Daylight
19 Capítulo Dezoito
Notas iniciais
Antes que Ben atendesse, no entanto, Edward escutou o barulho de um tiro, ao mesmo tempo que sentia algo atingi-lo. Ele gemeu de dor e caiu, surpreso demais. Tentou rapidamente se levantar, mas a sua cabeça atingiu uma pedra antes disso.
E ele não viu mais nada.
–x-
Seus olhos se mantinham fixos à parede à sua frente, à espera do sinal. Sua arma estava posicionada, seu dedo pressionado no gatilho. Ele só precisava de um sinal para sair do local e atirar.
Ouviu barulhos atrás de si, e se recusou a olhar, por mais que seu instinto dissesse para fazer tal coisa. Eram seus parceiros, pessoas que, assim como ele, só esperavam ouvir a voz no rádio.
Os minutos foram se passando e nada. O sinal não vinha. Lembrando-se do plano B, o plano que ele tinha discutido outrora com sua superior, ele fez sinal para dois dos seus colegas passaram e pararem ao lado da porta, exatamente como tinha sido combinado. Apontou para outro de seus colegas e esperou que ele se posicionasse em frente à porta, antes de se mover, sua arma ainda apontada para a porta.
– No três – ele disse, alto o suficiente para todos ali escutarem. – Um… dois… três! Agora!
A porta foi chutada e todos saíram, se espalhando por vários locais, à procura da outra equipe, que tinha saído há pouco. Edward entrou no corredor a leste, apontando sua arma para todas as portas que estavam fechadas e abertas, somente para continuar a andar logo em seguida, já que todas elas pareciam estar vazias.
Eles já estavam quase chegando ao fim do corredor, pensando que ele estava vazio, já prontos para partirem para outro, quando viram uma trilha de sangue, que dava na última sala. Edward firmou a arma mais em sua mão e continuou a andar.
Somente para congelar quando chegou até a sala, que, outrora, estava vazia.
Havia uma arma caída logo próximo à porta, mas não foi ela quem chamou a atenção do ruivo. Lentamente, seus olhos seguiram o sangue... até o corpo caído no chão, virado de costas para ele. Havia uma pequena parede impedindo que ele visse a cabeça, mas ele sabia quem era. Com o coração acelerado, assim como a respiração, ele se aproximou, tentando não demonstrar para os seus colegas o que estava acontecendo com ele.
Ele deu um, dois, três passos... e encontrou Jane, sua Jane, caída, seu rosto pálido, seus olhos abertos, suas roupas um pouco rasgadas, quase como se ela tivesse tido uma luta com alguém, e sangue ainda escorrendo pela sua cabeça, provavelmente onde a bala entrara.
Ela estava morta.
Sem saber o que fazer, Edward permaneceu parado ali. Tinha que ser um pesadelo. Há algumas horas eles estavam rindo, conversando... em algum tempo eles teriam as primeiras férias juntos e poderiam assumir o relacionamento...
Tinha que ser mentira, ele pensou. Infelizmente, porém, não era. Observou quando um colega passou por ele e ajoelhou, pressionando dois dedos no pescoço da superior. Viu quando ele suspirou e o ouviu dizer que ela estava morta... mas era mentira.
Ela não podia estar morta.
Incapaz de ficar mais um minuto ali, ele disse qualquer coisa para os colegas de exército e se retirou, andando a passos largos para fora do prédio. Era culpa dele, ele sabia. Talvez se ele tivesse entrado mais cedo... talvez se ele não tivesse demorado tanto para seguir com o plano B... ela ainda poderia estar viva.
Ofegando, Edward abriu os olhos, somente para fechá-los novamente quando a luz forte o incomodou. Respirou fundo algumas vezes, dizendo a si mesmo que tinha sido só um sonho. Como sempre acontecia quando ele sonhava com Jane – o que, estranhamente, vinha acontecendo com uma frequência menor –, ele esperou que todos aqueles sentimentos tomassem conta dele: raiva, dor, saudades, culpa... Mas dessa vez foi diferente. Embora ele se sentisse ainda culpado pela morte dela e raiva por ter sido tão otário, a dor e a saudade não estavam mais lá.
– Ele está mesmo bem, doutor? – Ele escutou alguém dizendo, tirando-o de seus devaneios. Novamente, tentou abrir os olhos, mas uma pontada na cabeça impediu-o de fazer tal coisa. – Por que ele não acordou ainda?
