Darkness

21 A Prophecy


– Filho, me desculpe, mas é assim que vai terminar... – Cristina coloca a mão em meu ombro e se ajoelha ao meu lado. – É assim que todos vocês vão terminar.

Nocturne se manifesta ao meu lado, mas não olha para mim. Continua olhando para cada um deles, cada um dos meus amigos.

– Dante, antes de comece o escândalo, isso não é real. – Ele deixa seus olhos baixarem até mim. – Bem, ainda não. Isso é apenas um vislumbre de seus futuros. É como todos vão terminar. Você pode impedir isso, Dante.

Pela primeira vez, retribuo seu olhar.

– Posso? – Pergunto esperançoso.

De alguma forma, eu sei que isso não é verdade. Eles não terminariam assim. Alice não beberia do sangue de Eryck até a morte, isso nunca aconteceria. Por que raios Wren e Tony se matariam? Os dois são como irmãos, que motivos teriam de tirar a vida um do outro? Não, isso não é real.

– Claro que pode. – Nocturne se ajoelha. – Seu plano é enganar Lúcifer, reunir seus amigos e por um fim a tudo isso. Já se deu conta de como Lúcifer é forte? Seus poderes são equivalentes a Deus. Você nunca conseguiria enganar Deus, então pra que tentar? – Ele tirou seus olhos de mim, voltando-os para a chacina a nossa frente. – Filho, escute-me. Aceite Lúcifer.

As palavras caíram como pedras em mim, chamando minha atenção.

Levanto a cabeça, esperando meu pai começar a rir e falar que é brincadeira. Mas ele não faz isso, apenas fica calado e observando, esperando a minha resposta. Devolve meu olhar a minha mãe, que agora deixa lágrimas caírem de seus olhos, mas não diz nada.

– Aceita-lo? – Grito. – Você ficou maluco?!

– Maluco não, apenas realista.

– Realista uma ova! Você quer que seu filho vire um monstro, um demônio...

– Lúcifer não é um demônio, é um anjo. – Corrige-me Cristina.

–... Eu não vou aceitá-lo pra ele destruir todos nós.

– Mas deveria.

Empurro os dois e me levanto, ficando de frente para eles. Os dois parecem vazios, ocos. Mas eles são seus pais, a voz de Lúcifer vem na minha mente. Eu a ignoro e olho para os dois, que agora sorriem e se levantam, ficando de pé.

– Vocês não são meus pais. – Afirmo, me distanciando.

– Claro que somos, anjinho. – Diz minha mãe, sorrindo.

– Não são! – Viro-me e começo a correr.

O lugar onde estou é como um infinito branco. O chão é completamente branco e transparente, como um vidro. Não consigo ver paredes nem teto, é como um infinito repleto de vidros, aonde eu possa me ver de todos os lados. Enquanto corro, olho para baixo, para o meu rosto. Uma forma escura esta tomando conta dele. Metade meu rosto, com a pele clara e os olhos verdes, e na outra parte, uma pele completamente negra e os olhos vermelhos, como sangue vivo. Levanto minha cabeça e acelero o passo, temendo abaixa-la de novo. Tropeço em alguma coisa e caio no chão. A minha volta, a névoa escura começa a tomar conta de mim novamente e um grito de dor morreu em minha garganta e eu fecho os olhos. Esse é meu fim.

Logo um clarão se estende a minha frente e eu abro os olhos.

Estou apoiado em uma árvore escura, cujas folhas estão rodeadas a minha volta, vermelhas e escuras, como o sangue de demônios. A minha volta, Castian, Joh, Wren, Tony e Eryck estão de costas pra mim, conversando com um homem alto e pardo, com a aparência de um surfista. O homem revira os olhos e os mantém em mim. Um sorriso se forma em sua boca antes dele gritar:

– Até que enfim acordou. – A voz dele era familiar.

