Dawn of the living dead

8 7. A moeda de troca


Notas iniciais
In the middle of the night Baby, let the games begin Let the games begin Let the games begin Are you ready for it? Baby, let the games begin Let the games begin Let the games begin Are you ready for it?... ♪♪ ➞ Notas finais são importantes!

A chuva havia começado quando Riley acabara com a décima bolsa de sangue. Jogado em um dos sofás na velha mansão,— uma quase idêntica a que ele estava em Phoenix. — ouvia o som dos rosnados e gritos no ar. Ele revirou os olhos, arremessando o que tinha sobrado do seu alimento em qualquer canto.

Riley caminhou até a pequena sacada que havia no andar em que estava, se inclinando até poder ver os trinta corpos se chocando, em uma patética luta. A maior parte do grupo era composta por mortos vivos que haviam aumentado o número desde a última vez que contara, já na outra parte, os vampiros — também trazidos de volta a vida. — eram os responsáveis pelos comandos em uma luta impiedosa para os fortalecerem.

Já Riley se continha em se alimentar com várias bolsas de sangue, observando os gritos agoniados acompanhados pelo cheiro de sangue ruim. Definitivamente, um morto vivo não cheirava bem. Porém, havia uma exceção. Gwendolyn.

Balançando a cabeça enquanto fincava os olhos na cena de um dos vampiros se desviando de um soco lento, Riley sentiu a presença de alguém ao seu lado.

— Você parece entendido. — James sorria friamente, com os braços cruzados.

Ele o encarou por alguns segundos, vendo a atenção do loiro desviada para a luta. E por um segundo, o vampiro quis soca-lo. Não fazia muito tempo desde que James havia sido trazido de volta, e durante todo o tempo, Riley quis mata-lo. Por que, o que alguém faria se o amor da vida da mulher que você amara estivesse o tempo todo o lembrando deste detalhe infeliz? Com certeza Riley agradecia por Victoria não ter voltado. Ele seria capaz de manda-la de volta ao inferno. Junto com James dessa vez, claro.

— Não que seja da sua conta.

— Uma pena você dizer isso. Eu realmente estava pensando em te chamar para se divertir um pouco. — James riu, movendo a mão para o pulso, acariciando a marca que havia ali. — Não que você precise.

Riley rosnou, segurando o loiro pelos ombros brutalmente. Em resposta, James apenas zombou, observando com o olhar cínico, o rapaz aborrecido.

— Eu não confio em você, James. Muito menos em sua definição de diversão. — ele o soltou, o empurrando contra a sacada. — Agora volte lá pra baixo e faça esses zumbis lutarem até a morte.

O vampiro apenas revirou os olhos, não obedecendo a ordem. Ele cruzou os braços como anteriormente, se encostando com uma pose casual. Riley realmente queria mata-lo.
Percebendo o olhar assassino no rosto do rapaz, o vampiro se pôs a dizer:

— Estamos do mesmo lado, você sabe. Matar quem nos matou, tirar vidas inúteis, fazer pessoas sofrerem e claro, abrir espaço para uma nova era. — um sorriso maníaco surgiu em seu rosto. — Mas quem disse que não podemos acrescentar umas coisinhas? Eu por exemplo, vou. Você conheceu Gwendolyn Davis, não?

Riley congelou no lugar. Perante o olhar surpreso no rosto do mesmo, James riu. Ele lançou uma olhada para o andar debaixo quando o som de ossos quebrados se fez ouvir. James assobiou.

— Ela é carta fora do baralho.

— Hum... ela era. Eu a conheci e posso dizer que o cheiro dela... não consigo entender o motivo, mas que aquele cheiro me deixou deslumbrado... — O vampiro lambeu os lábios como se lembrasse do gosto. Riley segurou um rosnado. — Eu conversei com a chefia e mudei alguns detalhes.

Biers o observou atentamente. Tudo em sua postura gritava malícia. Riley não conseguia imaginar o que James faria se pusesse as mãos em Gwendolyn. Na verdade, ele poderia sim. Mas não queria. Não quando a lembrança da expressão traída da menina o atingia à dias.

Demorou um tempo para o vampiro perceber que havia algo errado consigo. Só depois de dias que percebeu que depois que voltara a vida, algo havia mudado. Como explicar o sentimento de culpa toda vez que pensava em Davis?
Riley conhecia bem aquela história. Uma pessoa confiava na outra, depois era traída por esta mesma pessoa e então... Você estava morto. Seria exatamente o que aconteceria com Gwendolyn quando tudo acabasse.
Por um instante, ele se imaginou como Victoria e Gwendolyn como ele.