Esme, ele reconheceu a voz. Doutor? Ele estava no hospital?
– Está tudo bem, Sra. Cullen. – Um homem respondeu; não era uma voz que ela conhecia. – A bala passou raspando o ombro esquerdo do seu filho, por sorte dele. Ele vai sentir dor por alguns dias, mas não é nada sério. Quanto a cabeça, não há sinal de concussão. Em breve ele deve estar acordando.
Edward tornou a franzir a testa, novamente se perguntando o que ele estava fazendo no hospital. Embora a cabeça ainda doesse um pouco, ele conseguiu se mover na cama e abrir os olhos. Olhou ao seu redor, encontrando um quarto de um tom esverdeado. Havia uma cadeira próxima à cama e o casaco da sua mãe estava jogado nela. Ele olhou para a porta e viu a mesma conversando com o médico; os dois não o haviam notado ainda.
O ruivo olhou para o ombro esquerdo e o encontrou enfaixado. Movimentou-o um pouco e sentiu uma pontada de dor, o que fez com que ele parasse de mexê-lo imediatamente. Ele se lembrava de ter tido uma pista com Bem há algumas horas – ou no dia anterior, ele não sabia dizer – e de eles terem ido segui-la e...
O tiro, pensou. Ele tinha conseguido achar a casa que Royce mantinha para esconder as garotas, ele tinha certeza disso. Mas tinha sido atingido antes de sequer ter a oportunidade de avisar a Ben.
– Edward! – Esme entrou no quarto, sorrindo ao ver o filho acordado. – Querido! Como se sente?
– Hmmm, oi, mãe – murmurou. – Estou ótimo. Um pouco dolorido, mas bem. Escute... será que eu posso falar com Ben? Eu me lembro de ter...
Edward não teve a chance de completar o pensamento, no entanto. Esme o interrompeu, dizendo para ele não se preocupar com nada daquilo naquele momento, que ela chamaria o médico. Ela saiu do quarto, então, e voltou alguns minutos depois, o médico com quem ela havia conversado há pouco ao seu lado, assim como seu pai, Carlisle. Ele foi examinado e teve que responder algumas perguntas, antes de ter a chance de pedir por Ben novamente. Ele não sabia o que havia acontecido depois que de ter perdido a consciência e como seu parceiro o havia encontrado. Não sabia se havia se afastado muito, não sabia se Ben teria achado a casa...
Ele tinha que ter achado.
– Ben está no refeitório, filho. – Carlisle falou, sorrindo um pouco, mais aliviado ao ver que o filho estava bem. – Eu vou chama-lo e trazê-lo aqui.
Edward permaneceu inquieto na cama, ansioso para resolver aquele assunto o quanto antes. Ele soltou um suspiro de alívio quando Ben entrou no quarto, imediatamente perguntando o que havia acontecido.
Ben explicou que havia escutado um tiro e, em seguida, ligado para central, pedindo por reforços. Explicou que ele demorou um pouco para achar Edward, mas que havia conseguido. O ruivo, então, perguntou se haviam encontrado a casa.
– Casa? – Ben indagou. – Ninguém pensou em procurar por mais casas depois de você ter levado um tiro e ter perdido a consciência. Vasculhamos a área, sim, para procurar pelo suspeito, mas... não estou ciente de nenhuma casa.
O ruivo fechou os olhos e suspirou, frustrado. Ele sabia que aquela era uma má notícia. Royce provavelmente não contava com o fato de ele estar acompanhado e, talvez, por isso, ele tenha dado um tiro no detetive, mas... a essa altura, caso alguma garota estivesse escondida naquele local, ele já deveria ter se retirado e levado a possível vítima com ele.
Merda, o ruivo pensou. Ele não sabia quando e se teria uma chance como aquela. Para isso, ele dependia de Isabella.
– Você conseguiu ver quem atirou em você, Edward? – Ben perguntou, tirando o detetive de seus devaneios. – E sobre essa casa... você achou alguma coisa?
Edward fechou os olhos por um momento, incerto do que fazer. Ele sabia que Royce era o culpado, sabia que ele tinha feito mal à Isabella e tantas outras garotas. Sabia que ele tinha matado – não só uma vez. E também sabia que ele tinha sequestrado a sua irmã, nem que tenha sido por apenas algumas horas.
E, Deus, só de pensar no que ele tinha feito Isabella passar...
