Dawn of the living dead

10 9. A aliada dos Volturi


Notas iniciais
Band-Aids don't fix bullet holes You say sorry just for show If you live like that, you live with ghosts If you love like that, blood runs cold 'Cause baby, now we've got bad blood You know it used to be mad love So take a look what you've done 'Cause baby, now we've got bad blood, hey ... ♪♪ ➞ Notas finais são importantes!

— Ela está fedendo.

O tom de Alec transbordava zombaria quando o mesmo deu partida no carro. Gwendolyn apertou ambas as mãos em seu colo, tentando lidar com o furacão de emoções dentro de si. A provocação do Volturi era a última coisa a precisar de sua energia, a mesma que não era muito naquele momento.

— O jatinho está pronto? — Demetri interviu, quebrando o silêncio desconfortável dentro do automóvel.

— Tudo está nos conformes, general. Só estávamos esperando vocês.

O silêncio recaiu novamente enquanto a humana se segurava toda vez que seu corpo ameaçava se protejar para frente. Alec Volturi não era um dos motoristas mais cuidadosos. Durante aquele tempo, os olhos de Demetri a encaravam do espelho retrovisor do carro, encontrando o olhar distante da garota.

Após a explosão, Gwendolyn sentara na estrada, os cotovelos apoiados na pernas dobradas. Suas mãos tremiam enquanto lutava para afogar a raiva dentro de si, se controlando para não deixar as malditas lágrimas caírem.
Demetri ficou a encarando, os olhos vermelhos atentos a figura largada da jovem, observando atentamente sua expressão oscilar de furiosa a amedrontada. Por já ser um vampiro experiente, o caçador sabia muito bem definir as emoções humanas. E ali estava uma bomba das mesmas, lutando com todas suas forças para não explodir.

A humana o surpreendera novamente, assim como Demetri a ela. O homem permanecera calado, afastado até. Porém, Gwendolyn soube detectar o respeito emanando do vampiro. No final das contas, o Volturi sabia reconhecer momentos em que o silêncio era necessário.

— Afinal, o que diabos aconteceu? — a voz de Alec a trouxe de volta dos pensamentos, piscando rapidamente.

Os olhos do rastreador não se desviaram dos delas quando o mesmo respondeu:

— Não era uma armadilha. Aposto em uma tática de intimidação, jogos de caça. — ela entendia o que ele estava declarando. James estava a caçando, brincando com sua cabeça. — Ele quase conseguiu. — seu tom conteve uma leve sugestão de reprovação.

A humana negou com a cabeça, segurando a onda de indignação latente. Ele quase conseguiu porque ela estava apavorada. Ele quase conseguiu porque James estava com Riley. Ele quase conseguiu porque os dois pesadelos da humana a encurralaram.

— Não teria acontecido se você tivesse dado meia volta.

A tensão do carro aumentou quando as palavras saíram da boca da Davis.

— Está me dizendo que eu deveria ter fugido? — o tom calmo do rastreador era enervante. Seus olhos ainda continuavam a fita-la, porém, com mais intensidade. — Era exatamente o que James queria.

— Ele me quer morta! — sua voz aumentou, ecoando pelo automóvel. Alec se mantinha calado, mas atento a discussão. — Vocês me querem morta! Qual a diferença? — um riso sem humor se seguiu. — Na verdade, vocês estarião fazendo um favor à eles.

Gwendolyn fechou os olhos com força, se segurando na maré de emoções que duelavam dentro de si. Ela sabia que se arrependeria pelo momento de franqueza, mas o que ela poderia fazer? O choque da situação anterior ainda estava a drenando e no final de tudo, ela ainda era humana.

— O que? — Foi Alec que questionou, aumentando a velocidade.

Gwen suspirou, deixando a cabeça pender no vidro frio da janela. O carro era aconchegante demais para uma pessoa exausta como ela.

— Me matando. Vocês farião um favor à eles fazendo isso! Porque se não for vocês, serão eles.

Logo em seguida a voz determinada de Demetri garantia:

— Não no meu turno, humana.

A mesma abriu os olhos, encontrando imediatamente com os do vampiro a encarando. Ali havia um misto de determinação e raiva que lhe era conhecida. Durante um momento, Gwendolyn tentou imaginar como seria sua vida dali para frente, e tudo o que conseguiu foi a dúvida de quantos perigosos mais estavam por vir.

