Dawn of the living dead
4 3. O fogo que queima
Notas iniciais
Vampiros existem.
As duas palavras flutuavam na mente de Gwendolyn enquanto a mesma ficava encolhida contra a porta do carro.
Levou dez minutos após toda a confusão que havia causado na delegacia. Dez minutos desde que R — Riley — havia aparecido e fugisse com ela. Dez minutos que se encontrava atônita dentro do veículo. Dez minutos para o homem ao seu lado começar a zombar dela. Dez malditos minutos que descobrira o que tanto temia.
— Você sabe, se quiser chorar fique a vontade. Assim terei certeza que seu cérebro não entrou em estado vegetativo. — Riley revirou os olhos vermelhos que se fixavam na estrada — Apenas não molhe o banco. Ele é caro demais para suas lágrimas mudanas.
Gwen respirou fundo,se ajeitando no banco para começar a gritar histericamente.
— Não pode jogar uma bomba dessas e depois agir como se não fosse nada. Isso não é normal!
— Mas é claro docinho. — sua atenção se desviou para ela e a mesma se controlou para não gritar para que ele voltasse a prestar atenção na estrada. Não tinha certeza que voltaria outra vez depois de ser morta em um acidente de carro. — Peço mil desculpas por lhe dizer a verdade. Verdade essa que você já sabia desde que me conhecera mas que se recusou a admitir. Humanos são tão céticos não? Olhe para você Gwendolyn e me diga se há alguma coisa normal em sua volta do túmulo. A existência de vampiros é o seu último problema.
Ela estremeceu no banco enquanto Riley voltava os olhos para a estrada. Ela poderia negar o que ele era mas qual outra forma alguém digiria um carro sem olhar para o principal? Não era normal.
Engolindo a resposta petulante que lhe brotava dos lábios, a garota preferiu dobrar os braços em frente ao corpo e ficar em silêncio. Se ela se concentrasse, poderia ouvir os grilos.
Perguntas giravam em sua cabeça junto com o ressentimento de Riley e a dor de fugir de seu pai. Mas ela tinha outras coisas para se preocupar, coisas como...
— Você disse que meu último problema são os vampiros. Qual o meu primeiro? — antes que se parasse já havia perguntado.
Um sorriso sinistro apareceu na face de Riley. O mesmo aumentou a velocidade do carro enquanto respondia despreocupadamente:
— Você vai descobrir docinho. Claro que você vai descobrir.
◇
O carro parou em frente à um armazém que parecia estar abandonado. Para chegar à construção Gwendolyn notou que Rylei teve que contornar a floresta, até chegar até a entrada de uma clareira. Quando o mesmo fez sinal para que ela descesse, uma onda de vento a atingiu em cheio. Ignorando o frio que se estendia por todo seu corpo, Gwen caminhou até ficar em frente à entrada.
Pelo canto do olho ela viu Riley parar ao seu lado, observando com os olhos atentos sua frente.
— O que diabos estamos fazendo aqui?
— O que diabos você veio fazer aqui, querida. — ele lhe piscou um olho, apontando para frente — Você andou fazendo algumas pesquisas, boa garota por sinal. — ele sorriu ao olha-la por alguns segundos — Não faça essa cara docinho. Eu sei de tudo o que acontece com você, ainda não entendeu?
Gwendolyn tentou colocar toda sua fúria em seu olhar mas com certeza não conseguiu. Não pela expressão divertida que o vampiro carregava em seu rosto.
— Então você tem informantes. Não está trabalhando sozinho, não é mesmo? — ela sorriu ao ver o sorriso desaparecer daquela face pálida.
— É melhor calar a boca antes que eu vá embora e lhe deixe aqui. Ou posso fazer coisas muito piores. — ambos os olhos vermelhos queimaram com verdadeira fúria. Ela se encolheu — Agora voltando, como eu disse antes, você fez suas pesquisas e eu as minhas. Hora de encontrar o ouro.
Por alguns segundos ela apenas o encarou não sabendo se ficava com medo ou atordoada. Ela decidiu que poderia aceitar ambos.
— O ouro?
— Jesus, você é mais lerda do que eu pensei. — ele suspirou aborrecido — Faça um esforço e pense. Sobre quem era sua pesquisa?
Sua boca se abriu sem emitir nenhum som. Seu coração resolveu acelerar. Aquilo era ruim.
— Simon! Vamos procurar Simon Jason Newton? Mas o qu...
— Caçar seria uma palavra mais adequada. Além do mais, o tio morreu e ele voltou a vida. Trágico! — Riley avançou alguns passos para frente.
Gwendolyn respirou fundo tentando ordenar as ideias. Aquilo ficava cada vez mais estranho. Mas então o pensamento de que ela voltara a vida a atingiu. Simon também tinha e juntos podiam encontrar a resposta. Ou não.
