Notas iniciais
Só para esclarecer: Santana e Quinn tem 19, Brittany 18 e Rachel 17...

Não estava sendo fácil pra Quinn ter que se concentrar no trabalho que deveria ser entregue daqui a 8 dias quando sua mente girava em torno da sua conversa com Brittany. Ela poderia negar, mas já sabia que era gay desde quando estava no útero confortável e cheio de líquidos de Judy. Nenhum de seus namorados a agradava de verdade. Mesmo com o seu incrível primeiro beijo ela já sabia que não queria os meninos, não poderia viver para sempre com aqueles corpos suados e mãos grandes de mais perto dela. Era desconfortável, desagradável e nojento ao seu ver.

Houve uma vez que ela obrigou Judy leva-la ao medico, deveria ter em torno de 16 anos e o cara que a beijou tinham uma barba rala, ela se coçou durante três dias e só parou quando um dermatologista a prescreveu uma pomada para passar em toda extensão abaixo da boca e nos lábios e um antialérgico oral.

Sua primeira vez então... Eu já ouvi falar de primeiras vezes terríveis, mas a nossa pequena Quinn superou todas elas. Durante o sexo ela basicamente olhou para a cara do individuo e zombou internamente da expressão desesperada em seu rosto, quase riu quando o pobre Jace gemeu de prazer e quando ela viu ele tirando a camisinha pra jogar fora foi inevitável. Ela jogou tudo o que tinha comido no jantar em cima dele. Quinn se desculpou e ele disse que estava tudo bem, mas terminaram uma semana depois quando ele colocou a mão na coxa dela durante um filme e ela vomitou no tapete caro da sua mãe. Claro que quanto seu pai descobriu que a filha dele não era mais tão virtuosa quanto pensava, ele quase a fez casar a força, se não fosse por Judy mostra-lo a idiotice que iria fazer Quinn nem teria protestado.

Quinn se sentia bastante constrangida quando estas lembranças a atingiram, foi como ver de uma perspectiva diferente tudo o que já tinha vivido. A sua mãe e sua irmã assustadoramente parecidas entraram no quarto sem bater.

– Você vai com a gente pra tia Shelby? Papai acabou de chegar e disse que iria nos deixar e voltava para nos pegar.

Quinn achava tão antiquado o modo que seu pai as tratava, porém nunca tinha dito nada para mudar essa situação aprendida a séculos.

– Não podem voltar de taxi ou algo assim?

– Você conhece seu pai Quinnie, sabe que se ele tivesse tempo iria apanha-las à escola todos os dias.

A loira ainda deitada pensou nos pós e contras de ir a esta hora visitar a tia. Preguiça é um dos 7 pecados capitais, mas quem disse que o inferno é tão ruim assim?

– Acho que vou ficar. Descanso e ainda converso com o papai sobre um assunto importante.

– Serio?

Quinn sentou-se e balançou a cabeça coçando a nuca envergonhada.

– Boa sorte.

Brittany beijou sua testa e soltou um “estarei torcendo por você” enquanto tentava cruzar todos os dedos.

– Nem vou perguntar do que estão falando, sempre fico de fora desses segredinhos de irmãs mesmo. As vezes gostava mais quando se odiavam.

Falou num falso tom de chateação fazendo a mesma cena que Brittany fez mais cedo na cozinha. Bom é como dizem: Tal mãe, tal filha.

– Também te amo mamãe. Bom passeio.

Estalou os lábios na bochecha da copia de sua irmã, ou seria sua irmã copia dela? Passando-se as despedidas, cada uma seguiu para seu destino, que no caso da Quinn era o escritório do senhor Fabray. Tomou banho antes, para dá tempo dele voltar da casa de Shelby.

Seu querido pai era exemplo de postura, ética e tradicionalidade. Desde que se entendeu por gente Quinn viu a empresa da família forte e segura, presando pelo bem estar do cliente sempre. Na verdade eram as empresas, no plural, havia uma agencias de advocacia com diversas filiais que foi construída pelo pai de Russel que era advogado, e uma rede de clinicas medicas que era a realização do sonho que Russel tinha para as filhas. Mas todos sabiam que a preferida do velho homem era a fabrica de carros. Ele e Quinn tinham isso em comum, amavam carros de todos os tipos, desde os antigos e bem conservados que ficaram na garagem da casa da fazenda até os mais modernos que eram utilizados com frequências por Brittany já que dizia que preferia não ter nenhum especifico e ter todos ao mesmo tempo, Quinn tinham dois, que comprou com o próprio dinheiro e que recebiam dela todo amor que se pode dar a um carro.

