Dark Path
1 Noite 1 – Tabuleiro Ouija
O tabuleiro Ouija, ou tábua Ouija, ficou popularmente conhecido na década de 70, o mesmo era usado para métodos de necromancia.
Na prática, é um tabuleiro de superfície plana, com letras, números ou símbolos em que se coloca um indicador móvel... Tudo isso é feito apenas para se falar com um espírito do bem ou não, e embora muitos gostam de fazer essa “brincadeira”, uma religião em especial, diz que é bom você manter distância do tabuleiro ou dessa brincadeira, pois dizem que somente espíritos sem luz se comunicam com pessoas vivas através desse jogo, falam também que esses espíritos gostam muito de brincar com as pessoas que praticam isso ou então sugam a energia da mesma sendo um peso para ela.
Levy Youngberg, fez todas as pesquisas necessárias, ela não queria deixar escapar nada que houvesse na internet a respeito desse tabuleiro, ela era a mais medrosa do grupo das quatro meninas, porém, escondia esse medo enquanto pesquisa tudo o que precisavam fazer.
- Bom, segundo esse site, devemos apagar todas as luzes, acendermos um incenso e precisamos queimar a saliva... Sem contar que precisamos decidir quem será nosso Médium...
Uma ruiva ergueu a mão enquanto estava segurando um catálogo de CD’s, embora ela não fosse quem tivesse planejado aquilo, era uma das garotas mais corajosas.
- Cindy? – As garotas indagaram em uma sincronia perfeita.
Uma loira, Lily, se levantou do pufe e ficou andando de um lado para o outro enquanto todas prestavam atenção nela, já era noite, as garotas estavam com tudo pronto, só faltavam se organizarem para irem praticar essa brincadeira.
-Cindy, sabemos que você é hardcore, gosta de rock e tudo mais, mas não acho que você sirva como uma médium... –Declarou a loira com uma feição pensativa.
Levy pigarreou e se levantou da cadeira em frente ao computador, a mesma estava segurando uma folha impressa com a ordem de tudo o que deveriam fazer.
-Bem, antes de mais nada, precisamos de uma médium...
-Que tal Paloma? –Indagou Cindy com os braços cruzados e com um sorriso malicioso no rosto.
A garota estava deitada na cama lixando uma das unhas com o celular na barriga a espera de uma resposta, ela nem sequer sabia o que iriam fazer essa noite, ela simplesmente aceitou por não ter nada programado, mas logo que ouviu seu nome, ela arqueou uma sobrancelha e fitou as meninas.
-Que é? – Indagou perdida.
- Você será nossa médium – declarou Lily com as mãos no quadril.
- Ficou louca?!
Levy fez um gesto para que todas fizessem silêncio.
-Vocês não entendem que ninguém pode saber disso? – Indagou a garota num sussurro enquanto deixava um suspiro escapar. – Bom, se não se importam, precisamos ir. Não podemos voltar muito tarde para casa, amanhã temos prova bimestral de matemática.
- E lá vai a nerd novamente – retrucou Paloma voltando a lixar suas unhas e já caminhando pelo quarto.
Levy pronunciou um “tsc”, e antes que pudesse dizer algo, Cindy tampou a boca da pequena garota e fitou as outras como se dissesse “Não a provoquem”.
- Vamos andando, descobriremos a médium no caminho até aquele terreno abandonado – Lily falou enquanto pegava a bolsa com tudo o que precisavam e começavam a andar pela casa de Levy com passos silenciosos, outra ou outra, a mesma se certificava olhando para trás para saber se alguém as seguia dentro da própria casa.
Com sucesso, logo as quatro garotas estavam caminhando pela calçada de uma noite, incrivelmente escurada, de sexta-feira. Cindy e Lily tomaram a frente como “lideres”, Levy caminhava no meio com a folha de instruções na mão e, por último, estava Paloma lixando as unhas e mascando chiclete de um modo barulhento e irritante.
- Teremos de fazer uma oração antes de começarmos essa brincadeira – disse Levy.
- O que quer dizer com isso, nerd? – Indagou Paloma sem ao menos ter ouvido direito o que a garota disse.
- Uma oração... Para nos protegermos de todo o mal... Teremos de dar as mãos e falar: “Que não aja forças do mal ou demônios” – assim que a menina recitou a oração, as garotas a fitaram desconfiadas. — Não me olhem assim... Esse método não é garantido, eles mesmos dizem isso... E temos que ir totalmente sem medo disso, pois não podemos nos esquecer de que os espíritos poderão muito bem saber o que estaremos sentindo.
- É uma piada? – Indagou Cindy arqueando uma sobrancelha, porém, a mesma nem sequer se virou para fitar a garota.
Levy deu de ombros, ela apenas murmurou algo e logo voltou a recitar todos os passos que deveriam seguir e sobre algumas dicas que viu na internet, por mais que todas não garantissem a segurança das garotas, elas queriam arriscar, ou melhor, Levy queria arriscar.
Durante o caminho até ao terreno abandonado, as garotas decidiram que Paloma seria a médium, Cindy anotaria as coisas que os espíritos falassem e Levy e Lily segurariam uma palheta que os espíritos movimentariam para o local certo.
Já diante do terreno abandonado, todas as garotas estremeceram, com exceção de Cindy, a ruiva estava com os olhos brilhando de excitação para conversar com os espíritos.
