Daylight
7 Capítulo Seis
Notas iniciais
Até a N/A (;
Renée manteve Isabella em seus braços durante um tempo, sua face estampando toda a surpresa que ela sentia naquele momento. Quando ela percebeu que aquilo era verdade e não mais um de seus sonhos, onde ela começava a ter sua Isabella de volta, ela a apertou em um abraço mais forte, enquanto depositava beijos em seu cabelo e dizia que tudo ficaria bem. Fechou a porta da casa e subiu as escadas — com um pouco de dificuldade, já que Bella ainda estava agarrada a ela. Levou sua filha até o quarto que ela ocupava antes de ir para a faculdade e se deitou com ela na cama.
Ela ainda não conseguia acreditar que ela estava chorando. Para ser sincera, Renée não se lembrava da última vez que tal coisa tinha acontecido.
Ela sentia muita vontade de perguntar o que tinha acontecido, mas não perguntou. Não falou nada, com medo de Isabella se fechar novamente, e apenas ficou ali, até que eventualmente a quantidade de lágrimas foi diminuindo, assim como os soluços. Ela observou o rosto da filha, retorcido pela dor, as lágrimas escorrendo pelo seu rosto, os olhos castanhos fixos em um ponto na parede.
Nem quando eles tinham a achado ela tinha ficado daquele jeito. E Renée não tinha ideia do porquê de ela estar agindo daquela maneira depois de tanto tempo, depois de parecer tão convicta em seguir em frente.
Ela soltou um suspiro pesado quando viu os olhos da filha se fecharem. Não muito depois, ela sentiu a respiração de Isabella se acalmar, seu peito subir e descer devido à respiração. Ficou ali, durante mais alguns minutos, e quando foi se afastar, ela não conseguiu.
E quando ela olhou para baixo, viu que Bella segurava a sua mão com força, mesmo estando dormindo. A mãe da morena sentiu as lágrimas tomarem conta de seus olhos e pôs a mão livre na boca, impedindo os soluços de saírem. Sua filha não pegava em sua mão daquele jeito desde que era uma garotinha, sua garotinha. Aquela menina que adorava pintar — que era excelente em tal coisa -, que amava seus bichinhos de pelúcia e tinha uma risada que ela amava ouvir. E ao ver Bella daquele jeito, chorando como não fazia há anos... Mesmo querendo se segurar, fazia com que Renée tivesse esperança.
Talvez houvesse um longo caminho ainda a percorrer, mas talvez um dia ela tivesse sua Bella de volta.
Era tudo o que ela mais queria.
Ela ficou ali tanto quanto pôde, mas logo se levantou, sabendo que Charlie logo estaria em casa. Ele procuraria por ela e Renée preferia contar a ele o que tinha acontecido, antes que Bella acordasse.
Sorrindo um pouco, ela se aproximou da filha e depositou um beijo demorado em sua testa. Depois, se afastou e se pôs de pé. Caminhou até o closet e puxou um cobertor, cobrindo a filha e ajeitando a coberta ao seu redor. Tirou seus sapatos e seu relógio, antes de se afastar. Fechou as janelas, e por fim saiu do quarto, apagando a luz e fechando a porta atrás de si. Com um pequeno sorriso no rosto e sentindo seu coração um pouco mais leve, embora ela não soubesse exatamente o porquê, ela desceu, se jogando no sofá, esperando por Charlie. Ao mesmo tempo em que torcia para que Bella não se transformasse em uma concha novamente, quando acordasse.
_
Isabella não soube dizer exatamente o que a acordou. O quarto estava escuro e o relógio longe demais para que permitisse que ela identificasse se era dia ou noite, mas ela sabia que não estava em sua casa e nem em seu quarto. Ainda se sentindo um pouco confusa, a morena se sentou na cama lentamente, sentindo o cobertor deslizar por seu corpo. Ela olhou ao redor, sentindo que aquele lugar era familiar, e franziu a testa, piscando os olhos diversas vezes, até que eles se acostumassem um pouco com a escuridão.