Riley rosnou, tentando esquecer esses pensamentos.

— Ela é intocável e você devia saber. — sua voz estava firme, carregada de raiva.

— Eu sei. Mas como disse, mudei alguns detalhes.

— Você. Não. Vai. Mata-la. — Riley se controlava à medida que o rosto de Victoria o assombrava.

Em um piscar de olhos, James havia sumido. Antes que Riley pudesse reagir, já havia sido atacado. Seus braços foram aprisionados enquanto um chute foi direcionado para sua barriga. Ele se curvou com a força do impacto.

— Ninguém falou em morte, mas já que você quer brigar... — a voz de James soou perto do seu ouvido, desafiadora. — Vamos deixar as coisas interessantes.

O vampiro conseguiu se livrar do aperto, se preparando para socar a cara do filho da puta. Antes que pudesse, James se movera. Ele com certeza queria emoção.

— Continue com essa atitude e deixará as coisas interessantes.

— O que você quer? — grunhiu Riley.

— Uma caçada. Um jogo. — apareceu em sua frente, com os braços abertos em um gesto exagerado. — Vou atrás da Davis de qualquer forma, apenas para brincar com a cabeça dela. Já imaginou a emoção que vai ser? Caçar uma presa que não pode matar? Vou me superar. — O sorriso doentio continuava lá. — Porém, as coisas podem ficar mais emocionantes. Lute comigo. Se eu ganhar, você não tentará me impedir. Brincarei com a garota Davis da forma que eu quiser, sem mata-la, claro.

Riley respirou fundo. James era um maníaco que não media as consequências dos seus atos. Davis já estava com o clã Volturi, mas isso não significava ser intocável.
A chefia deveria estar por trás daquilo, uma maneira de assustar a garota. De prepara-la para o pior que viria. E no meio de todo o caos, estava Riley. O mesmo sabia que se deixasse o caminho livre para James, sua autoridade seria perdida e Gwendolyn machucada das piores formas possíveis.
Riley lembrou -se de Max. A história da mulher era terrível, ele não queria que a de Gwen também fosse.

— E se eu ganhar?

— Você pode vir comigo. E eu juro que não irei atrás dela depois da primeira vez.

Riley gargalhou.

— Você quer ir atrás dela por quanto tempo?

James sorriu, dando de ombros.

— Até quebra-la o máximo possível. Não iremos facilitar para os Volturi, eles precisam saber que estamos aqui.

O vampiro pensou em suas opções. Ele era um monstro, mas até alguém como ele tinha suas dívidas em vida. Riley havia morrido com uma pendente com Victoria, e agora que tinha voltado da morte, não se transformaria nela. Gwendolyn Davis morreria sim, mas que Deus o ajudasse, não seria pelas mãos de um cretino como James.
Aquela era sua luta, e estava na hora de acertar as contas pendentes com o homem por quem fora trocado e enganado.

— Fechado.

Em um ímpeto de raiva, Riley partiu para cima de James. Ambos bateram contra a sacada, a rompendo em pedaços espalhados no ar. Não havia tempo para sentir o impacto do chão já que Riley avançava para cima do outro vampiro. As trinta pessoas na sala se afastaram, observando a cena que se desenrolava.
O primeiro soco foi recebido quando James reagira, dando início a uma luta brutal. Os mortos vivos começaram a recuar, sendo barrados pelos vampiros que gritavam, excitados. Em meio a gritaria, Riley começou a lutar pra valer. Não apenas pela chance de mais tempo para Gwendolyn, mas por sua própria honra. Por vingança.

Gwendolyn já estava se acostumando a acordar desorientada. Foi exatamente por este motivo que tentou não entrar em pânico quando seus olhos se abriram para enxergar uma sala escura. A garota permaneceu imóvel, tentando processar as informações que tinha: ela estava esparramada em uma poltrona confortável, porém, se sentia desconfortável com o suor que cobria seu corpo. Com certeza, ela não deveria estar muito limpa. A próxima informação que teve foi quando girou lentamente a cabeça, a permitindo ver uma porta entreaberta, com a fresta emitindo a pouca iluminação dentro do cômodo.