O sentimento que tomava conta do detetive quando ele pensava nisso... ele simplesmente não conseguia explicar.
– Edward? – Ben tornou a chamá-lo. – Está tudo bem?
O ruivo balançou a cabeça de forma positiva e engolir em seco, pensando no que fazer.
– Eu encontrei uma casa pouco antes de ser atingido – ele começou, contando a verdade. – Isabella havia comentado sobre ela comigo uma vez... e bateu com a descrição dela. Corrente e cadeado na porta dos fundos... Eu me afastei, acho que até demais, querendo telefonar para você e informá-lo, porque eu não tinha ideia do que poderia haver lá dentro, se havia alguma vítima ou algo assim, só que antes que eu pudesse fazer a ligação... eu fui atingido e...
Ele parou, novamente incerto do que fazer. Mentir?
– E? – Ben insistiu. – Você conseguiu ver quem o atingiu?
Naquele momento, o rosto de Isabella veio à mente do detetive. Ela havia passado por tanto, ainda tão nova, e agora, anos depois, recebia ameaças do cara que a manteve em cativeiro por meses... Ela tentava esconder os sentimentos, mas ela estava assustada. Ela vivia assustada. Bastava se lembrar das câmeras de segurança, do alarme, do quarto do pânico, da arma que ela mantinha escondida... E Edward sabia que ele podia tentar acabar com aquilo.
E foi por isso que ele mentiu.
– Sim, eu vi – ele murmurou, nunca desviando os olhos do colega de trabalho. – Era Royce King.
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Isabella não conseguia dormir. Ela já virara na cama diversas vezes, tentando encontrar uma posição confortável, mas... toda vez que ela fechava os olhos, ela se lembrava do que havia presenciado em seu plantão, quase doze horas atrás.
O detetive Cullen chegando em uma maca.
Ela estava no final do seu plantão, atendendo uma criança que havia caído e cortado a perna – a ponto de precisar de pontos –, quando os paramédicos chegaram. A princípio, ela não prestou muita atenção ao que acontecia ali. Continuou dando pontos na criança, conversando com ela para acalmá-la. Ela estava terminando de instruir a mãe e responder as perguntas dela quando olhou para o lado e o viu ser atendido ali mesmo.
E ela congelou.
Ela se lembrava de ter se aproximado algum tempo depois, mas de ter ficado parada ali, vendo os dois médicos ao redor do detetive, disparando ordens para as enfermeiras. Escutou vagamente o que eles diziam, mas não conseguia se lembrar exatamente o que haviam dito.
Ele tinha sido ferido.
A morena permaneceu parada ali quando o levaram para fazer exames, sem saber o que fazer, sem entender por que ela estava se sentindo daquela maneira. Permaneceu no hospital mesmo quando o seu turno acabou e, algum tempo depois, quando descobriu que ele tinha ido para o quarto, ela foi até lá.
O quarto estaria completamente vazio, se não fosse pelo detetive deitado na cama. Seu ombro estava enfaixado, mas fora isso, não havia ferimentos visíveis nele. Mesmo sabendo que não deveria estar fazendo aquilo, pegou o prontuário dele e o analisou, um suspiro escapando de seus lábios quando ela viu que ele não tinha sofrido nada de grave.
E então, mesmo sabendo que deveria ir embora, que a qualquer momento a família dele ou algum funcionário do hospital poderia chegar, ela se aproximou dele, lançando olhares nervosos até a porta do quarto, e parou próxima à sua cabeça.
– Detetive... – ela murmurou, um suspiro escapando de seus lábios.
Antes que pudesse sequer pensar uma segunda vez, a morena ergueu a mão esquerda e, com cuidado, pousou-a na mão do detetive. Um arrepio correu seu corpo todo, mas ela não afastou a mão. Era algo novo, completamente novo, mas era... diferente.
Uma enfermeira escolheu aquele momento para entrar, o que fez com que Isabella se sobressaltasse. A morena murmurou uma desculpa qualquer e saiu do quarto, antes que tivesse de dizer algo. Sabendo que seu plantão havia acabado e não tinha como ela ficar ali, ela rapidamente saiu do hospital.
E agora ela desejava que tivesse ficado.
Ela sabia que o detetive estava bem, que os exames não tinham mostrado nada alarmante, mas mesmo assim...
O que tinha acontecido?
