Notas iniciais
Finalmente chegamos ao final. Eu amei escrever essa história, mais do que qualquer outra, espero que vocês tenham gostado de acompanhar. Quem sabe um dia eu não continua, com um possível casamento, filhos e um fim definitivo. Por agora, por mais que eu queira, não seria possível, estou atarefada com o curso de teatro, mas em um futuro próximo quem sabe? Sentirei falta da Troian, da Sarah e de todos.

Um ano e meio. Esse foi o tempo passado desde meu despertar até o dia de hoje. Muitas coisas aconteceram no decorrer desse ano. Sophie e Allan se casaram, uma cerimônia simples, para poucas pessoas. Meu pai reencontrara uma antiga paixão e estavam juntos e felizes. E eu, bom, fiquei esperando o telefonema de Sarah, esperei durante longos dez meses, mas fora apenas no casamento que a reencontrara.

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“Me pergunto se um dia eu terei um desses” Me virei em direção a voz.

Lá estava ela, os cabelos presos em um coque solto, estavam em um tom avermelhado que a deixava com um ar mais jovial. Seu vestido tinha um tom cinza azulado, desenhando bem seu corpo e soltando na altura dos joelhos. Desviei o olhar do decote com sacrifício, para ser pega pelos olhos cinza que brilhavam radiante.

“Se é o que você quer” Respondi com um sorriso. “É o que você terá” Eu sabia que a festa acontecia ao nosso redor, porém não conseguia ouvir nenhum barulho vindo dela, apenas Sarah e eu existíamos.

“E você, o que quer?” Seu tom era desafiador, seu olhar parecia uma faca afiada, que cortava meu corpo para olhar diretamente a minha alma e seu sorriso, ah seu sorriso, prendia todo o ar a minha volta.

Mordi o lábio, sem saber como falar, afundada no sorriso da menina. Ela piscou, assumindo uma expressão vitoriosa e pegando minha bebida, virando tudo de uma vez, com a classe e a delicadeza que ninguém mais faria.

“Obrigada pelo livro” Ela mexia no copo, me analisando. Sabia que tinha que falar alguma coisa, porém não conseguia formular nada.

Senti meu coração acelerar, a respiração ficar ainda mais difícil, conforme a menina foi se aproximando de mim. Ela tinha um ar debochado e o olhar mais desafiador que nunca, seu sorriso dizia que sabia o efeito que causava em mim e que adorava isso. Ela parou a míseros centímetros, olhando fixamente nos meus olhos, sabia disso mesmo quando eu tentava desviar o olhar. Ela deixou o copo na mesa atrás de mim e tocou de leve meu braço, fazendo a pele ficar dormente. Engoli em seco, tentando controlar a respiração.

“Desculpa” Ela sussurrou, a voz rouca me fazendo tremer. Fechei os olhos por um momento e quando tornei a abri-los ela me encarava triunfal e brincalhona, mordendo o lábio inferior. “Pensei que você fosse mais direta” Ela arqueou uma sobrancelha. Dei uma breve gargalhada.

“Você some por dez meses e quer que eu tome algum tipo de iniciativa?” Arqueei uma sobrancelha, na esperança de conseguir mudar o jogo, porém a expressão da menina se manteve a mesma.

“Então acha que eu devo tomar algum tipo de iniciativa?” Seu tom era neutro, mostrando que tinha total controle de si.

“Foi você quem sumiu” Cruzei os braços, não me daria por vencida.

Ela abriu a boca para falar algo, mas voltou a fecha-la. Eu sorria triunfante, achando que finalmente ganhara o jogo, mas, sem aviso prévio, a menina passou os braços pelos meus ombros, segurando firme o meu pescoço e juntando nossos lábios. Demorei um tempo até retribuir. Ela sorriu sem se afastar, acariciando meus cabelos enquanto aprofundava mais o beijo. Segurei firme sua cintura, saboreando o gosto doce de sua boca e desejando que nunca mais acabasse.

Ela se afastou com pequenos selinhos. Gemi em discordância, querendo mais dela.

“Não tenho tanto auto controle como aparento” Ela escondia o rosto em meu pescoço. Seu sussurro sem fôlego era tímido me fazendo arrepiar quando seu hálito quente batia em minha pele. A abracei forte, incapaz de falar alguma coisa. “Olha pra sua direita. Consegue ver um homem alto, bem alto, careca, um tanto acima do peso?” Meneei a cabeça concordando. “Ele está olhando de cara feia para cá?” Meneei a cabeça outra vez, desviando o olhar em seguida. “Droga” Segurei o ar.