Engoliu em seco quando notou que estava em seu quarto de infância; um quarto que seus pais nunca haviam reformado. Todos os ursinhos de pelúcia estavam lá, em suas devidas prateleiras, todos seus brinquedos, seus livros... Tudo estava em seu lugar, limpo. Isabella fechou os olhos e esperou que o sentimento de perda tomasse conta dela, mas ele não veio. Parecia até muito estranho quão reconfortante podia ser estar ali.
Respirando fundo, ela se levantou, movendo-se devagar. Andou pelo quarto, ainda escuro, seus dedos tocando as fotografias na cômoda, os enfeites que ficavam ali... Com um sentimento estranho tomando conta de si, ela andou até uma das portas que estava fechada e a abriu.
Ela nem mesmo se lembrava da última vez que tinha pisado ali.
A morena ficou parada durante um tempo na porta, criando coragem para entrar. Ela notou quase imediatamente que aquele lugar também era limpo com frequência, mas que a mãe não tinha entrado ali naquele dia. Ela pôde ver as janelas abertas, as cortinas balançando devido à ventania, e percebeu que já tinha anoitecido. Como não tinha que trabalhar até a manhã seguinte, não se preocupou com aquilo. Ao invés disso, apenas deu um passo para dentro da pequena sala e acendeu a luz.
Ela foi imediatamente tomada por recordações de si, recordações felizes. Ela se lembrava de se sentar diante da tela e pintar por horas e horas, até que sua mãe ou pai a chamassem, praticamente a obrigando a fazer outra coisa. Ela sabia que não era excelente, que ainda tinha muito o que melhorar, mas seus pais sempre a elogiavam e mandavam emoldurar suas pinturas, antes de colocá-las nas paredes, mostrando para todos seus amigos quão talentosa sua filha era.
Depois que ela tinha voltado para casa, ela nunca mais tinha pintado. Aquele quarto nunca mais tinha sido frequentado por ela, mas seus pais continuavam a cuidar dele, continuavam a comprar tintas, aventais, telas... Eles tinham esperança de que, algum dia, ela voltasse a pintar. E era meio reconfortante ver que eles faziam isso até aquele momento, mesmo tendo se passado quase dez anos.
Suspirando, ela enfim avançou mais um pouco, dando volta naquele local. Diversas pinturas suas enfeitavam as paredes, de diversos tamanhos. Ela deixou que um pequeno sorriso nascesse em seu rosto quando viu uma de suas primeiras pinturas, que ela tinha feito com apenas sete anos: uma garotinha, com pernas tortas, toda pintada de rosa. Continuou ali durante algum tempo, andando de um lado para o outro, seus olhos analisando cada detalhe, e antes mesmo que se desse conta, ela estava no banquinho, diante de uma tela novinha, o avental amarrado ao redor de sua cintura, seus cabelos balançando de leve com a ventania, e seus dedos fluindo pela tela, não pintando nada em específico.
Naquele momento, ela só tinha sentido a necessidade de pintar. Pintar sem razão nenhuma, pintar até que o que ela sentisse fosse passado para a tela, de tal forma que outras pessoas pudessem sentir também. Mesmo que tudo não passasse de uma confusão de sentimentos.
Ela ficou ali durante algum tempo, perdida em seus próprios pensamentos. Seus dedos se moviam com uma velocidade um pouco fora do comum, talvez, mesmo para alguém que tinha pintado por quase dez anos, antes de parar por dez. Ela buscava as tintas, misturava, escolhia o pincel necessário e fazia seus rabiscos. Quando tudo terminasse, talvez não fizesse sentido algum, mas ela se sentia bem por estar pintando novamente.
Bella estava tão perdida em seus próprios pensamentos que não notou o movimento atrás de si. Charlie e Renée estavam parados na porta anexada ao seu quarto, ambos com os olhos arregalados. Eles não disseram nada, entretanto, não querendo perturbar sua filha. Trocaram um olhar e um sorriso, e depois de alguns minutos, saíram, ainda meio sem conseguir acreditar no que tinham presenciado.
