Dark Wood Circus
13 A Ceifadora
Notas iniciais
Ela andava de uma forma bem devagar pelo árido campo; pedras furavam seus pés e poeira fétida preenchia seus pulmões, mas ela não se importava... Já estava morta mesmo.
Seu cabelo agora estava curto e alguns tufos haviam se soltado, seus olhos era vermelhos como o sangue e seu vestido estava toda rasgado, curto e sujo; a foice em sua mão direita pesava e seu brilho era tão forte que a cegava.
O cenário começou mudar aos poucos e ela se viu em uma casa simples da classe média... Quem sabe ela teria vivido nessa casa se as coisas tivessem sido diferentes... Havia um homem desconhecido no canto da sala sentado e largado em uma grande poltrona.
Os olhos da menina ardiam pelas inúmeras lagrimas derramadas e sua boca estava rachada e seca, mesmo assim ela segurou com força a foice e rasgou a carne do homem até que seu corpo partisse ao meio.
Um grito agudo ecoou por todo o resinto e uma fumaça branca e leitosa saiu e flutuou até desaparecer por completo... A alma daquele homem... Ela olhou para o corpo destroçado no chão e viu o sangue escorrer dele e preencher a sala, o líquido grosso alcançou os pés da menina e penetrou por entre seus dedos... Ela encarou sem expreção o sangue e o corpo morto aos seus pés... Não se importava com ele, não se importava com ninguém... Não mais.
O cenário mudou novamente, não havia qualquer ser vivo ao alcance do olho, lama e água suja cobriam todo o chão e havia uma estranha névoa vermelha se espalhava por todo o lugar, o céu era nublado e preenchido de nuvens vermelhas de tons variados, além do cheiro podre de decomposição, o local também cheirava a sangue seco.
A garota suspirou... Ela era Miku... A Diva Deformada... A Ceifadora... Milênios depois de puro sofrimento no Pantano Vermelho Miku recebeu uma visita de Deus, de quem ela até hoje tinha raiva... Havia poucos ceifadores e seus anjos eram muito “puros e bons” pra tal trabalho, sendo assim ele resolveu dar uma “segunda chance” a ela e a condenou a uma eternidade de crimes sem fim... Isso não importava muito a Miku, nada mais importava para ela àquela altura... Miku viva vagando pelo Pantano Vermelho, ouvindo as almas dos condenados e as vozes falsas de seus amigos e inimigos sussurrando em sua mente... Vez ou outra ela se deparava com um demônio que, não se preocupando em saber se ela era aliada ou prisioneira, acabava torturando-a também... A vida era difícil no Pantano Vermelho...
Ela havia perguntado para Deus qual fora o fim do Dono do Circo... Alguns anos no purgatório e depois ele se “arrependeu” e foi mandado para o céu... Diferente de Miku, ele frequentava semanalmente a igreja e fazia oferendas a Deus... Ele recebeu o perdão e tinha uma plna e boa vida eterna... Miku não...
Pobre Miku...
“A foice em minha mão direita, que julga as coisas que amo, canta uma canção.
Enquanto minhas lágrimas escorrem,
a foice faz um som...
A flor de uma serena canção floresce, floresce, e afunda no pântano.
No lugar onde a luz não brota, o que será que você pensa?”
Vocaloid – Guard and Schyte
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