Dark Past
4 Ponto de partida
Notas iniciais
A temperatura caiu tão rápido quanto a escuridão da noite. Andrew tinha matado aula para tentar dormir porém os olhos vermelhos bestiais da criatura não saíam de sua cabeça. Tinha desistido de pensar no que era aquilo, assim como de tentar entender as visões que teve ao tocar na árvore. Queria voltar naquele lugar mas não teria coragem para isso. Só de estar naquele território aterrorizava Andrew, uma vez que a criatura poderia aparecer novamente.
Quando olhou no relógio Andrew percebeu que já eram 20:37. Seus pais estavam em casa hoje, para seu azar. Teria de sair escondido, seus pais eram compreensivos, mas não deixariam que saísse tarde da noite dois dias seguidos. Precisava ir e voltar antes deles acordarem. Tinha um plano em mente. Andrew ganhara um headset super potente no natal anterior, porém dificilmente tem chances de o usar. Sabia exatamente o que fazer. Conectou-o a seu smartphone e desceu, fazendo questão que seus pais o vissem.
— Usando seu presente de natal filho? Que raro. — Disse sua mãe, claramente feliz uma vez que foi ela quem deu o presente a Andrew.
— Eu sempre o uso em meu quarto. Ando tendo dificuldades para dormir e os latidos do cão do vizinho anda me atrapalhando, então vou usá-lo para dormir hoje.
— Vai colocar alguma música? — Perguntou seu pai.
— Sim. Se vocês me chamarem e eu não responder é devido a ele. Fico surpreso com o quão alto ele é. — Andrew disse, retirando o headset do ouvido e pondo o volume no máximo. Instantaneamente pôde ser ouvido em toda a sala um solo de guitarra. Pela reação de seus pais, seu objetivo estava completo.
— Só não ponha muito alto. Isso pode lhe causar problemas de audição. — Sua mãe disse, claramente preocupada. É comum jovens usarem fones extremamente alto e Marian sabia muito bem disso.
— Tudo bem mãe. Não vou deixar em um volume que me prejudique. — Andrew disse, com um belo sorriso no rosto. Não se orgulhava disso, mas era um excelente mentiroso. — Vou subir para ler um pouco e logo depois dormir. Boa noite mãe, boa noite pai. — Disse, depositando um beijo na mãe é um abraço no pai. Tudo certo, eles não suspeitaram de absolutamente nada.
Passou um pouco do tempo que restava lendo, de porta aberta para que seus pais o vissem, e quando passaram acenaram para ele uma última vez e foram para seu quarto, fechando a porta. Batiam 22:23 e estava na hora de agir. Puxou sua mochila debaixo da cama. Havia algumas coisas como um mapa daquela área da cidade que decidiu imprimir, algumas bebidas energéticas e coisas que talvez viessem a calhar. Estava na hora de partir. Trancou a porta de seu quarto e tirou uma corda de seu armário, a amarrando no pé de sua cama e jogando de sua janela, tendo cuidado para que a corda não ficasse visível de nenhuma das janelas. Desceu com todo cuidado e silêncio que conseguiu, para não fazer nenhum barulho desnecessário. Conseguiu tudo. Só lhe restava encontrar Alan no ponto.
Andou um pouco e chegou no lugar. Alan o esperava com um casaco verde e grosso. A noite realmente estava fria.
— Yo. — Disse Alan, levantando a mão. — Conseguiu sair sem problemas?
— Sim. E dei um jeito deles não tentarem me incomodar esta noite. Devo voltar antes de 6:30 da manhã.
— Certo. Eu também não posso demorar. Minha mãe ficou puta por eu ter matado aula hoje. Mas eu inventei uma desculpa. Agora, tem alguma ideia de onde encontrar ele?
— Nenhuma, mas tenho o mapa daquela parte da cidade. E me lembro de onde nos encontramos ontem.