— Tudo bem mas não vamos machuca-lo.
Riley sorriu zombateiramente enquanto retirava um isqueiro de dentro da jaqueta. O coração de Gwendolyn pareceu parar.
— Isso vai ser muito divertido.
◇
— Dor.
Demetri escutou os gritos desesperados através do celular e suspirou. Jane nunca cansaria de brincar com as vítimas.
Félix continuou na ligação com Alec enquanto o rastreador se concentrava em seguir o rastro do próximo alvo.
Até aquele momento os vampiros haviam visitado a família Scott, que depois de uma conversa amigável, Demetri havia conseguido captar a conexão da mente com Joshua Scott. O marido de uma humana viciada em drogas. Ex marido, já que as cinzas dele se espalhavam pelo chão do beco imundo depois de ter sido assassinado por ambos os vampiros.
— Jane está se divertindo muito aqui. Lizzie Campbell deu um pouco de trabalho. Ruim pra ela de todo jeito. — a voz de Alec pingava com sarcasmo — Portanto iremos demorar um pouco mais aqui. Sigam em frente e façam uma visita à loja de esportes de Mike Newton.
Os gritos continuaram cada vez mais estridentes do outro lado da linha. Félix encarou seu parceiro enquanto o mesmo terminava de pisar nas cinzas de Joshua.
— Quem estamos procurando? — Félix perguntou lançando um sorriso aprovador para Demetri.
Alec resmungou alguma coisa quando a voz de uma mulher gritou um " vadia ". Por fim ele respondeu:
— Simon Jason Newton.
Demetri assentiu se preparando para correr. Aquela noite em Forks estava fria, escura com a lua encoberta pelas nuvens. Um ótimo cenário para uma caçada. Ele sorriu maliciosamente.
◇
A exaustão já alcançara Gwendolyn nos primeiros minutos em que a caça à Simon começara. Depois que a adrenalina passara e a realidade a atingiu, ela quis desmoronar no chão. Seu estado emocional também não era dos melhores, e sua paciência então...
— Como alguém pode querer entrar em um local abandonado desses? É tão óbvio que chega a ser ridículo!
— Disse a garota que visitou a delegacia em que o pai trabalha mesmo sabendo que poderia ser vista— Riley lhe lançou uma olhada por cima do ombro — Ridículo.
A garota se manteve calada sabendo que retrucar seria pior. Ambos estavam procurando pelo mesmo cara, a diferença era que Riley poderia caça-lo muito mais rápido com seus sentidos aguçados. Mas ela não passava de uma humana reclamona e cansada. Tudo era bastante ridículo mesmo.
Uma questão surgiu em sua mente enquanto encarava as costas do outro:
— Por que Simon é tão importante assim?
O vampiro permaneceu em silêncio, mas Gwen jurou ter visto sua mão se constrair rapidamente. Demorou alguns segundos depois da ação para ele responder.
— Sendo honesto com você, Simon começou a mostrar utilidade mais cedo do que o previsto.
O ar lhe faltou com o que escutara e logo, precisou recupera-lo para conseguir as respostas.
— Do que você está falando?
— Nomes. — Riley parou quando chegaram em uma área onde a lua entrava pela única janela aberta e quebrada— O que você deve saber daqui algum tempo. Se é que não já sabe. — ele a encarou, andando alguns passos para trás até estar dentro da área. — Ou não?
Gwendolyn respirou fundo quando sentiu as mãos começarem a suar. No fundo da sua mente ela sabia que poderia ter um ataque de pânico a qualquer hora, mas empurraria essa ideia o máximo que pudesse. Por fim, respirou fundo e ergueu a cabeça, tentando recuperar a compostura.
— Não faço idéia do que está falando.
Mentirosa!
— Vamos lá Gwendolyn! Eu nunca menti pra você. — Riley sorriu brincando de acender e apagar o isqueiro em sua mão. — Tudo bem, eu não guardo rancor. Agora, irei lhe dizer algo importantíssimo e você me diz a verdade. O que acha ?
Ela continuou com as respirações profundas tentando se acalmar enquanto assentia lentamente com a cabeça. Seja lá o que estivesse acontecendo — seus pensamentos gritavam — ela estava com medo. Apavorada na verdade, e muito arrependida de ter acreditado por um minuto que R seria alguém confiável. Por Deus, ele era um maldito vampiro!
— Vamos lá Davis. — sua voz ecoando pelo armazém a fez parar de divagar, o encarando. — Por que acha que lhe trouxe aqui, para caçar um morto vivo que se eu quisesse morto já estaria, devo ressaltar, precisaria da sua ajuda? Que ingênua!— ele riu enquanto a chama se acendia novamente. Dessa vez permanecendo por um tempo maior. — A verdade é que os planos mudaram.
— Planos? — sua voz aterrorizada reverbou pelo lugar.