– Ela está pintando... — Renée murmurou, sorrindo de orelha a orelha. — Char... isso é...
Ele sorriu também, assentindo, enquanto trazia a esposa para mais perto de si.
– Eu sei, querida — ele sussurrou, beijando-a de leve na testa. — Isso é incrível. Não sei quem fez isso com ela ou por que ela está agindo dessa maneira, mas... seja o que for, temos muito o que agradecer.
Ambos trocaram mais um sorriso e olharam um para o outro, antes de saírem dali, com medo de que Isabella parasse de pintar de repente. Entretanto, a morena parecia disposta a terminar aquela tela o quanto antes, muito embora ela não soubesse exatamente o porquê. Ela parou somente algum tempo depois, quando a fome falou mais alto, assim como a dor que estava começando a tomar conta de suas costas, já que tinha ficado muito tempo sentada na mesma posição.
Bocejando, ela colocou o pincel e a palheta de lado, antes de se levantar. Deu um passo para trás e afastou a mecha do seu cabelo do rosto, colocando-a atrás da orelha. Ela fitou a pintura durante algum tempo. Ela ainda não estava pronta, nem perto disso, mas Isabella conseguia visualisá-la perfeitamente em sua mente. Sinceramente, ela não via a hora de terminá-la.
Sorrindo um pouco, ela se dirigiu para o quarto que tinha pertencido a ela durante anos, mas não ficou muito tempo ali. Calçou seus sapatos e deu uma olhada em si mesma rapidamente no espelho, apenas ajeitando os cabelos um pouco — já que ela tinha acordado há pouco e nem mesmo tinha feito tal coisa. Parou na porta, hesitando, sem saber o que sua mãe faria quando a visse. Como ela deveria reagir? Ela ainda não sabia se tinha sido um erro ir até à casa dos pais quando estava naquele estado, obviamente alterada.
E, agora, ela não tinha ideia do que fazer.
Depois de ponderar por algum tempo, ela decidiu que não poderia ficar presa ali para sempre e decidiu descer. Não era muito tarde, então provavelmente os pais ainda estavam acordados.
Isabella andou pelo corredor e, cautelosamente, desceu as escadas. Ela ouviu o barulho da televisão antes mesmo de chegar ao primeiro andar, e tornou a hesitar. Porém, depois de respirar fundo algumas vezes, ela decidiu que agiria normalmente. Conversaria com os pais, como ela sempre conversava, mas não comentaria o que tinha acontecido naquele dia, mais cedo. E nem mesmo falaria que ela tinha voltado a pintar.
Seu pai desviou sua atenção da televisão assim que ela colocou os pés na sala e sorriu para ela gentilmente. Ele deu um tapa ao seu lado no sofá e, embora um pouco receosa, Bella seguiu até lá e se sentou ao seu lado.
Deus, pensou, por que estou me sentindo uma garotinha novamente?
– Oi, pai — ela murmurou. — Você chegou do trabalho há muito tempo?
Charlie tornou a sorrir.
– Ei, Bella — disse. — Há algum, na verdade. Mas você estava dormindo, provavelmente cansada de mais um dos seus loucos plantões, então sua mãe e eu deixamos você dormir.
Ela assentiu.
– Ela está dormindo? — indagou, de repente se lembrando de como tinha sido sentir os braços da mão ao seu redor, de como ela tinha se sentido... bem, ali.
– Não, não. — Charlie se pôs de pé e espreguiçou, bocejando um pouco. — Ela disse que iria tomar um banho rápido... Ah, ela deixou comida pronta para você. Pediu que eu avisasse...
Bella tornou a assentir, e se levantou, seguindo o pai até a cozinha. Seguiu para a geladeira e já ia pegar o prato que sua mãe tinha deixado para ela, quando seu pai a parou, dizendo que ele faria aquilo. Sentou-se, então, à bancada, e o observou colocar o prato no micro-ondas, programá-lo, e voltar para a geladeira, de onde tirou uma jarra de suco.
– Suco ou refrigerante? — ele perguntou.
Ela deu de ombros.
– Suco está bom — sussurrou.