Todos vieram e me cumprimentaram, ajudando-me a me levantar. O surfista logo caminha em minha direção, tem tirar seus olhos de mim, e sem tirar aquele maldito sorriso que ele possuía na cara.

– Olá, Dante.

– Olá, Lúcifer. – Murmuro, cansado. – A propósito, o que aconteceu comigo?

– Não sabemos – Tony se manifesta ao meu lado. – Sabemos que uma fumaça começou do nada, e logo depois você estava no chão, desacordado. Lúcifer apareceu segundos depois, com sua nova casca.

Seria Lúcifer que me fez ter aquele sonho estranho? Aquilo realmente foi um sonho? Acho que nunca irei saber, pois as palavras morreram em minha boca quando Lúcifer estender o braço para mim.

– Pronto para saírem daqui? – Ele perguntou em voz alta, mas seus olhos ainda estão fixos nos meus.

Todos apoiam um braço livre em Lúcifer, menos eu. Eu o fico encarando. Eu sei que sua mão não é apenas para me levar para cima, sei que se apertá-la agora, o contrato de minha vida estará com ele. Não posso arriscar por minha mão ai. Se eu me render agora, tudo que fiz para vir buscar Eryck terá sido em vão, tudo isso não terá valido a pena. Então como que eu vou sair dessa, pelo menos, por enquanto?

Depois de fazer com que todos revirem seus olhares para mim, colocou minha mão no ombro de Lúcifer, pronto para que ele nos leve para fora de ‘seus domínios’. Ele murmura palavras em outra língua enquanto desaparece, nos levando com ele.

...

Um redemoinho se formava do lado de fora do cemitério, em meio aquele campo aberto onde Alice foi atacada por Anjos Rebeldes. Lúcifer está na mesma posição, com a mão estendia a mim. Eu fico com a cabeça latejando, como se o céu estivesse caindo sobre mim, mas logo tudo para de balançar e eu vejo a mão estendida de Lúcifer a minha frente.

– Tio Lúci, você é o melhor! – Eryck exclamou ao seu lado, mas logo percebeu que Lúcifer não estava dando a mínima atenção e foi para trás, um pouco envergonhado.

Fizemos um acordo, mundano insolente.

A voz de Lúcifer começou a ecoar pela minha mente.

– Não. – Digo em voz alta.

Lúcifer me lança um olhar com o qual eu nunca sonharia que pudesse receber um dia. Um fogo começa a incendiar seus olhos, e seu rosto começa a se distorcer, como se estivesse em uma convulsão e parando. Logo a pele de seu rosto começa a sair, flutuando para cima. Seus olhos ficam negros como órbitas vazias, e logo são substituídos por um tom de vermelho mais forte que sangue de demônios, mais forte do que qualquer vermelho que eu já tenha visto. A temperatura cai ferozmente, fazendo pequenos cortes que eu tinha nos braços começarem a arder fortemente, como se fossem ser despedaçados a qualquer minuto. A pele da cara de Lúcifer já estava quase toda flutuando em câmera lenta, revelando uma espécie de pele negra. Logo todo o seu corpo é explodido, com uma luz branca, levantando fumaça.

Wren e os outros se distanciam aos poucos, com medo do que possa surgir diante da fumaça, menos eu. Eu fico encarando a fumaça, até que ela comece a sumir, revelando uma sombra escura, e asas incrivelmente gigantes nas suas costas.

A criatura tem pelo menos dois metros e meio de altura, e é todo feito de poder, tanto demoníaco, como angelical. Seus olhos ficavam mudando de um vazio profundo, para um tom de vermelho sangrento e para um branco, revelando a luz e pureza de um anjo. Pequenas elevações afiadas cobrem todo o corpo de Lúcifer, desde seus ombros, ates seus pés. Seus braços são feitos de poder, que fica circulando todo seu corpo repetidas vezes, e que deixam elevações nos braços e pernas. Seus dentes sumiram, deixando no lugar presas negras. Quando ele abre a boca, tudo que se pode ver dentro é luz, como o poder divino dos anjos, mas do lado de fora, seria o maior poder demoníaco do mundo. Lúcifer abaixa as orelhas que agora ficam mais para cima da sua cabeça e avança em direção a Wren em uma velocidade impressionante. Ele surge atrás de Wren e abre a boca, Wren se vira a tempo de um jato de gelo cobrir todo o seu corpo. Ele fica imóvel no ar, e a sua volta, o gelo cobre tudo, deixando pontas afiadas cercando Wren. Lúcifer some, deixando uma vaga poça de sangue onde esteve.