Sua respiração ficou presa em sua garganta quando se lembrou do que havia acontecido naquela noite, — ou será que já era dia? — antes e após no beco. Então se deu conta de que definitivamente, não estava em um beco.

— Se você quiser, posso acender as luzes. Você parece um pouco confusa.

Gwendolyn gritou. A voz que havia sussurrado em seu ouvido riu, roucamente. Em um piscar de olhos, a porta fora aberta e as luzes acesas.
A primeira reação da garota foi desviar os olhos para a ameaça maior na entrada: um homem alto e musculoso, com um sorriso malicioso e olhos vermelhos.

Olhos vermelhos.

Gwen teve um pressentimento de que já o conhecia, porém, antes de ter certeza, sua atenção foi desviada para o outro homem sentado ao lado de sua poltrona. Aquele ela reconheceu imediatamente. O cabelo que lembrava a cor de areia estava bagunçado, em seu rosto pálido os olhos carmesim se destacavam e suas vestes... estas estavam ensopadas de sangue. Gwen segurou a ânsia de vômito.

— Ela parece que vai vomitar. — o comentário divertido do vampiro maior a fez tampar a boca com as mãos.

Ele riu, se escorando na porta com uma taça em mãos. Como ela não havia percebido antes? Principalmente pelo fato da taça estar cheia de um líquido vermelho. Vermelho como sangue. Ela com certeza iria vomitar, de nervoso ou de nojo? Ela não sabia.

— O banheiro é naquela direção. — o vampiro mais baixo ousou sorrir descaradamente, como se ele estivesse salvando sua vida.

Corra. Ele mandara e agora ela estava viva. Olhando por aquele lado, ele tinha a salvado.

Respirando fundo duas vezes, a Davis se mexeu lentamente. Primeiro, se inclinou para frente, ajeitando a postura. Suas mãos trêmulas descansaram em seu colo, em uma tentativa fracassada de esconde-las. Segundo, soltou o ar aos poucos, um exercício que havia aprendido para controlar a respiração em caso de emergência. E ali estava uma.
Seus olhos alternavam entre os dois vampiros, em alerta para qualquer movimento. Sua cabeça latejava e suas pernas estavam doloridas depois de tanto correr. Ela estava um caco.

— Quem são vocês?

O vampiro da porta suspirou entediado, tomando longos goles da sua bebida. Apenas para checar, Gwen encarou seu corpo em busca de algum sinal de perfuração vampiresca, felizmente não encontrando nada.

— Vampiros, como você já percebeu. — o que estava ao seu lado se mantinha calmo, nunca desviando o olhar de seu rosto. — Eu sou Demetri e ele é Félix. Somos da guarda Volturi.

Os olhos da garota se alternavam entre os dois vampiros. Tentando não parecer uma humana fraca, — o que ela tinha certeza que eles já achavam— cravou o olhar em Demetri, respirando fundo.

— E o que vocês querem? — tentava controlar a voz trêmula.

Félix abafou uma gargalhada, observando a cena se desenrolar. Demetri estava o oposto de Gwendolyn, inclinado contra a poltrona, uma perna cruzada em uma pose digna de um modelo e uma expressão serena no rosto. Serena. Gwen quis gritar para que ele tirasse aquela expressão do rosto. Ela estava surtando e ele parecia calmo, mas o que esperar de um caçador provocando sua presa?

— Queremos fazê-la ouvir algumas coisas para que você depois decida algo. — ele respondeu, com os olhos vermelhos presos aos dela. Era perturbador.

O coração da humana batia em um ritmo descontrolado, em um lembrete constante para se acalmar caso não quisesse ter um ataque cardíaco. E claro, eles estavam ouvindo o evidente sinal do seu medo. Desde que despertara, a garota havia aprendido algumas lições. A mais importante: ela não poderia ser fraca se quisesse sobreviver. E ela não seria, não depois do que passara.

— Coisas? — sussurrou apertando ambas as mãos.

Félix se afastou da porta e caminhou para ficar atrás da poltrona em que ela estava. Uma onda de medo a invadiu, fazendo -a apertar mais ainda as mãos, ao ponto de doer.

— A verdade, Gwendolyn. — Demetri se inclinou para frente lentamente, sorrindo quando o coração dela bateu mais forte. — Começando por uma pequena história. Somos vampiros, o que você já sabe. — Félix revirou os olhos, com um celular em mãos. — Aquele vampiro com quem você estava era o inimigo, nosso inimigo. E pelo o que parece, eles querem algo que nós também queremos.