Novamente, ela estava se sentindo como uma garota, mas não protestou. Viu o pai retirar o prato e colocá-lo diante dela, antes de lhe entregar um garfo e uma faca, assim como o copo com o suco. Ela comeu e bebeu com ele ali, assistindo-a. Foi um pouco estranho, mas ela não falou nada, apenas comeu.
– Por que você não dorme aqui hoje? — ele perguntou. — Sei que está acostumada a sair tarde do hospital, mas eu dormiria melhor se você esperasse até amanhecer...
Charlie a fitou com receio, esperando pela resposta negativa dela — como geralmente acontecia quando ela jantava ali -, mas, para a sua surpresa, Isabella apenas encolheu os ombros e assentiu, enquanto continuava a comer. Ele ficou ali, parado, e escondeu um sorriso. Tudo o que ele queria era descobrir o que tinha causado aquela mudança em sua filha — o choro, o fato de ter procurado pela mãe, de ter voltado a pintar. Caso fosse uma pessoa, ele passaria o resto de sua vida pensando em uma maneira de agradecê-la.
Renée chegou pouco depois e se juntou ao marido. Ela sorriu quando soube que a filha dormiria ali e correu para o andar de cima, dizendo que arrumaria a cama para ela dormir. Trocou os lençóis, deixou o cobertor que a filha tinha usado ali, e pegou um pijama seu, assim como uma toalha, chinelos e uma escova de dente. Quando Bella desejou boa noite ao pai, dando-lhe um rápido abraço, e subiu, ela encontrou tudo à sua espera.
– Acho que o pijama vai servir. — Renée disse, tentando conter a felicidade que tomava conta de si. — Caso não sirva, é só me procurar que eu te arrumo outro... Seu banheiro foi limpo outro dia e acho que todos os produtos de higiene que você gosta estão lá...
Bella assentiu.
– Obrigada, mãe — ela sussurrou.
Renée apenas sorriu e assentiu.
– Boa noite, querida — ela murmurou. — Até amanhã.
Ainda sorrindo, a mãe foi até a filha e depositou um rápido beijo no rosto de Bella, antes de sair do quarto. A morena imediatamente levou a mão à bochecha e engoliu em seco. Ela estava se sentindo... estranha. Suspirando, ela balançou a cabeça e seguiu para o banheiro, disposta a tomar um rápido banho antes de ir dormir.
Dez minutos depois, ela se encontrava saindo do box. Vestiu-se e escovou os dentes rapidamente, antes de se jogar na cama. Ao contrário daquela tarde, porém, ela não conseguiu dormir logo que se deitou. Rolou na cama durante algum tempo, perdida em pensamentos, até que o cansaço falou mais alto.
E não demorou muito para que ela começasse a sonhar.
Isabella se moveu para frente e para trás na cama, seus olhos grudados no teto. Ela tentou parar quieta, nem que fosse por um minuto, mas não conseguia. Ele tinha ficado alguns dias sem vir e ela esperava que ele aparecesse naquela noite.
Ela precisava ganhar a confiança dele. Precisava sair dali.
Soltou um suspiro pesado quando ouviu a porta da frente sendo aberta e fechada com um pouco mais de força do que deveria. Novamente, ele não iria ali. Resmungando um pouco, ela se encolheu na cama, disposta a tentar dormir um pouco. Ela tinha ficado tão ansiosa desde que tinha tido a ideia na noite passada que não tinha dormido muito bem. Ajeitou a fina coberta que ele tinha deixado ali ao seu redor. Fechou os olhos e bocejou.
Mas duas horas depois que ela tinha adormecido, um barulho alto a despertou.
Confusa, Isabella deu um pulo na cama, sem conseguir entender de onde tinha surgido tal barulho. Ela piscou diversas vezes, mas antes que ela pudesse acordar completamente, alguém segurava seu rosto com força e a empurrava contra a parede, tão rápido que ela soltou um gemido de dor quando sentiu algo espetá-la nas costas.
– O que?... — ela começou, ainda se sentindo confusa.
