Darker Days

6 Capítulo 6 - Recém-chegada.


Notas iniciais
Gente, quero me desculpar por ter ficado tanto tempo sem postar um novo capítulo. O que aconteceu foi que eu tive umas provas de concurso público no fim do ano, e fiquei também um período sem internet... Então, eu passei no concurso. O que quero dizer é: eu estudarei em horário integral agora, mas farei de tudo para arrumar um tempinho para atualizar a fic, postando um capítulo novo toda semana! Prometo, não se preocupem. Bem, é isso! Mais uma vez me perdoem! Está aqui mais um capítulo, espero que gostem! Por favor comentem, aceito sugestões também!!:) bjs

Querido diário,

Estou fazendo o que Bonnie queria que eu fizesse. Estou aqui, de volta para a faculdade e para os estudos. Com certeza Bonnie será um dos motivos para eu concluir minha faculdade. Sem dúvidas eu sei que ela me dará forças.

Hoje tem uma festa na Whitmore, que dizem ser para a devida iniciação do ano letivo. Ela é o que estão chamando de: Marco Inicial. Honestamente? Eu não queria ir, mas preciso me distrair, continuar minha vida… Damon chegará mais tarde, e já são 12h30.

Os Originais voltaram para Mystic Falls, e abrigaram Hayley na minha (minha?!) casa. Klaus quer iniciar sua própria busca para descobrir o que quer que esteja os perseguindo, enquanto Elijah distrai essas forças viajando por aí. Porém, ele estará aqui com os irmãos em breve.

Espero que tudo se resolva, e quero ter um tempo em paz. Espero também encontrar Jeremy que está desaparecido faz dois dias.

Fecho meu diário, bufando, e sem olhar atiro-o na cômoda. Estou sentada na cama, com pensamentos de uma semana sobrecarregada — Como está Stefan e Jeremy? E Damon na sua ajuda desesperada à Rebekah para encontrar essa nova força maligna?

Observo Caroline dormindo, um anjo conturbado, mas me sinto aliviada por saber que ela não está triste mais, ou pelo menos, esconde isso muito bem. Agora, o que está diante de mim, é uma Caroline tranquila e relaxada, que esqueceu, por um momento, o mundo.

Mordo minha bochecha e decido levantar da cama.

Estou ainda de pijama — um shortinho branco e uma blusa soltinha, também branca. A primeira coisa que encaro depois de levantar é uma Elena abatida e pálida, que precisa se recompor emocionalmente. Porém, também vejo uma mulher forte e transformada — Outra Elena.

Lembro-me da minha primeira noite na Whitmore e isso me dá arrepios. Que droga, por que não consigo esquecer isso? Lembro-me também que não contei a Damon… e nem a ninguém. Vira e mexe essa lembrança me atormenta, sempre quando não há sombra dela por perto. Mas também me lembro de Bonnie aparecendo como um relâmpago na estrada. Será que era mesmo ela?

Bufo, são tantas coisas para pensar, e coloco uma mexa de cabelo atrás da orelha. Está na hora de deixar as coisas acontecerem aos poucos, como devem, está na hora de deixar a vida cuidar disto, penso — e isso de alguma forma me entusiasma.

Abro as cortinas e sinto o calor gostoso do sol no meu rosto. Sorrio para mim mesma. Sim, hoje será, finalmente, diferente.

— Tenho que me arrumar, Elena sai daí rápido! — grita Caroline e eu desligo o chuveiro com pressa. A hora está passando depressa, e isso me assusta. Com a toalha cobrindo meu corpo nu, eu saio do banheiro e Caroline, como um furacão, entra correndo.

Sorrio. Caroline está mais louca do que nos anos anteriores.

Encaro minha roupa estirada sobre a cama — uma blusa vinho soltinha, saia jeans e um par de botas escuras, que quase são de um verde musgo. Faz tanto tempo que não frequento festas, que a última lembrança é de algo, que me parece, bem distante. Solto a toalha, é hora de se arrumar!

