Daylight
8 Capítulo Sete
Notas iniciais
Espero que gostem (;
Leiam a N/A, ok?
Edward não conseguiu se concentrar pelo resto do dia, sua mente presa em tudo o que Renée havia dito e mostrado. Ele tentou investigar algumas coisas no trabalho, adiantar outras, mas desistiu quando teve que rever o mesmo caso pela terceira vez. Pediu que Ben lhe avisasse caso houvesse algo novo e partiu. Isabella estava no plantão e permaneceria ali até o dia seguinte, por isso ele seguiu para casa dos pais.
Apenas para descobrir que Rosalie estava na mesma, senão pior.
- Consegui convencê-la e a levei para dar uma volta no jardim mais cedo — disse Esme, encarando Edward com os olhos cheios de preocupação. — Eu pensei que seria bom, você sabe...
Edward assentiu, sorrindo um pouco, querendo acalmar a mãe.
- Está tudo bem, mãe — ele sussurrou. — Sei que você só queria ajudá-la...
Esme fungou.
- Eu achava que tudo estava indo bem — continuou. — Ela estava calada, mas observava as flores, apenas ficava ali, parada, olhando ao redor... E então, quando o jardineiro apareceu para nos cumprimentar... ela pirou...
Edward arregalou os olhos. Ele se lembrou da descrição que Rosalie havia dado do cara que tinha tentado sequestrá-la, mas não conseguiu encontrar semelhança alguma com o jardineiro que trabalhava ali desde que ele ainda era muito pequeno. Ele pensava que Rose tinha medo de o cara voltar e tentar sequestrá-la novamente, mas não esperava que ela ficasse assustada quando outro homem, que não fosse ele e o pai, se aproximasse dela.
- Ela tremia e arquejava... — Esme soluçou. — Não deixou que eu a tocasse e correu para dentro de casa. Seu pai e eu custamos a acalmá-la, mas conseguimos, eventualmente. Ela dormiu, mas agora não quer sair do quarto mais, nem para vir aqui para baixo... Eu não sei mais o que fazer, Edward...
Engolindo em seco, o ruivo apenas deu um passo para frente, trazendo sua mãe para os seus braços e acariciando suas costas suavemente, enquanto sussurrava que tudo ficaria bem; mesmo que ele não tivesse certeza de tal coisa. Deixou que ela desabafasse, sabendo que ela deveria estar muito assustada. Ele estava, afinal. Ele tinha pensado que Rosalie, com o tempo, continuaria avançando — como ela vinha fazendo. Regredir não era um obstáculo que ele esperava.
- Por favor — murmurou sua mãe, chamando sua atenção -, por favor, querido, tente prender esse cara logo... Sei que é difícil e que a polícia está atrás dele há anos, mas... eu quero a minha Rose de volta...
Ele suspirou, lembrando-se, de repente, das palavras de Renée Swan. O caso de Isabella e Rosalie eram tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão iguais... Ambas só queriam que suas filhas voltassem ao que eram antes do acontecido. E, naquele momento, ele não sabia muito o que fazer. Porque, de acordo com Renée, Isabella parecia estar cooperando, mas Edward ainda tinha suas dúvidas. Mesmo que estivesse surpreso por ela ter agido daquela forma nos últimos dias, ele ainda não sabia como fazê-la falar.
- Eu sei, mãe — disse, por fim, mesmo ainda não sabendo exatamente qual resposta dar. — Estou fazendo tudo o que posso...
Ela suspirou e se afastou, assentindo.
- Eu sei que você deve estar cansado — murmurou -, mas será que se importaria de tentar conversar com Rose antes de ir para casa? Ela não está querendo muito papo comigo...
Edward sentiu um aperto no peito ao olhar para aquela mulher que tinha o criado como filho biológico, mesmo ele não sendo tal coisa, e ver a dor em seus olhos. Ele depositou um beijo em sua testa e sorriu, querendo passar confiança para ela.
- Eu vou, mãe — disse. — Claro que vou. E não se preocupe, logo Rosalie vai começar a se sentir melhor. Vou fazer o possível para isso, ok?