Com isso os garotos de silenciaram. Chegariam quase meia noite no local, e seria mentira dizer que estão calmos. Muita coisa aconteceu com ambos, e eles estavam voltando para o local onde todo o problema se iniciou. Alan suava frio. Andrew sabia o porquê. Era medo. Alan estava com medo de voltar ao lugar e Andrew admirava-o por, mesmo com medo de manter firme ao lado do amigo. Andrew sorriu por isso, mas não era este o sentimento que o preenchia. Estava curioso para saber o que eram as visões da árvore, nervoso por voltar a mata onde encontraram a criatura, receoso se deve ou não voltar a árvore mas acima de tudo, empolgado para encontrar o homem. Não entendia o porquê mas ele detinha um respeito sobrenatural pelo homem, quase como se fosse instinto.
Os pensamentos de Andrew foram interrompidos com uma cutucada de Alan, para avisar que chegaram a seu destino. As paredes de tijolos manchadas e descascadas. Muros sujos, pichações e lixo para todo lado falavam por si só. Estavam em Holy Cross. Desceram do ônibus e olharam em volta. Ruas completamente desertas. Becos que não se sabe onde dão. Latas de lixo queimando, com alguns moradores de rua em volta. Era uma área pobre mas o lugar que estavam era o pior. Andrew havia passado por ali pois é o caminho mais rápido até a floresta, mas em ocasiões comuns não se atreveria. Estupros, assaltos e assassinatos eram comum nessa área, assim como o tráfico de drogas. Alan engoliu em seco.
— Vamos. — Disse Andrew, com uma cara séria. Alan só o seguiu, calado. Eram 23:47, não havia absolutamente ninguém na rua. Não sabiam se isso era algo bom ou ruim.
Andaram por volta de 15 minutos em silêncio, por entre becos e sarjetas e vielas mal iluminadas. Cada lugar levando a outro mais sombrio, mas precisavam chegar perto da floresta. Foi quando viram movimentação no final da rua. Pessoas circulando e vozes altas podiam ser ouvidas a distância que os meninos estavam.
Andrew continuou a andar quando Alan o parou. — Pretende mesmo verificar que tumulto é esse? — Alan disse, preocupado.
— Não temos muita escolha fora isso. Andamos um bom pedaço e não encontramos nada. Nem uma alma viva na rua. Talvez possamos pedir alguma informação.
— Não é uma boa ideia. Dois garotos de 15 anos circulando sozinhos em uma área barra pesada da cidade no meio da madrugada já é ruim o suficiente. — Alan disse, com nervosismo exposto em sua voz. Andrew sabia que seu amigo tinha razão, mas não tinha escolha.
— Você tem razão. — Andrew disse, vendo Alan relaxar um pouco. — Por isso, você fica aqui. Vou pedir informações para eles e quando voltar continuamos. — Andrew viu a atitude relaxada de Alan se dissipar em uma fração de segundo.
— Você o quê?! — Alan falou, em um tom de voz alto, que quase pôde ser interpretado como um grito.
— Não temos outra escolha. Só fica caso não queira vir. Eu vou voltar, fica tranquilo. — Andrew disse, sorrindo. Um sorriso que esbanjava confiança. Alan invejava essa qualidade de seu amigo. O que o fez sorrir junto.
— Sabe que não vou deixar você ir sozinho. Vamos logo. — Andrew conhecia Alan a mais de uma década. Sabia dizer quando seu amigo estava com medo, e esse era um dos momentos. Mas mesmo assim não se deixou abalar. Andrew se sentia sortudo por ter Alan a seu lado.
Os meninos continuaram andando até conseguir ver a fonte do barulho. Um bar localizado na esquina, no final daquela rua. Andrew foi a bares antes com seu pai, e aquele não era nada parecido. Paredes manchadas e sujas, o chão em um estado pior ainda, pessoas sem camisa falando alto dentro do lugar. Ouviu seu pai se referindo a lugares deste tipo uma vez. Se não se enganava o nome era pé-sujo, um bar de baixa categoria. Com contrapartida havia uma grande variedade de bebidas no lugar. Não era um lugar pequeno, só parecia mal cuidado. Andrew conseguia ver muitos homens no lugar e algumas mulheres. Alguns pareciam motoqueiros, outros bêbados qualquer, alguns estavam até armados. As mulheres estavam todas com roupas curtas. Prostitutas, Andrew concluiu. Isso era definitivamente um pé sujo, mas isso não o fez recuar. Continuou andando, até que as pessoas do bar notaram sua presença. O homem no balcão também os notou. Era gordo e tinha mechas grisalhas. Andrew olhou a sua volta, todos tinham os olhos neles, afinal, não é comum garotos dessa idade nessa parte da cidade a essa hora.