— Damon — digo-o com uma voz arrastada.

Estamos no jardim, do lado de fora do edifício de festas, ou datas comemorativas como preferem chamar formalmente. Damon está com uma jaqueta jeans por cima de uma regata branca, uma calça marrom, e sapatos do mesmo tom.

Sinto-me tímida por Caroline estar do meu lado, sozinha. Porém, lembro-me que já ajeitei as coisas para ela. Mas ainda assim ninguém merece segurar vela, ainda mais ela que não curte muito o nome “Damon”.

— Bem, Elena, se não se incomoda vou entrar. — ela diz com uma expressão de Se contenha, estou constrangida com seu amasso com Damon ao ar livre.

— Oh, ok — digo sorrindo, e com uma consciência mais limpa. Caroline se retira ainda um pouco frustrada, de fininho. Olho para frente e Damon está me encarando com um biquinho. — O que foi?

— Vai deixa-la mesmo sozinha? Eu posso ir embora… — ponho um dedo em seus lábios. Deixando meus lábios acessarem o lugar em que meu dedo estava, sorrio.

— Relaxa. Eu já preparei tudo para Caroline, pela manhã. Você não precisa ir embora. Vamos entrar. As coisas parecem boas lá dentro.

Por sorte, não encontramos nenhum empecilho — Não havia nenhum morador fixo na mansão. E isso já era um bom sinal de que a noite seria boa, o início com pé direito.

A decoração era bem impecável, num estilo jovial, que me agradou, mas que fez Damon resmungar um pouco. Será que ele ainda não se desprendeu de sua cultura Renascentista, totalmente? Uma música numa batida alucinante invade o espaço, e luzes intensas começam a piscar.

Há uma intensa concentração de pessoas ali, festejando, gritando, com seus copos grandes cheios até a boca de bebida de diversos tipos. Alguns meninos até me cantam, e eu tenho que segurar Damon em meus braços, quando ele ameaça estraçalhar a jugular dos jovens depravados.

— Damon — resmungo enquanto o contenho em meus braços, embalando-o sem seguir a batida da música.

— Ninguém canta a minha garota — resmunga. Seus olhos estão furiosos, negros. Porém, ele perde a voz, quando meus dedos deslizavam sobre sua bochecha rígida. Posso ver a raiva evaporando; seus olhos relaxando; seu corpo armado para o ataque perdendo a tensão.

— Não precisa ficar desse jeito. — digo cada palavra com calma; uma de cada vez. — Não precisa ter ciúmes Damon, eu sou somente sua, entendeu? Somente sua. — Então suas mãos apertam minha cintura com força, e ele me puxa para si, fazendo minha boca se encaixar com a sua.

Mordo seu lábio inferior antes de sair, e abraço-o forte, pressionando minhas unhas na jaqueta. Com o queixo em seu ombro direito, minha mente vai se esvaziando aos poucos, sentindo o cheiro de Damon que preenche todo o meu cerne.

Concentro-me em relaxar e aproveitar o que a noite tem para oferecer. Lembro que decidi pela manhã que faria do dia diferente, e, primeiramente, isso tem que partir de mim.

Mas o que eu vejo me atira contra uma parede. Tyler atravessa a porta de mãos dadas com uma garota ruiva.

— Sem chance. — digo perplexa e Damon se vira para ver também.

— Não brinca. — diz ele. Abre então um sorriso pervertido — Quem é a ruiva gostosa com o lobinho?

Ergo a sobrancelha e inclino a cabeça para o lado.

— Brincadeirinha — ele passa a língua no lábio superior. Depois de um momento seguindo os dois intrusos com os olhos, me volto para olha-lo. — O que foi Elena? Por que está tão… Perplexa?

— Porque, bem, Damon, Caroline tem passado esses dias bem sozinha, então eu resolvi dar um ajudinha... E agora, Tyler volta e com uma… namorada? Não podia estar mais errado.

