Daughter Of Water And Ice
19 Especial 2 - Canções de Amor
Notas iniciais
Especial — Contos de amor
Ato 2
Akemi e Yano
Amor do Passado
Se a vida era injusta, com toda certeza era com ele. Era o que pensava um ruivo deitado sobre uma colcha azul turquesa. Infelizmente esperou por anos poder mostrar que poderia protegê-la com a própria vida, mas parece que ela nem percebe a sua existência.
Sente que seus sonhos se desvanecem serenamente enquanto cochila sonhando impertinentemente com a bela donzela de longos cabelos brancos. Os olhos que eram de tom de ouro o hipnotizavam de forma brusca querendo fazê-lo ser eternamente dela, porém há uma parede que os separa.
O coração da mesma.
Akemi Strauss era a garota que Yano sempre amara, desde pequeno. Desistiu de ficar como um soldado do conselho mágico, uma mera marionete, para que entrasse na guilda que ela pertencia para continuar perto dela.
Acordou logo para poder vê-la, pois ela queria lhe ver. Ambos tinham uma amizade de infância, e em um dia ele prometera nunca desistir dela.
Ele lembra bem como se conheceram.
Era só uma manhã de chuva fria e grossa. Uma menina de cabelos curtos e brancos chorava abaixo da camada de água que eram as lágrimas de uma maga. Infelizmente a menina se perdeu de seus pais após as nuvens se fecharem, segurava nas mãos uma boneca e pano que estava suja, pois deve ter caído na lama que se formou com a torrente de água.
O choro ecoava pelo cenário sombrio que pareceu diante da criança. O menino de cabelos rubros viu-a e não demorou-se para fazê-la parar de chorar. Segurava ele um guarda-chuva de tom rosa, que sua madrasta lhe dera, sem nem ao menos perceber que era uma coisa feminina.
Voltou a sua atenção para a albina que chorava e caminhou até ela, fazendo a sua sombra a assustar, pela aproximação que ele fez:
–Você está bem? — perguntou ele. Percebeu que ela era mais nova que ele e que era menorzinha, tinha uma faixa vermelha sobre o cabelo curto e os olhos da cor do sol. Suas bochechas estavam coradas.
–Eu me perdi... — dizia ela engolindo as lágrimas. Ficou com pena da criança, mas lhe madou um gentil sorriso.
–Não se preocupe, nós vamos encontra-los certo? — disse ele fazendo um sorriso brotar nós pequenos lábios da menina e depois ela assentiu indo abraçada a ele pela triste chuva que caia. Enquanto isso Yano sentia seu coração bater de uma forma que ele desconhecia naquela época.
***
Acordou de seus devaneios quando se viu preso ao calor que o sol lhe mandava naquela manhã. Levantou resmungando e saiu do quarto que era um mini-apartamento temporário que a sua madrasta havia arranjado.
Era tão chata falar de Meredy daquela forma. Mesmo ela que pedia ter um menino como filho, acabou tendo um com enteado e que não a considera como mãe.
Inutilmente ele ainda tenta pensar que a mãe está viva e a última lembraça que ele tem dela, é apenas um sorriso sujo pelo sangue dela.
Segurou com força algo que pendia em seu pescoço, um pingente em forma de serpente que seu pai havia dado a sua mãe e que agora era ele quem usava.
Chutou a porta do apartamento para abri-la e saiu deixando a porta aberta. A raiva que ainda sente pela morte de sua mãe lhe causa dor, pois ele sempre quis poder proteger as pessoas que ama.
E nunca consegue.
Ele não lembra com clareza o que aconteceu naquele dia, apenas que lembra sua mãe toda vez que vê alguém que conhece ferido. Ele só queria encontrar uma maneira de ver de saber a verdade por trás de todos estes momentos de dor e sofrimento. O que ele poderia fazer para tudo isso não acontecer novamente.
Caminhando pela rua movimentada de Magnólia, senta-se em um banco de mdeira escura, e põe as mãos na cabeça as esfregando contra o couro cabeludo. Estava impaciente e também queria começar a desistir de tentar conquistar Akemi, porque a mesma parecia se interessar em outra coisa.
Sentiu um vento passar por si e o perfume de flores lhe preencher o espaço de ar que tinha a sua volta. Levantou a cabeça e admirou a bela menina sentada ao seu lado com o rosto enfiado em um livro de capa cor-de-rosa. Utilizava ela um vestido de tom claro com um casaco escuro, sapatilhas e um cabelo escuro que caia densamente quase a cintura da cor castanho mel.
Ficou admirando a pequena princesa que estava sentada ao seu lado. E quando a mesma tirou os olhos do livro, teve ele um sobressalto, seus olhos eram de um castanho escuro que brilhavam com gentileza. Desviou o olhar por descobrir estar ficando da cor dos cabelos de Flare. Mas ouviu a risada baixa dela:
–Você está bem? — a voz feminina e calma lhe preencheu os ouvidos e a olhou com o canto dos olhos. Ela tinha um sorriso bonito, pensou ele.
–Estou. — respondeu por sua vez.
–Tem certeza?
–Não. — porque de alguma forma, ele queria poder dizer ela o que sentia em relação a tudo.
–Sabe, as vezes as pessoas não precisam de palavras para dizerem o que precisam contar. Apenas o modo e as atitudes delas nos dizem tudo. — olhou-a com certo espasmo e depois sorriu.
–Eu me sinto mal com algumas coisas que podem ser pequenas. — disse ele olhando para as próprias mãos que se entrelaçaram pelo nervosismo que lhe atingiu.
–Bom... Eu não sou nenhuma terapeuta. Mas... Talvez, se você contar para as pessoas certas ou simplesmente fazer e tomar alguma atitude o jogo pode virar ao seu favor. — ela voltou a sua atenção para o livro, deixando mais uma vez Yano pasmo.
Ela tinha razão, quem sabe ele ao invés de simplesmente dizer o que sente não com as palavras, talvez consiga o que precisa. Virou-se para agradecer a menina, mas ela não estava mais sentada ao seu lado. Levantou-se e olhou em volta para encontra-la, mas nada viu. Apenas sorriu e assentiu para o vento que pareceu entender que ele levaria seus agradecimentos a ela.
E desta vez conseguiu sentir o cheiro de Akemi se aproximando, virou-se para o caminho que ela estava vindo e partiu em sua direção com um sorriso travesso nos lábios.
A menina dos olhos dourados vinha com o rosto amarrado. Mas aquilo não foi capaz de fazer Yano temer depois de fazer o que faria. A menina parou na frente de Yano e começou a falar, mas ele nem ouvia. Apenas segurou o rosto dela com as suas mãos e colou os seus lábios nos delas.
Akemi ficou ruborizada quando sentiu o toque quente dos lábios do ruivo sobre os seus. Ficou atordoada e ficou com os olhos abertos, até ele resolver se afastar e sair lhe dando as costas. Mas de alguma forma a menina sentiu que seu coração quebraria a todos os ossos de seu corpo, com a força que ele batia dentro de si.
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