Darkness
17 Cap. XVII – A prisioneira
Notas iniciais
Eu acordei e estava meio zonza, ao meu lado estava Ruby, meio chorosa, me dizendo:
– Por que Lis? Por que você a escolheu á nós. – Dizia ela me olhando, foi quando reparou que eu estava a acordar. – Ah, você está acordando...
Eu abria meus olhos e sentia meus pés e mãos presos, uma cena que lembrou a morte de meu pai. Porém, estava sobre uma macia cama, com lençóis de veludo. Me conscientizando disse:
– Onde eu estou? – Olhei ao redor e vi um quarto com as paredes de ferro, acima de mim tinha um símbolo, que parecia ser um pentagrama com mais alguns desenhos ao redor e dentro dele. Na época eu não sabia do que se tratava, mas era uma armadilha pra demônios.
– Você está segura aqui dentro, ninguém vai conseguir te achar. – Disse Ruby pra mim.
– Eu estou com sede...
– Vou buscar água pra você.
– Não é essa sede Ruby...
– Ah... Sim... Será que eu posso?
– Pode o que?
Ela pega um pedaço de vidro que estava ao chão e corta parte do seu pulso, colocando em minha boca para eu beber. Eu me inclino pra seu braço e me delicio com o sangue, tão fresco, tão bom... Sangue de demônio, não sabia o quão perigoso era me alimentar disso.
Alguns dias se passaram, minha sede era alimentada por Ruby, fora isso não recebia alimentos, ela estava me alimentando escondida. Um dia ela entrou no quarto, empurrando uma mesinha, acordei com o barulho e olhei pra ela e pra mesa. Era a filha de Vlad.
– O que faz aqui? – Eu perguntei a ela, ainda com sono.
– Vim aqui fazer o que muitos já deveriam ter feito!!!
– Vai me matar? – Disse eu a encarando.
– Não, mas você vai desejar estar morta. – Disse ela me encarando igualmente. – Vamos ver o quanto você aguenta, também quero ver o que funciona em você. Mas como meu pai não aprovaria isso, vamos deixar entre quatro paredes. – Ela disse selando a porta.
Eu não compreendia o que ela queria dizer ao certo, mas comecei a me irritar com aquela garota. Ela descobriu a mesa, que estava coberta por um pano branco, eu pude avistar alguns itens, uma seringa, um pote com água, outro com sal, duas facas: uma longa e outra mais curta, com alguns itens escritos nela, e muitos outros objetos.
– Então... Vamos começar... – Ela pegou a faca menor, com algumas inscrições, e se aproximou de mim, encostando a lâmina em minha pele. Primeiro passou perto do meu rosto, encostando a lâmina nele sem rasgar, dizendo. – Você nunca mais vai pensar em roubar meu pai de mim. Nunca mais, com você aqui ele só tem olhos pra você, a nova criação dele, a nova aberração que ele iria investigar! Você é um monstro! Um Daywalker! Não passa de um nome pomposo pra um novo tipo de monstro.
– Engraçado você me chamar de monstro com tanta repulsa, uma vez que você também é uma...
– Calada! Eu vou fazer você calar essa sua boca! – Ela passa a lâmina pelo meu peito, o cortando.
A dor era lancinante, muito mais doloroso do que se fosse uma faca normal.
– Essa lâmina é capaz de matar demônios, sente a dor? É por que você tem sangue dessa ralé na veia, assim, você é capaz de ter suas fraquezas também!
Eu gritava de dor, meus olhos ficavam de cor magenta escuro, e eu tentava inutilmente me soltar, mas as amarras eram muito fortes para uma criança de 6 anos de idade.
Ela continuava a cortar meu corpo, enquanto tudo que eu conseguia fazer era gritar de dor.
– Não se acanhe, estou apenas começando... – Ela molhou a faca na água e continuou a me cortar.
De alguma maneira estava ainda mais doloroso que da última vez.
– O que... urgh... você fez? – Disse eu entre os gemidos de dor.
– Ora isso... é água benta, pra vocês demônios, é muito doloroso...
