Darkness Inside Gold
3 Changing the side
Notas iniciais
Segui andando pelo castelo sem ser seguida por ninguém, estava quase cega pela dor, uma lágrima idiota escorria seguida de outras, foi quando eu trombei numa figura alta e meio frágil. Era Dumbledore, ele tinha compaixão nos olhos e quando viu minha mão direita segurando meu braço esquerdo um pouco de compreensão cruzou seus olhos por trás do pequeno óculos.
– Olá senhorita Carrow, posso ajuda-la? – Ele sorriu docemente.
– Creio que não professor – Soltei meu braço cuidadosamente – Só estava andando pelo castelo – A ardência no braço foi diminuindo, sentia a cobra que dançava na minha pele ficar mais quieta – Desculpe-me por ter esbarrado no senhor.
– Mas o que você fazia na porta do meu escritório?
– Eu... – Olhei bem onde estava conseguindo agora pensar um pouco melhor, realmente, estava no corredor que levava para a sala do diretor, e não sei muito bem como cheguei aqui – Não sei. Acho que estava meio perdida...
– Em pleno sexto ano se perdendo dentro do castelo? Não é uma desculpa bem aceita – Ele sorriu e me entregou um pedaço de pergaminho – Espero você no meu escritório sábado a noite. Precisamos ter uma conversa boa para decidirmos algumas coisas.
– Eu fiz alguma coisa professor? – Perguntei assustada.
– Digamos que, todos nós fizemos – Ele me passava uma serenidade que eu não conseguia sentir no momento – Espero você às dez da noite, e fique tranquila, Filch já sabe de sua visita.
– Tudo bem – Guardei o pedaço de pergaminho entre meu material – Nos vemos sábado – Lancei minha mochila sobre as costas e quase corri para longe dali.
Varias possibilidades rodavam minha cabeça que, ainda não tinha conseguido compreender o por que de eu estar andando perto da sala do diretor sem perceber o que estava fazendo. Ele tinha percebido, claro que tinha percebido, será que ele iria me expulsar? Bem provável que sim! Ou me mudaria para Sonserina, era lá o meu lugar, eu estava traindo meus amigos e sabia que merecia um castigo, só não suportava a ideia de me expor para eles. Sabia que os três me julgariam e me esqueceriam, isso era fato, ninguém iria querer falar comigo, eu iria voltar para casa e ficaria lá servindo aquele cara pálida idiota.
Cheguei na sala comunal da Grifinória e não tinha quase ninguém. Estava todo mundo provavelmente no salão principal jantando e conversando com os amigos.
Percebi que estava sem fome, e decidi ir para a minha cama dormir. Não suportava a ideia de ter que deixar Hogwarts em meu sexto ano com meus amigos sabendo que eu era uma comensal da morte, mas desde já eu comecei a me preparar para esse cenário, pois Dumbledore já sabia de tudo, e sábado poderia ser meu ultimo dia nessa escola.
Pensei em como fui burra em voltar para essa escola, era óbvio que alguém iria perceber uma hora. E adormeci assim.
***
Uma semana de aulas que já começaram intensas não conseguiu tirar meus pensamentos do encontro que eu tinha marcado com Dumbledore no sábado para ter uma conversa que eu já imaginava o assunto.
Passei meu sábado inteiro na biblioteca da escola estudando e terminando algumas lições que tinham ficado pela metade. Eu me afastei um pouco do trio pelo fato de não querer sofrer muito quando for expulsa da escola.
– Quem é vivo sempre aparece – Tive que levantar a cabeça para ver quem falou isso, e dei de cara com Hermione, Rony e Harry sentados no sofá.
– Estava estudando – Sorri sem graça.
– Pode falar a verdade, estava evitando a gente – Harry tinha a cara de poucos amigos, ele estava irritado comigo e eu não suportava aquilo, não aquele olhar vindo dele.
– Não, só não estou tendo muito tempo para conversar com vocês – Coloquei uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha muito envergonhada, não conseguia nem olhar direto para eles.
– Isso é uma mentira, você não quer mais falar com a gente e fica inventando desculpas – Harry estava muito irritado, ele me olhava com raiva, eu não aguentava olhar para ele mais de um segundo, sentia uma tristeza no coração por ele estar assim.
– Harry, sua aula com Dumbledore – Rony avisou e eu só ouvi um livro escorregando para dentro da mochila e Harry se levantando para vir na minha direção.
– Depois que eu voltar quero conversar com você – Disse Harry perigosamente perto, eu tive que olhar dentro daquelas pérolas verdes, estava com tanta saudade que até deixei escapar um suspiro – Não suporto que você me ignore assim sem motivos.
