Darkness
1 Introdução
Notas iniciais
"Talvez o mundo seja deplorável, realmente. As injustiças sempre existirão, as pessoas continuarão sempre a sofrer e a morrer, sempre haverão pessoas boas e más." — O homem falou, com uma voz calma e familiar.
"Mas, sabe, houve uma época, em que tudo era diferente. Não há muitos registros sobre essa época, mas, sabe-se que terminou em uma grande guerra que desencadeou o mundo como o conhecemos. Essa grande era, na verdade, sofreu uma crise tão estrondosa que não lhe restaria outra escolha senão entrar em colapso."
" Atualmente, existem estudos que podem comprovar a existência de seres com o DNA modificado de alguma forma que ainda não é entendido. Porém, há pouco tempo atrás vazou a informação de que nesse reino podem ter existido..." — O homem olhou para as pessoas á sua frente, parecendo buscar o termo adequado — "... alguns indivíduos capazes de exercer comportamentos deliberadamente sobrenaturais. É algo que ainda não podemos explicar, levando em conta o fato de que..." — A voz do homem sumiu por alguns instantes e a televisão soltou um chiado.
" A feitiçaria foi algo levado em conta como um comportamento da época, mas ainda, inexplicavelmente, parece que algumas pessoas herdaram traços de seus antepassados que os permitem..." — Sua voz sumiu por completo e a imagem se desfez, deixando a televisão com faíscas cinzas dançando sobre a tela.
Aya suspirou e abraçou seus joelhos sobre o cobertor. Já havia assistido á fita dezenas de vezes, mas não chegava á nenhuma conclusão concreta. Havia roubado de uma biblioteca achando que haveria alguma coisa ali que a fizesse entender o sentido de sua existência.
Talvez se aquele homem ainda estivesse vivo ele poderia dizer-lhe que ela não era um monstro, que ela existia para algum propósito, que seu destino não era simplesmente viver com essa culpa, com a angústia de ser amaldiçoada.
Aya já havia nascido com a maldição. Ela fora rogada em sua mãe, Aghata, por uma feiticeira, mas Aya nunca soube o motivo. A praga que foi lançada, matou Aghata e amaldiçoou os gêmeos que estava esperando. Um parto de emergência foi feito, e os bebês conseguiram sair ilesos.
Por alguns anos, seu pai pensou que Aya e o irmão haviam se livrado da maldição, afinal. Mas, pouco mais que quatro anos atrás, os efeitos começaram a se manifestar.
Seu irmão se aproximou dela e sentou ao seu lado.
- Eu já te disse para jogar essa droga de fita no lixo. Não tem nada que preste aí. — ele disse.
Ela olhou a mochila nas costas dele e se lembrou que era segunda-feira.
- Você pode ir, eu vou estar doente hoje.
- Nada disso, você vem comigo. — Ele a puxou pelo braço, mas logo se arrependeu e a soltou.
Aya lançou-lhe um olhar nervoso e vestiu seu casaco. Ela não gostava de andar entre pessoas, pois sabia que a qualquer hora podia machucá-las. Seu irmão era o único que sabia de seu cruel segredo, apenas porque nasceu com o azar de ser o único a poder controlá-lo.
Se apenas Bruno estivesse ao seu lado o tempo inteiro, ela estaria bem.
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