Quando o par de olhos vermelhos quebraram a troca de olhares, a humana voltou a fechar os seus. Sendo sincera consigo mesma, Gwendolyn não queria saber a resposta para sua dúvida. Mas tinha certeza de uma coisa: mesmo se não quisesse, Demetri estaria lá para garantir sua segurança, ou pelo menos, enquanto ela fosse últil para seu clã.

Se Gwendolyn supôs que sua recepção no aeroporto foi tensa, ela não poderia imaginar a mesma quando chegasse no castelo dos vampiros. Quando aquilo aconteceu, seu coração quase parou ao ser o centro da atenção, com vários pares de olhos vermelhos em sua figura deplorável.

Era mais assustador do que pensara.

Jane abaixou o capuz do seu manto, tomando a liderança e desfilando pelos corredores frios. Ela havia estado mortalmente quieta durante o vôo, não olhando para a garota humana uma vez sequer, o que Gwendolyn agradeceu. O clima no jatinho era mais tenso que no carro, já que nem Félix soltou uma de suas piadinhas, estando concentrado em seu celular. Demetri tomara o assento ao lado dela, porém, também não lhe dirigiu a palavra, conversando com os outros sobre o ocorrido.

Gwendolyn se sentiu deslocada enquanto olhava para fora da pequena janela, vendo as nuvens envolverem o jatinho. Era tão difícil não pensar no que a esperava quando chegasse à Itália ao mesmo tempo que ansiava dormir. Ultimamente ela tinha feito muito isso.

— Você sabe, temos que continuar.

A voz divertida de Félix soou perto de si quando o mesmo passou por ela. Só então se tocou que estivera congelada no lugar, encarando o restante dos vampiros de guarda nos corredores.
Sentindo as bochechas esquentarem pela vergonha, ela continuou andando, sendo escoltada pela elite Volturi: Jane ia na frente com seu rosto congelado em uma expressão autoritária, Alec ia logo atrás com seu andar definido pela humana como poderoso, Félix ocupou o terceiro lugar, assobiando alguma melodia. Então percebeu que estranhamente era a quarta, tendo ocupado o lugar de Demetri.

Demetri.

O mesmo se encontrava dois passos atrás de si, com seu olhar queimando as costas dela. Virando a cabeça para trás, Gwen o encontrou com uma expressão dura, porém, não era dirigido a ela. Seguindo o olhar do rastreador, a Davis percebeu a situação quando alguns rosnados soaram: Demetri encarava os outros vampiros pertencentes ao castelo, em um claro aviso que a humana não poderia ser incomodada. Tinha algo mais — ela sabia pela forma como alguns vampiros a encaravam maliciosamente. —, mas ela não queria pensar nisso.

Novamente, os olhares dos dois se encontraram e Gwendolyn assentiu minimamente com a cabeça, desviando a atenção do belo vampiro logo depois. Quando Jane parou em frente a portas ilustres de madeira, o coração da humana acelerou. Ela sabia o que estava por vir. De repente, Gwen lembrou do que Demetri lhe aconselhara: não ataque com palavras.

Ela precisava se lembrar disso.

Com toda popa possível de uma vampira maldita, Jane abriu as portas, revelando um salão luxuoso o bastante para fazer os olhos da Davis se arregalarem. Seguindo atrás de Félix, ela entrou no salão, com sua atenção sendo capturada para os três homens belos, cada um sentado em um trono glorioso. Por um momento, Gwendolyn quis se encolher perante a beleza e o perigo que emavanam dos três vampiros.

Um era loiro — o mesmo que carregava uma expressão fria, com um sorriso de dar arrepios, no mau sentido. —, e a encarava como se a garota fosse um animal de estimação bobo e idigno. Gewn o desprezou automaticamente. O outro era moreno — esse parecia um pouco mais velho, mas sua expressão apresentava tédio. — e não havia nada que gritasse morte à humana nele. O que Gwen achou ótimo. Por último, havia o que estava sentado no meio, as pernas cruzadas em uma pose elegante. Este também era moreno — aparentava ser mais jovem do que o outro. —, mas o que lhe chamou atenção fora o brilho quase maníaco em seus olhos vermelhos ao olha-la.

Imediatamente, uma onda de pavor a acertou. Seus braços estavam cruzados e assim permaneceram, ela não queria mostrar suas mãos trêmulas.

— Minha querida, Jane! Vejo que a missão foi muito bem sucedida. — o vampiro do meio se levantou, com um sorriso nada bonito no rosto.

— Não deixaria ser de outra forma, Mestre Aro.

