Meus olhos se abrem de acordo com o som do despertador, odeio acordar cedo, mas sou obrigada. Levanto da cama meio tonta, e vou direto para o banheiro, preciso escovar meus dentes e me arrumar para ir a tal escola. Não sei porque ainda existe escola definitivamente, sei que o apocalipse zombie está tão próximo, que consigo senti-lo. Minha mãe diz que é bobagem, que apocalipse zombie é tipo papai noel: NÃO EXISTE. Concordo com ela. Não existe... AINDA! Escuto um grito lá na cozinha, outra barata? — penso — sim, ultimamente minha casa esta investada por baratas, outro sinal do apocalipse zombie? não, claro que não, é apenas uma brincadeira. tenho esses pensamentos todos os dias? É algo estranho, algo que virou rotina. Preciso contralar minha cabeça, se não ficarei louca. Desço até a cozinha, minha mãe está arrumando a mesa para o café da manhã.

– Está tudo bem aqui? — pergunto para ela, que estava bem distraida.

– Agora sim! Outra barata apareceu aqui acredita? Não sei o que esta acontecendo. — responde ela meio confusa.

– Apocalipse zombie está próxima, já te falei. — falei meio brincalhona, mas sei que ela não gostou.

– Chega de falar desse tal apocalipse zombie, você só pensa nisso. Talvez seja por isso que você não tem muitos amigos na escola filha, você já parou pra reparar? Você só tem a bela, outra menina que só pensa em zombies. — sento-me na mesa e ela vai pegar o seu delicioso bolo, que na minha opinião, é o melhor. Porém, nunca falei isso para ela!

– Estou satisfeita em ter apenas uma amiga. E não irei largar ela por nada. — digo pegando um pedaço do bolo.

– Não estou falando para você larga-la, e sim tentar fazer novos amigos, pensa um pouco. — as vezes fico em dúvida, se minha mãe esta certa ou não, mas eu fazendo novos amigos, sei que nada que penso irá sair da minha cabeça, ou sairá?

– Ta bom mãe, irei pensar. — na verdade não irei pensar, tenho opinião propria e não vai mudar.

Depois de tomar meu café da manhã, olho o horario no meu celular, e sim, estou atrasada. Subo a escada correndo, não sei como não cai. Estou preparada para o apocalipse zombie, disso eu tenho certeza. Pego minha blusa e minha mochila. Desço a escada correndo de novo, mas dessa vez desequilibrei, confesso! Entro no carro, no qual minha mãe já esta me esperando. A escola não fica tão longe da minha casa, mas minha mãe vai para o trabalho e já me deixa lá. Não gosto muito da idéia, além de não ter amigos por ser "estranha", eles também não querem fazer amizade com uma filhinha de mamãe. Coloco meus fones de ouvidos, pois está um trânsito, não sei o que aconteceu, pois nunca tem trânsito nesse horario. Mas não procuro saber, estou mais concentrada na música que me completa: fucking perfect da p!nk. Não sei o porque, mas sei que essa música é tudo para mim. Sempre que me sinto mal, é ela que escuto. Sempre que estou bem, escuto ela também. Sabe quando por nenhum motivo você gosta de uma música? talvez tenha um motivo, mas finjo que não tem, realmente prefiro fingir. Minha mãe me cutuca, tiro os fones mesmo na minha parte favorita da música.

– Filha acho que aconteceu uma batida lá na frente, e como você esta super atrasada, acho que não vai dar tempo para você ir a escola. — finjo que estou triste, mas na verdade estou bem feliz.

– Ah mãe, que chato... Tudo bem então, vou ficar onde? — pergunto a ela.

– Bom, se não conseguirmos chegar até a sua escola a tempo, você voltará para casa.

