Dark Love
18 Show must go on
Notas iniciais
URSS, Leningrado, 4 de agosto de 1946 – 7:42 am— Mansão de Edward Cullen Scherbítsky
O dia começou cedo.
Bella acordou sem saber direito onde estava. A última coisa que se lembrava era de beber vinho com Edward no quarto dele até muito tarde. Sua cabeça doía e ela sabia que era uma ressaca. Ela esfregou os olhos e identificou o quarto. Olhou para o lado e Edward dormia tranquilo, uma de suas mãos a abraçando pela cintura, a mantendo ali. Ela olhou para o chão e viu a garrafa de vinho pela metade, sorrindo consigo mesma e lembrando da conversa que tiveram ontem.
Ela se virou delicadamente na cama, ficando de frente pra ele e acariciando seu rosto.
Tanya estava de volta, e isso a assustava mais do que ela poderia imaginar. Ela se sentia ameaçada por ela, naturalmente, mas por outro lado, Edward havia demonstrado que ela poderia confiar nele e que nada acabaria com os dois. Isso até Carlisle demonstrar seu outro lado na outra noite.
O Cullen sempre havia sido um cavalheiro com ela, e Deus sabe como Esme e Carlisle a acolheram depois da morte dos seus pais. Claro que Carlisle não era tão presente como Esme, mas Isabella sempre achou que ele gostava dela, pelo menos foi o que ele sempre demonstrou.
E além de Tanya e Carlisle, tinha Claire. Bella tinha se apaixonado por ela no momento em que se conheceram, uma menina tão linda e doce, que a ganhou no primeiro sorrisinho. Bella não entendia como Tanya conseguia ser tão megera com a menina, aliás, havia muito de Tanya que Bella gostaria de saber. Ela sempre ouviu que ela era uma mulher doce e gentil, mas nada do que Bella conheceu a fez ter essa impressão, pelo contrário. Seus pensamentos foram perdidos quando Edward passou o dedo indicador sobre seu nariz, fazendo Isabella se assustar um pouco.
— Estava longe. — Ele sorriu. — Estou acordado á minutos esperando você me notar. — Ele disse com um bico. — No que estava pensando? — Ele indagou. Isabella disfarçou com um sorriso e se aconchegou mais na cama, aproximando o corpo do dele.
— Estava pensando em nós dois, nessa cama... — Ela disse, acariciando o braço dele. — Todos ainda estão dormindo... — Ela o encarou. — E estava pensando por que você ainda não me deu um beijo. — Ela fez um bico e ele sorriu. Apesar de saber que Isabella não pensava nada daquilo, Edward respeitou o espaço dela e deixou passar.
— Hmm... — Ele se moveu na cama, ficando por cima dela e sussurrando em seu ouvido. — Eu tenho uma namorada carente. — Ele sorriu travesso, beijando a curva do pescoço dela e passando a língua ali, subindo para a mandíbula. Isabella tremeu com os beijos dele, ela achava que nunca conseguiria superar esse efeito que ele tem sobre ela. — Como podemos resolver isso? — Ele sussurrou novamente, beijando o pescoço dela, segurando firmemente em seu cabelo.
— Podemos começar com você parando de me torturar e me beijando logo. — Ela disse bufando e Edward riu.
— Além de carente minha namorada é apressada e mandona. — Ele riu alto. — Eu devo ser o cara mais sortudo do mundo por ter você, leelan. — Ela revirou os olhos e ele a beijou, intenso e profundo, como ela queria. Ele finalizou o beijo mordendo o lábio inferior de Bella, que o encarava sorridente.
— Você nunca me diz. — Ela comentou evasiva e ele levantou as sobrancelhas.
— O que? — Ele se encaixou mais nela, sorrindo.
— Esse apelido que você me chama. — Ela acariciou os cabelos dele. — Sua namorada é muito curiosa também. — Ela levantou uma sobrancelha e ele sorriu, beijando-lhe a ponta do nariz.
— Leelan. — Ele repetiu docemente e ela sorriu. — Não sei se quero lhe contar o que significa, deixe-me pensar. — Ele olhou para o teto e Isabella lhe deu um tapa no ombro.
— Não é justo. — Ela disse mimada. — Eu preciso saber o que significa, e se estiver me chamando de algo sujo? — Ele riu.
— Eu nunca te chamaria de algo sujo, amor.
— Então me conta. — Ela insistiu. Ele saiu de cima dela e sentou na cama, então Bella fez o mesmo, se sentando na frente dele, de pernas cruzadas. Ele retirou a camisa e Isabella arfou involuntariamente. Ele sorriu com a reação dela. Quando Bella se recuperou, ela o analisou melhor, reparando na tatuagem em seu peito. A imagem é um sol, com oito pontas. Tinha círculos no meio e os traços eram grossos e firmes. Ela levou sua mão ao peito dele e desenhou a tatuagem com o indicador. Edward sorriu.
