Dark Skies

11 Cap. 10 - O Início do Fim


Pela manhã, Olivia ainda estava deitada no ombro de Henry, porém, os dois estavam acordados. A figura de uma garota loira e assustada pode ser vista pelos dois no fim do corredor. Era Amanda. Ao se aproximar deles, ela disse, em tom de desespero:

– Venham aqui, vocês precisam ver algo!

– O que? O que aconteceu? – Henry perguntou, se levantando rapidamente. Olivia fez o mesmo.

– Venham! – Ela respondeu e sai andando com pressa. Os dois a seguiram até os fundos do supermercado, onde ficava a porta de emergência.

– Por que a pr... – Ele parou no meio da pergunta ao ver o que Amanda queria avisar – Oh não – Ele disse logo em seguida ao olhar para a porta de emergência, ou melhor, para o que restou dela.

A porta tinha sido brutalmente arrebentada e agora estava no chão, deixando livre a passagem para quem – ou o que – quisesse entrar.

– Que droga! – Olivia disse – Quem pode ter feito isso?

– Acho que está bem claro – Henry lamentou – Tomem cuidado – Aumentou o tom de voz, para que todos pudessem ouvir – Eles podem estar aqui dentro.

Todos sacaram suas armas e começaram a examinar o local. Ao passar pelo corredor de limpeza, ao lado das carnes e congelados, Henry e Carter sentiram um odor forte.

– Nossa! – Carter disse, tapando seu nariz – O freezer das carnes está quebrado?

– Não – Henry respondeu, curioso – Não é esse tipo de carne.

Neste momento, perceberam algo do outro lado da prateleira de sabões em pó, sombras de pés humanos, porém, não eram dois, e sim sete.

– Droga! – Henry correu até o outro lado da prateleira e quando virou, não havia nada. Nada no chão. Ele olhou para cima e percebeu a criatura em cima de prateleira, ele sacou a arma, mas ela deu um tapa na sua mão com um dos pés podres e depois pulou em cima dele.

– Porra! – Carter não hesitou, disparou duas vezes contra uma das cabeças do monstro e ele caiu no chão, imóvel.

– Valeu – Henry agradeceu, ao levantar com a ajuda de Carter – Deve ter mais desses por aqui.

– Corram para frente do mercado, agora! – Carter gritou para os outros, em seguida, correu até lá. Quando todos estavam reunidos, ele começou:

– Estamos vulneráveis, aqui não é mais seguro!

Um grito ecoou pelo local. Era Amanda. Todos se viraram confusos, e então correram até ela ao perceberem que estava sendo atacada por uma das criaturas. Antes que alguém fosse ajuda-la, ela mesma empurrou a perna contra a barriga do monstro e sacou o revolver, dando um tiro na boca dele em seguida.

– Concordo, precisamos ir embora – Ela concluiu. O sangue da criatura manchava seu rosto quase angelical.

– Peguem o que puderem, vamos sair em dez minutos! – Henry disse e as pessoas logo se espalharam. Ele caminhou até Olivia, que estava parada, olhando pela parede cristalina do supermercado – Está se sentindo mal?

Ela respondeu que não balançando a cabeça e ele a abraçou. Depois de alguns segundos de silêncio, ela quebrou o gelo:

– Quando isso vai terminar? – Perguntou, colocando a mão na barriga.

– Em pouco tempo – Ele colocou a dele por cima da dela – Eu prometo.

Dez minutos depois, eles estavam deixando o local pela porta dos fundos. Encontraram duas criaturas no beco atrás do mercado e as eliminaram rápido.

– Para onde vamos? – Annabel perguntou – Parando no fim do beco.

– Eu não sei – Henry respondeu – Para alguma casa, talvez.

– Eu já sei – Amanda interrompeu – Vamos para a minha casa, conheço um lugar seguro.

– Parece uma boa ideia – Olivia disse.

– Realmente – Henry concordou.

– Mas como fazemos isso? A rua está cheia de criaturas! – Carter avisou. Henry colocou a cabeça para fora do beco e confirmou o que ele havia dito, a rua realmente estava cheia delas.

– Vamos matá-las – Annabel interrompeu – Acho que podemos dar conta, não tem muitas.

– Eu não sei... – Henry ainda não estava confiante de que podiam fazer aquilo.

– É, eles são ágeis e perigosos – Carter disse.

– Mas nós precisamos ir, e a casa da Amanda é bem ali – Ela apontou para uma casa amarela com um jardim na frente.

Antes que Henry ou Carter pudessem discordar da ideia, Annabel saiu do esconderijo e começou a caminhar pela rua, atirando nas criaturas, os outros a seguiram e também atiraram. Quando chegaram ao meio da rua, foram cercados pelos monstros.

– Droga! – Olivia exclamou.

– Corram! – Henry disse, segurando a mão de Olivia com uma das mãos e atirando com a pistola com a outra.

