Dating Simulator
5 Game Over
Notas iniciais
Muramasa estava correndo.
Não sabia exatamente onde era o seu destino, então precisava correr antes que fosse tarde demais, mesmo que derrubasse pessoas pelo caminho ao esbarrar nelas com mais força.
Tinha sido tão estúpido.
Finalmente tinha reunido coragem para chamar Jon para sair. O garoto, tão batata quanto a reputação afirmava ser, aceitou sem questionar muito, e os dois saíram para tomar sorvete. Muramasa estava tão confiante, já que sorvete era uma das situações para a qual tinha se preparado. Tudo estava favorável.
O carpinteiro parou em meio às fileiras e mais fileiras de cadeiras, girando o corpo de um lado pro outro em busca de algo.
As coisas não foram nem um pouco parecidas com o treino. Mesmo não sendo mais mudo, Jon falava pouco. Parecia sempre desinteressado ou desanimado. Tomou o sorvete sem fazer a menor ideia do que aquilo significava, sem perceber o tamanho esforço que o moreno precisara fazer para chegar naquele ponto.
Por fim identificando o número correto entre tantos outros, Muramasa disparou naquela direção, passando pela segurança tão rápido que o pararam. Ele estava extremamente impaciente enquanto o revistavam e não encontravam nada de metal – na pressa, deixara a bolsa de ferramentas em casa.
Muramasa se sentia desiludido ao pagar a conta e colocar o mímico em um táxi de volta aos dormitórios. Tinha ido tudo ‘certo’. Tivera seu encontro de um jeito ou de outro, e Jon não o odiava. Ele arriscava dizer que Jon até gostaria de um segundo. Então por que o carpinteiro não sentia... Nada? Não estava feliz. Não estava nem triste, também, ou decepcionado. Só... Não sentia nada.
Assim que a segurança o liberou, ele voltou a correr, diminuindo a velocidade o suficiente pra não ser parado outra vez. Não via o que procurava. Não estava em lugar nenhum. Correu na direção da porta, mas foi barrado ali.
Ele não entendia. Sentia desesperadamente falta de algo, e ao mesmo tempo não precisava mais de Jon. Sora certamente saberia a resposta. Também tinha que contar a ele que conseguira o encontro. Mas Sora não estava em parte alguma da escola.
“Bom, é claro” Alyshie o respondera quando perguntou a ela sobre, com ar de que era óbvio. “Sora-chan é o Ultimate Diplomata. Ele só estava na escola por tanto tempo por causa da nossa missão, mas o trabalho dele precisa que ele viaje bastante. Como vocês já tiveram o último dia, imagino que ele esteja se preparando pra ir pra outro país agora.”
— Não pode entrar aqui sem passaporte ou passagem. — o segurança tentou lhe dizer, o prendendo na porta.
Ele não podia sair comprando passagens para todos os aviões daquele dia. Tentou ligar para Sora outra vez, novamente sem atender.
Até que, do outro lado do aeroporto, conseguiu enxergar seus cabelos loiro-morango. Muramasa voltou a correr.
Foi só quando chegou ao dormitório depois das aulas e viu o gato de pelúcia sobre a cama que ele ligou todas as peças. Depois de tudo... A pessoa que o encorajara no bosque de cerejeiras, que se interessava quando ele falava, que quase se sacrificou para que vivessem na neve, o impelindo a persistir, que o fez se sentir querido e lhe deu afeto...
— SORA!! — Ele gritou, ainda na metade do caminho até o outro portão. Jamais chegaria a tempo de pará-lo de embarcar, mas sua voz grave e retumbante o alcançou. O diplomata virou a cabeça, surpreso, na direção dele, o telefone pendendo da mão que usava em alguma possível ligação para trabalho.
O chaveiro de castor de fato ainda pendia do aparelho.
— Me desculpe. Eu não pude ficar com Jon. — ele começou, criando coragem, ainda sem conseguir olhá-lo. Sora, ainda surpreso, pousou a mão em seu ombro, a voz tentando soar animadora.
