Darkness to Kill

11 Me decidi!!


Notas iniciais
Gente desculpaa por demorar tanto a postar!! Mas é que eu estou estudando a tarde e simplesmente não tenho tempo para fazer nada. O único horário do dia disponível é a manhã, Porém aqui em casa esse é o pior momento para se fazer qualquer coisa...(sério é mtt movimentado e ninguem te deixa fazer nada) De noite fica difícil escrever estando tão tarde e a luz não ajudaaa!! e para piorar preciso pegar ônibus para estudar, ficco mtt cansada!! A única coisa que penso é na cama... Só tenho fim de semana para escrever, e confesso que tive que deixar de fazer uma montanha de dever e trabalho para me dispor a escrever... Por isso peço que tenham paciência e não me cobrem!! Não tenho dia exato para postar. E antes que perguntem não pretendo abandonar ok?! Boa leitura!! :3

Estava em um velho galpão, que aparentava estar abandonado. Um garoto loiro estava amarrado numa cadeira. Andei em volta dele, mas não controlava meu corpo, e nem minha fala. O garoto gritava horrorizado olhando para frente. Instintivamente o “meu” corpo olhou para onde ele olhava. Mas lá só havia escuridão. Estreitei os olhos, focando melhor e percebi uma forma masculina no meio daquela sombra. Me aproximei, apesar de o garoto não estar preocupado com a minha presença. Ele não tirou o olhar do homem. Fui em direção a sombra, mas de súbito o garoto parou de gritar, e virei o pescoço para vê-lo. Sua cabeça pendia sem vida para baixo. Um líquido vermelho começou a escorrer de seu rosto e pingava no chão de forma uniforme. Voltei o olhar em direção a sombra, e me assustei. O homem agora estava a poucos centímetros de mim. Cambaleei para trás, e tropecei, caindo no chão. Não consegui distinguir as feições do rosto dele. Uma escuridão cobria seu rosto. Mesmo sem ter o controle do corpo, percebi que sentia um enorme terror e não conseguia me mexer. Mexi os olhos trêmulos em direção a algo que ele segurava em sua mão esquerda. Ele agarrava com as mãos sujas de sangue, os cabelos dourados de uma garota. Ela estava com os joelhos no chão e com a cabeça baixa. Igual ao garoto. Os olhos fixos no vazio. A inexistência. Reconheci ela, era a Sophia. Lentamente ela começou a levantar a cabeça, e no momento que nossos olhares se cruzaram senti uma falta de ar, acompanhado de um arrepio. Sophia me olhava com tanto ódio e amargor, como se me culpasse por tudo de ruim que estivera acontecendo na vida dela. E nesse instante todas as minhas memórias tristes vieram à tona. Sempre havia pensado que Sophia me culpava por eu ter entrado na vida dela. Quem poderia querer uma irmã bastarda? Existe aquele papo, de que o que realmente importa são os laços do coração. Bobagem. Na vida real isso era apenas uma fantasia. Obviamente ela sempre me tratou bem, e parecia não se importar com isso, mas no fundo eu sabia que ela me culpava. Eu só trazia problemas. Sempre trouxe. Sou o azar em pessoa. Trazendo-me de volta a realidade, Sophia começou a mexer a boca tentando pronunciar uma palavra. Porém não saía som. E como que para confirmar minhas suspeitas, reconheci o que seus lábios queriam dizer.

— Culpa... Culpa... Culpa... Culpa... — Repetia incessantemente, enquanto uma lágrima descia pelo seu rosto.

Ela não parava de repetir. Coloquei a cabeça entre os joelhos, para tentar abafar o som. Eu era covarde, e não queria ouvir. Nunca quis. Sentia vontade de abraçá-la, mas meu corpo não me obedecia. Só queria esquecer que aquilo estava acontecendo. Quando levantei novamente o rosto, o homem já estava indo embora, e arrastava pelos cabelos Sophia. Inutilmente gritei:

— ESPERA!

O homem se virou me encarando com olhos frios, e esperou minha ação. Porém as palavras não saíam. Um desespero horrível tomou conta de todo o meu controle, e senti que estava me afogando na minha própria saliva. Meus próprios problemas. Não tinha força para pará-lo, e nem coragem para lutar. Fiquei ali imóvel, vendo-os ir embora. Comecei a chorar desesperadamente. E gritei quando senti uma onda de água fria encima de mim.

Levantei assustada, olhando ao meu redor. Jake me encarava com um copo vazio nas mãos. Estava sem camisa o que me deixou sem graça, mas não diminuiu minha raiva. Seu cabelo estava levemente bagunçado, aparentava estar dormindo meio segundo atrás. Percebi após um longo segundo que estava encarando o físico dele, e não percebi que Jake me olhava irritado.