Riley sorriu parecendo decepcionado enquanto estalava os dedos. Um minuto depois uma silhueta alta apareceu atrás da garota, a surpreendendo.
— Docinho, quero que conheça Simon, seu irmão de espécie já que ambos voltaram da tumba.
Simon a agarrou, prendendo seus braços atrás das costas com uma mão, utilizando a outra para agarrar seu pescoço. Gwendolyn sentiu o pânico a invadir enquanto tentava se soltar inutilmente. Uma onda de raiva a atingiu.
— Filho da puta! — Simon puxou seu cabelo até que sua cabeça estivesse arqueada, a deixando cara a cara com Riley que em um piscar de olhos estava em sua frente. — Eu vou matar você, ouviu? Vou enfiar uma estaca no seu coração e depois vou bater nessa sua cara feia até você ficar irreconhecível. Depois vou cavar um buraco com minhas próprias mãos e te enterrarei. Vou fazer você comer terra.
Riley apenas olhou para ela com os olhos vermelhos brilhantes. Atrás de si, Simon apertou seus braços em silêncio. Ela o odiou naquele momento.
— Tanta raiva Gwen, tanto rancor. Não faz seu estilo. — Seu nariz encostou no dela, a fazendo trincar os dentes. — Eu realmente não queria que tivesse que ser assim, mas a vida... querida, é hora de dar boa noite.
Riley levantou o isqueiro aceso e o colocou sobre seu braço. A dor irradiou naquela região, a levando a gritar dolorosamente. Lágrimas transbordavam de seus olhos quando o vampiro afastou o objeto e ela perguntou com a voz rouca pelo choro:
— Por que eu?
Seus olhos vermelhos encaravam a queimadura em carne viva enquanto Simon fazia um barulho estranho, como um gemido de dor. Ela não entendeu.
A existência de vampiros é o seu último problema. Ela lembrou das palavras dele.
— Porque você, Gwendolyn Davis, será um ótimo mártir.
A próxima coisa que ela sabia era que o bastardo do vampiro estava cutucando a ferida, a fazendo gritar novamente quando viu o sangue jorrar. Uma pancada na cabeça começou a doer logo depois.
A dor começava a entorpece-la quando quase não sentiu seu corpo se livrar dos braços que a seguravam e o impacto do chão quando o mesmo caiu sobre o mesmo. Sua bochecha esquerda estava encostada no piso e seus olhos estavam quase fechados, mas ainda conseguiu ver o que acontecia.
Riley estava murmurando algo para Simon, enquanto este começava a gemer cada vez mais alto algo inteligível. Seu corpo se curvou e Riley acendeu mais uma vez o isqueiro. Os olhos de Gwendolyn estavam cada vez mais pesados quando ela viu o vampiro jogar o isqueiro em Simon, o observando gritar enquanto queimava em sua frente.
Naquele momento seu corpo estava começando a ficar dormente quando percebeu um par de botas em sua frente. Riley.
— Diga a eles que a vingança está próxima. Não se preocupe querida, eles pagarão.
O armazém pareceu girar em um misto de escuridão e fogo para Gwendolyn, logo depois o cheiro de fumaça a invadiu junto com o vislumbre dos olhos vermelhos de Riley a encarando. A garota desmaiou com um último pensamento: ela odiava Riley Biers.
◇
Alec e Jane Volturi encaravam a delegacia de cima de um prédio logo depois da confusão daquela noite. Após o momento de diversão torturando Lizzie Campbell, os gêmeos voltaram para a delegacia quando Alec recebera uma ligação de um dos seus contatos que lá residia. Parecia que um dos policias havia surtado logo depois de ter visto a filha falecida à um ano. E era exatamente por isso que os vampiros estavam ali.
— Ligamos para Aro e contamos tudo. Ele irá adorar saber que a amiga de infância de Bella Swan voltou a vida. — Alec observou a irmã com um sorriso cruel.
A loira assentiu pensativa.
— Faremos melhor irmão. Ligue para Félix e diga que Simon Newton não é importante. Mande Demetri ir atrás da garota para trazê- lá viva. Depois a interrogaremos e se ela realmente for últil, a levaremos à Volterra.
Alec encarou a noite ao seu redor. Tudo parecia normal se não fosse pelos gritos de dentro da delegacia. Ele quis ri com o comportamento dos humanos.
— E se tudo não for um equívoco? Demetri não tocará na garota atoa e você sabe como o homem odeia perder tempo.
Jane sorriu maldosanente conforme piscava os olhos vermelhos.
— Os Volturi nunca erram. E Demetri entenderá. Eu disse que ele não poderia mata-la. Mas não mencionei nenhuma proibição quanto a tortura, tenho certeza que nosso rastreador se satisfará com a missão.
O irmão riu já discando o número. Com certeza Demetri teria sucesso na missão, ou então um bom jantar.
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