Antes que ela pudesse concluir seu pensamento, porém, ela sentiu o cheiro de alcóol, algo que fez com que ela quisesse vomitar.
– A partir de agora — ele disse, ainda a segurando com força — quero que você converse comigo. Não importa se vai ser fingimento, ou se você vai chorar enquanto faz. Quando eu lhe fizer uma pergunta, você irá responder, entendeu?
Isabella assentiu imediatamente, seus olhos arregalados de medo, seu coração batendo de forma desesperada. Ela sentiu as lágrimas chegando de forma rápida e não conseguiu impedi-las. E isso só fez com que ele sorrisse.
Ele estava bêbado...
Tremendo, ela o observou durante minutos — ou talvez horas, ela não sabia dizer. Ele não fez nenhum movimento, não disse nada, apenas ficou ali, olhando-a. Ele parecia estar satisfeito com algo.
– Sabe... — ele começou. — Eu estou gostando muito do seu comportamento, garotinha... Acho que já te dei muito tempo para se acostumar, para conversar, para confiar em mim... Amanhã começaremos seu treinamento, então... sugiro que durma um pouco.
Ele a soltou tão rapidamente, que ela não conseguiu se manter em pé. Caiu no chão de forma humilhante, e ficou ali, apenas o olhando. E ele continuava sorrindo.
– Até amanhã, Isabella — ele murmurou, dando um passo para trás. — Estarei aqui assim que acordar...
Ela o observou sair do quarto, e mesmo quando a porta foi fechada e trancada, ela ainda estava tremendo de medo. Se era por causa do que tinha acontecido ali naquela hora ou pelo quê aconteceria no dia seguinte... ela não tinha certeza.
Isabella sentou-se na cama de uma vez, seus olhos arregalados, seu coração batendo com força. Ela passou a mão na testa, notando-a encharcada de suor, e respirou fundo, procurando se controlar. Ergueu o rosto, alguns segundos depois, só então notando que já havia amanhecido, e viu sua mãe parada na porta, encarando-a com receio.
– Está tudo bem? — ela indagou. — Ouvi você gritar...
Ela assentiu rapidamente.
– Tudo sim — sussurrou. — Foi só um sonho ruim...
Renée hesitou por um instante, mas logo assentiu, ao mesmo tempo em que soltava um suspiro. Não querendo que Isabella notasse, porém, ela empurrou um sorriso para fora do rosto.
– Vá se preparar para trabalhar, querida — ela disse. — Estou preparando o café para você e o seu pai.
Bella sorriu um pouco e assentiu, antes de correr para o banheiro e tomar outro banho rápido. Ela teria que tomar café da manhã rápido, já que tinha que passar em casa para pegar uma roupa e suas coisas, antes de ir trabalhar.
Procurou ficar ali tanto quanto fosse possível, sabendo que os pais dela gostavam de sua companhia. Quando estava de saída os agradeceu por tudo e prometeu voltar em breve. Eles sorriram e assentiram, sabendo que ela logo voltaria. Ela iria querer pintar novamente, eles estavam contando com isso, afinal.
Bella correu para casa e se trocou, arrumando sua bolsa rapidamente. Ligou para o seu mecânico e ele apareceu rapidamente, apenas para pegar o carro dela, com a ajuda de um reboque. Novamente, ela teve que pegar um táxi e quase chegou atrasada ao trabalho, devido ao trânsito. Pagou o taxista e se preparou para entrar no hospital assim que ele estacionou, sabendo que seria um longo dia.
Soltando um suspiro, ainda meio confusa pelo que tinha acontecido nos últimos dias — desde que o detetive tinha surgido em sua vida, na verdade -, Bella se preparou para começar a trabalhar.
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Edward ficou preso na delegacia por horas, cuidando da adolescente que tinha sido encontrada. Ela tinha sido dada como desaparecia há apenas dois dias, o que deixava Edward louco. O cara estava perdendo completamente o controle.
Quando ele saiu, estava tão exausto que correu direto para casa — após falar rapidamente com seus pais e escutar que Rose ainda estava na mesma. Ele tomou um banho e se jogou na cama, só acordando devido a mais um pesadelo. Outra criança morrendo perto dele.
