Notas iniciais
Oi, queridas pessoas! Essa é uma história original e como de praxe, estou totalmente nervosa com ela, afinal eu acho que ninguém irá lê-la, tampouco deixar reviews, então por favor prove que estou inteiramente errada e me ajuda a continuar a escrevê-la com seu incentivo valioso. Obrigada e boa leitura ♥

Capítulo 01 — Os resultados

Lucille Ivanov caminhava ansiosamente pelo calçamento cinzento que cercava as casas da província em que morava desde o seu nascimento, logo atrás da menina estava sua mãe, Nelly Sonenclar. As ruas da província estavam vazias, Lucille achava tudo aquilo muito estranho, não era comum ver as ruas sem aquela confusão com a qual já estava habituada mas quando ela e sua mãe viraram na rua do Centro de Serviços da Província entenderam o motivo das ruas estarem tão vazias, todos os moradores da província pareciam ter escolhido o mesmo horário para ir até o CSP, afinal era o dia dos resultados da prova anual aplicada pelo governo e não poderia ser diferente.

—Parece que vamos ter que esperar um pouquinho mais, Lucy. — diz a senhora Ivanov com um sorriso no rosto, os dedos acariciando os cabelos negros da filha.

A menina assente silenciosamente e senta-se no meio-fio, o coração acelerado como nunca. Lucy só conseguia pensar na maldita prova do governo desde que a fizera, três meses atrás, assim como todos os jovens prestes a ingressar no ensino médio do país. E quando pensava no resultado só conseguia lembrar-se de seu irmão, dois anos atrás, Elliot também prestara o exame e há exatos dois anos estivera exatamente no lugar de sua irmã, esperando ansiosamente o resultado, mas quando o pegou descobriu que não fora o suficiente, ele obtivera uma média muito baixa e por isso fora enviado para os Centros de Estudo Básico do governo que não passava de centros de trabalho forçado onde os enviados pouco aprendiam e muito faziam, trabalho escravo ocultado por fotos de um lugar que deveria ser promissor, mais uma das milhares de farsas do governo.

Pensava em seus pais, como seria se mais um de seus filhos fosse enviado para um Centro de Estudo básico. Com certeza eles ficariam triste, e no fundo totalmente decepcionados, mesmo que não admitissem. Lucy não conseguia pensar nisso, afinal quando os jovens se formavam em Centros de Estudo Básico acabavam sem muitas oportunidades de emprego, acabavam conseguindo os empregos que quase ninguém almejava. Eles trabalhavam como catadores de lixo, eletricistas, mecânicos, motoristas, entre outros. Os empregos que não geravam muito lucro. E se ela também fosse para um desses Centros? Futuramente teria uma vida igual a de seus pais, ou talvez pior.

Enquanto a fila para adentrar o CSP andava, Lucille pegava-se imaginando a cena. Entraria e pegaria seu envelope com o resultado, abriria e leria a carta que lhe diria que seus resultados foram abaixo do esperado, terríveis, que ela era um fiasco e teria que ir para um dos Centros de Estudo Básico, condenada a ser uma escrava durante demorados três anos, que nenhum de seus sonhos poderia se realizar, que nunca poderia se formar em medicina, ter uma vida melhor e ajudar a família como sempre quisera. Podia imaginar a mãe chorando baixinho a noite, como fizera quando o resultado de Elliot chegara. O olhar triste e desolado do pai, que desta vez ficaria duas vezes pior.

—Filha. — uma voz familiar chama, Lucille vira-se para encarar a mãe, que acena para que ela a siga, finalmente chegara a hora de adentrar o CSP.

A menina, com as pernas meio bambas, acompanhou a mãe e aceitou de bom grado a mão estendida da mulher com olhar calmo e bondoso, tentava deixar com que apenas a sua tranquilidade transparecesse para passar uma boa imagem para a sua filha que tanto estava ansiosa.

Pegaram uma senha para atendimento e Lucy viu que era a centésima vigésima quinta a buscar o resultado, sentou-se numa das cadeiras de plástico barata, ao lado da mãe, as mãos tremendo. Ela podia estar demasiadamente nervosa mas nunca confessaria uma coisa daquelas a sua mãe, contudo a mulher podia sentir o nervosismo emanar da filha, por isso puxou novamente a sua mão, acariciando-a delicadamente, tentando passar confiança para a menina.

—Número 120! — chamou a mulher e Lucy começou a pensar que a hora de pegar o resultado nunca chegaria.

Observou uma garota levantar-se, com um sorriso confiante no rosto, ela conhecia a menina, ela morava a cerca de quatro quarteirões da casa de Lucy, e chamava-se Emilia Lotso.