— Alice quem fez. É um sol. — Ele sorriu mas abertamente e acariciou o rosto dela, a fazendo olhar pra ele. — Quando eu servi o exército, conheci um senhor em uma das minhas viagens. Ele me ensinou uma língua antiga, que não é usada á anos. Uma das primeiras palavras que eu li nos livros foi leelan, e não sei porque me chamou atenção. E depois de saber o significado, eu sabia que tinha que atribuir ela á alguém. Primeiro foi com a minha filha, agora com você. — Ela sorriu pra ele, que a encarou. — Leelan era utilizado pra dizer que a pessoa era muito amada, que iluminava a vida do outro, que era muito querida. — Ele sorriu. — E quando você chegou aqui, eu senti o quão importante você era, e em poucas horas que ficamos juntos, que você chamou minha atenção e brigou comigo, eu soube que você seria a luz da minha vida. — Ela sorriu mais abertamente pra ele, com os olhos cheios de água. — Eu amo você á muito tempo, leelan. Me desculpe ter demorado tanto para admitir isso. — Ele segurou o rosto dela e lhe beijou rapidamente nos lábios. — E antes que minha namorada curiosa pergunte, eu fiz a tatuagem para você e Claire, vocês são o meu sol. — Ele sorriu e Bella não pode conter uma lágrima. Ela o abraçou pelos ombros e o beijou novamente, colando a testa dos dois no final.
— Obrigada por isso, significa o mundo pra mim. — Ela sorriu, sentando no colo dele. — Mas me fala, tem algum apelido pra eu te chamar nessa língua ai? — Ele riu e a abraçou.
— Pode me chamar de Ryto. — Ele riu e Bella o encarou.
— O que significa? — Ela perguntou séria.
— Significa "maldito gostoso". — Ele riu e Bella bateu no ombro dele.
— É sério! — Ela protestou.
— Ok. — Ele riu. — As mulheres chamavam os companheiros de nallum, que significa amado e querido. — Ela sorriu pra ele.
— Nallum. — Ela repetiu, sorrindo. — Parece um nome que eu daria para o meu cachorro. — Ele gargalhou.
— Engraçadinha. — Ele jogou ela na cama e deitou por cima dela, fazendo cócegas em sua barriga. — Quero ver agora você chamar seu cachorro pra te ajudar. — Ela gargalhou e ele continuou a fazer cócegas na barriga dela.
— Por favor... — Ela riu. — Para! — Eles riram juntos então ele parou, a encarando e lhe dando um selinho.
Eles ouviram toques na porta e Edward saiu de cima dela, colocando sua camisa. Bella arrumou suas roupas.
— Edward? — Uma voz aguda veio do outro lado.
— Você só pode estar brincando comigo. — Isabella bufou, rolando os olhos. Tanya estava do outro lado da porta. Edward bufou e tirou a camisa, olhando para Isabella e bagunçando o cabelo dela e desarrumando suas roupas. Ela o olhou sem entender e ele a pegou pela mão, indo abrir a porta. Ele abraçou Isabella por trás e abriu a porta, beijando o pescoço dela em seguida. Edward já estava cansado das investidas dela, já havia 2 dias que ela sempre ia atrás dele, ou tentava chegar nela através de Claire. Se ela não conseguia entender que ele não estava interessado, ele teria que esfregar isso na cara dela.
— Oh, não sabia que estava com companhia. — Tanya disse bufando, encarando Isabella, que sorriu pra ela.
— Ele esta muito bem acompanhado, obrigada. E se nos der licença, temos que voltar de onde paramos. — Isabella disse sorridente, se virando de frente pra ele e o beijando, fechando a porta com os pés e deixando Tanya com cara de taxo. Ele sorriu entre o beijo mas parou assim que bateram na porta novamente. Isabella bufou.
— Como ela consegue ser tão insistente? — Ela perguntou incrédula, ganhando um beijo na testa de Edward, que foi abrir a porta.
— Sua filha esta te chamando para o café da manhã. — Tanya disse seca. — E por Deus, não acredito que esta com essazinha ai. — Ela disse com desdém. Bella apareceu atrás dele, o abraçando pela cintura.
— Não precisa acreditar, Tanya. Nós podemos mostrar á você novamente. — Ele disse quase rindo, virando de costas para ela e beijando Isabella novamente. Tanya saiu bufando e batendo os pés enquanto descia as escadas.
— Como ela consegue ser tão cara de pau? Realmente Edward, não acredito que um dia você se casou com ela. — Ela disse com pesar. Tanya incomodava Bella mais do que ela podia dizer, ter ela rondando o Edward como um urubu a deixava com uma vontade enorme de lhe dar um belos tapas.
— No começo ela era boa demais, nós fomos felizes. Mas depois que ela teve Claire tudo mudou. — Ele deu de ombros. — Mas nada disso importa mais, estou com você agora. — Ele beijou o nariz dela.
