Nem sei por onde começar, a minha história de amor e não só. Ao princípio, tudo era tranquilo, até ao da que me raptaram.

Mas para começar, vou-me apresentar, chamo-me Maria, tenho 17 anos, até aquele dia e vivo em Seoul. Mas, antes disso, sou uma pessoa divertida, simpática, bem-disposta, mas nunca tive uma única amiga. É verdade, parece impossível, mas é verdade. Enfim, resolvi contar-vos a minha história, porque dum momento para o outro, tudo muda e em vez de mudar para o pior, nalguns sentidos, mas de momento mudou para melhor. Sim, já tenho amigos, esquisitos, mas são meus amigos. Mas vamos começar pelo princípio.

3 Anos antes

Estava eu, numa daquelas aulas secantes, que toda a gente tem sempre o que fazer, em vez de prestar atenção ao que o professor diz. Aqui estou eu, sentada numa das mesas, que por incrível que pareça, eram para duas pessoas, mas lá estava eu sozinha, todos os outros tinham par, menos eu. Mas esse não é um problema, desde que cheguei aqui, ninguém falou comigo, ninguém se quis apresentar e também para pedirem se podiam, se sentarem ao meu lado. Já agora, eu e mas uns colegas, eramos os únicos que estavam atentos, por causa disso, ouvia-mos dos outros, mas para mim era como o outro, não me interessava mesmo. Aqui na escola há um grupo de rapazes, tão, mas tão giros que se eu fosse gelo, derretia logo, logo. Eles são bem populares, quem me dera ser como eles, nos aspeto de ter amigos, não de ser assim convencida, por ser gira, que de gira eu, não tenho nada. Ia-me esquecendo que dois deles estão na minha turma, outros dois na sala ao lado do mesmo ano que eu, ou seja no segundo ano, outros dois estão num ano à frente, ou seja no terceiro ano e um está no primeiro ano. Tirando os outros amigos que andam espalhados por í, que também não os conheço, aliás também não conheço eles, apesar de estar-mos na mesma turma.

Até, que enfim, que a campainha tocou, estico-me para trás e levanto-me e saio da sala, vou andando pelo corredor fora até chegar à porta de saída para o jardim, que ficava nas traseiras da escola. Aquele lugar era o único em que me sentia livre e onde podia ter os meus pensamentos recarregados. Mas agora que olho em redor, hoje não sou a única a estar aqui. Vou para o meu sítio do costume e sento-me, encostando as minhas costas na árvore. Coloco os meus fones e fecho os olhos e vou para o meu mundo.