Eles se espalharam e lutaram com as criaturas, de longe, Henry viu Amanda dar um tiro na cabeça de uma delas e a criatura caiu no chão se contorcendo, logo em seguida morreu. Virou-se e viu Carter dando chutes e sem seguida tiros nelas. Então virou para frente e se concentrou em uma que estava na sua frente. Antes que ele atirasse, Olivia foi mais rápida e disparou contra um olho do monstro, ele caiu se contorcendo e ela deu mais um tiro. Lily e Amanda já haviam chegado à porta da casa e estavam atirando em algumas criaturas perto de lá. Carter e Annabel correram para lá também. Agora, só restara Henry, Jeremy e Olivia no meio da rua, lutando para matar os monstros que eram muitos, os outros ajudavam de longe. Os artrópodes humanos saiam de todos os lugares, infestando a rua. Henry mirou a arma na testa de um dos monstros e pode perceber um olhar vazio nos olhos negros dele. A bala atravessou o crânio dele e o monstro caiu.

Jeremy lutava incessantemente contra um bando de criaturas que avançavam cada vez mais para cima dele. Uma delas subiu em suas costas e o fez derrubar a arma. Ele gritou, e Henry, assustado, se virou para olhar. A cena que viu foi assustadora. A criatura estava tentando morder o pescoço de Jeremy, mas ele lutava contra.

– Jeremy, não!!! – Henry gritou e Jeremy instantaneamente olhou para ele, o seu olhar era de tristeza e angústia.

– Henry corra! – Ele gritou.

O monstro levantou o punho fechado e se preparou para um soco. Uma lágrima brotou no olho esquerdo de Jeremy, logo em seguida no direito, mas era tarde demais. A criatura o segurou pelos cabelos e com toda a força, desceu o braço, atingindo a cabeça de Jeremy, a força sobre-humana do soco fez com que o punho dela atravessasse sem dificuldades a cabeça dele, saindo pela boca. O sangue voou para o chão e o olhar de Jeremy se distanciou. Estava morto. A criatura lentamente retirou a mão ensanguentada da boca dele e Henry pode ver o buraco enorme que ficara. O corpo dele caiu no chão, em cima de muito sangue, alguns dentes e pedaços da coluna vertebral, que havia voado com o impacto do soco violento. Olivia soltou um não alto e desesperado, enquanto as lágrimas que caiam pelo seu rosto sujo, entravam em sua boca, dando um gosto salgado. Henry permaneceu imóvel, horrorizado com tamanha brutalidade. Caiu no chão e colocou a mão sobre o rosto.

– Não – Ele disse baixinho – Não, não, não, não.

Carter, Annabel, Lily e Amanda estavam em choque na varanda da casa de Amanda. Annabel abraçou o namorado e chorou em seu peito. Amanda e Lily estavam com suas mãos tapando a boca, em choque com o que acabara de acontecer. Estranhamente, nenhuma criatura os atacou, muito pelo contrário, estavam imóveis no chão, como se estivessem petrificadas. Henry olhou para o céu, com os olhos ardendo por ter chorado e percebeu que ele estava mudando. De um céu claro e meio ensolarado para um cinza escuro apocalíptico. As criaturas lentamente viraram cinzas. Ninguém disse uma palavra por pelo menos um minuto.

– Oh não, precisamos entrar – Carter disse, quebrando o gelo. Annabel levantou a cabeça, ainda chorava, e então olhou para o céu.

– Nós vamos morrer – Ela disse, aos prantos.

– Oh meu deus, vamos logo!

Ele puxou Annabel pela mão e Amanda e Lily também foram atrás, mas ao abrir a porta, se depararam com algo estranho. A passagem estava bloqueada. Bloqueada por plantas. As ramificações da planta cheia de espinhos, não só bloqueava a porta, como também todas as outras entrada.

– Mas o que merda é essa? – Carter perguntou.

– Oh não – Lily entrou em desespero – Estamos mortos, estamos todos mortos.

– Calma, Lily, calma – Amanda tentou consolar a amiga, porém estava tão nervosa quanto ela – Já falamos sobre isso, nós não vamos morrer – Não conseguia segurar as lágrimas.

De repente, o chão abaixo da cúpula começou a se quebrar e de dentro saíram vários ramos da mesma planta que bloqueara a porta. Rapidamente, a planta cobriu toda a cúpula invisível.

– Não – Henry disse – Não pode ser.

– Oh meu deus – Olivia falou baixinho – O que é isso?

– É o teste final.

– Teste final? O que você quer dizer com isso?

– Quero dizer que temos que sair daqui, agora! – Ele puxou pelo braço dela, eles foram até os outros.

– Henry, você sabe alguma coisa sobre isso? – Carter perguntou.

Ele ficou em silêncio por um tempo, mas logo respondeu:

– Se os livros antigos estiverem certos, isso é a fase final.

– Fase final para que? – Annabel perguntou.

– Para o fim.