Emilia levantou-se e acenou animadamente para a mãe, uma mulher toda arrumada e com dentes que causavam dores de cabeça em Lucy caso olhasse-os por mais tempo do que o necessário de tão brilhantes e brancos que eram. As Lotso pareciam inteiramente confiantes.

—Aquela não é uma das suas amigas, querida? — perguntou a senhora Ivanov, enquanto encarava Emilia andar até um corredor estreito, Lucy mordeu o lábio inferior.

Emilia Lotso podia ser tudo menos amiga dela, era a menina com quem tinha uma rivalidade desde a primeira série, a menina que zombava dela sempre que possível, uma garota tão fria que fora capaz de debochar de Lucy até quando seu irmão foi mandado para os Centros de Estudo Básico, ela era um demônio com aparência de anjo, um monstro-mirim.

—Não, mãe. — diz a menina tentando soar casual, mas a voz treme assim como as pernas cobertas pela calça jeans que usa. — Nós nos odiamos, na verdade.

—Lucille Ivanov! — repreendeu a senhora Ivanov, porém prendia uma risada. — Não é bom sentir ódio, quero que pense melhor nisso, será que isso tudo é necessário?

—Claro que é. — diz a menina tão baixinho que a mãe nem mesmo consegue escutar, é quase um devaneio mas para manter as aparências ela limita-se a assentir para a mãe, não queria estressá-la num momento daqueles, nem prolongar a conversa, só queria que tudo aquilo acabasse o mais depressa possível.

Os minutos vão passando e Lucy só sente mais ansiedade, precisava ver logo os seus resultados. Realizara a prova fazia uns poucos meses e não conseguia pensar em outra coisa que não fosse a maldita avaliação.

O governo dos Estados Unidos realizava todos os anos uma prova que era aplicada para os estudantes prestes a ingressar no Ensino Médio, ela servia para medir o ensino geral do país e também para decidir de uma vez o futuro daqueles jovens. Os que iam muito mal na prova, como o irmão de Lucy, geralmente os mais pobres, eram enviados para Centros de Estudo Básico e forçados a realizar tarefas para o governo, como arar a terra, carregar peso, e tudo isso, e acabavam tendo um futuro pouco promissor, realizando o trabalho que ninguém quer fazer. Os que ficavam com uma nota na média tinham direito a ingressar em escolas de ensino médio, os pobres nas escolas públicas e os mais ricos pagavam escolas com ensinos melhores, e os menos favorecidos recebiam um pequeno complemento financeiro todo mês, poucos dólares mas já ajudava as famílias. Já aqueles que iam inacreditavelmente bem, cerca de menos de cem jovens dentre milhares de americanos, recebiam uma bolsa de estudos no IP, Instituto para Prodígios, o que era a coisa mais honrosa para os jovens, recebiam a melhor educação possível e tinham um futuro muito bom pela frente, era o sonho impossível de muitos.

Todavia Samantha nem perdia seu tempo sonhando com o IP, apenas queria não ser enviada para os Centros de Estudo Básico, queria poder fazer o ensino médio, mesmo numa escola pública, que não costumava ser das melhores, mas era tudo que ela desejava no instante.

—Número cento e vinte e cinco! — chamou uma mulher alta, magra demais, e vestida com um uniforme do governo.

Naquele momento o coração da menina acelerou e ela podia jurar que ele iria saltar pela sua boca, suas pernas bambearam. Ela beijou as bochechas da mãe e a mãe fez o mesmo, Sra. Ivanov desejou-lhe toda a sorte do mundo e a menina foi atrás da secretária, tremendo mais do que podia imaginar ser possível.

—Qual seu nome? — indagou a secretária enquanto seguiam por um corredor estreito e longo.

—Lu... Lucille Ivanov. — disse a menina gaguejando de nervoso, a secretária abriu um sorriso malicioso, quase rindo do nervosismo da menina e repetiu o nome num pequeno microfone que ficava no broche de seu uniforme, pregado no brasão do país.

—Siga-me.

+++

Passaram por diversos corredores que pareciam não ter fim, Lucille imaginava se em algum momento iria mesmo pegar seus malditos resultados. Finalmente a secretária, que Lucille descobriu se chamar Anna Florence, parou abruptamente, de frente para uma porta de madeira-escura.