Sem ter coragem realmente dita, a loira empurrou a porta e encontrou o homem na poltrona, lendo alguma coisa.

– Quinn filha, você não foi com sua Judy e a Brittany? Oh você precisa ver o novo modelo de carro que estamos produzindo é a sua cara, talvez você o ganhe de natal, que acha de irmos olhar no seu dia livre?

Russel perguntou assim que a viu entrar e sentar-se na poltrona de frente pra ele.

– Eu ainda estava pensando em olharmos como andam as clinicas, não sei quem cuidara de nossa filial em Nova York. As de Londres e Chicago estão bem assistidas e logo teremos vocês aqui na de Los Angeles, mas realmente não temos muitos médicos em NY.

Quinn era tão obvia, sua culpa podia ser sentida no ar. Enquanto seu pai fazia planos para os dois ela já se lamentava, sendo pessimista e prevendo que o pai não olharia mais para sua cara. Não poderia, depois de ser criado na família mais rígida da cidade, que ela sabe, vivendo em um lugar como Los Angeles suas crenças são bem mais fortes que qualquer outra pessoa de qualquer outro lugar.

– Na verdade eu queria conversar com o senhor por um momento.

Russel percebeu, é claro que ele percebeu. Só um burro não veria que Quinn estava preocupada e nervosa.

– Tudo bem, pode começar. Estou lhe escutando.

~/~

Na casa de Shelby uma discussão acalorada também acontecia, mas por telefone.

– Eu tenho direito de ver minha filha.

Gritava para o homem do outro lado da linha.

– Ela é MINHA filha, não sua. Você não tem o direito de entrar na vida dela agora, não agora, não depois de todo esse tempo.

– Por favor Hiram, é minha ultima chance, não me prive e me faça sentir mais culpada do que já estou.

As respirações eram pesadas, parecia que o oxigênio subia muito rápido para os pulmões e os deixavam com uma falsa sensação de falta de ar.

A morena não tinha mais forças para brigar, ela só queria ter um momento com a filha, apenas recuperar um pouco do tempo perdido, saber que os planos de Deus não eram em vão, ela só queria provar pra si mesma que tinha uma razão para acreditar Nele e que a sua historia com Rachel era maior do que qualquer um pudesse pensar. Ela tinha o direito de dizer isso pra sua filhinha, falar o quão incrível a vida dela vai ser e quanto orgulhos ela vai deixar seus três pais.

– Eu preciso disso e ela também Hiram, você sabe disso.

– Eu.. eu.. Leroy você pode falar com ela? Eu só não, não posso mais discutir isso desse jeito. É da minha estrelinha que estamos falando Leroy, eu não posso.

Shelby sabia que não tinha sido pra ela, que aquilo era o pai da sua filha pedindo ajuda para seu marido. Hiram sempre foi muito alegre e altruísta, mas era o primeiro a quebrar quando o assunto era Rachel. Sua menininha, sua princesinha, sua estrelinha.

– Shelby? Olá?

– Leroy por favor me deixe ver a Rachel.

Ela não se importava de implorar, não por sua menina.

– Sexta-feira, na nossa casa. Faremos um almoço e uma tarde de piquenique no quintal, faremos a Rachel vim e você esta convidada. Faça parecer casual, traga convidados se quiser.

– Obrigada Leroy, eu... eu lhe agradeço muito.

O choro dela podia ser ouvido pelo homem que criara Rachel e era o pai mais carinhoso que ela poderia ter.

– E shelby? Tente não chorar quando encontra-la, estamos tentando ser fortes com essa sua aparição e com todo o resto, ela não vai admitir, mas está muito sensível e até chateada. Então seja gentil, não a force nem a machuque, porque se fizer isso, eu mesmo faço questão de nunca mais deixar você chegar perto dela. Estamos entendidos?

– É claro, obrigada, muito obrigada Leroy.

Seu coração parece ter parado quando ela discou os números e começado a bater de novo quando ela colocou o telefone no gancho.

– Tia porque a senhora está chorando?