Aro Volturi. Ele deveria ser o poderoso chefão no mundo vampiresco. Quando o mesmo moveu seus olhos para a figura da humana, um calafrio sinistro a percorreu. Gwendolyn apertou mais seus braços, tentando não estremecer.

— Gwendolyn Davis.

A própria percebeu o movimento atrás de si, quando Demetri se moveu para ficar ao seu lado direito e Félix no esquerdo. Ela não precisava olhar ambos para saber que as expressões dos dois estavam indiferentes. Afinal, ela estava sozinha novamente.

— Aro Volturi. — a Davis assentiu em saudação, não saindo do lugar, muito menos desviando os olhos do vampiro.

— A morta-viva fala. — o vampiro loiro zombou, lançando um olhar ofensivo em sua direção.

— Irmão, não sejamos ofensivos. — Aro caminhou em sua direção, a observando encantado. — Perdoe meu irmão, Caius, doce Gwendolyn. — ele esticou a mão pálida em um convite. Seu corpo paralisou. — Você não se importa, não é? Eu ficarei maravilhado em conhecê-la melhor, Gwendolyn.

Aos poucos, — gritando internamente para não ser fraca. — ela abaixou os braços, estendendo a mão e segurando a de Aro em seguida, lutando contra o desejo insano de correr. Talvez fosse sua imaginação fértil ou a adrenalina do momento, mas se a garota não estivesse enlouquecendo, ela sentira mesmo uma conexão se formando com o vampiro após o mesmo toca-la.

O aperto de ferro envolta de sua mão fez seus olhos lacrimejarem. Imagens confusas passaram por sua mente e ela sabia que era Aro responsável por aquilo. Em um determinado momento, um clarão passou por sua mente e sua cabeça começou a doer. Aro soltou sua mão, os olhos e as sobrancelhas erguidas em questionamento enquanto a humana se inclinava para atrás, respirando fundo em meio a confusão em sua cabeça.

— O que diabos foi isso? — Gwen indagou, cambaleando para trás, sendo aparada por um aperto de ferro logo em seguida.

— Memorie cancellate*.

Gwendolyn focou os olhos na figura de Aro. O mesmo a encarava, o interesse estampado em sua expressão. Foi então que ela se lembrou do par de mãos frias enroladas em seus ombros. Demetri a encarava impassível, as mãos firmes a apoiando, lhe transmitindo a certeza que ela não cairia. Félix estava atento, pronto para aparar qualquer queda que o rastreador deixasse acontecer, mesmo que ele soubesse que isso nunca ocorreria.

Gwen o encarou mortalmente, deixando claro seu aviso. Demetri retirou as mãos dos ombros da garota, com um brilho de divertimento nos olhos.

— O que você fez? — a Davis o questionou novamente, escutando o rosnado de Caius. — Senhor.

Em um piscar de olhos, Aro havia voltado para seu trono, a encarando pensativamente, as mãos apoiadas debaixo do queixo.

— Como você já deve ter percebido, a maioria de nós tem um dom. Eu consigo ver as memórias de alguém através de um toque. Eu vi as suas, porém, não todas. — o vampiro se inclinou para a frente. — Estou tentando decidir se você conseguiu esconder a memória da sua morte.

— Não! — Gwen se conteve, tentando não parecer eufórica. — Eu não estou escondendo nada, Aro. Há um espaço em branco na minha mente, espaço esse que deve abrigar algumas memórias. — a humana respirou fundo, tentando controlar os batimentos do seu coração. — Tenho a impressão que a memória do dia da minha morte deve estar nesse espaço em branco. Eu juro.

Caius riu, sem humor.

Você jura? — seus olhos vermelhos furiosos se cravaram em seu rosto. — Desde quando o juramento de uma tola vale algo para nós?

— Irmão. — Aro o advertiu, as mãos cruzadas. — Deixaremos que Gwendolyn fale e nos convença.

Com essa deixa, Félix a empurrou bruscamente para a frente, a fazendo cambalear até o meio do salão, desajeitadamente. A garota se equilibrou, forçando seus braços a permanecerem parados ao lado do corpo, as mãos firmemente fechadas em punhos. Risadinhas ecoaram.

Aro parecia ansioso, enquanto Caius se entretia ao lançar olhares mortais em sua direção. Já Marcus se mantinha inexpressivo, com ambos os braços apoiados no trono. Jane era a mais próxima dos tronos, como um cãozinho de guarda, junto a Alec. Demetri e Félix se mantinham passos atrás, cobrindo as grandes portas. Os outros vampiros estavam espalhados pelo salão, nas sombras. Em um pensamento negativo, a humana se perguntou quantos vampiros ela poderia alimentar antes de ter seu sangue drenado de todo o corpo.

