Notas iniciais
Essa fic é OOC, super OOC e é cheia de spoilers.
Espero que gostem.

Praticamente um mês e meio até chegar a Marte.

Os oficiais diziam que era um tempo para ser usado para entender melhor os poderes lhe dado pela cirurgia e para conhecer melhor seus companheiros.

Pode-se dizer que eles cumpriram isso em parte.

Eles se enturmaram sim, alguns melhor de outros, mas todos tentaram.

Nenhum tinha coragem de se aproximar dos oficiais, o Capitão era gentil e prestativo, mas ele ainda assim era Capitão e vivia ocupado.

A Vice-Capitã Michelle era super séria e somente Araki tinha cara de pau o suficiente para não só falar com ela como também brincar e alguns ousavam dizer flertar - um milagre ainda estar vivo.

Vice-Capitão Adolf era um cara mórbido, mas todos o conheciam sabiam o como ele era um homem bem preocupado com o seu time, mas ainda assim o seu olhar gelado e seu jeito seco de falar fazia a maioria ficar longe.

Vice-Capitão Joseph falava com todos e flertava com todos, era só falava sobre o amor, falava tanto que chegava a ser bizarro. Havia algo nele, ninguém sabia dizer o que era mas alguns deles podia notar que ele não batia bem da cabeça.

O Vice-Capitão Liu só falava em chinês e na maioria das vezes só com os chineses.

Mas o mais assustadores eram os Russos. O Vice-Capitão Asimov não parecia ser um cara mal, nem tentava ser assustador — ele era naturalmente assustador.

Ele era grande, expansivo, e seus leves tapinhas nas costas sempre terminavam por derrubar algum desavisado.

O mesmo podia ser dito dos demais russos, ele eram sérios na maior parte do tempo, mas quando eles riam ou decidiam descontrair a maioria deles ficava assustado.

Todos os russos mesmo Ivan.

Muitos deles já tinham visto o mais jovem membro da tripulação russa, e todos sem exceção o achavam fofo — corrigindo as mulheres o achavam fofo e os homens o achavam uma flor.

Marcos era indiferente ao rapaz, até ele levar um soco no lugar de alguém — se ele não tivesse prestado atenção ele diria que o jovem russo era só desastrado, mas ele via toda a cena, desde os dois tripulantes brigando até Ivan que estava passando totalmente despreocupado com a vida.

Ele viu como Ivan se moveu rapidamente até os dois e como propositalmente se colocou no meio do golpe. Marcos não entendia o motivo daquilo, a briga havia acabado, mas valia a pena levar um soco por isso?

Ele certamente ou daria um soco em um dos caras ou tentaria segurar um deles e não levar um soco, mas vai entender de repente essa era a natureza do rapaz.

Marcos mesmo sabia que muitos ali não possuíam características de combate e nem tinham suas cirurgias voltadas para combate — ele tinha quase certeza que esse era o caso de Ivan.

Vai ver que era por isso que os outros russos estavam sempre perto dele.

Eva com seu jeito discreto dizia que era por que Ivan era fofo e Marco, Araki e Alex até chegaram a reclamar dizendo que as garotas deviam era querer ficar perto de homens másculos como eles.

Sheila toda corada disse que nenhuma delas via Ivan do jeito que eles estavam pensando e sim como um irmãozinho que tinham que cuidar.

Marcos já começou a achar que o poder de Ivan podia alterar o humor das mulheres — ele ia virar amigo do cara de imediato se esse fosse o caso.

Mas ver o rapaz corando, ficando todo sem jeito pelo mero fato de citarem que ele gostava da Sheila o fez mudar de ideia — Ivan era muito parecido com Sheila nesse aspecto, todo tímido e constrangido.

Certamente não iria ajuda-lo com as mulheres da tripulação. Se bem que a irmã dele era um pedaço de mau caminho.