Ele apertou suas mãos de forma gentil e subiu as escadas até o segundo andar, virando e andando até o final do corredor, onde ficava o quarto de sua meia-irmã. Bateu à porta gentilmente, mas não escutou nenhum barulho. Tornou a bater, mas desistiu de esperar quando não ouviu nada novamente. Pensando que ela estivesse no banho ou dormindo, ele abriu a porta devagar, colocando apenas a cabeça para dentro do quarto.
- Rose? — chamou.
Rosalie se encontrava sentada no chão, aos pés da cama, seus olhos fixos na tela do seu computador. Franzindo a testa, Edward entrou no quarto e fechou a porta atrás de si, antes de caminhar até ela e se sentar ao seu lado.
- Algum problema, tampinha? — ele indagou, usando seu apelido carinhoso. Ele sabia que ela adorava, no fundo, mesmo quando ela insistia dizer que o odiava mais do que tudo.
Rose suspirou e encolheu os ombros.
- Estou apenas olhando as fotos daquela... noite — ela murmurou, estremecendo um pouco. — Eu não tinha olhado antes, só criei coragem agora...
Edward virou sua atenção para o computador e olhou a tela do notebook. Um suspiro pesado escapou de seus lábios quando ele viu o sorriso enorme de Rose, ao lado de um grupo de amigas. Algumas ele conhecia, outras não, mas ele não fez nenhuma pergunta naquele momento.
- Nathalie estava tão feliz — suspirou. — Não falo com ela há algum tempo, não sei se algum dia vou conseguir falar com ela sem me lembrar daquele dia...
Edward passou o braço nos ombros de Rose e a puxou para si, quando a sentiu estremecer novamente.
- Por que você não começa a ver um psicólogo, hein? — ele indagou, finalmente. — Mamãe me contou o que aconteceu hoje... Sei que é difícil, Rosie, mas... você não pode se deixar abalar assim...
Ela assentiu e fungou.
- Eu sei, mas... — deu de ombros. — Preciso apenas de um tempo, sabe? Não estou pronta para sair ainda...
Ele suspirou.
- Tudo bem — disse. — Mas tente, ok? E se precisar de algo, é só me chamar.
Ela sorriu.
- Agora, eu vou mandar Esme subir aqui — continuou. — E vocês vão conversar. Sei que foi difícil para você se encontrar com o Leo, mesmo ele sendo nosso jardineiro há muito tempo, mas ele não vai te fazer nenhum mal... Nossa mãe só queria ajudar.
Rosalie o olhou e tornou um sorrir, mas Edward sabia que não era um sorriso feliz; ele não alcançava seus olhos.
- Eu só me assustei... Não esperava que eu fosse ter essa reação... — encolheu os ombros. — Pode mandar a mamãe aqui, eu vou falar isso com ela...
Sorrindo um pouco, Edward apenas abraçou a irmã durante alguns minutos, antes de levantar. Depositou um beijo em sua testa e correu para o primeiro andar, onde Esme esperava. Após mandá-la subir, ele se despediu e foi embora.
Rose e Esme precisavam de um tempo sozinhas.
Ele aproveitou o horário e foi para um supermercado, onde comprou alguns mantimentos que precisava. Foi para casa logo em seguida, mesmo que não estivesse se sentindo cansado nem nada do tipo — na verdade, ele duvidava que conseguiria descansar -, mas Isabella estava no hospital. Conversar com ela naquele momento seria impossível.
Ele se jogou no sofá, após guardar as compras, e ligou a televisão, mas não encontrou nada muito interessante. Enquanto via um documentário sobre alguns animais, ele sentiu o sono tomar conta de si e respirou fundo, fechando os olhos...
Ele apertou as mãos uma na outra, tentando conter o nervosismo que sentia. Provavelmente, estava agindo como o adolescente idiota que seus pais deveriam achar que ele era, mas o que podia fazer? Mesmo treinando há um tempo, aquele era o seu primeiro dia ali. Ele tinha o direito de agir daquela maneira, não tinha?
