Dark Memories
1 Capítulo I: Prólogo
Notas iniciais
Sentiu pisar em algo rubro, de aparência estranha e escorregadia. E isso era só o começo do inferno.
Corpos. Corpos e mais corpos. Corpos e mais corpos de inocentes, porra!
Seu corpo estava pesado. Ele mesmo não se sustentava mais. Caiu de joelhos e logo estava deitado. De barriga pra cima, mirou o céu com a vista embaçada.
Escuro. Escuridão. Nuvens espesas. Nuvens escuras. Pesadas. E logo, a chuva começou a cair. Seu cabelo, numa mistura de verde e vermelho, estava colado em sua face. O escarlate manchava seu rosto, assim como suas mãos e roupa.
Mexer-se era uma tarefa de extrema dificuldade. Respirar tornara-se um sacríficio. Por que não morria logo de uma vez? A morte não era nem um pouco confortável, mas parecia que a paz finalmente o alcançara.
As memórias. As malditas memórias ainda lhe assombravam. Passavam como um filme em sua mente, como se estivesse revivendo aquela cena.
Se antes tinha paz, agora tinha fúria. Uma fúria inexplicável. E uma amargura dolorosa.
Maldito país! Maldita guerra! Maldito mundo e seu sistema! Soldados da justiça e proteger os inocentes porra nenhuma!
Sentiu as lágrimas nublarem-lhe os olhos, que ficaram ainda mais embaçados e conteu um gemido. Um gemido de frustação, de dor, tanto emocional quanto fisíca.
Manter seus olhos abertos não era mais possível, sentia as trevas o levarem pouco a pouco. E logo, a insconsciência o tomava. Uma escuridão sem luz era o que ele via.
Depois de vivenciar o inferno... Depois de perder o amigos... Depois da maldita guerra terminar... Depois de tudo e mais um pouco! Agora sim, ele sentia o vazio. Aquele vazio frio e obscuro da perda. Aquele vazio de dor e amargura que só a guerra provocava.
Nada mais valia a pena. Nem a guerra... Nem seu país... Nem os inocentes... E muito menos ele... E ninguém vinha lhe estender a mão para ajudá-lo. Não dessa vez.
Estava sozinho. Simples e unicamente sozinho.
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