Darkness
6 Cap. VI – morte – (parte IV – A profecia)
Notas iniciais
Existe uma profecia que conta que do ventre de um ser iluminado nascerá uma criança manchada pelo sangue imundo de um demônio. Essa profecia conta que essa criança crescerá e sua luz será tão intensa que trará aos olhos que a enxergarem a escuridão. Essa profecia atravessa séculos e séculos para ser cumprida algum dia. A criança desta profecia livraria o mundo de todo mal, de toda dor, fazendo o mundo emanar uma paz suprema.
Porém, eu não acredito em profecias ou coisas do gênero, essa é apenas mais uma invenção dos humanos pra acreditar em coisas boas. Mas as línguas proféticas dizem que eu sou a criança dessa profecia... E eu, como sempre, não dou a mínima pra isso. Embora tenha sido criada por ela com esse propósito, eu não tenho a menor vontade de se fazer cumprir essa profecia, afinal, de mim não emana nenhuma luz, apenas uma escuridão permanente.
Mudando completamente de assunto, a uma esquisita regra de etiqueta vampiresca de que eles só podem entrar em uma casa se forem convidados formalmente, vou lhes contar do dia em que a permissão lhe foi dada para entrar na casa de “meus pais”.
Era um dia de chuva, Angeline havia saído para comprar seus mantimentos. Ela estava sem guarda-chuva, e estava chovendo bastante, então ficou embaixo de uma marquise esperando a chuva passar, foi quando um homem estonteantemente bonito de uns 40 anos de idade se aproximou dela, seu cabelo preto já dava entrada para alguns fios levemente brancos em sua cabeça, apesar de tudo ele era incrivelmente bonito, e Angeline notou isso. Ele carregava um guarda-chuva nas mãos e um sorriso gentil no rosto, seu charme aumentava mais quanto ele ia se aproximando.
– Boa tarde, jovem donzela. – Ele disse com uma voz sedutora. – Você gostaria de uma carona em meu guarda-chuva. – Ele virou um pouco o lado do guarda-chuva como se estivesse a cumprimentando com ele.
– Ah, não obrigada, eu irei esperar a chuva passar... – Disse ela com uma voz doce.
– Ora, não tenha medo de um estranho te oferecer uma carona em seu guarda-chuva, eu não irei lhe fazer mal. – Disse ele sorrindo novamente.
– É que... Meu marido não gostaria que eu andasse por aí com estranhos...
– Ora, então a senhora é casada... Mil perdões por isso, mas ainda assim minha proposta está de pé... E me diga, como seu marido foi capaz de deixar uma donzela tão bela sair em uma tarde de chuva sozinha e sem um guarda-chuva?
– Quando eu saí ainda não estava chovendo...
– Bem, essa chuva não vai passar nem tão cedo, então vamos fazer o seguinte... Eu ficarei aqui e nós nos conhecemos melhor, e então você poderá usar meu guarda-chuva, afinal não serei mais um estranho. – ele deu um leve sorriso e fechou seu guarda-chuva se acomodando ao lado dela em baixo da marquise. Virou-se pra ela a estendendo a mão dizendo: — Meu nome é Vladimir, Vladimir Tepes... É um imenso prazer conhece-la.Podes me chamar de Vlad se quiser. – Seus olhos agora emanavam uma cor diferente, de um preto para um magenta bem escuro, mas Angeline não notou.
Ela sorriu levemente, estendendo a mão para o senhor, dizendo:
– Meu nome é Angeline, senhor Vladimir...
Eles apertaram as mãos, se cumprimentando, ele sorria, ela estava um pouco acanhada...
– Então sobre o que podemos falar... – Disse ele passando a mão pelos cabelos grisalhos. – Precisamos nos conhecer melhor afinal...
Ela sorriu, ainda acanhada, se virou pra ele e disse:
– Tudo bem, senhor Vladimir, eu aceito sua carona...
Ele sorriu e complementou:
– Sou tão ruim assim em conversar que a senhorita logo aceitou a carona pra não me ouvir falar?
Ela riu e complementou:
– Não é nada disso, só acho que agora que nos conhecemos não terei problemas em lhe apresentar ao meu marido.
Ele sorri e abre seu guarda-chuva, pegando as sacolas dela na mão, dizendo:
– Então vamos senhorita?
– Sim vamos.
Eles caminharam... Aonde ela ia dizendo o caminho a ele, enquanto conversavam sobre diversas coisas, despreocupadamente, ela só não sabia que naquela ação seu futuro estaria fadado ao medo. Ela apenas notava como aquele homem de meia idade era tão charmoso, seus olhos em questão lhe chamavam muita atenção.
Eles chegaram a casa dela, finalmente, chegando a porta ele ainda perguntou, como para ter certeza:
– Posso entrar?
– Claro senhor Vladimir, entre...
Ele então entra na casa dela, colocando as compras na cozinha. Ela então chama Edward, e os apresenta:
– Este é o senhor Vladimir Tepes, ele me ofereceu seu guarda-chuva para vir até aqui em casa.
– Olá senhor Edward, sua esposa me falou sobre você, é um prazer conhecer um homem tão sortudo, por ter uma esposa tão bela.
– Obrigado. – Disse Edward um pouco tímido, apertando a mão do homem a sua frente que estava estendida, ao tocar-lhe Edward sentiu um frio na espinha, que o deixou com um pouco de medo. – Prazer... – Ele disse — Seja bem vindo, gostaria de beber algo?
– Ah, não obrigada, já estou de saída, só vim mesmo acompanhar sua esposa até aqui. – disse ele solenemente.
– Bom, seja bem vindo e volte sempre... – disse Angeline da cozinha guardando as compras, ela se dirigiu a ele e lhe estendeu a mão, foi um prazer conhecê-lo senhor Vladimir.
– O prazer foi todo meu, pequena donzela. – Ele beijou a mão dela e se retirou.
– Não gostei desse cara, apertar a mão dele me deu calafrios.
– Ora não fale assim, é um bom sujeito...
– Sendo bom sujeito ou não, não fui muito com a cara dele, e o que foi aquilo de eu ter uma bela mulher? Eu sei a bela mulher que eu tenho...
– Ora, ora, está com ciúmes?
– Claro que não!
– Está sim. – Ela se aproximou dele, fazendo-lhe cócegas.
– Não, pare Angeline! Pare! – Falou ele entre risadas.
– Não irei parar! – Disse ela dando em seguida uma risada de vilão de filme de terror.
– Ó como você é má, senhorita! – Disse ele fazendo cócegas nela também.
– Para Ed! Pare com isso! – Ela não aguentava tanto quanto ele e ele acabou fazendo mais cócegas nela, ele jogou ela no móvel da sala, e acabaram se beijando, bem o resto sinto que não preciso comentar...
O amor deles seria tão belo, se não fosse tão trágico... E esse foi o dia que deu abertura para o dia do medo. Um dia em que eles iriam se arrepender de terem vivido, um dia onde eles se arrependeriam de ter conhecido aqueles olhos magenta escuro... O pior dia de suas vidas, depois de suas mortes.
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