Daughter Of Artemis
38 Choro
Notas iniciais
AVISO: esse capítulo contem Jonnie
Me escorei em John e me abracei, estava ficando frio e eu não estava com vontade de pegar o meu casaco na mochila (frio é psicológico minha gente!), John passou seu braço por cima de mim, me aconchegando em seu peito, fazendo com que eu adormecesse (novamente), só que dessa vez os sonhos / pesadelos vieram junto.
“Estava novamente no mundo inferior, como eu sabia disso? Simples, havia almas gritando a minha volta, mas pareciam não me enxergar, eu estava dentro do castelo (ou qualquer coisa que seja aquilo), havia um homem sentado em um trono, vestido de preto, enquanto seu manto cheios de rostos parecia se mexer, não, ele se mexia, parecia que havia gente querendo sair dali. Aquele era Hades.
Nico estava ao seu lado, com a habitual jaqueta preta, camiseta preta e calça jeans preta, roupas igual a de John.
Hades parecia estar julgando, as almas gritavam uma com as outras, fazendo com que eu tivesse que tapar meus pobres ouvidos, se não ficaria surda.
– Chega! – gritou ele – Irão todos para o Campo de Punição! – ele levantou sua mão, fazendo um pequeno gesto, mas isso bastou para que a lareira (que só agora eu havia percebido) se abrisse, puxando as almas para dentro de si.
As portas bateram com um estrondo e um silêncio percorreu a sala, mas logo foi interrompido por sons de salto batendo no chão, logo uma mulher (linda por sinal) apareceu na sala. Ela tinha um corpo escultural, usava um vestido preto de renda longo (que apesar de eu odiar usar vestido e o vestido em si, eu achei lindo). Seus cabelos, negros e brilhosos, estavam presos em uma trança lateral perfeita. Ela andou até o deus, ficando em sua frente e na frende de Nico. Ela era Perséfone.
– Hades, seu filho está a caminho – disse ela com um sorriso, mas de longe percebi ser falso.
Nico olhou para ela com desdém, parecia não gostar dela.
– Tão rápido assim?! – falou ele.
Esse deus estava me dando nojo, assim como sua mulher.
Perséfone sorriu novamente e saiu pelo mesmo lugar que entrou. Seus passos ecoavam pela sala até desaparecer.
– Você não vai se influenciar por ela, vai? – perguntou Nico, nervoso.
– Seu irmão enticou com ela e comigo, deverá pagar o preço.. – calmo, Hades disse
– Você prometeu que iria ajudar ele. A maldição está espalhando, ele vai morrer! – disse Nico exasperado.
– Deixe ele vir até aqui e veremos se merecerá..
Nico bufou, bravo.
– Você é o pior pai do mundo – disse ele antes de sair da sala.
Aquilo pareceu abalar Hades, mas antes que eu pudesse ver ou ouvir mais alguma coisa fui acordada”
– Bonnie – disse John me balançando, ele estava suando e tremendo, mordia o lábio para não gritar, mas as vezes soltava gemidos baixos.
Me levantei rapidamente, deixei a vergonha de lado e levantei a blusa de John.
A maldição estava se espalhando para suas costas, sua pele estava vermelha onde a pedra estava se formando, como se estivesse molhando.
Fui até minha mochila e peguei minha garrafinha de água e um pano, fazendo uma compressa no lugar para aliviar a dor.
Uns minutos depois John se acalmou, me sentei novamente e fiz ele deitar em meu colo.
– Ta tudo bem? – perguntei, preocupada
– Só estou com frio, só isso – disse ele.
Olhei para o que ele estava vestindo. Uma blusa e uma jaqueta, não estava tão frio assim.
Abaixei minha cabeça, com a intenção de encostar meus lábios em sua testa para ver se ele estava com febre, mas o maldito curioso olhou para cima, fazendo com que déssemos um selinho.
Me afastei dele rapidamente, corada, parecendo um pimentão que foi pra praia e se queimou. John também corou e tentou se levantar, mas não deixei.
– Fica parado aí praga – disse, dessa vez colocando minha mão em sua testa. Ele realmente estava com febre.
Peguei novamente a água e o pano e coloquei em sua testa, deixando ela ali e molhando quando necessário.
– Ainda está com frio? – perguntei depois de uns 20 minutos.
Pois é, ficamos 20 minutos calados, tentando não fazer contato visual.
– Não muito, acho que a febre já ta passando, posso levantar agora? – perguntou ele, parecendo uma criancinha pedindo para mãe, que no caso era eu.
Ri e assenti.
Ajudei ele a levantar, já que sua coluna havia virado pedra...
Me atirei de novo no banco, não sabia o que fazer, sabia que John não ia me deixar ler, então descartei pegar meu livro na mochila (pois é, eu trouxe um livro).
Olhei pela janela, a ‘paisagem’ passava rápido, fazendo com que as figuras se deformassem e eu não conseguia distinguir nada.
Dessa vez olhei para frente, dando de cara com Lucy e Robb agarrados, não no sentindo de pegar, mas os dois estavam dormindo um abraçado no outro. Comecei a rir e John também.
– Queria poder tirar fotos e zoar eles pro resto da vida – disse ainda rindo. John concordou.
Me escorei na parede do trem, colocando minhas pernas para cima do banco, ficando de frente para John, olhei para ele e me lembrei do sonho que eu tivera. Nessa hora fiquei com medo de que Hades não tirasse a maldição de John e o deixasse morrer, meus olhos estavam fixos nele, senti que ia começar a chorar, então olhei para o teto e fechei os olhos.
Coloquei minha cabeça entre meus joelhos e fiquei naquela posição, assim eu me sentia protegida, mas sabia que não ia durar muito, logo monstros estariam atrás de nós, queria um abraço de meu pai, ele sabia sempre o que fazer.
Sem perceber soltei um soluço, sentia muita falta dele, senti minhas lágrimas em minhas bochechas, fiz de tudo para não deixa-las caírem, não queria chorar ali, na frente de John, mas não deu muito certo.
Meus soluços ficaram alto o bastante para qualquer um dos meus amigos escutarem e eu me odiava por isso.
Senti braços ao meu redor. John. Me abracei nele com força, chorando como nunca havia chorado na vida, sentindo seu perfume. Eu dei graças aos deuses por John estar ao meu lado...
Continua..
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