Erguendo a cabeça, Gwendolyn tratou de dissipar aqueles pensamentos. Ela não seria o jantar daqueles sanguessugas. Mas se tivesse que ser, sabia que já estava prometida à Demetri. Embora isso a assustasse, também lhe dava motivação para não deixar aquilo ocorrer. A lembrança da certeza em sua voz ao declarar que não seria a refeição do rastreador a acertou como um soco. Porém, ela ainda não fora nocauteada.

— Eu fui morta e ressuscitei. — a Davis focou seu olhar somente nos olhos de Aro. Era a ele que precisava convencer. — Eu fui resgatada por Riley Biers e depois atacada pelo mesmo. — seus punhos se apertaram mais a medida que suas mãos começaram a tremer. Medo e raiva se chocando. — Eu parei em um bordel e quase virei prostituta por uma noite. — uma risada sem humor vinda de Gwen preencheu a sala. — Eu fui encontrada por Demetri e Félix na mesma noite em que fui ameaçada por James. — as lembranças passaram por sua mente enquanto seu tom se elevava. — Então descobri que fui trocada por minha amiga de infância, para logo depois ser atacada novamente por James e Riley. — as mãos da humana doíam tanto quanto seu coração, embora não fosse literalmente. — Eu perdi tudo! Algumas lembranças, a minha dignidade, a minha vida. Talvez meu pai também, já que ele acha que estou morta. — as lágrimas estavam sendo reprimidas com toda sua vontade. — As vezes acho que perdi minha humanidade também, mas aí eu me lembro que não sou eu a ameaçar uma pessoa tão quebrada quanto minha pessoa.

O salão havia recaído em um silêncio mortal. Marcus estava prestando atenção na figura da humana aparentemente frágil, mas que possuía um brilho quase febril nos olhos.

— Você voltou dos mortos, criança. Há alguma possibilidade de se achar um monstro mesmo ainda tendo sua humanidade? — Marcus a questionou, parecendo verdadeiramente interessado.

Demorou apenas dois segundos para a resposta vir:

— Até os monstros tiveram humanidade um dia. Eles apenas se esqueceram disso.

Quebrando a tensão, Aro Volturi começou a bater palmas, eufórico. Os olhares se desviaram para ele, surpresos. A própria Gwendolyn não esperava uma reação como aquela.

— Magnífico! Ela usa muito bem as palavras. E essa emoção... essa raiva mascarada com fragilidade. — um sorriso sinistro cresceu na face do vampiro. — O que você me diz de um acordo, querida?

Gwen piscou, processando a pergunta. Um suspiro aliviado estava preso em sua garganta ao perceber que ela havia conseguido. Ela havia o convencido de sua verdade. Como seria diferente, se tudo o que ela dissera tinha sido o que Aro havia visto?

— O que você quer de mim? — ela manteve sua voz firme, tentando não se distrair com o turbilhão de sentimentos dentro de si.

— Eu quero que você me ajude a desvendar seus mistérios. Algo me diz que os nomes em sua cabeça não são nada comparado as memórias em branco em sua mente.

— Aro.

As cabeças no salão se voltaram para o vampiro loiro e seu olhar estupefado ao encarar o líder dos Volturi. Gwen estava segurando um sorriso debochado.

— Deixe-o continuar, irmão. — Marcus mirou Gwendolyn no meio do salão, um olhar pensativo no rosto.
— Tenho o presentimento que essa menina nos trará algumas surpresas.

O bolo de medo foi ficando cada vez menor dentro da humana, porém, aquilo não significava que ele não estava lá. Aro sorriu vitorioso, ignorando a expressão sombria do vampiro loiro, se voltando para o novo motivo de seu interesse.

— Posso proteger seu pai, doce Gwendolyn. Você ouviu os boatos, certo? Uma pessoa volta a vida e outra morre. — um suspiro dramático se seguiu. — Seria tão triste se algo acontecesse com ele, não acha?

A respiração da garota ficou descompassada enquanto vários cenários horríveis passavam por sua cabeça. Aquilo havia soado como uma ameaça e ela não seria boba o suficiente para pensar o contrário.

— Seria horrível, Aro. — um pensamento nada amigável a atingiu em meio a batalha de emoções. — Por isso quero acrescentar algo no acordo, se for possível, claro.