Cansado de não estar conseguindo solução alguma com aquele caso, ele tomou um banho, comeu e correu para a casa de Isabella, esperando — por mais que ele soubesse, no fundo, que não seria assim — continuar a conversa de onde eles tinham parado. Entretanto, depois de chamar pela quarta vez, ele começou a se convencer de que ela não estava em casa.
Um pouco irritado, ele ligou para Ben e pediu que ele olhasse no arquivo dela se ela estava trabalhando ou se iria mais tarde. Quando Ben disse que ela só teria de estar no hospital dali a uma hora e meia, Edward decidiu procurar por ela na academia, querendo aproveitar aquele tempo para conversar um pouco. Ao descobrir que ela não estava lá, ele decidiu ir até a casa dos pais dela.
E, novamente, quem abriu a porta foi a Sra. Swan.
– Sra. Swan — ele a cumprimentou -, eu poderia falar com a sua filha, por favor?
Renée fitou o detetive durante algum tempo, inclinando a cabeça para o lado, até se lembrar que ele tinha sido o detetive que tinha procurado por Bella há algum tempo. Ela sorriu, de repente pensando em algo, e o convidou a entrar.
– Infelizmente, Bella acabou de sair — ela disse. — Ela iria passar em casa rapidamente, antes de ir trabalhar...
Edward ergueu a sobrancelha, mas não disse nada, apenas assentiu. Ele começou a andar em direção à porta, querendo pegar Bella em casa.
– Oh, tudo bem — ele murmurou. — Eu vou procurar por ela lá, en...
– Eu gostaria de falar com você por um minuto, se não se importa, detetive. — Renée disse, antes que ele pudesse sair, interrompendo-o. — É um pouco importante...
Edward pensou em recusar, mas ao olhar Renée, ele assentiu, um pouco intrigado. Seguiu-a até o sofá e se sentou ali, sem deixar de observá-la nem por um minuto.
– Eu suponho que o senhor esteja tentando falar com a minha filha sobre o que aconteceu há dez anos — ela murmurou. — Não está?
Ele assentiu, mas não disse nada.
– Então, tenho que agradecê-lo — ela sorriu. — Não sei o que você está fazendo, detetive, mas... eu não me lembrava a última vez que Bella tinha agido daquela maneira... Foi um pouco assustador, eu admito, porém, gratificante.
Edward ergueu a sobrancelha, sem entender o que ela queria dizer com tudo aquilo.
– Não estou entendendo — murmurou. — Infelizmente, não tenho feito muito progresso com a sua filha, Sra. Swan. Está sendo até mais difícil do que eu achava, para ser completamente sincero.
Renée riu.
– Venha comigo, detetive. — Ela se levantou. — Eu quero lhe mostrar algo.
Ele a seguiu, meio relutante, até o segundo andar. Renée não disse nada, assim como ele, até parar diante de uma porta e se voltar para ele, com um sorriso no rosto.
– Esta porta é da sala de pintura da minha filha — ela murmurou. — Essa ao lado, é a do quarto dela. Tem uma entrada pelo quarto também, mas enfim... Eu gostaria de lhe mostrar algo...
Ele entrou na sala assim que Renée abriu e seus olhos se arregalaram um pouco quando ele viu a quantidade de pinturas que havia ali, penduradas na parede. Depois de analisar o local durante alguns minutos, ele se voltou para Renée, se sentindo um pouco confuso.
– Por que a senhora me trouxe aqui? — ele perguntou.
Renée sorriu e encolheu os ombros.
– Por que você não olha a tela naquele cavalete? — ela devolveu com uma pergunta.
Ainda confuso, Edward foi até o centro do quarto e se virou, encarando a pintura que ainda não parecia estar completa. Ele não entendia nada de pintura — na verdade, embora admirasse, nunca tinha tido interesse em pintar -, mas podia ver algo... profundo, talvez, naquela tela, mostrando um lado de Isabella que talvez nem ela mesma entendia. Ficou ali, parado durante um minuto ou dois, seus olhos disparando daquela tela para o local. A diferença entre elas era algo gritante.