Andrew chegou no balcão, ignorando os olhares. — Com licença, gostaríamos de informações. — Ele disse, escondendo o máximo que pôde de seu nervosismo.
— Informações sobre? — Disse o homem no balcão, com uma sobrancelha erguida.
— Queremos chegar nesta parte da cidade. — Andrew disse, retirando o mapa da mochila e apontando para o lugar onde achou ter visto Robert, ao lado clareira onde havia se encontrado com seus amigos.
— Querem ir para perto da floresta? Nem mesmo moradores gostam de ir para esta parte da região, o que duas crianças gostariam de fazer lá? — Um silêncio entre todos pairava no ar.
— Preciso encontrar um homem chamado Robert. — Disse Andrew com a cara séria. Alan havia notado que todos olhavam com uma cara seria para seu amigo. Começou a ficar preocupado.
— Não é hora de crianças da idade de vocês estarem na cama? — Se levantou um homem da cadeira, retirando uma das prostitutas de seu colo.
— Relaxe, Tom. — Disse o barman com uma cara séria. — Nem sabemos se é a mesma pessoa que eles querem achar. Qual o sobrenome do sujeito? — Disse o homem, antes de cuspir no chão do próprio bar.
— Somente Robert. — Andrew pôde juntar ter visto o homem sibilar um “droga” de forma inaudível.
— Escutem aqui crianças, — Começou o homem, tentando ser o mais calmo que pôde. — não sei o quê vocês querem aqui ou o que querem com Robert, mas já devem ter notado que aqui não é lugar para vocês engatinharem em busca de aventuras. Voltem pra casa.
— Não. — Disse Andrew, agora sério, com os punhos cerrados. — Eu preciso de respostas e esse homem pode ser o único que que as tem. Se não quiserem me dizer onde encontrá-lo tudo nem, não me importo, mas só me apontem a direção para essa maldita floresta que de lá eu sei onde posso achá-lo — Quando Andrew terminou a frase o homem que havia o levantado o pegou pelo pescoço e o levantou. Andrew ficou surpreso mas não demonstrou medo.
— Olhem bem como vocês falam. Eu não fiz nada porque você é uma criança mas não vou deixar você vir aqui e fazer o que quer. Além do mais, não quero que Robert se incomode com a morte de vocês. Caso vocês não saibam há alguma coisa matando todos que vão perto da floresta, e eu tenho certeza que ele não iria querer cadáveres de crianças por lá.
Andrew suspirou, claramente irritado pela atitude do homem, mas sabia como lidar com a situação sem usar violência, até porque sabia que a usasse acabaria perdendo. — Eu sei muito bem o que tem lá. Diferente de vocês, covardes, eu e meus amigos vimos essa criatura em primeira mão. Não só isso, eu fiquei na floresta com ela. Ela me desmaiou, e eu estou vivo. — Viu os olhares de todos todos. Alguns incrédulos, alguns enraivecidos pelo “covardes” e outros que diziam “essa criança só pode estar mentindo”. Este último em questão foi do homem que segurava Andrew. Quando sentiu a mão dele enfraquecer Andrew o empurrou, se livrando das mãos do homem, que ficou claramente irritado com a demonstração do garoto, indo pra cima logo em seguida. Ele só foi parado por uma voz, vinda do fundo do bar gritando: Pare tom!
Tom olhou para trás e viu um homem de casaco preto se levantando e andando em suas direções.
— Mas senhor, esse garoto está claramente mentindo. E ele ainda quer ver Robert!
— Eu decidirei se ele está ou não mentindo. — Tom ficou parado por um segundo, e então assentiu, sentando-se e dando passagem ao velho. Quando chegou perto Andrew sentiu o cheiro de whisky vindo dele. — Então você disse ter visto a criatura e sobreviveu a ela? Me conte o que houve. Quero todos os detalhes, e se eu achar que vocês estão mentindo, vocês não irão sair daqui.