Novamente, a médica suspirou e mudou a posição da cama. Fechou os olhos e tentou usar uma das técnicas de relaxamento que ela havia aprendido ao longo dos anos. Pela primeira vez em muito tempo, ela não funcionou.
Eventualmente, ela conseguiu dormir um pouco – por míseras quatro horas –, quando o relógio já marcava mais de três da manhã. Acordou por volta das sete, mais cansada do que antes, mas, sabendo que não iria conseguir dormir mais, ela se levantou.
Tomou um banho longo, tentando afastar as memórias do dia anterior da sua mente. Será que o detetive estava bem? Teria ele já acordado? Isabella soltou um suspiro frustrado e fechou os olhos, enquanto apoiava a cabeça na parede do banheiro, deixando que a água batesse em suas costas. Ela desejou ter um plantão naquele dia e poder visitá-lo, exatamente como havia feito no dia anterior. Mas ela só voltaria na noite seguinte...
Ela não podia simplesmente aparecer no hospital... podia?
Sabendo que não podia fazer aquilo e decidida a esquecer o que havia acontecido no dia anterior, ela desligou o chuveiro e saiu do banho, vestindo-se de forma casual rapidamente. Embora não sentisse fome, arrumou algo para comer, e com o dia completamente livre depois disso, sentou-se no sofá e ligou a televisão.
Mas nada de interessante passava.
Ela mudou os canais algumas vezes, mas desistiu quando percebeu que nada chamava a sua atenção ali. Permaneceu deitada durante mais alguns minutos, seus pensamentos novamente vagando para o detetive Cullen.
Isabella estava tão absorta neles que demorou um pouco para perceber que o interfone da sua casa tocava. Ela piscou rapidamente algumas vezes e balançou a cabeça, antes de ir conferir quem era.
E era Emmett.
– Emmett! – Ela sorriu quando foi abrir o portão para ele, após verificar nas câmeras de segurança. – Quanto tempo!
O amigo sorriu quando a viu e a envolveu em um abraço, mesmo sabendo que Isabella não era muito fã deles. Trocou algumas palavras com a morena ali mesmo, até que ela o convidou para entrar. Eles conversaram sobre coisas banais durante algum tempo, mencionaram como tudo estava no trabalho, antes de ficarem em silêncio. Emmett não sabia ao certo como trazer o assunto que ele e o detetive haviam discutido outrora, à tona, sem que Isabella se fechasse, como sempre acontecia. E haveria algum problema se ele mencionasse que a presença dele ali tinha sido um pedido de Edward Cullen?
– Então, Emmett... – Bella começou, quando viu que o amigo não diria nada. – Em que posso ajudá-lo?
O moreno sorriu e encolheu os ombros, ainda surpreso com quão Bella o conhecia.
– Hmm... eu tive uma conversa com alguém outro dia e... – ele começou. – Bella... por quê?
Isabella encarou o amigo durante alguns instantes, antes de fechar os olhos e suspirar. Não era necessário ser um gênio para descobrir sobre o que Emmett estava falando.
– Ele te contou, não foi? – ela indagou, sorrindo de forma triste. – O detetive Cullen te contou que ele sabe quem me sequestrou...
A morena esperou que a raiva tomasse conta de si, como aconteceria há alguns meses, quando insistiam em tocar nesse assunto com ela. Porém, nada veio. Ela simplesmente não conseguia sentir raiva dele. E não tinha ideia do porquê.
– Sim, ele contou. – Emmett murmurou, surpreso por ela ter confessado que havia sido sequestrada. Não tinha sido com todas as palavras, mas para quem nunca falava no assunto antes... – Não fique com raiva dele, Bella, ele só quer ajudar.
Ela assentiu, abaixando a cabeça e fitando as suas mãos.
– Não posso, Emmett – sussurrou, algum tempo depois. – Já se passou tanto tempo... Não me peça para ir lá e testemunhar... e ter que falar daquela época e... não, eu não posso...
O advogado permaneceu calado, surpreso por ela estar falando daquela maneira. Ele a conhecia há muito tempo, exatamente como Edward havia apontado na conversa deles, mas Isabella nunca havia lhe contado nada daquilo. Nada que envolvia a época que fora sequestrada – por Deus, ela sequer falava a palavra ‘sequestrou’.
– Bella...
Ele não conseguiu concluir a frase, no entanto, já que Isabella escolheu aquele momento para erguer a cabeça. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, o que surpreendeu Emmett mais do que tudo.
