Notas iniciais
Pessoal, no momento selecionei duas músicas como tema para Emily: "Oh death - Jen titus" "Everybody wants to rule the world - Lorde" Espero que gostem do capítulo (e das músicas) ^^

Undertaker's PoV:

Examinando corpos, vendo suas belas almas, suas feridas, analisando as maravilhosas tragédias que resultaram morte … Existe melhor forma de começar o dia? Aqui, eu sou como um rei, posso fazer exatamente o que quero. É assim que penso, é assim que ajo.

Abro o primeiro caixão e o observo minuciosamente: há profundos furos no peito, acredite ou não, feitos pela própria mãe. Trágico, é tudo o que acho e logo esboço um sorriso, está na hora da diversão começar. Penso e chego a uma conclusão: melhor que cobrir as feridas, por que não deixá-las mais belas agonizando em róseo como pétalas de flores? Sim, isso mesmo. Lavo as mãos para começar meu trabalho, ainda havia muitos corpos para examinar. Os outros corpos… O que esses convidados têm para me oferecer? Histórias tão boas como a deste infeliz? Rio de verdade agora, eu realmente amo meu trabalho, para mim, isto é uma verdadeira diversão.

Imerso em pensamentos, distraído com o horror alheio, não ouço a porta abrir, mas sinto uma presença. Não é natural minha guarda ficar baixa, mas eu reconheço esse sentimento. Um cheiro bem familiar.

— Olá, Emily – Disse, sem olhá-la diretamente – O que deseja dessa vez?

— Rolo cinematográfico dos pais de Patrick Ryan P. James. Você tem?

— Hm... Não me lembro de ter pegado esse emprestado. Mas por que você quer? – Ela hesitou por um instante, o suficiente para eu entender – Ora, ora... Quer burlar o exame?

— N-Não é isso! É que...

Antes que pudesse terminar a frase, a porta se abriu novamente. Dessa vez, um garoto entrou. Por seus olhos e vestimenta, notei que era um shinigami. Avalio. Ele era um tanto estranho, aparentava medo de mim e desconforto perto da garota. Os ceifadores de hoje em dia não valem tanto quanto antes. Outrora sempre sérios e não apresentavam qualquer tipo de medo, eram bem treinados. Agora eram apenas garotos com uma death scythe. O mesmo se inclui para Emily. Dei uma risada longa e grave, como naturalmente faço. Aquele tipo de cena me divertia.

— E quem é esse? – Apontei para o garoto, que comparado á mim, era um bebê.

— Ah. Sou Ronald Knox.

— Ah, entendo – Dei minha risada histérica habitual. Voltei minha atenção para a prateleira às minhas costas, na qual guardo alguns rolos cinematográficos que pego emprestado.

— Oh, esses são... – O garoto iniciou, todavia eu já esperava a pergunta.

— Sim, são rolos cinematográficos. Peguei alguns emprestados da biblioteca dos deuses da morte.

— Biblioteca? – Sinceramente, não entendo como esse garoto está no exame final sem ao menos saber o básico.

— Francamente – Praguejou Emily – Bom ou mal, de um jeito ou de outro, todos os pecados passados daqueles destinados a morrer são gravados em detalhes e guardados em formas de livros... Na biblioteca.

— Emily, por que você quer um rolo mágico?* — Ronald perguntou, finalmente dizendo algo útil.

— Quanto mais soubermos sobre ele, melhor. Isso evita com que precisemos andar de um lado para o outro para saber sua rotina.

— Desculpe, Emily, mas não está comigo – Menti. Por mais que meu sorriso fosse grande e convincente, ela sabe quando estou falando a verdade ou não. Franziu o cenho, consegui deixá-la incomodada. Que divertido, não?

— Que incompetência da sua parte – Ela praguejou. Estava quase vermelha de raiva, todavia tentava esconder isso na presença do parceiro.

Após respirar fundo, começou a tentar achar outra alternativa. Pelo que entendi, não queria passar mais um minuto sequer perto desse garoto, porém não entendia o porquê. Ele era idiota demais?

— Então, por que não sentamos e tomamos um chá? – Perguntei, em seguida fitei Ronald – Você tem muitas coisas para aprender, jovem.

— Não é necessá...

— Claro! – Ele a cortou com um imenso sorriso.

— Não temos tempo para isso – Disse Emily. A frieza era clara no rosto dela . Percebeu que estava perdendo o controle da situação. Ela odeia isso e eu amo provocá-la.

— Claro que têm. O prazo da morte não é de um mês? – Grunhi, como se aqueles quinze minutos sentados fossem irrelevantes – Tem tempo.

[...]

Após o chá ser preparado, nós sentamos nos caixões e botamos papo à fora. Não faço isso há muito tempo. Ronald é interessante, mas não o suficiente para Emily, pois, a cada momento que ele falava algo, ela apertava seus dedos contra o copo com chá*. Dei-me ao luxo de explicar para eles a origem dos shinigamis, coisa que não ensinam na SDA. Pois bem, deixei claro para ele que todos já foram humanos, o que já o surpreendeu. Complementei dizendo: “Humanos que cometem suicídio tornam-se ‘shinigami’ como punimento. Suicidas são forçados a assistir os arrependimentos das pessoas e apego à vida todos os dias”. Queria dizer que após terminarem o exame final, teriam que trabalhar duro para serem “perdoados”. Mas até lá, eles têm que olhar continuamente a morte das pessoas. Sinceramente, é um trabalho que não me agrada. Eu o fiz por décadas, até que me cansei. Como alguns costumam dizer eu me “aposentei”. Mas o comentário que mais recebo é que sou um desertor. O que é verdade, já que brinco com a vida e a morte. Todavia, ocultei essas informações a ele, prefiro que saiba sozinho. Andando com Emily, não vai demorar muito, já que ela me conhece muito bem.

Os dois saíram em busca desse tal Patrick James não sei o quê. Ronald me agradeceu pelas “aulas”, ele aparentou certo interesse pela coleta de almas, mas não me fez muitas perguntas. Emily não disse uma palavra sequer enquanto conversávamos. Realmente, eu adoraria vê-los em ação, pode ser um tanto cômico. E já que eu gosto de uma boa piada, implico com Emily.

A pequenina não mede esforços para resolver seus problemas. É como uma banana: casca mais grossa, porém maleável e por dentro é macia, as vezes pode estar azeda. Essa é a Emily que eu conheço e tento proteger, para que ela nunca o encontre. Posso não ter nada contra ele, tampouco até o ajudo, mas se interferir, não vai sair vivo.

Ora, ora, Emily não é uma banana.

Ah, estou tão feliz... Tão feliz. Tenho tanto trabalho, tantos corpos, são corpos lindos com tragédias ainda mais lindas.

Notas finais
*Rolo mágico: Rolo cinematográfico. *Copo com chá: Nessa época era de extrema falta de classe beber chá em copos. Mas Undy não liga muito para isso, não é mesmo? Deixe seu comentário ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.