Brittany ficou confusa e triste ao entrar na casa e ver sua tia tão perturbada. Mas a morena secou os olhos com a manga da camisa que usava e sorrio.

– Vocês tem alguma coisa pra fazer na sexta?

~/~

– Então você é... lésbica?

Quinn estava tão assustada, ela só poderia comparar este dia ao que ela acidentalmente quebrou os óculos do pai enquanto jogava bola com o Sam e a Brittany dentro de casa. Ficou dois meses de castigo e seu pai a olhou feio por uma semana. UMA SEMANA, ela achou que ele iria a odiar para sempre, talvez aquele não foi o dia certo, talvez seu pai a tivesse perdoado para poder castiga-la por algo maior e que ela tem ainda menos controle.

– Você já beijou alguma mulher Quinn?

Ela ficou quieta, se fosse em outras circunstancias riria, até parece que combinou com a Brittany, mas ela estava com medo dele não acreditar ou de pensar que é um capricho. Agora, ela desejava com toda a alma que simplesmente acorda-se e fosse hétero como os outros que ela conhece.

– Quinn? Quinn você já dormiu com uma mulher?

Disse em um tom duro, que a fez tremer. A loira outra vez não respondeu.

– Pelo amor de Deus Quinn me responde.

Russel levantou e colocou a mão na cabeça. Ele também estava confuso, sua filha, a que mais parecia com ele estava ali, na sua frente lhe dizendo que era lésbica e ele só queria respostas. Ele precisava das respostas. Quinn olhava para o chão e não ousava encarar o pai. O homem já estava muito irritado pela falta de dialogo da filha, garrou-lhe os braços com força e a balançou.

– Diga Quinn, eu preciso saber. Você já fez sexo com uma mulher?

As lagrimas de Quinn pareciam ser mais dolorosas. Ela estava envergonhada, humilhada e com medo. Seu pai nunca a tratou assim antes, ela era sua preferida, assim como os carros.

– Fale Quinn eu exijo.

Russel parecia esta cego, então ele apertou a filha mais forte.

– Esta me machucando papai, para por favor.

Então ele viu. Viu a filha que criou para ser corajosa e destemida, machucada e apavorada. Se afastou e notou as marcas de seus dedos na pele branquinha que tantas vezes fez carinho. Os olhos que sempre brilharam quando o viam estava arredio, vermelho e molhado. O corpo de Quinn estava encolhido e frágil na poltrona que outras vezes foram sua cama depois de ouvir historias contadas por ele. Seu coração doeu, se fosse qualquer outro que fizesse sua menina tão assustada ele iria atrás do sujeito até no inferno, mas foi ele. Isso ele não poderia perdoar nunca, seus olhos também transbordaram e ele puxou o próprio cabelo para que a dor de seu corpo fosse maior que da sua alma. Em vão ele usou toda a força que tinha. Por um momento pensou em sair correndo do escritório, mas não pode deixar-la ficar com raiva dele, não suportaria que sua filha o rejeitasse.

– Me desculpe Quinnie, eu não queria te machucar. Por favor me perdoa, eu estava confuso, estou ainda. Eu nunca deveria ter feito isso.

Ele se abaixou e tocou os joelhos de Quinn, ela o olhou ainda chorosa.

– Eu preciso do abraço do meu papai agora.

– Own meu amor, me perdoa. Eu te amo tanto, eu quero o seu melhor, desejo a você e sua irmã apenas alegrias e felicidades.

Russel a levou para o sofá da sala, lá Quinn repousou a cabeça no colo do seu pai e passaram tempo suficiente para Judy e Brittany chegarem.

– Hey família. Cheguei, pegamos um taxi... O que houve com a Quinn? Ela estava chorando?

A senhora Fabray abaixou perto de Quinn e passou a mão em seu rosto. Russel a olhou choroso.

– Judy ela é... ela é.... é a coisa mais importante da minha vida.

– Obrigada pela parte que me toca.

Brittany soltou cruzando os braços.

– Você é minha caçulinha linda. Vem cá.

Ela não sabia o que tinha acontecido, mas agradecia por sua irmã e seu pai estarem bem, era muito importante saber que sua família continuava unida mesmo contra a religião, as normas e regras impostas por uma sociedade filha da puta. Ocupou seu lugar do outro lado do pai, vendo Quinn despertar e sorrir pra ela.

