Dark Skies

13 Cap. 12 - Revelação


Há poucos metros de onde Henry estava, ele percebeu que o lugar do chão onde antes havia poucas rachaduras, começava a quebrar furiosamente com aquele terremoto. Ele foi para perto das outras pessoas e abraçou Olivia.

– Precisamos nos esconder – Henry disse aos outros – Ele está vindo.

– O que? – Carter parecia confuso – Quem?

– Não importa – Ele respondeu – Mas ele é mais poderoso que qualquer coisa que já tenham visto, precisamos sair daqui agora! – Ele gritava pois o som da destruição ao redor deles abafavam a voz dele.

– Vamos para o supermercado!

– Vamos! – Henry gritou e eles começaram a correr até lá. Annabel e Amanda ainda estavam em choque com a morte de Lily.

Quando a nuvem de poeira começou a se dissipar, eles puderam ver a grande construção de vidro que agora estava totalmente devastada, toda a parede havia se quebrado e as prateleiras estavam no chão. Quando eles chegaram a apenas alguns metros do mercado, seus olhos arderam e sentiram um calor, logo depois de uma chama enorme surgir do chão na frente deles.

– O que é isso?! – Olivia perguntou, pulando para longe do fogo que havia queimado um pouco seu braço. Amanda soltou um grito assustado. Todos recuaram.

Henry olhou em volta, um círculo de fogo de mais ou menos vinte metros de circunferência.

– Ele não quer que a gente saia daqui – Ele lamentou, falando baixo.

– Estamos presos?! – Carter analisou as labaredas de mais de dois metros de altura. Era impossível passar por elas.

O terremoto subitamente parou de destruir tudo e as rachaduras no chão também. Tudo ficou em um extremo silêncio.

– O que houve? – Olivia perguntou falando baixo, todos ouviram perfeitamente, o silêncio era total.

– Eu não sei – Henry respondeu – Mas não é bom.

Eles começaram a andar devagar até o buraco que havia se formado no centro da rua, de dentro saia uma luz às vezes vermelha e às vezes alaranjada. Eles chegaram a uns cinco metros e pararam.

– Fiquem longe – Henry advertiu.

Após alguns segundos, eles viram duas mãos pálidas sair de dentro do buraco e flutuando, um homem belo e alto saiu de dentro do buraco. Ele tinha cabelos loiros e corpo atlético, porém, seu rosto estava descascando, em partes continha pele e em outras não, deixando a mostra sua carne. Ele deu um longo suspiro e então tocou os pés no chão. Analisando o local ao redor.

– Quem ou o que é isso? – Carter perguntou, temendo a resposta.

– Ele é a resposta, ele é o motivo de tudo o que aconteceu – Henry respondeu, sentindo uma fúria enorme.

Carter percebeu que o homem estava de olhos fechados, murmurando algo e então começou a andar.

– Carter, não! – Henry disse baixinho e foi atrás dele.

– Desgraçado! – Carter disse, despertando a atenção do homem, logo em seguida começou a disparar. Deu o primeiro – Isso é pela Lily! – Deu o segundo – Isso é pelo Jeremy! – Deu o terceiro – Isso é pelo Sean! – Deu o quarto, as lágrimas de raiva começavam a brotar dos seus olhos.

O homem abriu os olhos lentamente, as balas haviam acertado sua cabeça e coração. Ele apontou o braço para a arma e levantou, a arma saiu da mão de Carter rapidamente e seguiu o curso da mão dele. O homem despedaçou a arma sem ao menos tocá-la. Depois sorriu, enquanto os buracos das balas se fechavam. Ele apontou a mão para Carter e fez o mesmo que havia feito com a arma, jogou ele a cinco metros de distância.

– Oh meu deus! – Annabel exclamou horrorizada.

O homem, que estava a alguns metros de Henry, começou a andar em direção a ele e quando se aproximou, tocou seu rosto.

– Henry – Ele disse, sorrindo – É um prazer conhecer você.

– Quem é você? – Henry perguntou.

– Oh, desculpe, eu não me apresentei, que grosseria da minha parte – O bom humor e a tranquilidade dele eram perturbadores – Digamos que eu sou alguém que você não desejaria na sua festa. Meu nome é Lúcifer.

