lugar já teria desistido, já teria deixado para lá, mas ele não iria. Lembrou-se por fim de Isabella pedindo que ele a deixasse em paz, que não a procurasse mais...

Mas ele não iria seguir o que ele tinha falado. Se o horário que Ben havia lhe passado estivesse correto, ela estava em casa naquele momento e mais tarde estaria indo para o hospital...

Sorrindo um pouco – e torcendo para que conseguisse se aproximar dela um pouco mais –, ele ligou o carro e o colocou em movimento, após colocar o cinto de segurança.

Era hora de fazer outra visita à Srta. Swan. Era hora de ir até a casa dela.

Notas finais
N/A: Pois é, pois é, Edward não vai desistir assim tão fácil, não. Ele vai atrás da Bella até conseguir algo, porque realmente quer prender o cara que fez mal à sua irmã... Se ele vai conseguir, hmmm... haha.
Enfim, capítulo demorou menos do que eu imaginava, espero que continue assim. Vou tentar adiantar um pouco do próximo hoje ou amanhã, vamos ver o que acontece... De qualquer forma, fiquem atentas que assim que ele estiver concluído e betado, eu posto, ok? (;
Amanhã tem WFY, então até lá
xx

N/B: Ele não vai desistir. Ele é persistente e pensa no bem estar e na tranqüilidade da irmã. Vai que é tua Edward. Lu.