— Você não quer mesmo me contar desse plano não é? —Damon coloca as mãos na minha cintura e me puxa num tranco; meu corpo se chocando contra o seu. Sinto que há algo em sua parte inferior… uma ereção.

— Ah, não… Você verá com seus próprios olhos. — respondo duramente.

— Hm, não faz essa carinha, Elena, é meu ponto fraco. E já que não quer contar qual é, eu tenho outro plano muito melhor para nós. — Seu rosto se aproxima do meu; nossos corpos se atraindo como ímãs.

— E qual é?

— Esse. — Sua língua quente percorre todo canto frio da minha boca, aquecendo-os também. E deixo o quente procurar o frio enquanto foco-me em esquecer o mundo a minha volta.

Porém esquecer o exterior não é fácil. Nesse instante, rostos invadem a minha mente e não posso evitar ficar mexida. Afasto-me.

Cambaleando dois passos para trás, uma pergunta umedece-me os lábios, aprisionando meu sorriso. Como perguntar isso a Damon? Além do mais, olho para dentro de mim — estamos nos divertindo tanto. Onde está Stefan? Será que está precisando de minha ajuda? Será mesmo que devo fazer isso?

— O que foi Elena?

Perco a fala. Para onde foram minhas palavras? Agradeço por meu telefone tocar e me salvar do desconforto.

— Já venho, meu celular está tocando. — balanço o aparelho retangular.

Corro para o lado de fora. Estranho ser uma ligação privada, e descendo as escadas pressiono o botão “Atender”.

— Alô?

— Olá Elena.

Arrepio-me. Eu reconheço essa voz; metálica, diabólica.

— Katherine? — a afirmação soa como uma pergunta. Uma Katherine humana se figura em minha mente.

— Está sentindo minha falta?

— O que quer? — olho em volta para verificar que ela não está por perto.

— Nos veremos em breve e me receba bem. Sou sua única salvação.

— O quê?!

— Têm acontecido coisas estranhas com você, não é? Acredita estar tendo alucinações? Eu tenho as respostas e, acredite, não é somente você que é atingida com isso tudo.

Perco o ar, meu coração congela num solavanco.

— O que sabe sobre isso? — escuto o barulho da linha. — Katherine?! — mas é tarde.

— O que essa vadia dramática quer? — Damon resmunga encostado numa árvore. Ele pressiona o rosto com as mãos.

— Eu não sei. A última vez que a vi foi quando enfiei a cura goela a baixo… — ainda olho para a tela do celular. Contudo, o que não me deixa olhar para Damon é o fato de não tê-lo contado ainda o que tem acontecido.

Ele anda de um lado para o outro. Posso ver a raiva e a preocupação em fortes traços no seu rosto. Não posso suportar mais, a culpa me sufoca. O que sinto por ele é mais forte que eu, nenhuma mentira é capaz de resistir por muito tempo.

—Preciso contar uma coisa.

Damon não me responde; apenas me olha impassível. Posso escutar sua respiração mais controlada, o ar correndo através dos pulmões mais vagarosamente.

— Coisas estranhas têm acontecido, coisas que eu não te contei.

Crio coragem e o encaro, deixando meu telefone no segundo plano.

— Acho que estou alucinando. No primeiro dia que cheguei aqui pensei ter sido perseguida e ter visto Bonnie.

Ele espera um momento, depois sua voz é tênue.

— Somente isso?

— Havia um aviso com sangue. — percebo minha voz trêmula. No fundo, no canto mais denso de meu ser, sei que estou amedrontada.

— Aviso? — seus olhos se espremem.

— O fim está próximo.

— Mas que diabos…?

— Deve ser tudo uma grande mentira Damon, Katherine deve estar buscando refúgio agora que é humana — me aproximo dele e acaricio sua nuca — Não vai acontecer nada comigo, não vai acontecer nada com nenhum de nós.

— Elena — a voz é pesada. Ele pressiona minha nuca e seus lábios também se espremem nos meus, rapidamente. Fecho os olhos. — Aconteça o que acontecer, lutaremos juntos.