Abro a boca para gritar algo, mas uma enorme sombra cobre todo o local, o que me faz fechar a boca. Lúcifer está acima de nós, com suas enormes asas brandindo a frente da luz da Lua, como um Eclipse. Ele se encolhe no ar, e suas asas se fecham a sua volta, como se ele estivesse se protegendo de algo... Mas não está. Eu sei o que ele vai fazer.

Corro para Eryck, que está imóvel e com a boca aberta. O seguro e o jogo para cima de Castian e Joh, que estão com suas asas abertas, porém imóveis. Eles percebem Eryck vindo e o seguram, faço a mesma coisa com Tony e vou para perto de Wren, que está congelado no ar. Uma lágrima corre pelos meus olhos, como ácido. Eu reviro meus olhos de Wren e olho para Castian.

– Proteja-os, Castian! – Grito, com toda a força que tenho.

Tony e Eryck ficam no meio de um circulo que Castian forma no chão, ele e Joh ficam de um lado de circulo, brandindo suas asas e usando toda a força que tem para manter aquele circulo no lugar. Eu fico de costas pra Wren e abro as minhas asas.

Cerro os punhos com força, deixando que a parte demoníaca de mim se manifeste, e logo uma forma escura cobre meu corpo. Eu fecho os olhos, deixando que a força demoníaca e a força angelical se fundirem enquanto eu tento proteger Wren.

Quando eu opto por abrir os olhos novamente, eu estou todo prateado, como as imagens e as esculturas de Raziel e Ariel. As minhas asas negras são substituídas por algo mais claro, porém mais sombrio. As asas possuem um tom mais claro, porém com olhos e afiadas como as de Lúcifer. Vejo-me vestido com uma calça escura, deixando meu peito e meus pés expostos. Um grande símbolo cobre meu peito, um símbolo antigo e um pouco familiar. Eu estendo os braços, cerrando meus punhos de frente para Lúcifer. Reúno todas as forças que tenho e me mantenho preparado, para quando Lúcifer atacar eu usá-las para proteger Wren. Dou uma rápida olhada em Castian, que me olha, com uma cara de surpresa e admiração. Eu dou um pequeno sorriso em sua direção e volto meu olhar para Lúcifer, que conseguiu reunir força suficiente em suas asas. Ele as abre, estendendo as mãos para trás do corpo. Suas asas causam uma ventania tão forte que o chão começa a ser agredido e destruído por onde a rajada de vento os leva. Suas mãos voltam para frente do corpo e ele lança uma onda de poder negro, como um mini Big Bang. O poder se junta à rajada de vento, e tudo a sua frente é destruído. O chão começa a voar em minha direção, e todo o poder de Lúcifer vem violentamente para cima de mim, a única coisa que me vem a cabeça é usar todo meu poder como um escudo para Wren, deixando que todo aquele poder se abata contra mim. Logo meus olhos começar a doer, como se estivessem sendo destruídos por dentro e eu sinto o meu corpo todo explodir.

A Profecia está completa, mundano estúpido.

A voz de Lúcifer começa a ecoar na minha mente, como agulhas perfurando meu corpo. Fecho os olhos, deixando todo o poder cair sobre mim, deixando a escuridão dominar meu corpo, deixando todos os meus sentidos falharem. Mal tinha consciência de que um grito agudo percorria o local enquanto deixo a escuridão me levar.