Notas iniciais
Obrigada a quem comentou! Boa leitura!

“Então, talvez eu seja uma masoquista

Eu tento correr mas eu não quero nunca ir...”

Violet

Quando saí do banheiro ele não estava mais no quarto, melhor assim, vou ter mais tempo de me preparar para enfrentá-lo e esclarecer que aquilo tudo foi um erro. Coragem Violet! Você é uma garota forte e decidida ou um inseto que os outros esmagam com um tapa?

Olhei para o relógio e me surpreendi com o horário: onze horas! Eu apaguei legal!

Antes de descer eu respirei fundo. Quando desci, ouvi barulho na cozinha.

Ao entrar lá percebi que Tate estava... cozinhando? OMG!!! Morri!

– Bom dia! Já estava indo lá bater na porta do banheiro pra verificar se você não tinha se afogado.

Ele disse isso e veio até mim. Eu estava paralisada, ainda surpreendida com a cena. Ele me abraçou e disse no meu ouvido:

– Querida, fecha a boca!

Então eu percebi que estava mesmo com a boca aberta e a fechei.

– Está com fome? A lasanha ainda vai demorar um pouco para ficar pronta, mas eu fiz uns sanduíches.

Ele disse isso e se afastou para o forno de onde tirou dois sanduíches.

– Senta, faz mal comer de pé.

Eu sentei e peguei um sanduíche. Dei uma mordida e mastiguei, então meu cérebro voltou a funcionar e eu comecei a lembrar da conversa que eu queria ter com ele; que havia se evaporado com a visão do paraíso que eu havia tido quando entrei na cozinha e da minha resolução que estava sendo vencida pelas lembrança da noite anterior. Eu não tinha forças para me afastar de Tate e dizer que tudo foi um erro, quando na verdade não existia arrependimento nenhum. Eu estava apaixonada por ele. Meus olhos diziam isso, meu corpo dizia isso, era como se estivesse escrito na minha testa “Eu estou apaixonada por Tate” e por mais que eu tentasse negar isso, ele saberia a verdade. Ele já sabe! Naquele momento descobri que eu era o inseto.

– O que foi? O sanduíche está ruim?

– Não. Está ótimo!

– Eu sei no que você estava pensando.

Eu não falei que ele já sabia? Eu era tão fácil de ler...

Alguém bateu na porta.

– Eu atendo. – ele disse e saiu da cozinha. Quem poderia ser?

Eu fui atrás dele e congelei. Jonas havia voltado e Tate o encarava com cara de poucos amigos.

– Esqueceu alguma coisa? – Tate perguntou.

– Jonas! Você voltou? – eu disse isso e corri até ele. Dei-lhe um abraço.

– É Vi, eu voltei...

– Por que voltou? – Tate perguntou.

OMG!!! Será que ele vai expulsar o Jonas como ele fez com a Rafa?

– Eu fui para o apartamento do Jairo, mas quando cheguei lá não havia ninguém. Perguntei para o porteiro e ele contou que eles viajaram para Las Vegas onde pretendiam se casar. Eu passei a noite em um hotel porque estava tarde e não queria incomodar vocês. Voltei porque não tenho onde ficar e estou sem grana.

– Entra – eu pedi antes que Tate pudesse responder.

– Você pode ficar – falou Tate – só até você completar 18, depois você que tem que ir embora. E saiba que Violet e eu agora estamos juntos.

– Não se preocupe. Vou fazer 18 daqui a uma semana e vou deixá-los em paz. Não faço questão de ficar nem um minuto a mais na mesma casa que você.

Jonas entrou e eu o ajudei a levar as malas para o quarto. Quando entramos, ele fechou a porta.

– Precisamos conversar.

Ele sentou na cama e eu sentei ao lado dele.

– Jonas, eu já disse que devemos ser só amigos e...

– Violet, não foi por isso que eu voltei. Eu sei de tudo. Ale, Jairo e eu fomos atrás da Rafa e ela nos contou. Eu voltei para ajudá-la a colocar Tate no lugar dele.

Eu senti um calafrio. Rafa havia contado tudo a eles mesmo depois de me prometer que não faria nada. O que quer que fosse que eles haviam planejado, não podia ser boa coisa.

– Do que você está falando?

– Eu tenho um plano e se der certo, Tate não vai mais nos incomodar com as suas ameaças.

– Jonas, não se envolva nisso. Está tudo bem...

– Não, não está! Ele ameaçou a Rafa e ao filho que ela está esperando dele. Que tipo de pai ameaça matar o próprio filho? Sem contar que ele a usou e a enganou todo esse tempo. Eu não vou deixar ele fazer o mesmo com você Violet. Não se eu puder impedir.

– O que você está pretendendo?

Ele se afastou e abriu a mala. Tirou uma caixa lá de dentro e me entregou.

– O que é isso?

– Abra e veja você mesma.

Eu abri e me apavorei. Eu não podia acreditar naquilo.

– O que você está pretendendo fazer com isso?