Edward interrompeu seus pensamentos assim que ouviu o barulho da porta e se endireitou, colocando a mão na cabeça, enquanto o seu chefe passava, fazendo alguns comentários para alguns dos outros que tinham sido convocados. Ele finalmente relaxou quando a ordem foi dada, não pelo chefe, mas pela mulher que estava dizendo, naquele momento, que seria a comandante deles, daquele dia em diante. Se sentindo mais nervso e ansioso do que nunca, Edward levantou a cabeça e imediatamente congelou.
Aquela deveria ser a mulher mais linda que ele já tinha visto na vida.
Seus cabelos eram loiros e ele podia ver isso mesmo com ela usando um boné, graças ao rabo de cavalo. Suas roupas eram exatamente iguais as dele, mas, mesmo assim, ele conseguia ver as curvas que ela tinha — nem mesmo o uniforme parecia ser capaz de esconder isso.
Ele engoliu em seco e tentou não mostrar como estava claramente afetado com aquela presença, seus hormônios adolescentes atacando a todo o vapor.
- Quero todos vocês de pé, todos os dias, às cinco da manhã — ela anunciou, suas mãos cruzadas nas costas, enquanto andava de um lado para o outro. — O treinamento inicial durará uma semana, apenas. Vocês já tiveram tempo demais para se preparar.
Ele desviou os olhos dela, sabendo que não deveria manter aqueles pensamentos. Ela era sua comandante, sua superior. E provavelmente, uns bons anos mais velha do que ele. Tudo o que ele tinha que fazer era se concentrar e provar que estava ali porque merecia e queria, e não porque era apenas mais um menino mimado, que fazia aquilo para fugir dos pais e provocar raiva neles.
- Dispensados! — a comandante disse por fim, levando a mão à cabeça.
Todos fizeram o mesmo sinal e começaram a andar em direção às suas tendas. Edward ficou parado ali durante alguns minutos, encarando a comandante, antes de segui-los.
Me concentrar, ele pensou. Tenho apenas que me concentrar.
Edward deu um pulo no sofá e ofegou, levando a mão ao peito. Respirou fundo, procurando se controlar, e balançou a cabeça. Ultimamente, os pesadelos estavam vindo com mais frequência. A proximidade da data que ele mais temia estava chegando, ele sabia que era por isso. Mas ela logo passaria.
E assim, os pesadelos diminuíram.
Era um ciclo, afinal.
Ele balançou a cabeça e suspirou, jogando as pernas para o lado e se levantando, sabendo que não iria conseguir voltar a dormir. Desligou a televisão e saiu da sala, indo até o banheiro, decidido a tomar um banho antes de voltar à delegacia. Ele tinha apenas cochilado durante algum tempo e estava apenas começando a escurecer, e pelo que ele sabia, Isabella só sairia do plantão na manhã seguinte, provavelmente muito cansada. Ele a deixaria descansar durante algum tempo, mas a procuraria na parte da tarde.
Estava sendo chato, até insuportável, ele sabia, mas como ele podia desistir quando havia tanto pelo que lutar?
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Aquela sensação estranha que tinha tomado conta de Isabella desde que soubera, através da televisão, que a irmã do detetive Cullen tinha sofrido uma tentativa de sequestro, não a abandonou com o passar das horas. Mesmo tendo um plantão difícil e mal tendo tempo para parar para respirar, e muito menos para pensar no que tinha acontecido naqueles últimos dois dias, ela se pegava lembrando do detetive a perseguindo até o parque, da mãe a abraçando, de quão bom tinha sido estar ali...
Entretanto, ela não queria sentir isso. Não queria se permitir ficar vulnerável novamente, não podia. E mesmo tentando buscar uma resposta para estar se sentindo daquela maneira, Isabella não conseguia.
E foi por isso que, na manhã seguinte, ao sair do hospital, ela não foi para casa. Tinha certeza de que estar sozinha só lhe permitiria pensar e pensar — e, sinceramente, ela estava cansada disso -, e, caso dormisse, ela teria pesadelos; tinha certeza disso. Então, decidiu ir à academia, mesmo estando mais do que cansada.