Coloco meus fones de ouvido de novo, torcendo para não chegar na escola a tempo, mesmo querendo ver a Bela. Passa uns 5 minutos e minha mãe consegue sair do trânsito. DROGA — penso. — e sim, conseguimos chegar a tempo na escola. Não gostei muito disso, bem que poderiamos ficar mais uns 2 minutos no trânsito, assim o portão já estaria fechado. Corro até o portão que já tava quase fechado, encontro com a tia Cida, a única que gosto naquela escola, tirando a Bela.

– Oi minha querida, chegou atrasada de novo? Quase que não entrou em? — ela sorri me dando um beijinho no rosto.

– Oi tia, pois é, mas consegui chegar infelizmente. Estava um trânsito danado, não sei como. — respondo-a

– Trânsito? Essas horas? não da para acreditar. — diz ela irônicamente.

– Sim, trânsito, também não acreditei quando vi, mas tudo tem sua primeira fez. — antes que ela possa responder, escuto a busina do carro da minha mãe, avisando que já estava indo embora, não sei porque mas deu uma vontade de ir dar um abraço nela, então corri rapido e fui até a janela do carro.

– Mãe, eu... — não tava com coragem de terminar a frase.

– você o que? filha você precisa entrar na escola, rápido e eu preciso ir pro trabalho, não posso chegar atrasada mocinha. — dou um beijo nela e deixo-a ir embora.

Subo as escadas da escola devagar, na verdade não quero entrar na sala de aula, prefiro ficar nos corredores, mas infelizmente preciso entrar. Chego no corredor onde fica minha sala, está todo vazio e as portas estão vazias, imaginava claro, porque já começaram as aulas. Bato na porta da minha sala, demora um pouco e quem abre é minha professora de português.

– A senhorita sabe que horas são? — pergunta ela furiosa, e todos da sala olha para mim.

- Não sei, você sabe? — falei meio irônica e ouvi risos da sala.

- Sim, eu sei que horas são. — ela sabe que horas são? que estranho — hora de você ir para a diretoria. — sim, me ferrei.

- Porque eu tenho que ir pra diretoria? — falei mesmo sabendo o porque.

- Porque além de você chegar atrasada na minha sala de aula, não me respeitou diante dos meus alunos. — "minha sala de aula" "meus alunos" essa professora é possesiva. -

- Tudo bem, vou para diretoria, porque tudo é melhor que ficar nessa sua aula chata. — falei mesmo arrependida. Mas tive que desabafar. -

- Senhorita Isabela, por favor acompanhe essa menina até a diretoria. — irônia não? minha amiga me levar a diretoria. Mas ela é a representante de sala, então ela que tem que me levar. -

Bela se levanta séria e passa pela professora e eu a sigo. Escutamos a porta fechar, e caimos na gargalhada.

- Infelizmente tenho que levar minha amiga para diretoria. — diz ela.

- Sério que você vai me lavar? — pergunto com dúvida.

- Deveria, mas não irei. Não quero voltar para sala, vamos ficar na quadra? — pergunta ela.

- Na quadra? tem educação fisica lá não? A professora nunca deixará nós ficarmos lá. — digo chateada.

- Eu estava olhando os horarios e não, não tem nenhuma aula de educação fisica agora. Vamos aproveitar! — não sei como escolheram ela como representante de sala, porque Bela não tem nada de representante.

Descemos até lá em baixo, e realmente não tinha ninguém. Decidimos nos sentar um pouco e conversarmos. Tenho muitas coisas para contar para ela, e iria começar a falar agora, porém escuto um barulho estranho.

- Você ouviu isso? — pergunto assustada.

- Sim eu ouvi, vamos nos esconder, vai que é a diretoria. — eu e Bela se escondemos dentro da salinha onde ficavam as bolas que se usam para educação fisica. Lá na porta tem um buraco e da para ver tudo. Bela estava olhando e não falou absolutamente nada, ela estava em choque.

- O que é menina? o que aconteceu? — sussuro.

- Não estou acreditando. — Ela apenas diz isso.