Ela continuou me cortando e depois dos cortes abertos ela jogou água benta neles, eu via minha carne queimar com aquela maldita água. Depois disso ela pegou o sal e o passou por sobre as feridas, era extremamente doloroso. Ela pegou um punhado de sal e me enfiou garganta a baixo, fazendo aquilo queimar, jogando junto água benta, continuou a tortura, fazendo cada vez pior. Só parou quando ouviu o som de alguém tentando abrir a porta.
– Está trancada por dentro – Disse a voz, era um dos empregados da casa que cuidavam de mim. – Quem está aí?
Ela tampou minha boca com a mão, eu a mordi, o gosto de sangue me deu forças para gritar por socorro. Ela irritava me bateu e xingou. Dessa maneira eles puderam ouvir, e notaram na hora que era sua patroa, foram correndo avisar ao seu patrão que desceu as escadas do castelo fora de si. O que ela estava fazendo com sua protegida?
Ele chegou à porta e batendo disse:
– Abra essa porta agora! Eu sei que está aí! Abra!
Ela ficou calada por um momento, enquanto eu gritava por socorro.
– O que você está fazendo com ela Marya!? Abra essa porta! – dizia ele batendo à porta.
– Eu estou fazendo o que você deveria fazer, testes! Testes funcionais, muito melhores do que exames de sangue inúteis!
– Você não deve machuca-la Marya! Abra essa porta, ou eu vou abrir, e será muito pior pra você!
Ela se aproximou da porta e a abriu. Ele entrou furioso, segurou ela pelos braços e a sacudiu dizendo:
– O que você pensa que está fazendo com ela, é uma criança!
– É um monstro!
Nesse momento ele deu uma tapa em seu rosto e disse:
– Saia daqui! Não quero ver seu rosto!
Ela passou por ele e ao chegar na porta disse:
– Você prefere essa aberração a sua família!
– Não quero ouvir sua voz, saia!
Ela saiu revoltada.
Ele se dirigiu até mim, que estava em um estado deplorável.
– Vai ficar tudo bem, sinto muito pelo que você passou, mas eu posso fazer tudo isso passar, essa dor, você só tem que se entregar.
Ele puxou a manga da camisa, mostrando-me seu pulso, era tão branco e parecia tão saboroso, ele o aproximou de meus lábios e disse:
– Beba, assim se sentirá melhor... E assim fechará um pacto comigo, fazendo isso será como uma filha pra mim... E teremos um elo, pra toda eternidade.
Ele me mostrava seu pulso... E eu mal ouvi o que ele estava falando, só me concentrei naquele pulso, de repente senti uma dor na boca, minhas presas estavam saindo, e então eu mordi seu pulso, e suguei seu sangue, como se fosse a última coisa que faria na vida, não seria, mas seria o último resquício de vida que teria em mim. Depois disso, eu estaria selando meu destino, como filha do temido Conde Drácula!
À medida que eu ia sugando seu sangue meu corpo ia se regenerando, e as feridas iam cicatrizando, não sabia o que estava acontecendo, mas era tão bom aquele sangue, era a melhor coisa que eu já tinha provado.
Ele então disse pra mim, acariciando minha cabeça com a outra mão:
– Isso mesmo, boa criança... Assim está melhor não é?
Eu balancei a cabeça concordando que sim.
– Agora já chega, você já bebeu o suficiente. – disse ele tirando o pulso da minha boca.
– Eu preciso de mais!
– Infelizmente eu não posso te dar mais. É só por hoje, já é o necessário... – Ele deu um leve beijo em minha testa, se levantou e saiu do quarto, dizendo:
– Até mais criança...
Eu passei o resto do dia me recuperando do trauma, Ruby foi me ver, e me alimentou mais. Os dias iam se passando, minha alimentação era restrita, mas agora Vlad me alimentava, além de Ruby, que o fazia escondido.
Os dias foram se passando sem maiores preocupações, o que não era bom de fato, por que assim eu só continuava no mesmo marasmo, sem modificar minha situação, como iria encontrar a Ariel? Como sairia dali? Eram perguntas que rondavam minha mente.
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