– Bella apareceu aqui ontem — sussurrou Renée. — Ela chorava. Permitiu que eu a abraçasse e dormiu, na sua cama, segurando a minha mão. Quando Charlie e eu viemos ao quarto dela, à noite, só para ver se ela tinha acordado, a encontramos aqui, pintando...
Edward voltou-se para Renée, sua face mostrando surpresa ao ouvir aquelas palavras.
– Bella pintou pela última vez duas semanas antes de ser sequestrada, detetive — ela continuou. — Quando ela voltou, achamos que pintar serviria como uma terapia, mas ela nunca mais colocou os pés aqui... até ontem.
Ele engoliu em seco, ainda sem conseguir acreditar.
– Ela permitiu que eu arrumasse a cama dela, que Charlie servisse seu jantar — suspirou. — Pequenas e idiotas coisas, eu sei, mas... para alguém que não deixa que ninguém cuide dela desde que voltou para casa... o senhor não tem ideia de como é bom.
Ele viu o sorriso no rosto dela e assentiu, sem saber o que dizer.
– Sei que temos um longo caminho a percorrer ainda. — Sua voz não passava de um murmúrio. — Mas tudo o que estou pedindo ao senhor, agora, é que não desista dela, é que continue a fazer o que está fazendo, seja lá o que for. Pela primeira vez em anos, ontem, eu tive um vislumbre da minha garotinha, detetive, e eu a quero de volta... Deus, o senhor não tem ideia de como eu a quero de volta.
Renée caminhou até a tela situada no centro, cheio de cores escuras, carregada dos demônios que Isabella trazia dentro de si.
– Eu vejo toda a dor que minha filha esconde aqui — ela sussurrou. — Ela mantém tal dor escondida há dez anos, ela não permite que ninguém entre e não permite que a dor saia... Ela ter começado a colocar isso para fora é... é mais do que eu esperava.
Edward apenas ficou parado, sem saber o que dizer.
– Eu... eu estou fazendo tudo o que posso, Sra. Swan — ele gaguejou. — Mas não acho que seja responsável por muito...
Renée revirou os olhos, mas continuou sorrindo.
– Está sim — riu. — E eu só tenho a lhe agradecer por isso... Olha, detetive, sei que é difícil e que o senhor tem muitos casos para trabalhar, mas... aconteça o que acontecer, não desista da minha Bella, por favor.
Ele engoliu em seco e a fitou durante alguns segundos, antes de assentir. Renée sorriu ainda mais e se aproximou dele, e apertou sua mão.
– Obrigada, detetive — ela murmurou. — Muito obrigada.
Edward saiu da casa dos Swan minutos depois, ainda meio confuso. Ele entrou no carro e apoiou a cabeça no volante do mesmo, sem saber o que fazer. Pensou em tudo o que Renée tinha dito e na pintura que ele havia visto. Eu vejo toda a dor que minha filha esconde aqui, a mãe dela tinha dito. E o estranho era que, mesmo não entendo nada de pintura, Edward tinha tido, de fato, um vislumbre de tal dor.
Ele poderia estar confuso e não estar muito certo de como repetir o que provocara as reações de Isabella nos dois últimos dia, mas de uma coisa ele tinha certeza.
Ele não desistira dela.
Notas finais
E a Renée, que já é Team Edward hahahaha ♥ Sério, reli esse capítulo algumas vezes, porque amei amei escrevê-lo.
E espero que tenham gostado também!
O próximo já está pronto :3 Dependendo dos reviews, volto sábado que vem, senão, nos veremos daqui a 15 dias!
Até o próximo :3
xx
N/B: Esse capítulo está uma coisa muito meiga, não é verdade? Um a um os tijolos das muralhas de Bella estão caindo. Renée acho que é visionária, pois ela já gosta de Edward e sabe que ele tem relação com essa mudança da filha. Ele não vai desistir da Bella, NUNCA. E nem eu dos comentários de vocês. Bjs, Lu.
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