Dark Wood Circus
6 Branco, branco, braco puríssimo
Notas iniciais
Fome, frio... Sensações diárias.
Cheiro ácido e forte de produtos químicos e podridão.
O processo de despertar de Miku acabou e ela abriu os olhos vagarosamente.
Não estava no “castelo”. E estava em movimento.
Já totalmente desperta ela começou a olhar ao redor.
Muito branco, muitas portas, muito comprido.
Um longo corredor com paredes e teto de gesso, portas pesadas com trancas grandes, lampadas compridas e um piso de ladrilhogelado tudo em um branco puríssimo e doentio.
Miku olhou para trás e viu uma figura humana. A pessoa era muito alto e vesia um enorme jaleco branco, com luvas brancas, uma touca branca e uma máscara cirurgica também branca. A figura humana totalmente branca empurrava algo e pareceu não notar que sua “carga” estava acordada.
A criança de cabelos verdes se encontrava em uma espécie de caixa totalmente transparente. Esta estava em cima de um carrinho de todas pesadas e barulhentas que era o que o humano estava empurrando.
Ela não sabia se entrava em pânico e ficava com medo por não saber onde estava e quem era a pessoa branca ou se começava a gargalhar de felicidade pois pela primeira vez em 12 anos Miku não estava presa naquela gaiola.
Porém, nçao importa qual fosse seu sentimento ela não iria conseguir mostrar reação pois seu corpo parecia mais pesado e ela não conseguia se mecher, sua visão estava meio embassada e a mente meio nebulosa.
Por fim, os dois chegaram a uma das pontas do corredor e seu carrinho parou de se movimentar. O homem deu a volta e puxou um enorme molho de chaves do mesmo modelo. Quando enfim achou a que desejava ele abriu o cadeado de uma das portas do lado direito.
Em seguida ele segurou sua pequena carga pelo braço, sem a menor delicadeza e a despejou no chão do novo comodo, fechou a porta e foi embora.
Miku ficou algum tempo deitada esperando retomar o controle de seus membros. Pouco ou muito tempo se passaram e finalmente ela se levantou e olhou ao redor.
Era um quarto quadrado e mais uma vez completamente branco e vazio. Não havia janelas mas Miku não se importou pois nunca havia visto coisa assim antes.
Ela virou-se na direção da porta e engatinhou precariamente até lá, tentando abri-la. Mas esta não se mechia.
Percebendo uma abertura no topo da portaa garota tentouse levantar para alcançá-la mas não consegui.
A esverdeada jamais esteve em um lugar maior que sua gaiola e nunca nem mesmo pensou em se firmar nas próprias pernas.
Enrolou seus dedos nas barras de metal que haviam na janela e com toda a força que conseguiu juntar ela puxou seu próprio corpo para cima conseguindo finalmente se estabilizar em cima das pernas.
Olhou para o corredor através da janelinha com barras de metal que haviam na janela e com toda a força que conseguiu juntar ela puxou seu próprio corpo para cima conseguindo finalmente se estabilizar em cima das pernas.
Olhou para o corredor através da janelinha com barras e percebeu que agora ele estava vazio. Á frente do seu quarto havia outro exatamente igual e com a mesma janelinha.
Miku conseguiu ver que alguma coisa residia no outro quarto.
Sentados na parede oposta à da porta haviam duas crianças exatamente iguais. Elas eram loiras de olhos azuis e ambas usavam uma grande camisa branca com os números 02-A e 02-B.
Pareciam ser de sexos opostos já que um deles tinha o cabelo mais longo e usava um lacinho branco, o qual ela se encontrava sempre arrumando, nunca satisfeita com o resultado. O garoto parecia estar mascando um chivlete invisível pois ficava abrindo e fechando a boca o tempo todo com um olhar vazio.
Miku passou a observar muito a janelinha de sua porta. Via pessoas brancas andando de um lado pro outro carregando diversas coisas. Papeis, pranchegtas, carrinhos corbertos, panos e alguns instrumentos prateados estranhos.
Ela também passava vários momentos encarando o garoto e a garota do quarto oposto e muitas vezes o garoto a escarava de volta e os dois mantinham o olhar por muito tempo.
A esverdeada passou a perceber que seu vestido (branco com um número 1 no peito) ficava cada vez menor e menos largo e que a janelinha na porta ficava cada vez mais perto do chão. Ela descobriu que barulhos estranhos apareciam quando a “noite”chegava (período que as luezes fortes e brancas se apagavam). Passos,rodas, algo sendo arrastado, gemidos de dor e incomodo (como se a pessoa estivesse fraca demias para falar algo) e alguns risinhos.
Uma “noite” ela percebeu duas figuras brancas levarem um vulto com um grande cabelo amarelo, na “noite” seguinte viu um com um grande cabelo lilás.
Eles levavam uma criança por noite.
A garota do quarto oposto acabou por desaparecer também.
Por que eles faziam isso?
Pra que eles faziam isso?
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