Deu um sorriso à moça da recepção assim que entrou, partindo direto para o vestiário. Pegou seu short de malhar, assim como sua camiseta favorita, e rapidamente os vestiu, antes de colocar seus tênis. Foi para a área onde os colchonetes ficavam e pegou um, colocando-o no chão. Tomou seu tempo alongando, sem pressa alguma, e só depois que terminou, que seguiu para a esteira. Puxou seu celular e ligou uma música qualquer, no último volume. E só então começou a correr.
Ao terminar os vinte minutos necessários ali, a morena seguiu para o andar de cima, onde ficavam os aparelhos de musculação. Aumentou o peso de todos, forçando-se a concentrar ali. Enquanto ela conseguisse fazer tal coisa, ela conseguiria não pensar. Depois de ficar ali por mais de uma hora, fazendo mais séries do que o necessário, até, ela ainda seguiu para uma aula de boxe. Ela sabia que teria dores no corpo muito em breve, mas não queria pensar naquilo naquele momento.
Tudo o que ela queria era esquecer. E se os exercícios exagerados ajudassem, a dor seria muito bem-vinda depois.
Quando ela saiu de lá, uma hora após terminar a aula de boxe, estava mais do que exausta. Ela cogitou pegar um táxi, querendo chegar em casa logo, mas por fim decidiu caminhar. Levou sua mochila nas costas e, ainda escutando música, seguiu para casa, sem pressa alguma. Ela já tinha tomado banho na academia, então, ao chegar em casa, tudo o que precisaria fazer era comer algo e se jogar na cama. À noite ela teria que voltar ao hospital e sabia que, mesmo não querendo dormir — por medo de sonhar -, teria que descansar um pouco.
Soltou um suspiro de alívio assim que chegou. Fez a verificação de sempre — os alarmes, as câmeras espalhadas pela casa e pelo terreno -, antes de trocar de roupa e se jogar na cama. Programou o celular para despertar para duas horas antes de seu próximo plantão, assim daria tempo para ela comer algo e tomar um banho com calma, e só então ir trabalhar.
Entretanto, parecia que havia passado somente alguns minutos desde que ela tinha adormecido quando acordou, assustada com a campainha tocando. Ela colocou a mão no peito, se sentindo ofegante demais. Ela tinha apenas começado a ter um de seus pesadelos, relembrando da noite em que ele tinha ido ao seu quarto e avisado que tudo começaria no dia seguinte... Estremecendo, Isabella balançou a cabeça, afastando tais pensamentos, e ainda se sentindo cansada, ela levantou da cama.
Tão distraída como estava, a morena apenas se trocou e passou a mãos nos cabelos, puxando-os em um rabo de cavalo bagunçado, antes de correr até a porta, nem mesmo parando para verificar quem era no quarto onde mantinha os monitores. Desativou o alarme e abriu a porta, seu semblante se fechando quando viu Edward Cullen parado ali, as mãos no bolso, a fitando com atenção mesmo de longe.
Soltando um suspiro, ela andou até o portão e o liberou, não dando espaço para que ele entrasse. Ela pensou na notícia que anunciara que sua irmã tinha sofrido uma tentativa de sequestro, o que explicava o porquê de ele estar tanto atrás dela, e apenas o encarou, sem saber o que dizer.
- Isabella — ele murmurou -, posso entrar?
Ela o fitou durante alguns momentos, e tornou a suspirar.
- Eu tenho plantão à noite, detetive — respondeu. — Eu estava descansando e...
Ele sorriu um pouco, quase como se não se importasse com aquilo.
- É rápido, eu prometo — cortou-a. — Eu só quero conversar um pouco com você...
Ainda meio relutante, Bella se afastou do portão, permitindo que ele entrasse. Tornou a bloqueá-lo e seguiu até a casa, Edward atrás dela. Ele a observou fechar a porta da casa assim que eles entraram e ativar o alarme, mas não disse nada, apenas levantou a sobrancelha. Ainda em silêncio, a morena apontou para o sofá e esperou que Edward se sentasse, antes de se sentar também.
- Eu gostaria de continuar a nossa conversa de onde paramos naquele dia no parque — ele disse, inclinando-se um pouco e a encarando com atenção. — Infelizmente, fui interrompido porque...
Isabella, porém, ergueu a mão, a curiosidade falando mais alto do que qualquer outra coisa.