Andrew olhou para Alan, que as assentiu com a cabeça, era a melhor forma de escaparem. Andrew então contou a todos sobre o teste, sobre a aparência da criatura, o encontro com Robert antes, as visões estranhas e a ferida que desapareceu. Todos os acontecimentos da noite anterior. O homem então começou a sorrir, e quase gargalhar. — O garoto diz a verdade. — Andrew então notou que a mão esquerda do homem não estava lá.
— Sua mão… a criatura fez isso? — Andrew perguntou, com claro pesar em sua voz.
O homem gargalhou novamente. — Sim mas foi a muito tempo, nem sinto mais falta. Eu hoje em dia consigo caçar sem ela sem problemas.
As pessoas em volta do bar então começaram a se aglomerar em volta de Andrew, perguntando como sobreviveu, como não perdeu nenhuma peça do corpo, como se sentiu. Andrew estava desconfortável naquela situação. Era possível ver suas bochechas vermelhas enquanto Alan estava mais aliviado que nunca.
Foi então que Andrew viu Tom vindo em sua direção. — Sinto muito pelo meu comportamento. Não costumam vir pessoas de fora aqui e achei que você fosse só mais uma criança querendo se aventurar na floresta.
— Tudo bem, mas uma coisa não faz sentido, por que a irritação quando falei de Robert?
— Isso eu posso explicar no caminho. — Disse o homem de preto, se levantando após dar um último gole em seu whisky. — Meu nome é Jonathan Taylor. Prazer. — Ele disse, abaixando a cabeça com mechas grisalhas por toda parte. — Irei levá-los até onde está Robert. Se ele realmente apareceu para você, significa que ele estará esperando.
— Não é preciso. — Alan tentou nega a ajuda com educação mas foi cortado logo em seguida.
— Será melhor ter um guia com vocês. Mesmo que eu indique o caminho, vocês podem se perder no labirinto de vielas que é Big Field.
Alan parecia desconfortável mas disse ignorou o fato. — Então estamos em suas mãos. — Alan se arrependeu do comentário logo depois, realizando um fato importante. — Sinto muitíssimo! Eu não falei nesse intuito… e… — começou a se desesperar.
— Calma garoto, está tudo bem. — Jonathan começou a rir, seguido por todos do bar. Andrew pôde ver Alan virar um tomate, mas isso não o impediu de rir junto.
— Meu nome é James, se precisarem de algo podem parar por aqui. — Disse o barman, com seu cabelo castanho começando a ficar grisalho. Em uma questão de segundos a tensão se dissipou. Andrew nunca mais julgaria um lugar pela aparência.
Com tudo arrumado, Andrew, Alan e Jonathan seguiam em direção ao lugar onde estaria Robert. Foi então que Jonathan começou a falar.
— Vocês devem estar curiosos com nossa atitude mais certo garotos, então vou explicar tudo. — O velho disse, olhando para o céu. — A muito tempo esse lugar era uma área como qualquer outra da cidade, mas foi então que pessoas começaram a desaparecer. A princípio todos pensaram que eram animais selvagens, mas os corpos nunca eram encontrados, até que após 5 meses os corpos de grande parte das pessoas desaparecidas foram encontrados amontoados no fundo da floresta. Só conseguimos encontrar por causa do cheiro pútrido de decomposição que assolava a área na época. — Disse Jonathan, com os olhos distantes.
Alan então percebeu algo. — “Conseguimos”? Você estava lá quando isso aconteceu?
— Lembra que eu disse que consigo caçar sem a mão esquerda sem problemas? Eu era um caçador, um dos melhores da área, na verdade eu continuo sendo — Disse o velho com um sorriso em seu rosto. — mas na época eu ainda tinha a outra mão, e meu grupo não era inexperiente, sabíamos reconhecer rastros de uma fera quando víamos, e aquela pilha de cadáveres era exatamente isso. Todos devorados. Sabíamos o que precisava ser feito, e então fomos atrás da criatura. — Andrew viu nos olhos do velho caçador uma melancolia que só pode ser equiparada à perda de entes queridos.
— O que aconteceu quando foram atrás da criatura? — Alan perguntou, mas em parte já sabendo a resposta. O caçador voltou-se para ele e levantou sua mão.
