Dark Side

28 Capítulo 28-Kendall


Kendall

Desci as escadas e Rebecca estava sentada no sofá com um enorme pode te sorvete, uma colher em uma mão e o controle remoto da televisão na outra mão. Mundando de canal aleatóriamente.

Até parar em um canal chamado nickelodeon e estava passando meu desenho favorito, Fanboy & Chum Chum.

-Eu gosto desse desenho, é divertido. -Ainda estava parado na escada de vidro, olhando para a televisão. Rebecca virou rapidamente para me ver e depois virou sem dizer nada.

Ela suspirou fortemente, provavelmente irritada. Desligou a televisão onde passava meu desenho preferido e se virou novamente para mim. Depois de um tempo me encarando ela finalmente decidiu falar.

-Não vai mesmo me explicar de onde surgiram esses machucados no seu rosto? -Seu olhar transmitia toda sua tristeza.

-No domingo à noite eu me meti em uma briga e acabei me ferrando. -Disfarcei a dor com um sorriso. Ela continuou séria.

-Porque você fez isso, Kendall. Olha pra você, você está pes... -Não deixei ela terminar seu sermão.

-É por isso que eu não queria te contar. Sabia que você ia começar a tagarelar e falar que eu sou um idiota. -Tirei meus olhar de cima dela e encarava qualquer coisa menos ela.

-Eu não ia falar nada disso. Apenas que você não deveria ter escondido isso da sua família.

Familia? Que família. Que eu saiba eu não tenho familia alguma. Apenas divido a casa com uma madrasta e com a filha dela. Com meu irmão idiota e infântil e com um homem que eu costumava chamar de pai, mas agora está mais para um robô que vive no escritório. Eu não tinha um familia de verdade, pelo menos não o tipo de familia que eu queria.

Queria uma familia amoroza, presente, que se preocupe realmente um com o outro. Uma familia de verdade. Isso é a unica coisa que eu quero. É pedir demais?

As vezes eu acho que se tivesse escolhido ir morar com minha mãe no Canadá eu estaria melhor. Mais feliz. Mas não me imagino sem meus ami... ex amigos e sem a Rebecca e Kevin. Ficar aqui tinha suas vantagens!

Aqui eu podia ficar dias trancado no meu quarto e ninguém me matava quando eu saia.

-Então, o que você acha? -A voz de Rebecca ecoou em meus ouvidos, me tirando de meus desvaneios.

-O que? Desculpa eu não prestei muita atenção. -Falei sincero. -Pode repetir?

Ela arqueou uma sombrancelha e revirou os olhos claramente cansada.

-Eu disse que seu pai e minha mãe sairam para jantar com alguns negociantes. Kevin foi dormir no hotel com o Kennedy e bom... Sobrou só nós dois. Então eu pensei em nós assistirmos um filme, comer sorvete e coisas gordurosas a noite inteira. O que você acha?

-Legal. Você fica com seu sorvete que eu vou pegar no porão algumas garafas de cerveja que sobraram do meu aniversário. -Falei já indo em direção ao porão.

-Como assim? Você não vai beber. -Disse autoritária.

-Tenta me impedir. -Falei. -Você não manda em mim Rebecca.

-Quer saber? Foda- se. Você não é meu irmão mesmo. -Gritou irritada. -Bebe até cair, é isso que você gosta de fazer, não é mesmo? -Rebecca estava com os olhos lotados de lágrimas.

-Eu vou beber sim e não sei porque você está falando assim comigo. Eu nunca bebi até...

-Beber até cair? Certeza? No dia do aniversário que você andava como um bebado cambaleando por todos os lados e depois dormiu no tapete do corredor de tão bêbado que estava. Você não se lembra disso? A bebida apagou essas lembranças da sua cabeça, mas da minha não. -Falou irritada.