- O senhor está atrás de mim porque a sua irmã foi quase sequestrada, não é? — ela indagou, antes que pudesse se conter. — Você acha, detetive, que o cara que supostamente fez mal a mim, também tentou sequestrar sua irmã?
Edward a encarou durante alguns minutos, se perguntando onde estava aquela vulnerável Isabella, aquela que tinha agido daquela maneira no parque, aquela que tinha voltado para os braços da mãe, que tinha pintado... Ele a fitou sem saber o que responder, com medo do que a resposta poderia causar.
E impaciente com aquilo, Bella se pôs de pé, suas mãos fechadas em punho. Ela estava usando de toda a força que tinha para não mostrar quão afetada ainda estava com tudo. Ela não podia se abrir, não podia se deixar levar. Confiar era algo que ela nunca mais faria. Simplesmente, não podia deixar ninguém entrar.
- É isso — afirmou, já sentindo o desespero tomar conta de si. — Ele... ele tentou sequestrá-la, não tentou? É verdade o que falaram no jornal?
Edward arregalou os olhos, surpreso com a súbita mudança. Há apenas alguns segundos ela estava agindo como a mesma Isabella fria e agora... agora ela tinha as mãos fechadas em punhos, os olhos também fechados... E, mesmo de longe, Edward podia dizer que ela tremia, muito embora pudesse dizer, com toda a certeza, que ela não tinha notado aquilo.
- Isabella, eu... — ele começou.
Ela se voltou para ele, os olhos de repente muito abertos, o observando com total atenção.
- É verdade, não é? — Sua voz não passava de um sussurro. — Ela foi... E aquela garota do jornal... foi ele, não é?
Ele podia negar, dizer que aquilo não dizia respeito a ela, mas apenas assentiu, parte dele com medo de ela se fechar, parte dele muito curiosa para descobrir o que ela faria a seguir.
E, mais uma vez, ela o surpreendeu.
Ele viu quando ela perdeu o controle, quando ela apoiou a mão na parede e respirou fundo, parecendo estar engasgada. Ficou ali, parado, sem saber o que fazer. Ele deveria ir até a ela e tentar confortá-la? Deveria tirar alguma informação naquele momento? O caso era que Edward não tinha ideia do que passava na cabeça dela, não tinha ideia do que exatamente ela estava se sentindo. Algo dentro dele dizia que ele devia esperar.
E muito embora seus instintos tenham falhado uma vez, ele decidiu que deveria confiar neles naquele momento.
- Era aniversário da sua irmã? — ela enfim indagou, seus olhos castanhos o fitando de forma tão triste, que Edward sentiu um aperto em seu peito.
Ele engoliu em seco e franziu o cenho.
- Não, Isabella — respondeu, a voz rouca. — Não era aniversário da minha irmã... Por que você pergunta?
Ela balançou a cabeça e começou a andar de um lado para o outro, os braços cruzados de forma firme contra o peito.
- Tinha que ser o aniversário dela — sussurrou, mais para si mesma. Edward teve que se esforçar para conseguir ouvir. — Ele sempre pega as vítimas nos aniversários delas...
Edward imediatamente arregalou os olhos e se aproximou de Bella, tão rápido que fez a morena se assustar. Ele não se importou, porém. Pegou-a pelos braços e a aproximou dele o tanto que pode, fitando-a com atenção.
- Você tem certeza absoluta que é sempre no dia dos aniversários delas? — ele perguntou. — Nem um dia a mais ou um dia a menos? Alguns meses de diferença, talvez?
Ela negou, ainda meio assustada com a reação dele.
Resmungando, Edward a soltou e puxou seu celular, discando rapidamente para o celular de Rose. Esperou a irmã atender, andando de um lado para o outro, se sentindo a cada minuto mais ansioso.
- Edward? — ela finalmente atendeu. — Algum problema?
- Não, apenas quero uma informação — ele disse, indo direto ao assunto. — Qual o nome completo da sua amiga que estava fazendo aniversário naquele dia?
Rose ficou calada durante alguns minutos e Edward, por um momento, se sentiu mal por estar trazendo lembranças assim, mas sabia que ele tinha que fazer aquilo.