A intensidade do olhar do Volturi a desconcertou, fazendo o medo aflorar mais intensamente. Como ela podia se manter sã se aqueles olhos a encaravam provocativamente, como um anjo da morte olharia para sua vítima antes de abate-la? Que irônico.

Reunindo as informações no que sobrara da sua sanidade, Gwendolyn soltou a respiração aos poucos, observando a reação dos vampiros. Eles pareciam pacientes, pelo menos o que estava sentado em sua frente. Demetri.

E isso seria eu.

— Ela é esperta pelo menos. — riu o grandão, com os olhos na tela do aparelho.

Mas Demetri não estava rindo. Ele parecia concentrado demais em encara-la, na verdade, em um ponto específico: sua jugular.
Gwendolyn estremeceu, cruzando os braços protetoramente envolta de si.
Então se tocou da sua aparência, e por um segundo, se sentiu envergonhada. Não pela sujeira em seu corpo, mas pelas vestes. O vestido que Max a emprestara, o mesmo vestido que a fazia parecer uma prostituta. Como as garotas do bordel que alimentavam os vanpiros.
Não era de se admirar que o Volturi estivesse a encarando tanto.

— Não se preocupe. Não vou lhe machucar.

— Não agora. — novamente, Félix fez seu comentário, distraído com o celular.

Desde quando vampiros usavam tecnologia?

— Vamos direto ao ponto. — Demetri a mirou, assumindo uma expressão séria. — Você está aqui porque voltou dos mortos e graças a Isabella Swan, conseguimos chegar à tempo até você.

Sua boca se abriu com espanto. Desde quando Bella andava com vampiros?
Aliás, desde quando ela sabia da existência daquele louco mundo?

— Ah, e não vamos esquecer do melhor: sua amiga agora é uma vanpira. — informou o grandão como se aquilo não fosse nada demais.

Demetri suspirou, como se estivesse entediado. O outro vampiro desviou os olhos da tela do celular para encarar ambos, logo depois desaparecendo antes que a garota piscasse. Foi então que algo roçava suas mãos. Gwen gritou quando o viu ao seu lado, lhe estendendo o aparelho.

— Você deveria ouvir, é importante.— Felix lhe assegurou, sorrindo debochado.

Engolindo a vergonha pelo deslize de ter quebrado sua confiança, Gwendolyn segurou o objeto ignorando as traídoras mãos trêmulas. Na tela, uma chamada estava sendo recebida, e hesitante, ela atendeu.
Demetri gesticoulou para que ela continuasse e assim, a humana levou o celular ao ouvido:

Prometam que não tocarão em Renesmee. Que não voltarão. — chocada, Gwendolyn percebeu que conhecia aquela voz. Fazia tempo que não a escutava, mas era impossível não lembrar da época em que mais fora feliz, a mesma em que havia tido amigos.

Cumpriremos nossa palavra. — uma nova voz angelical falou.

Palavra?

Fiquem com ela, eu não me importo. Fiquem com Gwendolyn e nos deixem! Deixem minha família e eu fora desse apocalipse zumbi.

O celular atingiu o chão no momento em que o mesmo escapulira das suas mãos. O que estava acontecendo afinal? Era Bella do outro lado da linha, e por que ela parecia que estava a trocando?
O vampiro a sua frente respondeu suas dúvidas:

— Como você acabou de ouvir, Bella fez um acordo com nosso clã. E a moeda de troca foi você. — cuidadosamente, ele apanhou o aparelho do chão, o enfiando dentro da jaqueta que usava. — Agora você nos pertence. Você, Gwendolyn, está sobre a proteção dos Volturi.

Seu coração pareceu despencar quando lágrimas quiseram saltar dos olhos. Mais uma vez havia sido traída e justamente por alguém que pensara nunca mais ver. Velhos e novos amigos haviam lhe traído e isso não era algo fácil de engolir.

Você nos pertence.
O que isso significaria?

Reprimindo o choro com toda força de vontade, Davis se forçou a encarar Demetri nos olhos.

— E o que acontece agora?

Ambos vampiros trocaram olhares. Félix se locomoveu para a saída, logo depois de uma intensa olhada para o parceiro. Ele estava saindo?

— Agora vamos conversar. Seu pai é policial, hum? Então você sabe como funciona um interrogatório. — Demetri lhe respondeu.