– Eu não, você. Você vai pegar essa micro câmera e vai colocá-la no seu quarto em um lugar que ela fique bem escondida e que dê uma boa visão de você e Tate se vocês...

– O quê? Você escovou os dentes com cachaça hoje Jonas? Você está louco se acha que eu vou fazer isso!

Eu joguei a droga da câmera nele e fiquei bufando. Ele só podia estar brincando.

– A ideia não foi minha! Foi do Jairo. Eu também não concordei no início, mas eles me convenceram que não há outra forma. Assim nós vamos conseguir uma prova de que ele não é a melhor pessoa para ter a sua guarda e poderemos ameaçar entregá-lo se ele não assumir o filho da Rafa e respeitar você. Nenhum juiz em sã consciência iria deixá-la nas mãos de um tutor que... você sabe. E depois, o Jairo deu o receptor para a Ale, nenhum de nós dois vai saber o que será gravado. Apenas ela vai monitorar você.

– Não adianta! Eu não vou concordar com isso.

– Violet, seja compreensiva, nós estamos tentando te proteger. Estão todos preocupados. Por favor!

Eu não tive outra opção senão aceitar.

– Está bem. Se você me garante que apenas a Ale vai me monitorar, tudo bem.

– Tome, — ele disse me entregando a câmera — faça como eu lhe expliquei e tenha cuidado para ele não ver. Eu vou descer e segurá-lo lá embaixo enquanto você arruma a câmera.

Jonas desceu e eu fui até o quarto para colocar a droga da câmera lá. Arrumei-a sobre a cômoda que ficava de frente para a cama e coloquei alguns porta-retratos perto para escondê-la bem. Desci para almoçar.

Quando cheguei Tate e Jonas estavam se encarando.

– Senta aqui amor. — disse Tate quando percebeu que eu havia chegado, e puxou uma cadeira ao lado dele.

Eu sentei e comecei a me servir da lasanha. O clima estava tenso, parecia que o bom humor de Tate havia se evaporado.

– A lasanha está ótima. — eu disse tentando quebrar o gelo e porque a lasanha estava mesmo muito boa.

– Obrigada. – ele respondeu e não disse mais nada.

Eu não estava com muita fome, então peguei meu prato e o coloquei na pia para lavar. Depois que havia terminado, fui para a sala que ficava ao lado. Não queria ir para muito longe, estava com medo que os dois começassem uma briga.

Me sentei no sofá e liguei a TV. Estava passando um filme e eu tentei prestar atenção. O filme era sobre uma garota que se apaixonava por um vampiro que queria beber o sangue dela. Nossa! Essa garota deve ter algum problema para querer namorar um vampiro.

Não demorou muito e Tate veio se sentar ao meu lado. Jonas se sentou no outro sofá. Tate passou o braço pela minha cintura e me puxou para mais perto.

Jonas percebeu e se levantou, parecia que estava prestes a vomitar.

– Eu vou dar uma volta. – disse me dando um olhar significativo e saiu.

– Já vai tarde. – ouvi Tate dizer baixinho.

– Eu acho que vou limpar a casa. – eu disse — faz tempo que esse chão não vê um esfregão.

Eu me levantei.

– Não precisa fazer isso. Eu posso pagar uma faxineira.

– Para que gastar dinheiro? Eu fiz isso a vida toda.

E fui à despensa pegar o que precisava. Desliguei a TV e enxotei Tate da sala.

– Sai, eu vou começar pela sala e não tente me impedir. Liguei o som e pus todo o volume.

Eu sabia que ele detestava Katy Perry. Comecei a cantar Hot N’ Cold enquanto esfregava o chão. Ele ficou parado me olhando.

– O que foi? Vai ficar aí parado me olhando?

– Essa música é pra mim? – ele perguntou se aproximando.

Tá agora ele endoidou de vez.

– Se o chapéu serviu...

Ele me pegou pela cintura e colou meu corpo ao seu.

– Você acha que eu sou frio? – ele perguntou enquanto beijava meu pescoço. Eu perdi a linha do pensamento. O que ele perguntou mesmo?

– Âhnnn... às vezes parece que sim. – eu respondi enquanto sentia que estava desmanchando em seus braços.

– Acho que posso fazer você mudar de idéia rapidinho. – ele me beijou e começou a passar a mão pelo meu corpo. Eu mais uma vez cedi e subi as mãos até seus cabelos. Ele me beijava com voracidade e me apertava cada vez mais contra ele.

Então ouvi um barulho. Eu me assustei e recuperei a razão. A vassoura havia caído.

Eu me afastei dele e recomecei a limpeza.

– Tate você está me distraindo, sai daqui, por favor!

Ele sorriu com malícia.

–Tudo bem, se é isso que você quer! Mas hoje à noite você não escapa.

Ele disse isso e saiu. Eu lembrei da droga da câmera no meu quarto e tentei achar uma forma de escapar... Impossível! Como eu vou evitar o meu quarto, não tem como.

Notas finais
O que acharam do plano, será que vai dar certo?