— Qual o seu problema? — Perguntei, após me ver completamente encharcada.

— Qual o seu problema? — retrucou — Estou á três dias sem dormir, e a madame se dá ao luxo de ficar gritando.

Pensei em respondê-lo no mesmo tom, até me dar conta de onde me encontrava. Novamente lá estava eu em mais um lugar desconhecido.

— Não vou me surpreender, se acordar no “país das maravilhas”, da próxima vez. — Disse pra mim mesma.

Me tranquilizei quando vi que estava em uma cama de solteiro. Pelo menos dessa vez, não fui parar em um motel. Aparentemente aquele era um quarto normal. Com cama, livros encima da escrivaninha, alguns pôsters na parede. Aparentemente tudo normal. Exceto pela razão de eu estar ali. O mais estranho era que eu não estava amarrada e nem amordaçada. Quase como se eu não fosse uma sequestrada. Quase. De repente me recordei do pesadelo que tivera e me senti amarguradamente triste, mas não o suficiente para permitir aceitar tudo o que estava acontecendo. Levantei rapidamente da cama, e de súbito minha cabeça começou a doer, o que me fez perder o equilíbrio. Cambaleei para trás e sentei na cama novamente. Passei a mão na cabeça e senti um galo enorme na testa.

— O que aconteceu? — Olhei para Jake à procura de respostas.

Ele apenas suspirou, colocou o copo na escrivaninha e sentou ao meu lado.

— Fiz uma idiotice. Algo que eu provavelmente vou me arrepender.

— E isso seria...? — Indaguei, já tendo uma vaga resposta em mente. — Me salvar?

— Eu não diria isso se fosse você. — Jake olhou para o lado, evitando meu olhar. — Primeiramente fui eu quem a sequestrou, mas você foi tão inútil que não teve utilidade nenhuma para mim. A única coisa que fiz foi impedir que eles te matassem, já que isso também não seria vantajoso para mim.

— Você tem razão... Sou completamente inútil... — Senti vontade de brigar, mas lembrei do pesadelo e recordei de como eu uma completa sem serventia, que nem para salvar a irmã tinha vocação. — Você, meu pai, a Cristine, todos tem razão no fim das contas.

Imaginei que Jake me olharia com piedade nos olhos, ou algo do tipo. Voltando em suas palavras e dizendo que eu era completamente útil. Mas me surpreendi quando ele disse:

— Se você se sente assim, então porque simplesmente não muda?— Suas palavras me atingiram em cheio. Ele foi simples e direto. A verdade como um tapa na cara. — Não está pensando que eu vou te dar o ombro para chorar, está?

— Não é tão simples assim mudar. — Respondi. —Exige muito mais do que eu possa oferecer.

— Quem diria em? — Bocejou sonolento. — Que aquela garota, que me ofendia há pouco tempo atrás é tão fraca assim na vida real.

— Surpreendido?— Indaguei.

— Na verdade não. É comum pessoas fracas de espírito se fingirem de fortes. Como se fosse uma armadura, para protegê-las.

A conversa tinha se tornado deprimente. Quando pensei em me afogar no rio do desespero chamado Solidão, Jake mudou de assunto.

— Quanto ao seu galo... — Apontou para sua testa sinalizando o lugar. — Você caiu de cara no chão.

— Espera aí... Explica isso direito. Primeiramente o que você fez a eles?

— Eles?... Ah... eles.

— Não me diga que os matou... — Disse tomando distância entre nós.

— Apenas os deixei inconscientes.

— Essa é a forma que vocês do submundo dizem que, “apagaram” o cara?

Como se para quebrar o clima, ele soltou um riso.

— Então é assim que você me vê afinal de contas... Quis dizer da forma normal mesmo. Não os matei. Não havia necessidade.

— E se você estiver mentindo? — Considerei.

— Isso não tem como você saber.

Após um longo silêncio, falei.

— Quero ir embora, e dessa vez você não tem como me impedir.— Falei levantando de súbito e pegando um livro que estava na escrivaninha. O levantei como se fosse uma arma. Devia parecer estúpida.

Esperei uma resposta parecida com: Nem por cima do meu cadáver; Você não vai embora jamais hahaha (risada diabólica); Você vai ser para sempre minha... Talvez minha mente tenha exagerado na fantasia, mas Jake conseguiu me surpreender ainda mais quando disse:

— Vá em frente.

— O quê? — A sua aceitação me deixou confusa. — Como assim?

— Já ía por você para fora. Não faz diferença.

— Mas... Então pra que?