Como Félix, ele sumiu por um segundo para retornar no instante seguinte com uma taça de sangue para si e um copo de água para ela. Ele lhe ofereceu e ela aceitou, tentando não hesitar.

— E você é qual policial? — a pergunta sarcástica lhe escapara antes que ela pudesse se deter.

Seu pai dizia que em momentos tensos, Gwendolyn possuía a habilidade de falar demais. Ela nunca desejou tanto que ele estivesse errado. Porém, o vampiro apenas ergueu uma sobrancelha, voltando a se sentar na poltrona. Após um curto gole no conteúdo da taça, sua reposta veio:

— Eu não a amarrei nem lhe machuquei. Acho que posso ser o bonzinho neste momento.

Dando alguns goles na água, — esta muito bem aproveitada. — a garota pensou a respeito. De todos os cenários que havia imaginado, ter uma conversa civilizada com um monstro não era o ideal para aquela ocasião em sua cabeça.

Contudo, ainda havia a maldita troca que Bella havia feito. Ela agora era uma porra de uma moeda de troca. Mas por que? Era isso que precisava descobrir, já que parecia ser o centro de tudo. Primeiro Riley a queria, depois a atacara para logo em seguida lhe pedir para enviar um recado. E ali estava ela, em um bate-papo com um vampiro tão pior quanto Biers.

— Isso não muda nada. Você e seu amigo me sequestraram.

— Eu a salvei no bordel, lembra? — ele piscou galantemente. — Depois lhe tirei daquele beco imundo. Lhe disse que a encontraria e encontrei. Viu? Policial bonzinho. — um sorriso cresceu em seu belo rosto, a fazendo desviar o olhar para o copo que segurava. — E se você estiver se perguntando onde está o policial mal, eles estão chegando.

— Eles? Não é o... Félix?

Sua testa se franziu, confusa. Existiam mais deles? Claro que sim, quando a vida dela seria fácil?

Demetri riu, bebericando sua bebida. Ora seus olhos se detinham no sangue dentro da taça, ora se cravavam nos olhos da jovem. Era desconcertante.

— Você agradeceria se fosse. Eles são os gêmeos, fazem parte da elite Volturi. Sinto lhe dizer bambolina, mas se você não cooperar, eles serão seu pesadelo.

Gwendolyn quase se engasgou com a água ao ouvi-lo. Ela deveria cooperar, mas como se não sabia o que estava acontecendo?
Abaixando o copo, sua voz saiu menos trêmula:

— Eu não sei de nada.

O vampiro inclinou a cabeça para um lado, como se estivesse pensando. Rapidamente, seus olhos se fixaram no curativo no braço dela, curioso.

— Isso é o que iremos ver.

...

— Mestre Aro quer nomes, não uma humana patética que guageja.

Terror era pouco para descrever os gêmeos Volturi. Para a garota — uma vanpira loira com uma expressão de pura maldade, que não aparentava ter mais que quartoze anos. — a palavra correta seria vadia.
O outro, — o vampiro com a mesma expressão, porém, mais contido. — poderia ser descrito como sinistro. Ambos eram parecidos e ao mesmo tempo únicos.

— Eu já disse que não sei do que você está falando. — Davis tentou se justificar, com o medo a tomando.

Após quarenta minutos de olhares intensos entre Gwendolyn e Demetri, os gêmeos haviam chegado. Durante todo o tempo que a observara, o vampiro não tentara a intimidar, apenas a encarava curioso, como se ela fosse um enigma que necessitava de sua atenção.

Com a chegada dos gêmeos, Gwen pecebeu que Demetri estava falando a verdade: ele não era o policial malvado. Eles eram.

Jane Volturi mirara seus olhos vermelhos na humana como se a mesma fosse um animal sarnento, dando -lhe as costas logo depois para conversar com Félix. Já Alec Volturi cedeu um minuto da sua importante atenção para medi-la dos pés a cabeça, fazendo uma careta com sua aparência. Aquilo fora uma ofensa para a jovem.

E havia Demetri.

— Talvez você queira reaver seu julgamento, Jane. A humana foi resistente até agora. — ele viera ao seu socorro, se mantendo em pé com os braços cruzados perto da poltrona em que estivera sentado.

Félix resmungou em concordância, tomando outro gole da oitava taça de sangue.
Alec se mantinha afastado, conversando ao telefone com alguém, baixo demais para que ela ouvisse.