Ele nunca a tinha visto chorar.
– Ele foi baleado, Emm – sussurrou. – Ele provavelmente se machucou por minha causa e... e eu... eu não posso. Ele está bem, a bala apenas passou de raspão, mas... Não há nada que possamos fazer. Só... só deixa isso quieto, ok?
Emmett engoliu em seco e ficou calado durante algum tempo, pensando no que deveria falar a seguir. Por fim, ele fechou os olhos e respirou fundo.
– É exatamente por isso que você tem que cooperar, Bella – ele disse, sorrindo de forma gentil para a amiga. – Podemos acabar com isso, ok? Basta você dizer as palavras e eu, seus pais e o detetive Cullen... todos estaremos aqui para ajudá-la.
Ela sorriu. Não era um sorriso feliz, no entanto.
– Você sabe que não posso fazer isso. – Ela estremeceu ao se lembrar das ameaças claras de Royce, sabendo que ele não hesitaria em cumpri-las. – Por favor, não insista no assunto. Não há nada que você, ou o detetive, possa dizer para me convencer ao contrário.
Emmett tentou argumentar mais algumas vezes, mas Isabella não respondeu mais a nenhuma de suas perguntas, mudando de assunto toda vez que ele insistia. Por fim, ele suspirou, derrotado. Ele teria que esperar mais alguns dias antes de tentar novamente.
Quando Emmett foi embora, já se passava da hora do almoço. Ainda sem fome, Bella comeu apenas um rápido sanduíche, antes de voltar a se sentar no sofá.
E, mais uma vez, exatamente como havia ocorrido durante toda a noite anterior e aquela manhã, seus pensamentos vagaram para o detetive Cullen.
Por quê? Por que ela estava pensando nele tanto assim? Por que ela não podia simplesmente tirá-lo da sua cabeça?
_
O detetive Cullen foi liberado no dia seguinte, cedo, e seus pais o levaram direto para a casa deles, apesar dos protestos do ruivo de que ele estava ótimo e que ficaria bem sozinho em sua casa. Dois policias da delegacia de Edward passaram no hospital logo após a conversa do ruivo para pegar o seu depoimento. Ele sabia que havia uma busca por Royce agora.
E sabia que em breve ele estaria na delegacia.
Isso não o satisfazia, no entanto. Sabia que Royce era esperto, sabia que ele daria um jeito de escapar. Mas eles provavelmente conseguiriam segurá-lo durante algum tempo, talvez mais de dez horas...
E Edward precisava convencer Isabella a identificá-lo como seu sequestrador e a testemunhar, o que não seria fácil. Ainda mais com seus pais insistindo que ele descansasse.
Mas ele precisava tentar. Era a sua última esperança.
Se Isabella não concordasse em testemunhar e se Royce conseguisse escapar... o detetive não tinha ideia do que ele iria fazer.
Foi praticamente impossível dormir naquela noite. Edward continuava repassando o que havia acontecido no dia anterior, em como ele havia mentido para Ben como se aquilo não fosse nada demais. Durante todo o tempo que ele trabalhava naquela delegacia, primeiro como policial e depois como detetive, ele nunca havia feito isso – nunca imaginou que faria tal coisa, na verdade. E agora... ele havia mentido.
Cansado de ficar deitado, o detetive caminhou até o primeiro andar e se dirigiu para a cozinha. Fitou a geladeira durante algum tempo e pegou uma jarra de suco. Ele estava se servindo quando seu pai entrou na cozinha.
– Não consegue dormir? – Carlisle indagou, sentando em frente ao filho.
Edward encolheu os ombros, fazendo uma careta quando sentiu dor naquele que havia sido atingido. Tomou um gole do suco e respirou fundo.
– Você está mesmo bem, Edward? – o pai insistiu. – Parece... não sei, nervoso. Quer que eu o leve de volta ao hospital?
O ruivo sorriu.
– Estou bem, pai, de verdade – respondeu. – Meu ombro dói um pouco, mas acho que é normal, certo? Eu só não consigo dormir... tenho, hum, várias coisas em mente agora.
Carlisle ergueu a sobrancelha e cruzou os braços.
– Como? – perguntou.
Edward não teve certeza do que o levou a começar a realmente conversar com o seu pai. Ele vinha contando algumas coisas do caso para ele, coisas que ele não deveria estar contando, mas ele nunca tinha realmente entrado em detalhes.