—Preciso que você espere aqui fora enquanto eu falo com umas pessoas que estão lá dentro. — avisa Anna Florence, ela é uma mulher de olhar severo e cabelos ruivos puxados num coque rígido demais, talvez tenha uns trinta anos, talvez menos mas com toda aquela formalidade ela aparentava ser mais velha do que realmente deveria ser. Lucille assentiu, encorajando Anna a continuar a falar. — Quando eu voltar, você entrará comigo, O.K?

Lucille acenou positivamente com a cabeça e observou Anna adentrar a sala e fechar a porta logo em seguida. Lucy recostou-se na parede, será que aquela agonia nunca iria acabar? Parecia que estavam até fazendo de propósito, brincando com sua paciência, podia jurar que dentro de alguns minutos iria acabar tendo um ataque cardíaco ou coisa do gênero.

Para tentar matar o tempo começou a contar os segundos, uni-los em minutos, o tempo que Anna estava demorando lá dentro daquela sala desconhecida cheia de pessoas que Lucille não estava com vontade de conhecer. Havia contado quinze minutos e dezessete segundos quando Anna finalmente retornou, com um olhar diferente no rosto, indecifrável.

—Senhorita Ivanov, entre, por favor. — pediu Anna encarando fixamente Lucille, que assentiu e adentro finalmente a sala desconhecida.

Quando entrou na sala, as luzes se acenderam e Lucille viu-se de frente para uma mesa com quatro adultos encarando-a ansiosamente.

Uma mulher de olhos cinzentos como as nuvens que antecedem uma tempestade e pele negra, os cabelos escuros como a pele caindo numa cascata volumosa de cachos. Um homem de aparência asiática com pequenos olhos negros como a escuridão de uma noite invernal. E um segundo homem de pele branca como a neve nos dias de nevascas quando as aulas são canceladas, e olhar austero.

Um silêncio instalou-se na sala e Lucy só conseguia pensar em motivos para aqueles serviçais do governo não lhe entregarem logo o maldito resultado e deixarem ela seguir com a vida o mais rápido possível, mas parecia que não seria possível.

—Você deve ser Lucille Ivanov. — disse a mulher quebrando o silêncio. "Sério? Como você é inteligente. Alguém lhe dê uma bolsa de estudos no IP, temos um prodígio aqui!", pensou Lucy ironicamente mas limitou-se a assentir e abrir um sorriso falso e forçado para a mulher que lhe fitava. — Sente-se, por favor, Srta. Ivanov.

A mulher apontou na direção de uma cadeira atrás de Lucy, que nem reparara na mobília, talvez por estar nervosa demais e centrada demais no resultado para notar a decoração da sala esquisita. Ela sentou-se, mesmo que a contragosto.

—Vocês poderiam me entregar logo os resultados? — ela perguntou meio vacilante. Quando perguntara aos pais como fora a entrega, eles diziam-lhe que apenas entravam numa sala e uma pessoa lhes entregava o envelope, esperava que lessem e desejavam boa sorte, nada de ter que sentar numa cadeira e ser fitada por três desconhecidos, alguma coisa não estava correta ali, notou Lucille.

—Pra quê tanta pressa, Srta. Ivanov? — interrogou o homem asiático enquanto corria os dedos pelo seu terno de marca, Lucille mordeu o lábio inferior. O homem abriu um gigantesco sorriso que parecia meio estranho aos olhos de Lucy. — Temos o dia inteiro!

—Deixe-a em paz, Archer. — instruiu o homem de pele alva, como se Lucy nem mesmo estivesse ali na frente deles, como se os dois estivessem tendo uma conversa particular. — Ela só deve estar ansiosa para saber logo os seus resultados, todos ficamos assim nesse dia, você deveria saber...

—Quietos! — cortou a mulher de olhos cinzentos encarando irritada e impacientemente os dois colegas de trabalho que se calaram diante de tanta irritação, então ela moldou novamente uma máscara de calmaria e falsa gentileza e voltou a fitar Lucy Ivanov cuidadosamente. — Sinto muito por Archer e Gibson. Mas agora vamos ao que realmente interessa.

"Isso!", pensou Lucy comemorando mentalmente, "Finalmente chegou a hora."

—Dentro deste envelope estão os seus resultados finais, o seu futuro. — disse a mulher estendendo-o na direção de Lucy, ela o pegou e enquanto a mulher prosseguia falando ela começou a rasgar o envelope para puxar a carta que havia dentro dele. — Boa sorte.

A jovem abriu e pegou uma carta com um envelope envolvendo-a, desejando silenciosamente que não fosse a carta de um dos Centros de Estudo básico.

Mas quando olhou o remetente assustou-se, não era de um dos vários Centros de Estudo básico.

A carta viera diretamente do IP, Instituto para Prodígios.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.