– Tu-tudo bem – Gaguejei ao responder e me amaldiçoei por isso. Ele deu um sorriso de lado, deixou um beijo na minha bochecha (O que me fez ficar paralisada) e saiu pelo buraco da mulher gorda.
– Que climão ein?! – Hermione sorriu para mim mostrando que apesar de eu estar longe deles por uma semana, ela ainda queria falar comigo.
– Cala a boca Mione – Fiquei quase roxa de vergonha e fui me sentar ao lado dela.
Rony se distraiu com alguns segundo-anistas, ele gostava de mostrar que era veterano na escola e exibir um falso poder. Acabou me deixando sozinha com minha melhor amiga.
– Está realmente estudando, ou nos evitando? – Ela perguntou preocupada.
– Estudando – Disse firme olhando nos olhos dela – Você mesma sabe que N.I.E.M.s. não é coisa fácil.
– É verdade – Concordou animada – E então... Já considerou o fato que Harry Potter pode estar gostando de você? – Ela comentou bem baixo, só para eu ouvir.
– O que? Não... Somos só... quero dizer... hãn? – Me assustei muito com a possibilidade.
– É verdade. No começo da semana na nossa primeira aula de poções, ele me perguntou o porque a poção Amortentia não ter cheiro nenhum para ele...
– Aconteceu a mesma coisa comigo – Cortei ela rapidamente – Eu só consegui sentir o cheiro de perfume do Harry que estava sentado ao meu lado – Continuava sussurrando só para ela ouvir, pois a teoria de Harry estar gostando de mim me deixou perplexa.
Hermione me olhou com uma expressão de quem sabe um dos melhores segredos já existente e que só estava esperando eu perceber uma coisa óbvia.
– Você sabe que a poção estava em perfeito estado, não é? Todos conseguiram sentir o cheiro de alguma coisa pela qual somos atraídos de uma maneira inexplicável – Disse ela me lançando um olhar sugestivo.
– Por que só falhou comigo e com Harry?
– Por Merlin, Sophia! – Ela disse já frustrada – Você não faz ideia, não é mesmo? – Quando eu confirmei ela só me olhou se divertindo com a situação – Vocês sentiram o cheiro um do outro através da poção, você e Harry estão atraídos um pelo outro!
A minha expressão devia estar impagável, pois Hermione se segurava para não rir na minha cara. Sentia minhas bochechas queimando com a ideia que começou a rolar na minha cabeça. Harry é meu amigo desde o segundo ano, não era possível rolar algo entre nós além da amizade, ou era?
– Isso é tão bonito, você se apaixonou pelo seu melhor amigo. Até parece um romance que eu já li em algum lugar – Hermione tinha o olhar sonhador, e eu continuava sem palavras – Você já sabia que estava gostando dele, não sabia? – A única coisa que eu consegui fazer foi balançar a cabeça negativamente, o que fez ela ficar ainda mais surpresa.
Se eu tinha percebido que estava gostando do meu melhor amigo? Claro que não, mas a possibilidade passou algumas vezes na minha mente. Eu sabia que tinha algo estranho entre a gente desde o começo do ano, isso eu sabia. Mas sempre achei que a razão de tudo isso era por eu ter me tornado uma comensal da morte, troquei totalmente de lado da batalha e achei que Harry tinha percebido pelo menos um pouco.
– Consegue falar algo? – Hermione acenava na frente dos meus olhos para chamar minha atenção de volta para a conversa.
– Não sei – Finalmente consegui falar algo. Balancei minha cabeça para afastar os pensamentos de felicidade que insistiam em tentar invadir meu cérebro. Me lembrei do meu compromisso de hoje a noite e apaguei qualquer chama de esperança dentro de mim – Preciso arrumar algumas coisas no quarto antes de dormir Mione. Até mais – Me levantei e rumei para o quarto que eu dormia desde os meus onze anos.
Quando foi dez para as dez eu deixei alguma coisa de baixo da minha coberta que parecesse comigo dormindo, peguei minha varinha e corri para fora da sala comunal sem ser notada por ninguém que estava ali.
O castelo estava silencioso e escuro, todo barulho essa hora ficava nas salas comunais. Fiz meu trajeto até o escritório do diretor e quase dei de cara com Harry, ele saiu pouco antes de eu chegar perto da gárgula, então eu rapidamente me escondi atrás de um pilar e esperei ele passar. Harry estava animado, seja lá o que for que Dumbledore conversou com ele, ele tinha gostado disso.