Até aquele momento.
Começou falando sobre as conversas que ele tinha com Isabella e em como ela vinha se abrindo mais para ele. Contou sobre a investigação que ele tinha feito nos últimos dias, juntamente com Ben. E, por fim, contou sobre o que aconteceu quando ele viu a casa e teve a certeza de que aquele lugar era o certo.
– Eu sei quem sequestrou Rose, pai – sussurrou. – E as coisas que Isabella me contou... Deus! Eu não consigo nem imaginar o que ela passou naquele lugar...
Edward fechou os olhos e balançou a cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos.
– Eu... eu... – ele pausou por um momento. – Eu menti, pai. Não vi quem me deu o tiro.
O pai dele arregalou os olhos.
– Eu sei que foi errado. – Edward continuou, antes que Carlisle pudesse dizer alguma coisa. – Sei que não deveria ter feito isso, mas... e então? Pelo menos ganhamos algumas horas para investigar a vida de Royce... e talvez eu consiga alguma coisa com Isabella, pai. Eu só... eu não podia mais tolerar vê-lo passar despercebido.
Carlisle observou o filho, incerto do que dizer. Ele queria abrir a boca e falar que aquilo tinha sido errado, que Edward deveria ligar para a delegacia e dizer que havia cometido um engano, que ele estava confuso e não tinha certeza se havia mesmo visto alguém.
Entretanto, como ele podia dizer aquilo? Sua garota quase havia sido machucada por aquele cara – e ele tremia só de pensar no que o cara da van podia ter feito com Rosalie –, tantas outras garotas sofreram na mão dele...
– Não, Edward, o que você fez não foi certo. – Ele finalmente falou, algum tempo depois. – Mas eu confio em você, Edward. E... filho? Eu teria feito a mesma coisa.
O ruivo sorriu um pouco e assentiu, mas não disse mais nada. Ele realmente se sentia mais aliviado após ter conversado com o pai e mal podia esperar pelo dia seguinte.
Ele queria que eles tivessem Royce sob custódia logo.
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Um grito de raiva escapou dos lábios de Royce quando ele viu a notícia da televisão. Ele andou ao redor da sala e pegou um vaso que se encontrava ali, jogando-o na parede logo em seguida.
Edward Cullen havia sobrevivido.
Como ele podia ser tão estúpido e errar a mira daquele jeito? Quando o detetive havia caído e ele vira o sangue... ele tinha estado tão certo de que aquela parte do seu problema havia acabado.
Mas agora... E se o detetive tivesse o visto? O que ele faria?
Ele havia tomado certos cuidados após balear o detetive, é claro. Tinha movido as duas garotas para outro local seguro, um que ele sempre manteve caso o primeiro fosse comprometido. Certificou-se de que tudo estava limpo, retirou tudo que podia levar até a ele e, desde então, ele não tinha saído de casa.
Agora, no entanto, ele não tinha mais certeza de que não seria pego.
Desesperado, ele andou de um lado para o outro da sala, tentando pensar em algum plano que pudesse ajudá-lo caso o detetive o tivesse visto. Um sorriso surgiu nos seus lábios, algum tempo depois, quando ele se lembrou de uma pessoa que lhe devia um favor.
Não se sentindo mais tão preocupado assim, Royce pegou o telefone e fez a ligação.
– Preciso que venha até aqui. – Ele disse, quando a pessoa atendeu. – Está na hora de você me pagar aquele favor.
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Apesar dos protestos dos pais, Edward foi até a delegacia no dia seguinte, querendo estar a par da investigação. Uma viatura tinha sido mandada até o orfanato naquela manhã para a apreensão de Royce, o que deixou o ruivo satisfeito. Um mandado estava sendo expedido naquela mesma manhã e eles poderiam investigar um pouco mais sobre a vida de Royce.
E Edward realmente esperava que eles conseguissem alguma coisa.
Ele permaneceu ali durante algum tempo, até que Royce foi trazido. Edward sorriu quando o viu sendo levado até a sala de interrogatório, desejando mais do que nunca que aquele caso pudesse ser encerrado logo. Ele foi até a sala ao lado, querendo observar tudo, enquanto Ben entrava para interrogá-lo.
– Então... senhor King... – começou. – Por que você não começa me dizendo onde esteve há dois dias, entre quatro e seis da tarde?
Royce fitou Ben durante algum tempo, antes de sorrir.