“O que você quer dizer com isso?” Sentia o meu corpo gelar aos poucos.

“Ele é o meu pai” A voz dela saiu engasgada. A imaginei fazendo uma careta.

Olhei mais uma vez para o homem, que parecia cada vez mais furioso. Meu corpo gelou por completo e eu soltei a cintura da menina. Olhei de rabo de olho para ela que me olhava com os olhos arregalados, a cabeça mais afastada de meu pescoço, porém ainda em meu ombro. Percebi que ela lutava contra uma explosão de riso. Demorei um segundo até entender tudo.

“Ele não é seu pai, né?” Perguntei, fazendo a menina explodir em uma gargalhada infantil.

“Não” Disse entre risos. “Tinha que ter visto a sua cara”

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Ela ficou rindo por um bom tempo disso, até que terminamos a noite em um quarto de hotel, rindo ainda mais das histórias que contávamos.

Eu resumi o que sonhara durante o tempo que passara em coma. Ela me olhara com atenção, visivelmente interessada na história. Quando eu acabei ela tinha os olhos cheios de lágrimas, um sorriso doce nos lábios.

Ela me contou que finalmente teve coragem de falar com os pais, de seguir o sonho dela e que não parava de pensar em mim. Ela disse que por vezes pegara o telefone, mas não tinha coragem para falar, que quase não fora ao casamento, mas que seu coração a fizera mudar de ideia.

Hoje, um ano e meio depois, estávamos iniciando nossas férias. Planejamos fazer um tour pela Europa, visitar cada lugar que eu sonhara. Começamos por Paris, pois o prazo de entrega de meu livro estava se esgotando.

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Certa noite, depois de um longo dia na redação. A casa estava vazia, o que significava que Sarah ou estava no hospital ou na faculdade. Tomei uma ducha demorada e não me preocupei em me enrolar na toalha para ir até o quarto. Vesti uma roupa confortável e me joguei na cama. Sem olhar, peguei o livro que mantinha em minha mesa e o abri.

Levei um susto ao notar que este estava completamente vazio. Virei as páginas diversas vezes até que um cartão caiu.

Querida Troian,

A um tempo atrás você entrara no meu hospital, em coma, mas mesmo assim me chamou a atenção, eu senti a necessidade de estar perto de você no primeiro instante que te olhei. Eu li um livro pra você, até o final, o que é um avanço. Então chegou o dia que você acordou. Fiquei feliz, claro que fiquei, porém meu coração se apertava. Agora que você estava bem, talvez eu nunca mais te veria. Foi então que, no final do dia, voltei à minha sala e lá estava um bilhete seu, junto com um livro que me ajudou bastante.

Sem mais delongas ou você passará a noite tentando decifrar a letra de médico, quero retribuir o favor. Pedi para Allan que trouxesse da lua de mel esse livro para você. Ele está em branco porque são suas palavras, sua letra e sua –quem sabe nossa- histórias que darão vida a essas páginas.

Com amor, Sarah.

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Eu ainda tinha o cartão guardado. Eu levara pouco tempo para preencher as páginas do livro que eu segurava firme contra o peito agora, esperando que a fila andasse para que eu pudesse devolve-lo à biblioteca, dessa vez com a minha, na verdade, a nossa história. Minha e de Sarah.

Finalmente chegara a minha vez. Entreguei o livro, preenchi e assinei alguns papéis e então vi meu livro ser colocado na estante junto com tantos outros de diversos escritores. Escritores anônimos, que se escondiam em qualquer lugar do mundo, longe dos holofotes. Sorri ainda mais, demorando um pouco. Toquei nele por uma última vez e então sai da biblioteca para o frio parisiense.

Caminhei tranquilamente pela rua, deixando meu pensamento vagar pelo final do meu livro.

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Por vezes eu olho pra trás, tentando nas lembranças mais tenras encontrar um anestésico para as feridas abertas em meu peito. Sei que não serão curadas, que não serão esquecidas e sei que sempre existirá uma cicatriz, não procuro por uma cura, procuro apenas por algo que diminua a dor, que permita com que eu conviva em paz com elas. Quero apenas diminuir a dor que as palavras de minha mãe ainda me causam. Sei que elas sempre irão pairar como uma nuvem sombria em mim, porém quero algo que me abrigue dessa tempestade, que não deixe as gotas me tocarem, para que eu finalmente possa perdoa-la por completo e ama-la da forma pura de outrora.