Porém tudo mudou um dia em que ele e Araki estavam andando pelos corredores e sentiram um doce aroma de flores — era um cheiro muito bom, Araki para ajudar não parava de falar em que mulher linda devia ser a dona de tal perfume.

A imaginação de Marcos estava criativa, ele imaginou tantas coisas e nenhuma delas o prepararia para o que ele viu.

Araki o puxou pela camisa e juntos se aproximaram de onde o cheiro de flores estava vindo — Araki dizia que só se vive uma vez e que era besteira antes de uma missão que podia lhes custar a vida ficar de medinho de satisfazer suas curiosidades.

Eles pararam em frente à porta, em sua distração nem viram que estavam nos dormitórios dos russos quando de repente ao se encostarem na porta para ouvir foram surpreendidos com a mesma abrindo revelando Ivan.

Eles olhavam para Ivan e Ivan olhava assustado para eles.

"O q-que estão fazendo aqui?"

Marcos até que escondeu sua decepção, mas Araki não foi tão discreto.

"Sério que o cheiro de flores é seu?"

A cabeça de Ivan parecia que ia explodir de tão vermelha que ficou. Ele não respondeu, só ficou a balançar a cabeça para todos os lados procurando algo para olhar que não fossem os dois que adentraram no seu dormitório.

"E se for qual é o problema?"

Marcos vendo que Ivan estava constrangido até pensou em sacanear o rapaz, mas Araki já estava isso por ele.

"Nenhum! Nos desculpa, mas nós achamos que fosse..."

"Uma mulher...haha...como se já não tivessem falado isso pra mim."

Aquela frase deixou ambos quietos, em momento algum ele ou Araki queriam provocar Ivan com esse tipo de brincadeira.

Araki ficou sério e resolveu acabar com o mal entendido.

"Ivan, não queríamos incomodar, estávamos só sendo...ah...babacas? Mas não queríamos insinuar nada."

Ivan sorria como se nada tivesse acontecido, Marcos achou aquilo muito estranho e perigoso, ninguém se recuperava de uma ofensa ou brincadeira de mau gosto tão facilmente, a não ser que aquilo nunca o incomodou em primeiro lugar — e se esse era o caso, Ivan era muito bom em esconder o que pensava.

"Tudo bem! Vocês realmente sentiram o cheiro de flores caso estejam se perguntando."

"Sério?"

"Sim, minha cirurgia é uma planta, mais especificamente uma flor."

Nem ele nem Araki tiveram outra reação além de olhar para Ivan tentando entender para que servisse uma flor no combate contra baratas gigantes, ou para localizar algo, ou se locomover rapidamente — nada fazia sentido, uma flor não servia para nada, pelo menos nada que eles conseguissem pensar.

"Irônico né? Mas garanto a vocês que sou muito perigoso!"

Ver Ivan falando isso todo contente e coçando a cabeça faziam eles não acreditarem nem um pouco nisso.

Mas o que eles pensavam ou viriam a dizer ou perguntar nunca foi dito, uma presença grande apareceu atrás deles. Ambos sentiram a presença e ambos sabiam de quem se tratava, ainda mais depois de sentir aquelas mãos enormes no ombro deles.

"HAHAHAA já arrumou novos amigos Ivan? Tente não matar esses também!"

"Vou fazer o meu melhor, senhor!"

Eles não se lembravam de como, mas eles conseguiram sair dali, quando Sheila, Eva e Alex os encontraram eles estavam ofegantes de tanto correr e suavam frio.

Sheila chegou a perguntar o que havia acontecido, mas Marcos só disse:

"Não chegue perto do Ivan!"

~~~~ MARTE ~~~~

Marcos ainda estava tentando aceitar o que aconteceu.

Sheila havia morrido, foi tão rápido, tão de repente.

Eles estavam com dificuldades em contactar os outros times e ele se preocupava cada vez mais com Alex e Eva — será que eles também estavam mortos?

Alex sabia de virar, mas ainda assim, e se time caísse em uma emboscada?

E Eva?

Ela não parecia ser uma tripulante voltada para combate, tudo bem que ela estava no time do segundo mais forte de toda a missão, mas ainda assim — Marcos estava sem fé.

Marcos não sabia o porquê, mas ele pensou em cada um dos tripulantes que ele conheceu e chegou a conversar — entre eles Ivan.

Uma planta, mais especificamente uma flor.

Ele parecia ser um cara legal, mas que chance ele tinha, provavelmente já tinha morrido assim como Sheila.