— Não me entenda mal. Eu só te “salvei” porque não havia necessidade para te matar. Não sei se percebeu, mas está a dois dias dormindo. E sua estadia aqui me incomodou bastante. Só me senti na responsabilidade de...

—... De?

— De te manter viva. Só isso.

Abaixei minha “arma”, enquanto considerava opções.

Percebi com a conversa, que o Jake por mais que aparentasse ser de origem duvidosa, era no mínimo um cara interessante. Tinha sido ele que havia me sequestrado... Mas havia me salvado no acidente. Aquela rua era deserta, se aparecesse alguém, e notasse algo estranho isso levaria muito tempo. Até lá já estaria morta, quem sabe? E pela segunda vez ele me salvou literalmente, de ser morta. Uma ideia no mínimo óbvia passou pela minha cabeça o que me fez decidir. Quando abri a boca para começar a falar, espirrei. E lembrei que ainda estava molhada. Jake suspirou.

— Vá tomar um banho. Vou ver se encontro alguma roupa que caiba em você.

— Quanta gentileza. — Ironizei.

Ele levantou e caminhou até a porta, o segui. Saindo do quarto tinha outro quarto, supus. Com a porta fechada, não dava para saber. Considerei que estava numa casa, e que apesar de não ser muito grande, ela era confortável. Ao todo parecia ser uma residência modesta e sem luxos. Mas mudei de opinião assim que vi um piano magnífico na sala. O piso era de madeira. As paredes pintadas em tons escuros de vinho. Não havia sinal de outras pessoas na casa. O banheiro ficava no final do corredor. Jake abriu a porta do banheiro, me convidou a entrar e se virou indo em direção a cozinha. Fechando a porta, senti uma paz e segurança que não obtive nos últimos dias. Por mais maluco que fosse toda a situação, não sentia medo do Jake. Apesar de ter muitos motivos. Observei o banheiro numa tentativa de aliviar meu sofrimento. Ele era simples. Tons claros de verde água e azul decoravam os azulejos. Olhei para o lado e vi uma banheira com água quente me esperando. Mas fui primeiro na direção do espelho. Estava horrível. Olheiras manchavam abaixo dos meus olhos. Meu cabelo estava uma calamidade. E o galo na minha testa, comprometia tudo. Estava literalmente o bagaço da laranja. Mas aquela era eu. Não adiantava fugir de quem eu era. Diante de uma situação tão desesperadora como aquela até que eu estava encarando de forma bem natural. Minha mente estava mais bagunçada que meu cabelo. Da noite para dia tudo desmoronou. A dolorosa verdade veio à tona. Uma pessoa normal também se sentiria insegura não é mesmo? Não importava imaginar outras pessoas na minha situação. Aquele era o presente. A realidade. Suspirei cansada. Tirei a camisa e percebi que havia alguns pontos na região do abdômen. Ainda estava dolorido. Tirei o resto da roupa que estava completamente suja. E agradeci por não ter acordado com outra roupa. Seria horrível descobrir que o Jake tinha me trocado. Entrei dentro da banheira e relaxei. Fazia tanto tempo que não me sentia tão bem, por somente estar viva e respirando. São coisas que geralmente passam despercebido. Durante aquele banho muitas coisas passaram pela minha cabeça, mas o principal era que havia tomado uma decisão. Finalmente. Enquanto observava o banheiro percebi que ele tinha uma janelinha, grande o suficiente para uma pessoa de estatura pequena passar. O dia lá fora estava claro aparentava ser umas 10horas. Não acreditava que tinha dormido tanto tempo assim. Acordei de meus devaneios quando Jake bateu na porta e disse que tinha deixado as roupas ali. Quando fui ver o que tinha me deixado, senti vontade de rir de tão surpresa. Esperava uma blusa gigante e uma calça masculina. Porém ele separou um vestido de alcinha de criança. Tinha ilustrado pequenos gatos. O vestido não era tão pequeno para caber numa criança, mas ainda era curto e infantil. Quando sai do banheiro e me dirigi à cozinha Jake me vendo, caiu na gargalhada. Ele comia cereal, e bebia leite. Não era o que eu esperava de uma pessoa do submundo.

— Porque diabos, você tem isso guardado? — Perguntei apontando para o vestido.

— Estava por aí.

Sua resposta foi muito vaga para se acreditar. Mas o humor do local mudou quando eu falei.

— Jake eu já me decidi.

— Decidiu o que? — Indagou enquanto mastigava.

— Eu vou ficar aqui.

Notas finais
Foi demorado, me gastou tempo... mas aí esta!! Eu espero realmente que meus queridos leitores não me abandonem, nesse meu hiato hihihi... E se alguém aí estudar a tarde e conseguir conciliar as coisas me passa a formula mágica ok?! Beijoss xx