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Talvez não tenha sido uma boa maneira de terminar o livro, mas eu não podia terminar falando sobre mim e Sarah, pois nossa história ainda tinha muito o que ser contada. Eu nunca poderia escrever uma história completa sobre nós, pois nossa história só terminará com meu último bater de coração.

Passei por uma floricultura. Entrei. O ar quente sendo agradecido pela minha pele. O senhor atrás do balcão levantou o olho quando entrei, mas logo voltou sua atenção para o jornal, as mulheres que estavam lá dentro, tão presas em sua conversa, pareceram nem notar minha presença. Mapeei o ambiente com cuidado, encontrando o que eu queria ao lado da mulher loira. Fiquei em dúvida se levava um único ou fazia um lindo buquê. Resolvi por apenas um.

“Ótima escolha” Olhei para a mulher, que sorria ao meu lado. Ela usava uma touca cinza, porém cachos loiros caiam por seus ombros. “Lírios. Meus preferidos” Ela assumiu uma expressão distante, como se relembrasse uma boa história. A outra mulher a abraçou por trás, deixando um beijo no topo da cabeça da loira, apoiando o rosto em seu ombro.

“Gosto do que significam” Tive a impressão de que ambas compartilhavam o mesmo pensamento. Sorri para as duas, me virando para pagar.

“É para alguém em especial?” Me voltei para as mulheres, olhando para o lírio unitário que segurava.

“Para o amor da minha vida. Sarah” Eu tinha um tom tão doce que me surpreendeu.

“Então é por nossa conta” A maior falara. Tentei recusar, mas ambas insistiram.

Estava quase saindo da loja quando voltei a me virar para elas.

“Troian” Estendi minha mão, que elas pronta e calorosamente apertaram.

“Sou Rachel” A loira disse. “Esta é Luce” Ela olhou para a outra, os olhos brilhando. “Minha esposa” Ela disse a palavra docemente, o orgulho ficando ainda mais claro. Suspirei contente para a alegria das duas, sentindo ainda mais vontade de tomar Sarah em meus braços.

“Sabe” Comecei, ganhando a atenção das mulheres. Peguei um pedaço de papel em meu bolso e pedi uma caneta para o dono da loja. Rabisquei meu telefone e meu nome, depois o dei para Rachel “Sou jornalista e adoraria ouvir a história de vocês”

“Adoraríamos conta-la” Sorrimos e nos abraçamos.

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Eu avistara Sarah de longe. A reconheceria em qualquer lugar. Seus cabelos balançavam com o vento e eu sabia que ela observava atentamente cada pessoa que passava por ela, imaginando o que levara aquela pessoa até lá. Esse fora um hábito que ela aprendera comigo e tenta se igualar às minhas estórias desde então, porém sempre resmungando que nunca conseguiria.

Cheguei por trás, tampando seus olhos e deixando o lírio na mesa. Ela segurou meu braço, sentindo o perfume em meu pulso.

“Reconheceria esse cheiro em qualquer lugar” A soltei. Ela se levantou me abraçando. Nos beijamos. “Você demorou” ela disse, se sentando e fazendo bico. Me sentei à sua frente, dando de ombros.

“Estava pensando” Ela semicerrou os olhos, mas se manteve satisfeita com a resposta.

“Um lírio” Ela o pegou, cheirando de olhos fechados. Quando abriu os olhos, me direcionou o sorriso mais largo e doce do mundo, me olhando com o olhar provocativo que ela sabia me arrancar arrepios. “E a senhorita acha que é boa o bastante para meus desafios?”

Me inclinei na mesa, mantendo firme meu olhar no dela enquanto sussurrava em um tom conspiratório.

“Seus desafios são um jogo que eu quero passar a vida jogando” Pisquei, a vendo corar.

Me endireitei na cadeira, bebendo um pouco do seu café, enquanto tentava me convencer de que um dia saberia jogar tão bem quanto escrevia.

Notas finais
Espero que tenham gostado. P.S.: Essa livraria realmente existe, porém fica em NY. Você compra um livro em branco e então tem um ano para devolver com uma história. P.S.2: Imagine Me and You é meu filme preferido, não podia deixar Rachel e Luce de fora. Beijos. Até a próxima. Qualquer coisa, o ask é Crisgron e o twitter Goldagron.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!