Dark Wood Circus
1 Bosque Negro
Notas iniciais
Na pacata cidade ecoava uma típica música de circo. Todos se reuniram em frente à carruagem. Olharam admirados para os gêmeos; um circo dos horrores. Uma garotinha de cabelos brancos e vestido vermelho chegou perto daquela pessoa... Olhou o cartaz colado na carruagem “Circo do Bosque Negro”, forçou – se a entender.
Era uma garotinha, não passava de oito anos. Ela escutou o que a pessoa de duas cabeças dizia:
“Oh você está aqui! Você está aqui” – repetiram juntos para a menina, eles sorriam amigavelmente.
“Esta noite estaremos mostrando o triste destino que alguns deste mundo levam” – continuaram, chamando a atenção de mais pessoas. “ Crianças que Deus abandonou sem descanso arrastando – se por ai. Crianças que não podem nem mesmo carregar os trêmulos membros com quais nasceram”.
A garotinha leu mais uma vez o cartaz.
“Circo do Bosque Negro...” – falou baixinho.
“Suas línguas agitadas mesmo acidentalmente choram sem cessar. As coroas de suas cabeças que acariciam as nuvens negras. Eles sorriem conforme sonham com o abraço da mãe.”
A carruagem começou a andar, levando os gêmeos em direção ao bosque. A menina curiosa segui –os, ainda escutando eles falarem.
“Oh, a deformidade!” – falaram juntos. “Deformidade”, repetiram para a menina.
“Pare para ir ver. Pare para ir ver.”
Nessa hora eles já tinham chegado, a garotinha chamada Kyioko. Estava cansada pela caminhada que havia feito.
“Eu deveria ter pedido uma carona” – resmungou consigo mesma.
Chegando perto viu duas pessoas dançando, um garoto de cabelos brancos e curtos e roupas engraçadas, e sua parceira uma jovem de cabelos loiros presos em um rabo de cavalo. Eles tinham mais de cinco metros de altura, talvez seis.
Chegando perto da barraca do circo, ela percebeu que tinha uma fenda. E colocou seu olho para espiar.
Sua pele levemente esverdeada e seu corpo magro, cheio de cicatrizes mostravam o quanto era torturada.
Diva deformada era assim que chamavam a bela jovem com patas de cabra e venda nos olhos. Ela andava graciosamente, mesmo com aquelas patas.
Atrás dela, acompanhavam os gêmeos unidos. Duas pessoas em um só corpo, ele guiavam um homem mais velho que vestia uma camisa de forca; a besta que adora comer coisas frias.
Pessoas aplaudindo o espetáculo, era tudo que os "artistas" escutavam.
A jovem diva pôs – se no centro do palco e começou a cantar a melancólica música que tinha sido feito por si mesma:
Oculto nas profundezas do bosque,
Muito longe, no preto deste caminho
Há um circo
O seu Diretor com grandes olhos grandes
E dez metros de altura.
Todos do elenco jovial
Suas formas são um pouco estranhas
Mas é divertido!
O Circo do Bosque Negro!
Uma com duas cabeças
A diva deformada.
A besta azul que devora comer coisas frias.
Alguém desejaria que eu vivesse dessa maneira?
Tão indesejável neste corpo?
Por que me olha desse jeito?
Esse rosto apodrecido
"É doloroso, tão doloroso, e não há nada que possa ser feito."
Isso foi o que ela disse.
Mesmo assim, nós ainda continuamos nesse circo
Para sempre.
É divertido, tão divertido
Esse circo é tão divertido!
Fruta podre para dissolver meus olhos
Minha pele apodrece, refletida em meus olhos
Eu quero morrer, eu quero morrer
Tire-me daqui, por favor!
Só que eu sinto como se me dissessem "Isso é impossível".
E como sempre, aquelas pessoas sortudas começaram a gritar por mais. A diva sorriu, um sorriso forçado, mas necessário. Ela queria estar no lugar deles. Talvez também risse dessa imunda situação em que estava. A diva olhou para trás vendo a besta comendo pedaços mortais de algum indigente. Meiko sempre repetia que pessoas como aquelas aberrações são indigentes. Mas a Miku – o nome da diva – repudiava aquela mulher mais que qualquer coisa.
Miku sentou – se no chão, suas “novas pernas” não aguentavam o seu peso por muito tempo. Caso ficasse em pé mais do que deveria, sua pata corria risco de quebrar – o que faria ela ser descartada da pior forma possível. Tocou no seu próprio rosto, sentindo a queimadura do ácido que a dona do circo havia jogado em seu rosto, por ter tentando fugir. Por ter tentado sair daquele inferno.
Provavelmente seria desmembrada viva e sentiria o Kaito – ou Pochi como chamava carinhosamente – comer suas vísceras.
Aqueles pensamentos assustavam a Miku. Seus companheiros, ou talvez companheiro? Sim, ela não sabia se chamava – os de “eles” ou “ele”. Eram duas pessoas em um corpo só. Duas cabeças em um corpo. Por serem gêmeos, aquilo fez com que falassem sincronizado.
Kyioko continuava a espiar pela brecha. Quem lhe chamou atenção ali foi a Diva Deformada. Ela era linda, apenas daquelas patas, podia – se dizer que se ela fosse normal seria uma das mais belas mulheres daquele continente. Todavia, daquele jeito somente achariam que ela era uma aberração.
“Ela também é um ser humano...” sussurrou. Kyioko poder ajudar a Diva, mas não poderia. Era muito pequena e mesmo que dissesse para os adultos eles iriam brigar com ela. Mas antes que pudesse voltar para casa, sentiu uma picada no pescoço e tudo ficou escuro.
“Mais uma para o nosso show” – falou a dona do circo. “Vou costurar sua boca, olhos e trocar seus membros. Conhecerá o verdadeiro inferno, querida”.
Os três que ali se apresentavam escutaram um barulho de algo caindo. Rin e Len diziam que era algo bem pesado, um corpo. Pochi, que há muito tempo não falava apenas balançou a cabeça confirmando a teoria dos gêmeos.
“O que iremos fazer?” – perguntaram juntos.
“Nada. Nós não poderemos fazer nada além de cuidar dos ferimentos da nova atração.” – respondeu tristemente Miku.
Então os três voltaram para seus respectivos lugares. O espetáculo já estava na hora de terminar.
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O corpo é distorcido a fim de se submeter a essa figura torcida
Rastejar na rua iluminada com lanternas de papel
Todos conhecem a sensação de andar pelas ruas
Essa criança tem que se encolher sozinha
Eu acho que as sombras alcançam longe
Mas os amigos que falam tem suas cinturas alinhadas
Você está atrasado antes e por si mesmo.
Oh, você está aqui, você está aqui!
Nos visite e veja ele,
Nos visite e veja ele
Nos visite e veja o Circo do Bosque Negro.
"É divertido!" disse a menininha de vestido vermelho e cabelos brancos, ela era alegre e divertida, atraia a atenção de várias pessoas.
Notas finais
Espero que tenham gostado!
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