O líder dos Volturi ignorou o tom da última palavra, curioso para o ouvir.

— Peça, Gwendolyn e verei o que posso fazer.

— Quero garantir a segurança do meu pai e para que isso aconteça, ele precisa ser prioridade nesses termos. Quero que desconsidere seu acordo com Bella Swan e concentre sua atenção a Graham Davis. — a reposta fez a atenção se voltar para a humana vingativa.

Os mais chocados eram Demetri e Félix. O primeiro analisava a humana e seu desejo por reparação pelo o que a ex amiga fizera. O segundo a observava divertido, descobrindo que a garota não era tão ingênua quanto pensava.

Aro partilhava dos mesmos sentimentos, contudo, a alegria por saber da aversão da humana pelos Cullen o fez sorrir. Uma aliada contra o clã vegetariano nunca era demais.

— Uma pena escutar isso, meu amigo Carlisle ficará desapontado. Porém, sua prioridade é seu pai e a minha é você. — ele bateu palmas. — Assim será, doce Gwendolyn. Graham Davis está sobre a proteção do clã Volturi.

O suspiro de alívio da garota foi inevitável. Como se um peso fosse tirado dos seus ombros, Gwendolyn sentiu que podia facilmente desabar ali. Toda a agitação havia mexido com seus ânimos.

— Ela ainda não aceitou, mestre. — a vadia loira fez questão de lembrar.

Gwendolyn a fulminou com os olhos.

— Obrigada por lembrar, Jane. Agora — Aro se voltou para a figura no meio do salão. — você, Gwendolyn Davis, aceita se juntar aos Volturi? Aceita estar ligada a esse clã até o dia de sua morte? Aceita se doar inteiramente pelo bem da nossa família? — algo em seu tom ao pronunciar a última palavra era contraditório. — Pense bem, querida. Essa é uma promessa que pode mudar ou acabar com vidas— ele sorriu.

Pode-se dizer que mil pensamentos passaram pela cabeça de Gwendolyn. Os motivos para aceitar e para não faze-lo se encontraram no meio do caminho, contudo, a imagem do seu pai vivo e feliz a fez responder:

— Eu aceito.

As palmas de Aro reverbaram pelo salão, seguidas do riso enlouquecido do vampiro.

— Fico contente, querida. Mais tarde teremos um jantar para decidirmos os detalhes do acordo e seu papel aqui. Agora, Demetri lhe mostrará suas acomodações durante sua estadia. — Aro observou a garota por um longo instante, assentindo para si mesmo em seguida. — Vá, Gwendolyn e descanse. Temos trabalho para fazer pela frente.

Gwendolyn ficou paralisada no lugar, sem saber o que fazer a seguir. Foi então que sentiu a mão fria de Demetri em suas costas, em uma clara deixa. Olhando uma última vez para os líderes do clã, Gwen virou-lhe as costas, saindo do salão acompanhada pelo rastreador.

Com o coração batendo loucamente e sentindo as pernas dormentes após a adrenalina deixar seu corpo aos poucos, a humana queria desabar no corredor mesmo. A mão do vampiro era um lembrete constante de que aquilo não poderia ocorrer, ela não poderia demonstrar fraquezas tão rapidamente.

Mesmo com esse pensamento em mente, Gwendolyn Davis não pôde parar a sensação de que havia acabado de assinar um acordo com o diabo.

— Não sabia que os humanos poderiam ser tão complexos.

Davis encarou o rastreador encostado na porta fechada, com os braços cruzados. Ela suspirou, balançando os pés na beirada da cama, um travesseiro descansado em seu colo.

O quarto era enorme, um pouco rústico e sem janelas, mas era lindo na opinião da garota. O típico quarto pertencente a um castelo, pelo menos em sua imaginação.

— Desde quando você entende sobre humanidade? — novamente, lá estava ela, ignorando o bom senso quando se tratava do rastreador.

O mesmo riu, divertido. Ele havia voltado a ser o vampiro que lhe interrogara, não o que lhe ameaçara antes da viagem de carro e muito menos o que estava a observando indiferente no salão.

Aquele era o vampiro que a fazia se sentir destemida o suficiente para retrucar seus comentários. E Deus, ela estava um pouco grata por isso. A fazia se lembrar de antigamente, quando seu maior problema era responder os garotos idiotas de sua escola.