- Nathalie Bryan Adams, por quê? — ela finalmente sussurrou.
Mas sabendo que ela tinha que verificar aquilo o quanto antes, Edward disse que não era nada e que explicaria mais tarde. Nervoso, ele logo desligou e ligou para Ben, pedindo que ele conseguisse todas as informações sobre aquela Nathalie, e só depois, voltou-se para Bella, que aparentemente, tinha acabado de entender o que ele estava fazendo. Seus olhos estavam arregalados, sua boca aberta em um perfeito ‘o’.
- Isabella, você tem um computador que eu possa usar? — indagou. — Eu poderia olhar pelo meu celular, mas prefiro uma tela maior, no momento...
Ainda meio perplexa, Bella andou até o quarto e voltou um momento depois, o notebook aberto. Edward o pegou de suas mãos e rapidamente entrou no facebook. Foi até o perfil da irmã e olhou a foto que ela tinha sido marcada. Nathalie realmente parecia com Rosalie. De longe e de costas, até poderia se dizer que elas eram irmãs.
Seja lá quem fosse que tentava sequestrar Rose, não a queria, na verdade. Queria Nathalie. E provavelmente esse foi o motivo de ele não ter ido atrás de sua irmã novamente.
- Ele a quer. — Edward ouviu Bella murmurar, mas não se virou para ela. — Ele deve estar com ela agora...
Não podendo lidar com aquilo naquele momento, ele apenas ligou novamente para Ben, esperando que ele tivesse mais algumas informações.
- Ela está desaparecida há alguns dias, Edward. — Ben informou, antes que ele perguntasse algo. — A família prestou queixa apenas ontem, porque Nathalie tinha uma viagem para fazer e deveria ter voltado há dois dias, mas como eles têm que esperar mais vinte e quatro horas...
Edward engoliu em seco e fechou os olhos, assentindo, mesmo que Ben não pudesse ver tal coisa.
- Entre em contato com a família, Ben — ele murmurou, seus olhos ainda fechados. — Eu os quero na delegacia o mais rápido possível, por favor. Estarei aí assim que puder.
Edward tornou a desligar e fechou a tela do computador, enfim se voltando para Isabella. Ela ainda estava ali, parada, sua face congelada em horror.
Ele suspirou, sem saber se deveria deixá-la sozinha ou não.
- Você vai ficar bem, Isabella? — ele indagou. — Quer que eu chame alguém para vir ficar aqui com você?
Ela negou.
- Não, tudo bem — murmurou. — Eu vou me arrumar e ir um pouco mais cedo para o hospital...
Ele assentiu.
- Certo — suspirou. — Eu vou indo, então. Conversaremos depois, ok? Desculpe por tudo e... obrigado pela ajuda.
Ainda sem saber o que exatamente pensar, Bella o seguiu até a saída, antes de seguir para o quarto e se trocar rapidamente. Comeu qualquer coisa, sem realmente sentir fome, e correu para o hospital. Trabalhar, naquele momento, faria com que ela conseguisse esquecer um pouco daqueles últimos dias.
Entretanto, enquanto andava pelos corredores do hospital que trabalhava, já vestida devidamente com seu jaleco, ela não conseguia não pensar. Estava se sentindo confusa, exausta — tanto física quanto emocionalmente — e não tinha ideia do que aconteceria a seguir. E isso, naquele momento, mais do que qualquer outra coisa, a assustava.
E muito.
Ela agradeceu mentalmente quando foi solicitada à emergência, dedicando-se ao trabalho mais do que nunca, apenas porque não queria pensar. Trabalhou por horas e horas, mantendo-se distante de tudo. Deviam se passar das três da manhã — e ela tinha acabado de acordar de um cochilo de pouco mais de duas horas — quando ela ouviu as sirenes, tanto da ambulância quanto de viaturas. Como era a única médica desocupada naquele momento, ela chamou alguns internos e algumas enfermeiras, correndo para receber a próxima vítima.
Mas, para a sua surpresa, quando as portas se abriram e os paramédicos entraram empurrando algumas macas, Bella viu o detetive Cullen entrar logo atrás, seus olhos arregalados.