— E talvez você queira se manter calado, rastreador. — os olhos vermelhos se dirigiram a ele, frios e horripilantes. — Se continuar assim, pode ser que não tenha seu jantar hoje. — e gesticoulou com a cabeça para Gwen.

Suas mãos tremeram com a revelação. Eu não irei lhe machucar.
Claro que não, ele apenas iria sugar até a última gota do seu sangue.

Demetri a encarou, como se esperando alguma reação bizarra da morena. O sangue pareceu ferver em suas veias quando a lembrança da traição de Riley e Bella a atingiu.

Ela não iria acreditar em mais nenhum monstro.
Porque, de repente, Gwendolyn percebeu que se quisesse se manter no jogo, teria que jogar melhor. E se aqueles filhos da puta a tratavam como nada, então ela daria tudo. Mas quem disse que ela jogaria fácil? A Davis decidiu que iria mostrar à eles como uma humana poderia ser forte.

— Ele não terá.

Todas as cabeças se viraram para ela, surpresos. Com um sorriso descarado no rosto com a maquiagem borrada, Gwendolyn encarou Demetri, como se ele não estivesse planejando mata-la.

— O que você disse? — Alec desligara o celular, agora ao lado da irmã.

Se levantando lentamente, — talvez por conta das pernas trêmulas. — a garota encarou Jane, tentando manter uma expressão feroz.

— Eu não serei o jantar de Demetri porque irei dizer. Eu direi tudo o que sei.

Todos se calaram, absorvendo a notícia. Félix e Demetri se olharam, ambos tentando entender no que dera na humana. Antes ela dizia não saber de nada, e naquele momento agia como se o segredo do universo estivesse consigo.

Jane lançou uma olhada para o irmão, este assentiu, levando a vampira a comandar:

— Então nos diga.

Gwendolyn riu, sentindo vontade de chorar antes mesmo de abrir a boca, ela já podia sentir o que iria lhe acontecer:

— O que eu sei é o seguinte: vocês pagarão, todos vocês, filhos da puta.

Demetri franziu a testa, surpreso. O sorriso de Félix se desmanchou, Alec grunhiu e os olhos de Jane adotaram um ódio mortal.

— Dor.

Com um grito doloroso, Gwendolyn caiu no chão. Seu corpo parecia estar em chamas, com facas o atravessando. Enquanto se debatia, Jane observava o corpo da garota, indiferente.
Em meio o mar de dor, Gwen conseguiu escutar a conversa:

— Mestre Aro pediu para levar a garota o mais rápido possível.

A onda de dor parou, a deixando caída no chão, ofegante e dolorida.

— Bem, — a loira desviou os olhos para seus companheiros. — Demetri e Félix irão cuidar disso. — ela passou pelos dois vampiros, desfilando. — Parece que você não terá seu jantar. Apenas tente não mata-la até lá, Demetri. A humana agora é sua responsabilidade.

Sabendo que ficaria inconsciente logo, a garota observou duas silhuetas na sala se moverem para longe dela. Com alívio, percebeu que deviam ser os gêmeos.
Largada no chão e chorando, Gwen não tinha certeza se aquela nova aliança lhe traria bons frutos. Muito menos se deveria ter repassado o recado de Riley, porém, uma voz parecia ter sussurrado em seu ouvido para que fizesse. Para que não deixasse tão fácil para os Volturi.

E agora ela estava deitada em sua própria dor. E o mais humilhante, Demetri se ajoelhara ao seu lado, observando seu rosto manchado pelas lágrimas.

— Eu avisei.

Rindo como uma lunática, Gwendolyn percebeu que ele tinha razão. Ela deveria estar perdendo sua sanidade.
De fato, um policial bonzinho.

A Davis desmaiou antes que pudesse dizer aquilo à ele.

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Notas finais
Esta autora está de volta, trazendo consigo um capítulo maior. Gostaram? Antes de pular para as considerações sobre o capítulo, quero agradecer a quem está comentando. Vocês não imaginam como isso me anima! Agora, vamos ao ponto: só eu estou chocada com os acontecimentos? Haha Pode-se dizer que a partir daqui os Volturi estarão oficialmente presentes na história. Nossa Gwendolyn ainda enfrentará muita coisa que pode ou não fazê-la repensar sobre seu comportamento. E a chefia... quem será? Estou ansiosa para ver as reações de vocês. Leitor fantasma, que tal aparecer? Ficarei feliz em responder seus comentários. Dito Isso, espero que tenham gostado. Até a próxima, beijos ❤