Eu me lembrava de tudo isso. Aquela foi a segunda vez que eu bebi na minha vida e eu tenho que confessar que exagerei um pouquinho, eu estava chateado pois meu irmão Kennedy não poderia ir na festa. Não me orgulho de tudo o que fiz naquela noite, mas nesse momento a bebida era a unica saida que eu encontrava para me esquecer dos problemas de amanhã. Quarta. Todo meu pesadelo iria recomeçar.

-Eu me lembro de tudo isso sim. E adivinha, eu gostei de tudo. Eu adoro ficar daquela forma deploravel. -Menti.

-Quer saber? Pega essa droga de bebida. -Ela deu um passo para trás para poder manter uma certa distância de mim e se jogou no sofá novamente.

Fui até o porão com dificuldade, minha perna ainda doia. Peguei as quatro garrafas que haviam sobrado e garreguei para a sala.

-Você deveria experiementar. Deveria deixar de ser a garotinha da mamãe e fazer algo errado. Sem pensar. -Provoquei. Estava apenas brincando é claro.

Deixei- as em cima da mesa e fui fazer pipoca para a Rebecca. Quando voltei para a sala Rebecca estava com uma garrafa de cerveja quase vazia em suas mãos.

-Você está bebendo? -Perguntou assustado.

-Você falou que eu deveria começar, porque não? -Ela deu de ombros e deu mais um longo gole na bebida.

-Eu estava brincando. -Entreguei- lhe a balde de pipoca, ela recusou e voltou a beber. Arregalei os olhos, ela estava mesmo fanzendo isso?!

No meio do filme as quatro garrafas já haviam sido bebidas e o líquido tão desejado agora por mim e por Rebecca havia acabado.

-Porque você pausou o filme? -Perguntei me virando em sua direção.

-Tenho uma coisa mais legal para nós dois fazermos. -Ela veio para cima de mim e me deu um beijo.

No começo eu recusei o beijo e até tentei afastá- la, mas depois me entreguei de uma vez. Era caloroso, sexy, quente, tinha gosto de bebida barata. Mas era viciante. Depois do primeiro beijo logo veio o segundo, terceiro, quarto... E não ficamos apenas nos beijos.

Fiquei por cima de Rebecca no sofá, ela tentava sem sucesso tirar minha camiseta. Parei o beijo e ajudei- a com isso. Meus beijos agora estavam em seu pescoço, dando chupões e mordidas leves.

Iriamos bem mais longe do que isso se nós não tivessemos ouvido o barulho do carro de meu pai entrando na garagem. Me levantei rapidamente, coloquei minha camiseta. Rebecca arrumava sua roupa também. Eu corri para a mesinha de centro da sala e peguei todas as garrafas e joguei- as no lixo. A porta se abriu.

Cassie ou melhor, minha madrasta e papai entraram pela porta.

-Olá crianças. -Papai comprimentou rapidamente e foi em direção ao seu escritório.

-Finalmente o Kendall decidiu sair do quarto. -Cassie disse vindo em minha direção.

-Era necessário sair em algum momento. -Falei.

-É verdade. -Cassie se aproximou ainda mais. -O que é isso? -Ela colocou a mão em cima do roxo no meu rosto e passou os dedos pelo corte perto de minha boca. -Onde você se machucou? O que aconteceu?

-NADA. -Eu e Rebecca respondemos ao mesmo tempo.

-Não foi nada.- Reforcei.

-Ele bateu o rosto... Bateu o rosto no balcão da cozinha. -Mentiu Rebecca.

Ela nos olhou desconfiada. Primeiro para mim e depois para Rebecca.

-Vou fingir que acredito. Tô de olho em vocês. -Ela subiu para seu quarto sem dizer mais nada.

Eu e Rebecca nos encaramos e começamos a rir.

-No balcão da cozinha? Fala sério. Ela deve ter achado que eu sou uma anta. -Falei rindo. -Eu duvido muito que ela tenha acreditado.

-Minha mãe é burrinha. Ela vai acreditar. -Ela encostou seus lábios em meus ouvidos e disse baixinho. -Pena que eles tenham chegado, se não você não me escapava. -E depois deu me um selinho.