– Estouros ácidos – Sussurrei para a gárgula a fim de não fazer muito barulho, o que não adiantou de nada, pois a mesma saltou para o lado e a parede atrás deslizou separadamente para revelar uma escada em espiral tudo isso com um estrondo alto quebrando o silencio da noite.
Subi as escadas e dei de cara com a porta que levava para o escritório de Dumbledore fechada, bati três vezes e ouvi um “entre” bem suave. Abri a porta e entrei pelo enorme quarto cheio de quadro dos antigos diretores.
– Boa noite senhor! – Minha voz saiu mais fraca do que eu queria, o medo já estava tomando conta de mim.
– Boa noite Sophia – Ele sorriu e acenou para que eu me sentasse – Você é muito mais parecida com o Harry do que eu imaginava – Soltou uma risada fraca. Meu coração deu um pulo no meu peito e começou a bater forte quando ele citou o nome do Harry.
– Acho que a convivência fez com que ficássemos assim – Me sentei de frente a ele ainda muito nervosa.
– Preciso perguntar: como foi sua semana de aulas? – Dumbledore estava sereno, e a única coisa que eu pensava era que precisava acabar com aquela tortura logo, não suporto enrolações quando estou nervosa.
– Foi normal, os professores não estavam brincando quando disseram que os N.I.E.M.s são difíceis, estou me esforçando bastante – Minha voz saiu mais seca do que eu gostaria, mas não pude conter.
– Que bom, fiquei sabendo que você gostaria de ser uma auror...
– Er... S-sim – Gaguejei me lembrando que isso não seria mais possível, por que agora tenho outro objetivo.
– Senhorita Carrow, eu quero que saiba que eu já estou ciente de o que aconteceu com você e gostaria de saber como está se sentindo em relação a tudo que está rolando na sua vida – Agora ele ficou mais sério, olhava direto nos meus olhos. Senti minha garganta apertar, era inevitável o choro a esse ponto, sendo que desde o meu encontro com o Lorde das Trevas eu venho lutando contra o meu emocional, hoje ele saiu fora do meu controle.
– Eu estou meio perdida Professor – Senti meu peito ser esmagado com um peso de cem toneladas, era uma sensação horrível – Me sinto como uma traidora.
– Hey, calma – Ele se levantou e coloco-se ao meu lado – Você não queria não é mesmo? – Senti a mão dele nas minhas costas.
– Não, eu não sou assim, não sou igual meus pais, mas eu fui obrigada – Deixei as lágrimas caírem pelo meu rosto livremente.
– Eu sei Sophia, percebi isso em seu primeiro ano nessa escola – Ele voltou a se sentar em sua cadeira – Mas não pude ignorar o fato de que isso ia acontecer cedo ou tarde – Ele me olhou triste, era agora, ele vai me expulsar da escola...
– Desculpe a demora professor – Ouvi uma voz bem conhecida romper a sala e passos cruzar o espaço entre a porta e a mesa de Dumbledore – Me distrai conferindo um livro novo... Boa noite senhorita Carrow.
– Boa noite professor – Limpei minhas lágrimas o mais rápido que eu consegui e me recompus.
– Creio que você já sabe o por que eu te chamei aqui Severo – Disse Dumbledore olhando para a figura vestida de preto ao meu lado.
– Então é verdade? – Snape não respondeu para Dumbledore, mas sim perguntou para mim – Me deixe ver sua marca.
– Não – Afirmei com raiva, não conseguia conter, a raiva que eu sinto por ele é automática e crescente – Não vou mostrar nada para vo...
Enquanto eu falava ele ergueu a manga da própria veste e no seu braço esquerdo eu consegui ver, era igual a minha só que parecia bem mais velha. Eu fiquei espantada, não soube o que falar, só levantei a minha manga e mostrei minha marca com um peso no coração que eu nunca tinha sentido antes. Era a primeira vez que alguém da escola via aquilo no meu braço esquerdo, eu sentia vergonha misturada com um sentimento de raiva.
– Quando foi seu encontro com ele? – Snape se sentou ao meu lado.
– No verão, meus pais me levaram até ele. O Lorde das Trevas queria me ver pessoalmente, e disse que tem uma missão para mim...
– Ele não especificou qual era a missão?
– Ainda não, disse para eu manter as aparências com Dumbledore e com Harry, mas acho que agora já era – Olhei para o diretor que só acompanhava a conversa e ele balançou a cabeça negativamente.
– Para mim você é apenas uma estudante normal – Piscou para mim e eu realmente não entendi nada.