Balanço a cabeça concordando; nossas testas unidas. Esfrego meu nariz no dele antes de abrir os olhos. Minha garganta está seca.

— Se tivermos que lutar, lutaremos juntos. Sempre vencemos. Já passamos por tanta coisa, agora não seria diferente. — digo com dificuldade.

Ele me abraça como se fosse nosso último abraço — demorado, sofrido.

— Vamos ficar bem. — sussurra no pé do meu pescoço. Mas sua afirmação é cheia de incerteza.

Abraçada ainda a ele, vejo Caroline sair correndo desesperada do salão. Fico rígida, algo deu muito errado lá dentro.

Damon me solta e se vira para olhar.

— Elena?

Pego meu telefone e checo as horas.

— Está na hora. — estou ansiosa. As sobrancelhas de Damon se unem e vejo a confusão em sua expressão. Ergo o queixo para frente, apontando uma direção.

Caroline esbarra em alguém e quase cai. Mas ele segura sua mão duramente, jamais a deixaria cair. Ela reconhece aquele toque, aqueles dedos compridos e macios. Incrédula, é essa sua reação. Então, lentamente ela levanta os olhos.

— Klaus? — Damon diz no meu ombro sem deixar de olhar.

Meus lábios se repuxam para os lados.

— Ele veio. — digo contente. Klaus olha para mim por sobre Caroline e aceno de volta com a cabeça. — Agora vamos Damon, vamos entrar. Caroline e Klaus têm muito pra conversar.

Empurro Damon até o salão, e deixo o destino cuidar dos outros dois lá fora.

Tyler está dançando sorridente com a ruiva, parece feliz, e o que confirma que eles estão juntos é o beijo que eles dão na minha frente. Mas ele não parece sóbrio, eu nunca o vi tão agitado. É estranho. Esquisito. Diferente.

— O cachorrinho parece feliz. — Damon diz alto no meu ouvido; sua voz tentando atravessar o volume da música.

— Estranhamente feliz. — uno as sobrancelhas sem deixar de olhar o casal, que nem percebe que estão sendo olhados por muita gente.

— Ah, qual foi Elena, não quer dizer que tem algo de estranho nisso né?! Só porque eles parecem um pouco drogados não quer dizer que estão…

— Verdade. — digo depois de um segundo e me viro para meu par. — Melhor aproveitarmos a noite e deixar que esses dois se resolvam.

Damon abre um sorriso e começa a balançar os ombros. Ele me conduz para o meio novamente e voltamos a dançar. Pare de se preocupar tantos com os outros, minha consciência diz. Então me entrego de vez à música. É hora de viver.

Não sei que horas são ou há quanto tempo estou dançando loucamente como uma bêbada inconsequente.

Tyler e a ruiva estão saindo do prédio. Ponho o dedo nos lábios fazendo um “shiu” para Damon. Nossas audições de vampiro abertas e aguçadas.

— Mas para onde estamos indo? — diz Tyler; a voz um tanto embriagada.

— Você já vai saber.

Ele cambaleava pelos lados, quase caindo. O único apoio que tinha era a mão dela. Um híbrido fracassado e derrotado pelo álcool.

— Lucy? — agora só podemos ouvi-los.

— Pronto. Longe o suficiente desse pessoal sem conteúdo.

— O que viemos fazer aqui, sozinhos?

Silêncio.

— Quer sexo depravado aqui no campus? — é ele novamente.

Escuto estalos de beijos, depois um soco como se ela tivesse o empurrado para trás.

— Calma, vamos por partes. Se me contar o que quero saber, pode até ser que eu pense nessa sua ideia depravada.

Damon e eu nos entreolhamos.

— O quê? O que você quer saber? Vem aqui logo — a voz de Tyler é embolada. Escuto o soco novamente. — Mas o que você quer saber? Diz logo.

Ela se demora por um momento.

— Onde está Jeremy Gilbert?