Daydreaming
18 Miss Savannah.
Notas iniciais
Estávamos a um bom tempo paradas na porta de Savannah. Minha mão volta e meia se levantava, ensaiando uma batida, mas perdiam as forças e voltavam a repousar ao lado do corpo. A menina ao meu lado nada falava, sabendo que eu precisava de coragem. Contei por alto meu sonho enquanto caminhávamos apressadas para a casa. Desde então, nenhuma palavra fora dita.
Eu virei, sentindo-me fraca para ficar de pé. Sentei na beirada da calçada, a cabeça entre os braços. Por mais que eu repetisse que fora só um pesadelo, algo em mim dizia o contrário e eu não tinha coragem para ver por mim mesma. Senti um aperto forte em meu ombro, mas não tive coragem de levantar a cabeça.
Batidas na porta. Depois a fechadura se virando. Levantei esperançosa de que fosse encontrar Savannah ali, de camisola, nos perguntando o que acontecera, mas era Sarah tentando forçar a porta. Ela lançou um sorriso pesaroso, como se pedisse desculpa para a esperança em meu olhar.
Não sei ao certo se ela demorou ou não, talvez eu tenha até cochilado, mas a mão firme em meu ombro me trouxe de volta. Levantei antes de olhar para a menina e, quando o fiz, desejei não ter feito. Ela tinha os olhos vermelhos, marejados. Ela não precisava verbalizar o que encontrara, eu sabia, sabia bem antes de virmos. Meneei a cabeça em recusa, sentindo Sarah me puxar para um abraço.
Naquele momento, senti como se perdesse mais um alicerce, um dos dois que seguravam minha estrutura. E tal qual a uma casa, eu tombei.
Voltei a mim aos poucos. Uma dor de cabeça horrível. Sentia os dedos de Soph acariciando meus cabelos, abri os olhos e ela sorria para mim, tornando impossível eu não sorrir. Estávamos de volta ao quarto dela, como se nunca tivéssemos saído.
“Apaguei por muito tempo?”
“Não muito, mas o bastante” Sua voz estava controlada, mas chorosa.
“E quando será o enterro?” A menina ponderou por um tempo, pensando em como falar, ou se falava.
“Sabe, Troian” Ela começou, se ajeitando de modo a ficar de frente pra mim e segurar a minha mão. “Não sou favorável a sua ida, acho que você precisa se dar um tempo, ir quando você se reestruturar, de preferência sozinha, mas se você quiser ir hoje, eu estarei ao seu lado, te passando o máximo de força que eu conseguir” Sequei uma lágrima que lhe escapou e a abracei.
“Está tudo bem, você está certa, vou outro dia” Ela sorriu, se afastando do abraço e segurando meu rosto delicadamente entre as suas mãos, unindo nossos lábios por fim.
“Pelo pouco que você contou, parece que ela teve o final feliz” Ela sussurrou, tentando me tranquilizar, mas aquelas palavras, pelo menos no momento, de nada serviram. Nem melhorou, nem piorou minha situação. Eu apenas fechei os olhos, me abraçando ainda mais forte a menina, desejando que meu final feliz não fosse encontrado assim, que eu nunca tivesse que me separar de Sarah, pois eu tinha certeza que não aguentaria mais uma pessoa me virando as costas, embora eu tivesse a certeza de que ainda tinha o meu pai.
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O menino estava deitado. Já sabia das notícias e isso o deixara indeciso. Seu coração se apertou ao saber que Savannah tinha morrido. Não que ele fosse íntimo dela, longe disso, mas ele sabia que Troian era e, por mais que falasse que não, ele ainda a amava, e sabia que sempre a amaria e se importaria com ela, imaginar a menina sofrendo e chorando, lhe partia o coração, mas, imaginar que não era ele a consolando, lhe doía ainda mais.
Ele brincava com o celular, segurando firme o papel entre os dedos. Se não ligasse, Troian continuaria sendo consolada por Sarah e um dia a dor da perda de Savannah não seria nada mais que uma ferida cicatrizada. Se ligasse, deixaria Troian ainda mais ferida, porém sem Sarah para lhe servir de consolo e sim ele.
Por fim, tomou sua decisão. Discou um número que já conhecia muito bem. Não demorou muito para ser atendido.
“Dona Stewart?” Ele suspirou, sentindo o conflito em si aumentar. “Consegui o que a senhora pediu” Ele disse, sem muita convicção.
Ele terminara de passar o número para a mulher e, ao desligar o telefone, sentiu uma lágrima lhe escorrer, sentiu um peso enorme cair em seu peito. Se sentia horrível pelo que fizera, mas a perspectiva de um futuro ao lado de Troian, amenizava um pouco a dor.
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