— Ah, Muramasa, não tem problema. Você só precisa continuar tentando, que uma hora ele vai...
— Não, eu saí com ele, e ele gostou.
— Huh..? Isso é uma boa notícia, então.
— Mas eu não gostei. Eu não... — ele se embolou. Tocou seu talismã oculto no bolso pra se recompor, e por fim ergueu o olhar para encarar o diplomata confuso. — Nunca seria capaz das coisas que querem que eu faça. Jon precisa de alguém que cuide dele, sim, mas... Mas eu também. Jon jamais seria a pessoa pra mim, especialmente agora, que eu... — sua voz morreu devagar. Não era de falar muito e era raro Sora passar tanto tempo calado, mas precisava ao menos terminar aquela frase. — ...Que eu estou apaixonado por outra pessoa.
— ...Oh. É mesmo? Bom, é uma pena, é claro... Quero dizer, no fim das contas a garota não era tão perigosa, mas eu ainda estava torcendo por você. Achei que ele pudesse te fazer feliz. Talvez essa nova pessoa possa? Você deveria tentar com ela.
— ...Mas é exatamente o que estou tentando fazer agora... — ele murmurou, a coragem começando a desaparecer à medida que seu rosto avermelhava. — Sora, eu... Não sei bem como, mas eu... Quer dizer, com você...
A ficha do diplomata finalmente caiu. Largando o celular, ele estendeu rapidamente a mão agora livre na direção do rosto do carpinteiro. Muramasa automaticamente reagiu se encolhendo e fechando os olhos – esperava um tapa, no mínimo, estava acostumado a só ver esse resultado depois de uma mão estendida graças à criação severa do pai – mas não podia estar mais enganado.
Sora o beijara.
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Alyshie tirou os óculos escuros e a máscara cirúrgica de gripe do rosto com uma expressão satisfeita. Muito bem disfarçada com essas coisas, roupas largas e um boné (como Hyuuga lhe ensinara), pôde assistir em primeira mão ao beijo que finalmente tinha acontecido, e depois assistiu também quando Sora comprava uma segunda passagem e levava o carpinteiro consigo na viagem.
Agora que os dois haviam sumido pelo portão de embarque, Alyshie pagou pelos donuts que consumira ali na lojinha do aeroporto, e seguiu para fora, saltitante ao recordar de sua jornada heroica.
Sora estava triste que seu amor estava com outra pessoa. A conclusão lógica era de que Sora precisava de um amor também. Alguém que também ficasse triste com as notícias sobre Jon era simplesmente perfeito.
Alyshie sugerira a Hikaru o teste de coragem. E fez isso em um dia em que a previsão do tempo mostrava chuva forte durante a madrugada. Hikaru pareceu feliz com a ideia e fez tudo como ela esperava.
Na Nova Zelândia, onde não estava presente, Todd foi seu ajudante. Ele começou a guerra de bolas de neve atirando a primeira em Hikaru. Ele também foi quem removeu todas as placas de sinalização que deveriam existir pela floresta. Se os dois parecessem perdidos demais, ele quem chamaria a ajuda a tempo.
Não teve nada a ver com as compras além de ter dado a ideia, embora aquilo também tivesse acabado muito bem, mas foi ela quem pediu a Mitsuru que levasse os fogos de artifício para a praia.
Enquanto entrava no táxi, Alyshie se sentia extremamente feliz. Não tinha prova alguma de que seus esquemas dariam qualquer tipo de resultado, mas acreditava fielmente que o amor vence. E, para aqueles dois, seu empurrãozinho foi o suficiente para garantir essa vitória.
— Hyuuga-onii-chan vai ficar tão orgulhoso!! Quem eu deveria ajudar agora? — ela bateu levemente o dedo contra o queixo, pensativa um segundo, entendeu ergueu os braços empolgada. — ...Mitsuru-san!! Dating Simulator: Staato!
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