– Por que você esta me ajudando? Quero dizer, por que vocês estão me ajudando?
– É bem simples. Severo é um comensal da morte, porém ele é fiel a mim desde que eu salvei ele na primeira guerra de bruxos, isso sim seria uma longa história – O gesto de desdém me fez ignorar a curiosidade de perguntar como isso aconteceu – Ele é, digamos, um infiltrado no inimigo. Me trás noticias e me mantém informado dos planos de Voldemort – Trinquei os dentes tentando ignorar a queimação do meu braço.
– Isso passa com o tempo – Snape me disse – Eu já nem sinto mais.
Olhei nos olhos de Snape e pela primeira vez na minha vida eu vi compaixão ali, ele não tinha a mascara de todos os dias que apresentava nas aulas. Era uma pessoa normal e não o professor tirano que eu conheço desde que tinha onze anos de idade.
– Tudo bem, agora direto ao ponto – Olhei para Dumbledore – O senhor vai me expulsar da escola?
– O que? – Ele se assustou – Claro que não, por que eu faria isso afinal?
– Bem... – Comecei já com vergonha – Você sabe o que eu sou, sabe que eu praticamente trabalho para o inimigo de todos os bruxos bons – Me encolhia em minha cadeira a cada palavra dita.
– Sim, eu sei. Severo também era para ser assim então – Mesmo querendo provar um ponto ele estava muito calmo – Mas hoje eu consigo ver ele como a pessoa que eu mais confio desse castelo – Vi de relance um sorriso passar pelos lábios de Snape e isso sim foi muito estranho, nunca vi ele sorrir antes – Você não quis isso para a sua vida, e eu te chamei aqui por que acredito no seu potencial, e quero te dar essa nova opção. Você pode continuar seguindo as trevas de Voldemort contra sua própria vontade, ou pode se juntar a nós nessa batalha para vence-lo. Uma guerra se aproxima, e um lado tem que ser tomado para conseguir sobreviver senhorita Carrow. Então, o que me diz? – Ele estendeu a mão boa na minha direção, e por segundos eu fiquei paralisada.
Considerava os dois lados, e os destinos que os dois iriam me proporcionar. De um lado a única coisa que eu consegui imaginar era morte, fosse a minha ou a de Harry, mas pelo outro lado eu conseguia ver uma esperança, mesmo que pequena, de que tudo vai dar certo no final. Escolhi com meu coração, pois não fazia ideia do que o Lorde das Trevas poderia fazer se descobrisse que eu estava o traindo, mas qualquer consequência valeria muito a pena. Eu não queria segui-lo, e muito menos servir de peça para seu jogo maligno.
Apertei a mão de Dumbledore num ato de fidelidade a ele e aos seus planos. Snape selou esse aperto de mão com um feitiço e eu senti a necessidade de servir Dumbledore crescer de uma maneira inimaginável. Iria ser fiel a ele, nem que custasse a minha própria vida em troca da vitória.
– Boa escolha senhorita Carrow, não vai se arrepender – Disse Dumbledore sorridente com nosso acordo.
– Espero que não mesmo – Tentava manter a aparência séria, mas a alegria que me invadia era fora do normal – Obrigado professor.
– Obrigado você Sophia – Ele soltou minha mão e encostou novamente em sua cadeira – Estamos sempre em ação contra Voldemort. Vou marcar outro dia para conversarmos melhor a respeito dos planos que já estão sendo executados, e daqueles que vão entrar em ação breve. Mas agora eu creio que você irá gostar de voltar para a sua sala comunal para descansar e aproveitar os últimos minutos do seu sábado – Sorriu docemente para mim, e eu senti um amor que eu não senti a minha vida inteira, era como um pai que eu nunca tive – E se lembre de manter tudo isso em segredo.
– Tudo bem, só estou curiosa para saber, como descobriu o que estava acontecendo comigo?
– Digamos que um passarinho loiro contou para Severo que me contou – Ele fez uma pausa, e o sorriso que estava em seu rosto morreu — Aquele eu sei que não consigo recuperar das mãos de Voldemort – Ele disse em menção ao Draco, claro que foi ele. Acredito que ele pense que Snape é sua fonte mais confiável nesse castelo. Pobre garoto, mal sabe a verdade – Uma pena, uma grande perda – Se lamentou rapidamente, e voltou a atenção para mim – Boa noite Sophia!
– Boa noite professor – Me levantei o mais rápido possível, dei um breve aceno para eles e saí daquele escritório com um sorriso que não cabia no meu rosto.
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