- Como entraremos? –Indagou Paloma sem se desgrudar da lixa de unhas ainda.
Cindy mordeu o lábio inferior e pegou um alicate, logo a mesmo começou a abrir uma passagem pelo arame que mantinha o terreno cercado.
- Eu ouvi dizer que o último grupo que veio aqui morreu...
- Ora, por favor... Não me diga que acredita nessa história... – Retrucou Lily revirando os olhos ao ouvir o boato de Paloma. – Nós nem sabemos se essa brincadeira do tabuleiro é real...
Levy suspirou, não achava uma boa ideia duvidarem daquilo naquele momento em que, uma por uma, entrava para o terreno que era cheio de entulhos, porém, a grama era bem aparada.
- Vamos meninas, tem um lugar mais limpinho ali no canto – disse Levy caminhando até ao canto do terreno, a mesma logo colocou a mochila no chão, tirou uma toalha e a estendeu no chão, em seguida, ficou de joelhos e pegou o tabuleiro o colocando no centro da toalha e por fim, chamou as meninas para que se sentassem com ela.
As meninas sentaram-se em um círculo, Cindy já estava com um caderno e lápis na mão e Levy e Lily já pressionavam levemente a palheta sobre o tabuleiro. Paloma, a médium, fitou as garotas e suspirou sussurrando um “boa sorte”.
- Meninas, vamos fazer nossa oração e logo começarei com o interrogatório.
Elas recitaram a oração, Paloma logo começou a se comunicar com um dos espíritos que ali havia morrido nas obras de um novo edifício naquele terreno.
- Tem alguém ai? – Indagou Paloma e num movimento um pouco rápido, a palheta moveu-se para a palavra “sim”. — Nós te conhecemos?
Levy fitou Lily um pouco confusa. Quem que as garotas conheciam havia morrido? Elas não faziam a mínima ideia de quem era.
- Qual o seu nome? –Indagou a médium de olhos fechados.
Rapidamente, a palheta moveu-se pelas letras do tabuleiro, Cidny teve um pouco de dificuldade acompanhar a rapidez do espírito, mas logo formulou não apenas uma palavra, mas sim uma frase que o espírito lhes enviou.
Cindy franziu o cenho e fitou as meninas.
- “Vocês nunca vão saber”... – Repetiu a garota um pouco irritada e pensativa. – Meninas, vocês tem certeza que querem continuar com isso? – Todas assentiram em resposta, a garota suspirou e apertou as têmporas. – Pergunte ao espírito se ele é da nossa escola...
Paloma fez a pergunta, e tudo ficou em silêncio por cerca de uns cinco minutos, todas as meninas se entreolharam, será que o espírito havia ido embora?
Não.
A palheta moveu-se novamente com tal rapidez que Cindy não conseguiu pegar algumas letras, mas quando releu a frase formulada, conseguiu completar, logo a garota leu o que ali estava escrito:
- “Vocês riram as minhas custas por anos e anos, mas hoje, serei eu quem irei rir as custas de vocês”... O que ele quis dizer com isso?
Levy respirou fundo, logo fitou todas, não demorou muito para que as outras garotas entendessem o que Levy queria dizer.
Rapidamente, se levantaram, Levy guardou tudo em sua mochila, mas havia algo que a incomodava, e era o modo como Paloma não se moveu nem um centímetro, a garota continuava sentada em cima da toalha que era o único objeto que faltava a ser guardado.
Cindy se agachou diante da garota e arqueou a sobrancelha um pouco irritada com aquilo.
- O que está esperando para se levantar? –Indagou analisando a garota com cuidado, será que ela havia se machucado ou estava apenas em estado de choque?
Paloma nada disse, ela apenas continuou parada com os olhos fechado, mas só depois de um som um tanto estranho que as garotas notaram o que havia acontecido. Seus olhos seguiram o caminho da onde o som veio e quando se depararam com aquilo, todas ficaram em pânico.
Nas costas de Paloma, havia uma ferida enorme, parecia um buraco, não... Não parecia, era um buraco.
- M-Mas o que diabos está acontecendo? –Indagou Lily recuando alguns passos.
Levy apontou para o chão, e todas seguiram seu olhar, fitando o coração de Paloma caído na terra suja daquele terreno.
- O espírito... Ele... – Lily começou a dizer, mas Cindy a interrompeu assentindo com a cabeça e logo a mesma acompanhou um rastro do sangue de Paloma até uma parte do solo não muito longe delas, lá estava escrito “Eu avisei” com o sangue da menina.
Lily gritou, chorou e saiu correndo daquele local antes que algo acontecesse a ela, mas antes que as garotas pudessem fazer algo, uma luz forte, seguido de um som ensurdecedor, as impediu de fazer qualquer coisa de ao menos falarem uma palavra em relação aquilo, pois depois de verem Lily sendo arremessada a cerca de uns duzentos metros no asfalto, ficaram em choque.
Levy perdeu as forças e ajoelhou-se no chão, fitando aquela tragédia, primeiro Paloma teve o coração arrancado pelo espírito, depois Lily é atropelada e arremessada por metros de distância...
Elas foram naquele terreno apenas testar aquela brincadeira que haviam visto em uma revista, mas o final que ela se transformou, foi catastrófico.
O que será que havia acontecido?
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