- O que aconteceu? — ela correu para a paciente.
E teve que usar toda a força que tinha para não congelar quando viu que a garota deitada ali, era a que estava na foto com a irmã dele. Se alguém disse algo, a mente de Bella não conseguiu processar.
Ela se focou em salvar a garota, fazendo tudo ao seu alcance. Procurou ignorar os cortes visíveis em sua pele muito branca, deixando as memórias de lado; ela teria tempo para elas depois. Entretanto, meia hora depois, ela se viu caminhando até a recepção, onde o detetive e alguns policiais esperavam.
- Ela não sobreviveu. — Bella disse, seu rosto sério, não denunciando o que ela sentia naquele momento. — Sinto muito, eu fiz tudo o que pude, mas...
Edward soltou um suspiro pesado e assentiu, ainda largado na cadeira. Ele fechou os olhos e apoiou a cabeça na parede, pensando em como daria essa notícia aos pais da garota e responderia às suas perguntas, quando nem ele mesmo conseguia entender o que estava acontecendo. Outra adolescente tinha sido encontrada há alguns dias e agora essa mulher, que ele tinha, aparentemente, perseguido durante um tempo. Por que ficar tão pouco com ela? Por que varia de uma morena para uma loira assim, tão rapidamente? Ele gostaria de ter todas essas respostas, mas infelizmente não as tinha.
E infelizmente, só Isabella poderia ajudá-lo.
Ele e Ben tinham conversado com os pais da garota durante algum tempo, mas nenhum deles tinham muitas informações. Nathalie tinha viajado, a trabalho, e não chegou no dia que tinha combinado. Os pais tentaram contatá-la, preocupados, mas não conseguiram encontrá-la. Tudo o que sabiam era que, sim, ela tinha pego o avião de volta à cidade, mas ninguém mais sabia dela depois que saiu do aeroporto. Edward, então, mandou uma equipe rondar a cidade, colocando cartazes, fazendo perguntas, querendo encontrar umas das melhores amigas da irmã, mas nada... até de madrugada, quando um novo corpo foi encontrado. E as digitais batiam com as de Nathalie Adams.
E agora... ela estava morta.
Suspirando pesadamente, o ruivo voltou a abrir os olhos, mas não encontrou Isabella ali, olhando para ele. Tudo o que ele pode ver, e mesmo assim rapidamente, foi um vislumbre das madeixas castanhas dela, balançado de leve enquanto ela se afastava.
Ele apoiou a cabeça nas mãos e fechou os olhos com força, sentindo vontade de gritar. Tanta coisa vinha acontecendo ultimamente que ele não sabia o que fazer. Pensou durante algum momento, as palavras de Renée o atacando com força novamente, e tornou a suspirar, sentindo que todo aquele pesadelo estava longe de acabar.
Primeiro, ele falaria com os pais da garota e procuraria saber mais sobre a morte dela, antes de ir até a irmã e contar a ela o que tinha acontecido — ele realmente preferia que ela soubesse por ele. E depois, ele falaria com Bella. Ele sabia que ela ainda estava resistindo um pouco, mas sabia que, ultimamente, as coisas estavam um pouco diferentes. Ela estava um pouco diferente.
E, mesmo que não confiasse ainda muito em seus instintos, Edward tinha decidido seguir em frente com seu plano. Ele se aproximaria de Isabella tanto quanto o possível, faria com que ela confiasse nele, faria com que ela se abrisse. E então, quando se sentisse perto demais, extrairia todas as informações que precisava. Por ela, sim, por todas as garotas que aquele cara tinha matado, mas, principalmente, por Rose.
Ele devolveria, a todo custo, a paz para sua irmã.
Notas finais
Deixem reviews, moças!
xx
N/B: Só UAU!!!!!!!!! O que foi essa capítulo?!?!?! Bella não se aguentou e soltou pelo menos uma dicazinha. E essa menina, coitada. Rose não era a vítima certa. Como as coisas irão rolar? Como Isabella irá se sentir depois da morte dessa menina? Dúvidas, dúvidas, dúvidas..... E só a Deh para nos contar kkkkkkkk.Comentem. Bjs, Lu.
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