– Bom...eu estava meio ocupado, sabe... – ele riu.
– Meio ocupado? – Ben indagou. – Posso saber com o quê?
– Com uma conhecida minha – ele tornou a rir. – Sinto muito pelo o que aconteceu com o detetive Cullen, mas não tenho nada a ver com isso.
Edward fechou os olhos e suspirou, enquanto apoiava a cabeça na parede. Ele sabia que Royce iria inventar algo, sabia que ele acabaria escapando.
Agora... só restava ele conseguir algo de Isabella.
Sabendo que não iria conseguir continuar ali sem invadir a sala de interrogatório e gritar com Royce, ele se retirou da delegacia e chamou um táxi. Algum tempo depois, ele estava parado em frente ao portão da casa de Isabella.
E não demorou muito para que ela atendesse.
– Detetive Cullen.
O ruivo olhou para cima e encontrou o olhar dela. Havia algo diferente ali. Quase como se ela estivesse... preocupada?
– Isabella. – Ele tentou sorrir um pouco. – Será que podemos conversar?
A morena abriu o portão para eles, seus olhos nunca deixando seu ombro. Ela o guiou até a sala, sem saber se deveria perguntar como ele estava, se deveria contar que o tinha visto no hospital e visitado o seu quarto.
– Posso ajudá-lo, detetive? – ela murmurou, ambos já na sala, ainda incerta do que dizer. – Eu... eu fiquei sabendo que você foi machucado e... você está bem?
Edward a fitou durante alguns segundos, antes de assentir.
– Eu estou bem – ele disse. – Eu só... eu preciso conversar com você sobre algo... Sobre quem me deu um tiro.
Isabella engoliu em seco e fechou os olhos, já imaginando o que Edward diria.
– Detetive, por favor – ela sussurrou. – Por favor, não me peça para testemunhar. Eu não posso... não posso...
O detetive suspirou.
– Ele atirou em mim, Isabella – murmurou. – Eu consegui achar a casa onde ele manteve você... Há duas garotas da região desaparecidas, elas podiam estar lá...
Isabella arregalou os olhos.
– Vo-você achou? – ela perguntou. – Você... entrou?
Ele balançou a cabeça de forma negativa.
– Eu recebi o tiro antes que pudesse fazer algo – disse. – Mas Royce está na delegacia agora, Isabella. Ele está inventando um álibi para o momento que fui baleado, mas... se você falasse algo. Por favor, Bella. Por favor, só... me ajude aqui. Você não quer que isso acabe de uma vez por todas?
Bella fechou os olhos novamente. Quando ela os abriu, Edward pôde ver as lágrimas ali.
– Não podemos atiçá-lo, detetive. – Sua voz não passava de um sussurro. – Você não tem ideia de como ele é perigoso... Não sabe com quem está lidando... Por favor, só o deixe ir, ok? Por favor, eu só...
Antes que se desse conta do que estava fazendo, o ruivo atravessou a sala e parou em frente a Isabella, tomando o rosto dela entre as suas mãos, prendendo seus olhos nos seus. Imediatamente, ele sentiu seu coração acelerar e um arrepio estranho tomar conta de si.
– Bella – ele murmurou –, você sabe o que eu fiz? O que eu tive que fazer para nos dar a chance de prender Royce?
Ela murmurou um ‘não’ baixo, incapaz de pensar em outra coisa para dizer.
– Eu menti, Isabella – continuou. – Eu disse que tinha visto Royce me dar um tiro, mas eu não vi. Ele provavelmente vai ser liberado assim que confirmarem seu álibi e é por isso que preciso de você. Por favor, Isabella.
Ela tornou a fechar os olhos, de repente achando tudo aquilo muito. O que ela estava sentindo por ele estar tão perto, as mãos dele no rosto dela, os olhos a encarando com intensidade... E aquele pedido. Ela queria atender, ela queria poder ajudá-lo, mas ela não conseguia. Além de não querer falar sobre o que tinha passado em um tribunal, ela não conseguia parar de pensar na ameaça que ele tinha feito. Se ele conseguisse escapar... ele machucaria os pais dela.
E ela não podia permitir tal coisa.
– Eu procurei ajuda para você. – O detetive continuou. Ele tirou as mãos do rosto de Bella, e ambos suspiraram com a perda de contato. – Um psiquiatra. Por que você não tenta conversar com ele? Eu peguei o cartão...