– Mamãe eu sou gay.

Judy parou, abriu a boca e a tampou com a mão. Bom sua reação tinha sido melhor que a de Russel e Quinn agradeceu, não aguentaria mais tanto drama por uns bons quinze anos.

Eu me pergunto se alguém daqui 5 ou 10 anos vai ler isso. Se sim, encontro-me rezando para que esta pessoa ache um tremendo absurdo e falta do que fazer, eu perder meu tempo e escrever um capitulo com tanto drama apenas porque a nossa linda Quinn prefere um pouco de pele macia e lábios vermelhos. Bem quer dizer, não é da conta de ninguém se as pessoas vão dormir com homens ou mulheres, negros ou brancos, palhaços ou advogados. Mas a vida é uma droga e Judy ainda não teve tempo de absorver a informação.

– Eu não acredito.

Falou pausado como se estivesse vendo um filme muito surpreendente, mas logo voltou a voz preocupada que sempre usa com as filhas.

– Você terá que procurar um bom doador de esperma, não quero um neto burro. Que acha que buscarmos um ginecologista? Assim tiramos nossas duvidas. E eu já estava pensando, garotas também estão proibidas no quarto, você sabe bem como são as regras, se quer mesmo fazer sexo, faça em algum lugar que eu e seu pai não vamos ver nem ouvir.

Precisaram todos de uma pausa. Brittany não tinha entendido metade do que sua mãe falou. Russel tremeu ao perceber que realmente tinha muitas duvidar acerca da nova condição da filha e Quinn apenas não conseguia engolir oxigênio pela reação expansiva de Judy.

– Hey, hey. Pode parar, eu nem tenho namorado... namorada e você já quer ter netos?

– Ah querida, se você acha mesmo que vai se livrar de me fazer a avó mais feliz do mundo só porque não vai casar com um homem está enganada.

Arqueou a sobrancelha em desafio. Se o sonho da Judy era ter netos acredite, nem a falta de pênis em uma relação iria desaponta-la.

– Eu amo tanto você.

Deram um grande e feliz abraço em grupo e logo voltaram a discutir todas as coisas que Judy não iria abrir mão, como os vestidos de Quinn e suas maquiagens.

–Você vai continuar sendo uma garota, nada de sair por ai com faixas prendendo os seios e coçando as bolas imaginarias.

– MAMÃE!! Achei que éramos uma família tradicional.

Alertou Quinn com toda a liberdade que a mais velha vinha enfrentando isso e corada com os pensamentos que nem ela tinha se dado ao trabalho de ter.

– Éramos, até uma de nossas filhas resolver nos contar que é lésbica. Falando nisso, acho que a filha da Marge que mora a três casar da nossa também é gay. Ela é tão bonita Quinn, o que acha que irmos fazer uma visita a elas ham?

– Ela tem tipo um namorado a cada dia mãe.

Respondeu incrédula. Serio que Quinn Fabray estava tendo uma conversa assim com sua mãe?

– E você acha que se ela gostasse tanto de homem ela ainda estaria procurando por um.

– Okay, já chega pra mim. Eu estou tentando aceitar e apoiar nossa filha, mas isso não significa que eu precise ficar ouvindo isso.

Russel levantou beijou-as de uma por uma e parou em Quinn.

– Vamos ficar bem e me desculpe outra vez. Boa noite.

– Obrigada.

Ele beijou a testa da filha como nunca antes. Era estranho que tudo estivesse bem de novo quando em pouco mais de 7 horas atrás a vida de Quinn estivesse tão confusa.

~/~

– NÃO.

–SIM.

– Não e não. Eu já decidi.

– Não importa Berry. Você vai nem que eu tenha que te arrastar pelo cabelo.

– Mas San, ela não quero ver ela agora.

Santana entendia, ela só não poderia deixar Rachel ser tão dura consigo mesma. Fazia uns vinte minutos que elas discutiam sobre ir ao não ir para o encontro na casa dos Berry. É claro que eles contaram que a Shelby iria e que levaria alguém. Mesmo Leroy a tranquilizando e dizendo que não seria forçada a nada a morena relutava bravamente. Tão bravamente que Santana já estava com vontade de lhe dar uma palmada para deixar de ser teimosa.