~~~~ MARTE 30 dias depois ~~~~

Lá estava Ivan, vivo.

Marcos não demonstrou tristeza, mas sim alegria, todos estavam juntos e graças a Deus que os Russos não eram inimigos.

Ele não disse nada, mas como sempre Araki disse por todos eles.

"Maneiro cara, você pode fazer isso com todos eles?"

Araki se referia a barata que Ivan estava montado em cima. Como aquilo era possível?

Ivan era a personificação da tranquilidade, mas era visível que ele estava um pouco irritado de ter sido deixado de fora do combate.

Marcos entendia o motivo, Asimov parecia proteger Ivan, selecionar onde e quando o rapaz ia lutar ou não lutar — o motivo era que ele tinha dúvidas.

Asimov não parecia ser alguém que gostava de fracotes que precisavam de proteção, então por que se dar tanto trabalho de manter Ivan longe de certa situações?

No fim pouco importava, ele finalmente entendeu a função de Ivan, um verdadeiro analgésico em pessoa. E a única naquele lugar que não estava cheirando a barata.

~~~~ MARTE corrida para o mar ~~~~

Ele não aguentava mais correr.

Baratas estavam em todas as partes, Keiji estava lutando dando tempo para eles alcançarem o mar, mas ele simplesmente não conseguia dar mais um passo sequer.

Ao lado dele estava Ivan, caído no chão, o primeiro a ser derrubado pela fadiga.

Ele não culpava Ivan ou a si mesmo, a aranha era um aracnídeo feroz, mas que se cansava rápido e um flor, bem uma flor nem sem do lugar.

Marcos pegou o seu bastão — ele não iria morrer sem lutar.

Mas as baratas escolherem matar Ivan primeiro, ele gritava com o seu corpo, implorava para se mover, fazer alguma coisa qualquer coisa.

Mas o que aconteceu em seguido o surpreendeu.

Ivan desviou do ataque da barata, aquilo exigia uma velocidade sobre humana, como uma flor podia proporcionar isso?

Marcos mal pode ver quando Ivan fincou sua mão na barata e do nada ela caiu no chão, Ivan levantando logo em seguida injetando algo em si mesmo, os olhos de Ivan eram outros, ele não parecia o rapaz alegre e inocente de antes, ele parecia psicótico, gritando para todas as baratas ouvirem.

“MISSÃO CUMPRIDA! PELA TERRA! PELA HUMANIDADE! PELA MÃE RUSSIA!”

Marcos estava em choque, quem era aquela pessoa?

Ivan do nada estava do lado dele e injetou algo nele, Marcos não sentia mais dor, nem fadiga, ele sentia uma energia enorme e ele não entendia o motivo.

“Eu explico depois.”

E isso foi tudo que Ivan disse para ele.

~~~~ VOLTANDO PARA TERRA ~~~~

Liu, Asimov, Joseph e o Capitão haviam ficado para trás.

Eles sentiam como se tivessem falhado em sua missão, quando do nada Ivan se levantou abrindo sua camisa.

Nenhum dos presentes conseguiu esconder a surpresa.

“Nós não falhamos em nossa missão. Eu estou carregando o vírus comigo.”

Naquele momento tudo fez sentido para Marcos, o porquê de ser uma planta, por que ser uma flor, por que Asimov o protegia.

Os russos tinham uma missão própria e Ivan era essa missão.

Notas finais
Perdoem erros de nomes e tempo, foi algo feito de última hora.
Mas fiquem a vontade para levantar qualquer erro!
Flaow!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!