Edward pegou a carteira do bolso e puxou o cartão de Jasper. Ele o estendeu para Isabella, que o pegou, a mão trêmula.
– Ele pode te ajudar a se preparar para contar tudo, Isabella – murmurou. – Nós podemos ajudá-la... Só... por favor?
Edward estava se sentindo a cada minuto mais desesperado. Ele não sabia o que faria mais para convencer Isabella, caso ela não concordasse naquele momento. Ele sabia que ela havia sofrido e que havia guardado aquilo por muito tempo, mas... ele tentava há meses. O que mais ele podia fazer?
Bella fitou o cartão do psiquiatra durante alguns segundos, antes de balançar a cabeça de forma negativa.
– Por favor, não me peça isso – ela disse. – Eu não posso testemunhar. Eu não vou. Eu sinto muito que você vá ter que liberá-lo, mas não... não me pede isso, detetive, por favor, eu...
O ruivo fechou os olhos e soltou um suspiro, se sentindo derrotado. De repente, ele se sentiu cansado. Cansado de insistir, cansado de batalhar tanto naquele caso. Ele não pôde deixar de pensar em Rosalie e em como ela ficaria ao descobrir que ele havia desistido... mas o que mais ele podia fazer? Suas mãos estavam atadas.
– Eu não entendo – ele admitiu. – Como você consegue, desde que conseguiu fugir, ver tantas garotas sendo mortas e não dizer nada? Sinto muito se estou sendo insensível aqui, Isabella, mas não consigo compreendê-la. Elas estão mortas, não há nada que possam fazer, mas... você pode acabar com isso.
Isabella tampou o rosto com as mãos, um soluço sendo abafado por elas. Ela negou novamente, implorou que ele parasse de falar naquilo.
E Edward cansou.
– Você não vai mesmo testemunhar contra ele? – ele indagou uma última vez, observando-a com atenção.
Ela negou novamente, lágrimas nos olhos, mãos tremendo... Edward, de repente, precisou lutar contra a urgência de pegá-la nos seus braços e abraçá-la, algo que vinha acontecendo cada vez com mais frequência, algo que ele não entendia. Ele se lembrou, então, do que o Dr. Hale havia lhe dito em seu consultório, dias atrás: você não pode buscar ajuda para ela, detetive. Infelizmente.
– Não posso – ela sussurrou. – Não posso, por favor... só...
– Ok, Isabella – cortou-a. – Não pedirei mais. Caso você necessite de ajuda, irei ajudá-la com prazer, basta você me procurar. Mas não aparecerei aqui mais pedindo seu testemunho. Esse assunto está encerrado. Estou, oficialmente, desistindo.
Isabella sentiu algo atingi-la no peito. Ela arregalou os olhos, sem ter ideia do que fazer, sem ter ideia do porquê ouvi-lo dizer aquilo machucava.
Por que ela estava se sentindo daquela maneira?
– Você prometeu que nunca desistiria de mim – ela sussurrou, por fim, lembrando de algo que o detetive já havia dito, seus olhos castanhos cheios de lágrimas.
Edward desviou os olhos dela e encarou a parede atrás da cabeça da morena, sabendo que desistiria daquilo caso a olhasse nos olhos.
– Sim, Isabella, eu sei disso – ele sussurrou de volta. – No entanto, não posso mais tentar sozinho... Não quando você já desistiu de si mesma.
A morena engoliu em seco e abriu a boca, quase como se ela fosse implorar para que ele não desistisse dela. Mas ela não conseguiu dizer nada, apenas ficou calada.
– Espero que você seja feliz, Bella – ele disse. Doía nele fazer aquilo, mas ele estava apenas tão cansado de lutar... – E caso necessite de algo, de qualquer coisa, não hesite em me procurar, ok?
Pegando aos dois de surpresa, Edward se viu inclinando-se até Isabella e depositando um beijo demorado em sua bochecha. Ele se afastou quando notou o que havia feito e limpou a garganta, antes de passar a mão pelos cabelos.
– Boa sorte – sussurrou. – A gente se vê por aí.
Ele se virou e se afastou, abrindo a porta da frente e a fechando. Bella ouviu, então, o barulho do portão se abrindo, só para fechar novamente, comprovando que o detetive havia, de fato, desistido e que ela estava sozinha.
E foi quando ela deixou as primeiras lágrimas caírem.
Novamente, ela estava sozinha.
E era tudo culpa dela.
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