— Isso aconteceu. — Retirou sua mão do casaco. — Mas, isso foi o pior dos meus problemas. De 6 pessoas caçando aquele monstro, só eu sobrevivi. Todo meu grupo foi dilacerado e devorado. Amigos de longa data estavam nele. Homens que tinham família e… — Andrew quase pôde ver lágrimas nos olhos do homem, mas ele não cedeu. Não deixaria lágrimas caírem. — Meu irmão. Meu irmão mais novo estava naquele grupo. Ele foi o último a ser devorado. Eu perdi minha mão tentando salvá-lo, mas não consegui. Foi inútil. Foi então que ele apareceu. Robert ouvira sobre os relatos de uma criatura desconhecida sequestrando pessoas na área e começou a investigar. Quando soube que fomos atrás dela ele tentou nos impedir, mas chegou tarde demais. Somente eu sobrevivi.
Um pesado silêncio se instalou na atmosfera, em seguida Alan decidiu quebrá-lo. — Isso tudo a mais de uma década?
— Sim. Foi em 2005. — Ao ouvir a data e os eventos Andrew sentiu que queria se lembrar de algo, mas não conseguia. Não importa o que fizesse, não lembraria do fato que o incomodava tanto, não agora pelo menos. Tentaria lembrar quando chegasse em casa. — Mas isso não explica o que Robert faz aqui. — Continuou o homem. — Ele veio para cá por causa dos boatos de pessoas desaparecidas. Ele visitava todos os locais com boatos desse tipo. Parece que eles têm certa ligação, e aqui foi o um dos maiores, pois em vários lugares do mundo esses boatos pararam. Não estava acontecendo só aqui. Porém Big Field foi um dos únicos locais onde essas criaturas não pararam de atacar. — Alan teve um calafrio ao pensar que ele usou “criaturas” e não “criatura”. Se uma besta dessa é extremamente perigosa, imagina uma legião.
— Robert então se instalou nessa área e tentou combater essas criaturas? — Andrew disse em tom sério. Parece que adivinhou corretamente pelo sorriso do velho caçador.
— Garoto esperto. Exatamente isso. O lugar já começara a decair. Pessoas indo embora devido aos desaparecimentos. Foi então que Big Field se tornou o que vocês vêem hoje em dia. Esse lixo. — Ele cuspiu. — Isso ficou tão ruim e sem lei que se tornou terra para assassinos, bandidos, refugiados, traficantes e outros tipos de pessoa que não podem viver tranquilamente em um lugar calmo. Malditas bestas. Mas graças a ajuda de Robert conseguimos evitar que ficasse pior. Ele é como um líder. Comanda nossas forças. Não enfrentamos essas coisas diretamente, mas impedimos elas de fazer o que faziam. Robert já faz isso a dez anos. Ele parou de viajar o mundo e se instalou aqui por algum motivo. Ninguém sabe. Ele também não aparece para qualquer um. Ele raramente tem necessidade de sair, mas para ter aparecido especialmente para você, parece que ele viu algo em ti garoto. Boa sorte seja lá com o que for. — Falou o homem parando de andar. — A partir daqui é por conta de vocês. Desejo-lhes toda sorte do mundo. A fortaleza de Robert fica a poucos metros a frente. Voltarei para o bar. Se precisarem de qualquer coisa, podem me encontrar lá.
Os garotos então olharam para cima. Era realmente uma fortaleza. Portas de ferro. Janelas barradas. Paredes tão grossas quanto as de uma cadeia. Parecia impenetrável sem explosivos pesados.
— Então, chegou nossa hora. Vamos andando. — Disse Andrew. Andrew estava nervoso mas não se comparava a Alan. Andrew podia ouvir as batidas de seu coração de longe. Não sabia se eram seus sentidos ou simplesmente o nervosismo de seu amigo que possibilitaram este feito.
Ao chegarem na porta conseguiram vê-la se abrir antes mesmo de baterem. Parece que eles estavam sendo esperados. Os garotos entraram no prédio, sumindo imediatamente em sua escuridão. Seria uma noite bem longa, pensou Andrew imediatamente após entrar, com a porta se fechando bem atrás deles.
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