– Escute, fazemos assim então: vamos para o encontro com sua mãe e se não estiver gostando inventamos que estou passando um pouco mal e voltamos pra casa.

– E se eles quiserem te levar pro hospital. Alias, não gosto de brincar com sua saúde.

– Não vão anjo. E não se preocupe, estou pronta pra outra.

Sorriu e levou um tapa no braço, não um tapinha de leve, um senhor tapa.

– Não brinque.

– Tudo bem, falha minha, me perdoe. Vamos?

Emburrada ela aceitou entrar no Hatch médio de Santana. No caminho paparam em um mercado e compraram um enorme pote de sorvete, era tradição. Santana estacionou o carro na garagem e entraram pelos fundos. Na cozinha estavam Hiram e Leroy esquentando as comidas que pediram em um restaurante.

– Que decepção, dois gays que não sabem cozinhar.

– E daí, vocês são duas lésbicas que não sabem trocar pneus.

Leroy deu língua e envolveu as meninas em seus braços um pouco fortes. Hiram estava emburrado, ele não queria uma mulher se metendo nas suas vidas, mesmo que ela fosse a mãe e sua filha.

– Como esta papai?

– Muito bem pequena, e você? Anda se cuidando?

– Eh, a San me obriga fazer um monte de coisa que não quero e não fazer um monte de coisa que eu quero. As vezes acho que é só implicância.

– Por isso que eu gosto dela.

– Você gosta de todos papai.

– Na verdade de nem todos.

–Hiram, não seja assim.

Repreendeu o marido, ele sabia como tinha sido difícil convencer Rachel a aparecer lá.

– Eu amo você papai e também não estou assim tão contente com essa situação, mas eu nunca fui o tipo de pessoa que guarda rancor, não pretendo perder tempo com um sentimento tão feio.

– As vezes me pergunto a quem você puxou assim tão centrada estrelinha.

– Ao pai, de você herdei os monólogos.

Eles riram e voltaram a olhar as comidas. Santana ainda tinha um pouco de receio dos pais de Rachel que carinhosamente chamava de tios. Lembrou-se de quando pegou uma briga feia com eles. Foi três anos depois de conhecer Rachel e faz aproximadamente quatro meses que isso aconteceu.

Flashback on

– Nós precisamos fazer isso Santana, é para o bem dela.

–NÃO, EU NÃO DEIXO.

A morena limpava o rosto, enquanto as lagrimas escorriam sem vergonha nenhuma.

– Querida ela é nossa filha, temos direito de fazer o que acharmos melhor pra ela.

– Leroy esta certo San, você nos entende?

Santana enxugou o rosto e colocou sua melhor cara seria e indiferente.

– Sabe qual a diferença da gente?

Ambos balançaram a cabeça negativamente com medo das palavras frias que saiam de sua boca.

– Eu prefiro ter esta Rachel do que não ter Rachel nenhuma.

Flashback off

Tudo já estava bem outra vez. Quase tudo pra falar a verdade, mas era hora de diversão e logo Rachel e Santana estavam de biquíni na piscina. Tinham chegado logo cedo com esse objetivo, mas esperavam que Leroy e Hiram também as fizessem companhia, o que não foi possível já que esperavam visitas.

– San passa protetor nas minhas costas.

Santana saiu de dentro da água e sentou em uma das cadeiras de perto da outra morena, tirando as tiras do biquíni para fazer o serviço direito. Delicadamente massageou cada canto que lhe era acessível, era mais uma espécie de carinho do que uma ajuda com o protetor.

– Tão bom San.

Elas continuaram assim, agora com Rachel protegendo a amiga do sol. Elas deitaram na grande cadeira reclinada e se aconchegaram. Santana fazia desenhos irregulares nas costa da pequena que estava deitada do seu lado. Com os olhos fechados Santana aproximou seus lábios e sussurrou, com as duas dividindo o mesmo ar.

– Você sabe que eu te amo, não é anjo?

– Sei San, eu sei. Também te amo.

Compartilharam um beijo calmo, apenas para provarem que todo o sentimento era verdadeiro e reciproco. Elas poderiam ficar assim por séculos, a vontade era de ficar, mas lá vem a idiota da vida dizendo de novo que nem tudo é do jeito que queremos. Acabaram o beijo e sorriram percebendo a presença de Hiram do outro lado do jardim. Queriam gargalhar, mas Santana só levantou e pulou de cabeça dentro da água. Hiram se aproximou assim que notou a barra limpa.