– O que? – Ele ficou surpreso.

– Oh, não tenha medo – Lúcifer olhou sorrindo para Carter, que se levantava do chão, com o braço machucado – Você e seus amigos vão ficar bem... Ou talvez não, mas isso depende de você.

– Por quê? O que quer de mim?!

– Eu? Nada – Ele começou a andar ao redor de Henry. Ainda sorria.

– Então por que fez tudo isso? Por que é divertido? É claro que não, tem algum motivo e não pode ser nada! – Henry ficou surpreso por não estar com medo daquela situação, muito pelo contrário, estava furioso.

– Você não deveria falar assim comigo rapaz – Ele se aproximou, segurando o pescoço de Henry, a expressão de bom humor desaparecera da sua face e seus olhos vermelhos pareciam estar em chamas – Mas eu não estou aqui para o mal – Ele voltou a sorrir e se afastou.

– O que?

– Isso mesmo, eu não sou tão mal como dizem por ai Henry, tenho uma boa vida, governo um belo lugar, ah, você deveria conhecer o inferno – Ele deu uma gargalhada – Passe lá qualquer dia desses, estaremos de portas abertas – A ironia de Lúcifer deixava Henry enjoado.

– O que você quer aqui?

– Eu quero o seu bem, estou aqui para te proteger – Ele sorriu – Sabia?

– Mentira!

– Oh não, não, não, não é mentira Henry, eu estou aqui não por que quero, mas por que algo pior está vindo por ai, e eu preciso alertá-lo, porque se você perder essa luta, o inferno vai sair bem prejudicado.

– Luta? Do que você está falando?

– Ah, seu pequeno tolo, ainda não percebeu? – Ele perguntou – Você é a causa disso tudo, você!

– Você fez isso, não eu!

– O que? – Ele sorriu – Você acha que fui eu quem fiz isso tudo? – Ele deu uma gargalhada e Henry ficou desconfiado – Não fui eu, sua anta! Foi ele, o cara do andar de cima, ele causou isso tudo, é por isso que você está nessa merda!

– O que? – Henry ficou em choque – Você está mentindo.

– Não, não estou mentindo, e posso te ajudar.

– Como posso acreditar em você?

– Eu posso destruir isso – Ele apontou para cima, o topo da cúpula ainda estava coberto de plantas.

– Como?

– É, eu posso destruir, posso provar para você que não sou o vilão dessa história!

Henry olhou para trás, viu os rostos assustados de Amanda, Annabel, Olivia cuidando dos ferimentos de Carter. Sentiu vontade de chorar, mas segurou, então se virou novamente para Lúcifer.

– Então faça! – Henry exclamou.

– O que? – Lúcifer perguntou, sorrindo.

– Se você pode nos libertar, faça!

Ele deu um sorriso maior que o outro e ficou olhando alguns segundos para o rosto ferido de Henry. As lágrimas já começavam a brotar do rosto dele, então ele levantou o braço e sua mão começou a queimar, depois disso, uma luz forte, quase como fogo, saiu da palma da mão dele como uma grande lanterna, ao atingir o topo da cúpula, as plantas começaram a morrer lentamente. Olivia e os outros olharam para cima, assustados.

Alguns segundos depois, a cúpula explodiu, fazendo chover faíscas. Henry deu um sorriso, maravilhado.

– Mas Henry – Lúcifer segurou seu braço.

– Mas? Mas o que? – Ele perguntou.

– Você não pode ir com eles – O bom humor dele se transformou numa seriedade perturbadora.

– O que? Por quê? – Ele tirou o pequeno sorriso do rosto.

– É o seu dever, você precisa detê-lo.

– Mas como?

– Henry... Você não se lembra do que seu amigo Chad disse, sobre o ritual?

O que? Como ele podia saber o que Chad havia dito?

– Como você sabe o que ele me disse?

– Essa não é a questão, você se lembra?

– Sim, ele havia dito que esse ritual servia para destruir o anticristo e blá blá blá, eu me lembro.

– Henry...

– Mas o que isso tem a ver, por que eu não posso ir?

– Henry... Você é o anticristo.