— Pensei que tivesse escutado a senhorita dizer que monstros tiveram humanidade um dia. — ele não avançou, tampouco foi embora. Demetri permaneceu encarando-a. — Estou errado?

— Eles esqueceram. Você esqueceu.

Um sorriso nada comportado surgiu na face do vampiro.

— É o que você acha?

— É o que eu sei. — Gwendolyn fechou os olhos por um instante, tentando não enlouquecer com aquela conversa. Era absurdo eles estarem conversando sobre humanidade quando ambos não deveriam possui-la. — E isso importa? Olha, você me salvou no bordel. Obrigada, ok? Você me manteve viva durante o ataque de James. Obrigada novamente. — as mãos dela agarraram o travesseiro e o apertaram. — Daqui para frente estaremos convivendo por um bom tempo. Por isso, fique sabendo que sou grata a você, mas eu não te devo nada. Não meu sangue e muito menos minha vida. — seus olhos se abriram, mirando a reação do vampiro.

O sorriso de Demetri morreu enquanto seu olhar queimou o rosto da garota. Ele parecia estar pensando em uma boa resposta enquanto a humana queria deitar na cama extremamente confortável e entrar em coma. Se ela continuasse acordada, sua língua ganharia a batalha com seu cérebro e ela estaria enrascada. Gwendolyn poderia exagerar na verdade as vezes.

— Meu trabalho é protege-la, Davis. Lhe garanto que é o que farei, mesmo que isso me faça invadir seu espaço. Mesmo que eu tenha que lhe proteger de si mesma. — as palavras de Demetri ecoaram dentro da mente da humana.

Proteger de si mesma.

Então eu sou estúpida o suficiente para me colocar em perigo? — o tom incrédulo da jovem quase fez o vampiro sorrir.

Quase.

— Como você mesma disse, Gwendolyn, você está quebrada. Algo aí dentro se quebrou após tantos acontecimentos. — a expressão de Demetri não parecia gentil ao mesmo tempo não era ofensiva. Gwen sabia que ele estava apenas falando. — Você não me deve nada, mas pode me ajudar a cumprir meu dever. Gwendolyn Davis, você é a personificação humana. Lide com os sentimentos aí dentro — ele apontou com a cabeça para ela. — e me faça um favor de facilitar meu trabalho.

As palavras do rastreador fizeram um caminho até seu coração. Após tanta estresse, tanto medo e raiva durante aquele dia, Gwendolyn finalmente estava recebendo algo sincero.
Afinal, ela era a personificação humana.

Contendo as lágrimas de desespero e alívio — o primeiro porque ela sabia que aquelas palavras eram verdadeiras e alívio por te-las escutado. —, a humana proferiu tentando manter a voz o menos trêmula possível:

— Eu disse que não ia virar seu jantar.

O fantasma de um sorriso apareceu no rosto do rastreador.

— Eu nunca duvidei.

Segurando as lágrimas e o sorriso, Gwen assentiu para o vampiro. Demetri virou-lhe as costas, parando na entrada do quarto. Ela o observou por um instante antes do mesmo ir embora, fechando a porta atrás de si.

Caindo para trás e sentindo o conforto da cama, algumas lágrimas rolaram pela face da jovem. Ela estava apavorada ao mesmo tempo em que estava irritada. A mágoa, a traição, o desespero e a esperança eram componentes importantíssimos para a confusão de sentimentos dentro de si.

Era terrível sentir tudo aquilo ao mesmo tempo. Era desconcertante não saber exatamente o que era, o que havia perdido e em que se transformaria. Aqueles eram dilemas que Gwendolyn enfrentava desde então e que infelizmente ela sentia não estar preparada mentalmente para resopver.

Enquanto as lágrimas cobriam-lhe a face, a Davis fechou os olhos tentando conter o furacão de emoções em que se encontrava. Ela queria seguir o conselho de Demetri e lidar com tudo aquilo. Entretanto, o que mais a garota queria era não se transformar em um monstro e esquecer sua humanidade. Embora acreditasse em sua crença, ela a temia. Porque lá no fundo, Gwendolyn Davis sentia estar perdendo a si mesma e tudo o que lhe tornava humana.

Notas finais
Após um tempo sem postar, aqui estou eu! Vamos as considerações: Gwendolyn está com sangue nos olhos, SIM! Teve aliança com os Volturi, SIM! Porém, não confiem em ninguém haha. Só eu que shippo a Gwen e o Demetri? Momentos tensos estão se aproximando, por isso, se preparem! Obrigada pela leitura, até mais ❤
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.