Darkness

5 Adam, o Suicída


Notas iniciais
Retornando para o início da história, final da trama, aw. Último capítulo que ninguém, acho, leu ainda, e enfim. Vou dedicar e mandar um beijo pra Nahara que foi a primeira sepa a conhecer a história e se apaixonar, obrigado sua linda, por ler, e pra Izzy também por me suportar nas crises e ajudar tanto a Darkness s2

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Era uma época fria, eu não identificava a estação neste meio de chuva. O vento era fraco, muito pior, pois era de arrepiar num simples toque com minha nuca. O caminhar na ruazinha era calmo, embora houvesse razões pra me apressar. Brian estava no topo daquele prédio comercial, e não era observado. Não havia câmeras ou platéia, qualquer pessoa para fazê-lo descer ou simplesmente rir dele. Mas eu estava ali por ele, estava ali para meu irmão.

Meu passo despreocupado afirmava-se conforme eu percebia a coisa toda. Estava a passo de me culpar quando reparei que ele ainda estava lá em cima, apenas esperando uma gota de coragem para deixar tudo para trás e pular. Sorri. Não, não sorri pela idéia de vê-lo pular, pelo contrário, sorri porque Brian era um dos policiais mais corajosos que já vi, mas continuava um bundão quando se tratava de sua própria vida. Ele não pularia.

Quando cheguei à cobertura do prédio e avistei a distancia, entre nós e o chão, quase me choquei com os barris e caixotes que estavam ali.

Eu estava novamente ali, por ele, mas ele próprio nem parecia me notar quando me sentei ao seu lado na beirada do prédio.

Não me constrangi com a ausência de palavras, era comum entre nós. Era perfeito, na verdade. Nossos melhores momentos foram feitos do silêncio. Quando descobríamos, ou lembrávamos, ou somente refletíamos.

- Mamãe me contou. – Ele se referia a minha primeira tentativa... O meu primeiro... pulo.

Eu abaixei a cabeça, olhando minhas mãos no meu colo. Estavam tão brancas, esperava que meu rosto não estivesse da mesma cor.

- Eu sei.

Comentei baixinho, mais para mim do que resposta para ele.

- Que loucura!

Vi a insanidade no seu olhar e no seu sorriso. Incrédulo. Ele não acreditava que eu pudesse fazer isso por ele, mas eu faria.

- Por que fez isso? – Ele perguntou.

- Isso, o quê? – Parecia gozação com a cara dele, mas não sabia se ele se referia as cartas de despedida que programei, ou se se referia a minha primeira tentativa.

- Isso... tudo! – Ele me olhou, as lágrimas prontas para saírem, mas não saíram.

- Porque você não está sozinho. Você é meu irmão...

- Não! Não! – Era ridículo como a baba se formava na boca dele quando a abria para falar, isso sempre acontecia quando ele chorava. E foram muitas as vezes que o vi chorar.

Deixei de observar tudo a minha volta, e o encarei, triste. Seus olhos abriam e fechavam. Quando fechados, demoravam a abrir novamente. Ele respirava devagar demais, como se saboreasse, por uma última vez, o oxigênio.

- No que... está pensando agora, Brian?

Quando abriu seus olhos novamente e encarou a cidade abaixo de nós, esperei que falasse tudo o que pensava. Eu sabia que seu próprio dilema, sua própria maneira de ver a vida, me faria desistir de pular com ele, porque eu sempre desistia quando Brian falava, porque sua palavra fazia muito mais sentido que minha própria consciência. Mas ele não falou de imediato. Recuperou um pouco de seu fôlego e analisou o que fazia ali.

Ele não queria mais pular. A idéia parecia até tediosa pra ele agora. Eu sabia sem mesmo ele dizer. Não fazia sentido. Talvez fizesse sentido anos atrás quando ele sofria por uma mulher que não o queria, quando Meredith não podia engravidar, quando seu trabalho não fazia sentido, quando pessoas morriam por sua incompetência. Mas hoje, Meredith estava com ele, em casa e grávida! Não fazia qualquer sentido. Por que ele parecia tão incompleto? Por que fazia com que eu me sentisse incompleto?

Enterrei minhas mãos em seus braços quando ele me apertou num abraço surpresa. Ele reprimia seu choro tão fortemente, seu abraço não parecia uma despedida. Pelo contrário, aquele abraço dizia “Por favor, me tire daqui”.

Com cuidado para que eu próprio não caísse, o ergui sem jeito. Quando de pé, me ofereceu sua mão para uma nova chance.

- Vamos sair. – Ele sorriu. Sim, ele sorriu. E eu me sentia tão feliz juntamente. Podia jurar que havia me esquecido de qualquer problema que eu mesmo tivesse. Talvez fosse mesmo um final feliz para a história de Brian. Superação. Ele me ensinou isto de modo tão estranho. Estive a ponto de pular por ele.

Mas foi tarde quando reparei que havia pisado no falso, tarde pra dizer adeus ou qualquer palavra de amor para o meu irmão. Não percebi exatamente o que aconteceu quando me levantei, e noutro instante estava com as pernas suspensas no ar, a mão de Brian desesperada procurando pela minha. Mas sua tentativa de me salvar parecia tão em vão, olhando agora para o chão.

Fui capaz de sorrir para a dor que sentiria, para o solo longe de mim. Ainda assim, Brian inutilmente lutava por mim. Eu gritava coisas insanas para ele, socorros incompletos, mas ele não ouvia qualquer coisa que eu dissesse. Do mesmo modo, estava eu atordoado demais para ouvi-lo. Um adeus.

E então eu caí inconscientemente, e levava exatamente tudo comigo. Pra ser sincero, não pensara em ninguém ao pular, não pensara nas vidas que também se perderiam por mim. Não pensara no quão grande poderia ficar um problema, quando na verdade, você achava ter consertado tudo.

Notas finais
Nota Final: Explicando minha primeeeira nota lá. É compreensível a confusão de alguns leitores com a última parte de Darkness se comparada com a primeira parte. Se reparar bem, a primeira parte não possui nada que determine o narrador, apenas uma estranha formatação de itálico entre o texto. Acontece que a primeira parte foi uma fusão implícita de pensamentos e narrações de Brian e Adam. Notavelmente, a narração em itálico é pertencente a Brian, enquanto a narração normal é de Adam (ISSO NO PRÓLOGO). q
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