– Só vim avisar que a Shelby e a irmã dela já devem está chegando.

– Okay tio, já vamos. A Rachel só vai aproveitar um pouquinho a água e subimos pra nos trocar.

Rachel concordou sorrindo e fez o mesmo movimento de Santana para logo parar perto dela.

– Certo. Juízo meninas. Acabamos e aparar as cercas vivas, não esqueçam que temos vizinhos.

Quando viu que o pai estava longe o suficiente abaixou as mãos na água de frente pra Santana e gritou.

– Dai da pra ver papai?

Beijou o pescoço de Santana e encostou-a na borda da piscina.

– Oh Deus, vocês não tem jeito mesmo.

Gargalharam e começaram a brincar de pega-pega. Ambas eram extremamente lentas para nadar, mas se divertiam correndo atrás da outra, Rachel abriu vantagem correndo para fora em volta da mesa com um guarda-sol em cima. Tinham combinado que já era hora de tomar banho para o almoço. Santana tentava a todo custo pegar a amiga antes dela entrar na casa, mas não foi possível então não desistiu mesmo quando entraram escorregando pela porta da cozinha e tropeçando nos tapetes da sala, passaram tão rápido e rindo que não notaram as quatro mulheres e um homem, juntos com Leroy e Hiram na sala.

– Me aguarde Berry, eu vou te pegar.

– Não San, para eu... hahahhahaha... Você não me pega.

– Você está tão ferrada Rach.

Soltou uma gargalhada engraçada enquanto subiam as escadas. Com todos observando a cena um tanto divertidos e perdidos. Judy olhou sugestivamente para Quinn. Ela poderia ver a filha dela daquele jeito com outra menina era até fofo.

– Desculpem por isso. Vocês sabem crianças como são.

– Oh eu sei, eles acabam com nosso emocional.

Russel comentou com o rosto franzido em uma careta. Ele ainda tinha uma solida base religiosa que precisava ser quebrada aos poucos, mas já era um avanço.

– Desculpe pela intromissão, mas elas são só amigas?

Leroy riu e Hiram se segurou.

– Digamos que é complicado.

– Ela está tão linda.

Até agora nenhum deles havia notado Shelby com os olhos brilhando ameaçando transbordar. Hiram a olhou de lado, se sentindo mal por está tão perto daquela mulher.

– Esta está mais magra do que na foto.

– Estamos cuidando disso. Ainda bem que ela tem a nós e a Santana.

Hiram soltou amargo. Leroy olhou com reprovação para o marido, realmente eles estavam cuidando da dieta da Rachel, mas não precisava jogar na cara de Shelby que ela não estava lá para fazer isso também.

– Hey não chore. Viu que ela esta feliz? A quero assim por um longo tempo ainda.

Leroy era muito sincero e tentava acalmar a mulher.

– Estamos comemorando afinal.

Todos sorriram um pouco, alguns mais alheios a tudo e outros com cara feia, no caso do Hiram e continuaram conversando sobre coisas aleatórias, nem pareciam uma família cheia de problemas.

– Eu disse.

Brittany falou baixo somente para Quinn ouvir.

– Totalmente estranho.

– Eh, têm uma ligação estranha entre elas. Mas pense pelo lado positivo.

– Que lado positivo?

– Como elas tem esse negocio você pode ficar vendo elas se pegarem por mais algumas horas.

– Cala a boca.

Riram chamando por alguns segundos a atenção de todos. Logo já estavam confortáveis de novo.

– Dá pra acreditar que o papai esta conversando com um casal de gays, que adotaram a filha da tia Shelby que por acaso é a mesma que vimos no metrô naquele dia? E ainda dizem que sereias não existem

Voltaram a prestar atenção na conversa chata e sem nada interessante sobre empresas e negócios que se desenvolvia com os homens presentes.

Rachel e Santana finalmente desceram já apresentáveis e de mãos dadas.

Notas finais
Antes que alguém fique com raiva: sou Faberry até morrer okay? Juro que no próximo teremos mais interação delas, mas admitam Pezberry é uma ótima amizade colorida. Já sei como será o primeiro beijo Brittana e estou pensando em como será de Quinn e Rachel