— Acho bom viu. Por que se eu souber que você andar abrindo demais a porta do seu quarto, nós vamos ter uma conversa bem mais agressiva. — Ela disse tentando ser ameaçadora, mas ele não conseguia pensar em nada além de como ela era fofa brava. — E vista uma camisa, por favor. Não quero que ela fique lhe encarando no café da manhã. — Ela disse brava, fazendo ele sorrir. Bella desceu as escadas e arrumou suas roupas indo até a cozinha.
URSS, Leningrado, 4 de agosto de 1946 – 8:53 am— Mansão de Edward Cullen Scherbítsky — Quarto de Alice Cullen
Alice, Jasper e Emmett estavam encarando os papéis recém chegados das investigações. Jasper era quem estava á frente de tudo, mas ele tinha mais dois aliados nas pesquisas, e o que eles tinham ali era ruim demais para se acreditar.
— Mas como isso pode ser possível? É monstruoso demais. Não achei que ele chegaria a esse ponto. — Alice disse incrédula enquanto lia os documentos. — Nós precisamos confrontá-lo, ele não pode sair imune á isso tudo.
— Ele tem proteções, Alice. Não é simples assim. Homens como ele tem até pessoas da parte policial ao seu lado, e eu acredito que até aliados no exército. — Emmett comentou.
— Mas isso é crime estadual, ele traiu o país. — Alice rebateu.
— É verdade, amor. Mas não podemos confrontá-lo sem nos prepararmos muito antes. Ele é um homem astuto e provavelmente já esta movendo homens para esconderem registros, felizmente temos um deles jogando do nosso lado. — Jasper disse um pouco aliviado, apesar de estar preocupado demais com a situação.
— E sobre a certidão de nascimento? — Alice disse preocupada. — Ele tem o direito de saber, Jasper. — Ela o encarou.
— Eu sei, mas é cedo demais. — Ele concluiu.
— Eu só sei de uma coisa, eu quero vingança. — Emmett disse frio. — Você não pode tirar isso de mim, Jasper. Por favor. Eu preciso disso. — Ele disse firme, se segurando ao máximo para não cair em lágrimas.
— Eu sei meu amigo, eu sei. Mas tudo ao seu tempo, precisamos ter calma. — Jasper disse, segurando a mão do amigo sobre a mesa rapidamente. — Agora precisamos nos focar nela, e pensar em algo para resolver essa situação. — Ele concluiu.
— E sobre esse tempo que ficaram fora? Você já conseguiu os registros? — Alice questionou.
— Ainda não, ele me disse que levará um pouco mais de um mês. Mas até lá, precisamos tomar cuidado. — Jasper respondeu cauteloso. — Uma das coisas que eu aprendi na guerra foi a hora certa de atacar, e acreditem, ainda é muito cedo. — Alice e Emmett bufaram. — Eu sei que querem acabar com isso, acreditem, eu nunca quis tanto resolver algo em toda minha vida, mas podemos colocar tudo a perder. — Ele concluiu cauteloso, convencendo ambos. Este seria definitivamente um mês longo.
URSS, Leningrado, 4 de agosto de 1946 – 18:47 pm— Mansão de Edward Cullen Scherbítsky
O dia passou rapidamente.
Claire e Benjamin brincaram o dia todo na varanda sob os olhos de Roza e Ivanov, até que a noite caiu. Alice, Jasper e Emmett ficaram praticamente o dia todo lendo documentos e fazendo anotações. E enquanto Bella realizava algumas tarefas de casa, Tanya aproveitava para correr atrás de Edward, novamente. E outra vez, sem obter sucesso.
A noite caiu e Alice finalmente saiu do quarto, pegando um copo de whisky e subindo para o quarto do irmão. Ela entrou sem bater e encontrou Edward encarando o armário.
— Já contou pra ela? — Ela indagou, sorridente.
— Ainda não. — Ele disse pensativo, coçando a cabeça. A toalha ainda enrolada na cintura e o cabelo molhado. Alice foi até ele e lhe deu um tapa no ombro.
— Como você espera que ela se arrume em menos de duas horas? — Ela disse brava. — Chame ela agora. — Ela disse bufando.
— Eu posso me trocar antes? — Ele disse incrédulo.
— Claro que não! Como se Bella já não soubesse o que tem ai de baixo. — Ela revirou os olhos, puxando ele pelos braços e o levando até a passagem secreta na parede.
— Não chegamos á esse ponto ainda, Alice. — Ela parou antes de apertar o botão, o encarando.
— Você só pode estrar brincando comigo. — Ela bufou e apertou o botão, dando de cara com Isabella sem roupa alguma, de costas para eles, enquanto pegava as roupas de baixo em cima de sua cama. Edward não pode deixar de apreciar a bela bunda de seu namorada. Alice deu um gritinho, o que fez Isabella pegar a toalha e se enrolar rapidamente na mesma, se virando assustada para a parede.
— Meu Deus do céu, Alice. — Ela disse, colocando a mão no coração. — Eu podia ter morrido do coração. — Ela disse assustada, corando ao ver Edward também de toalha, a encarando.
— Morrer pelada deve ser uma experiência e tanto, mas hoje não é seu dia de sorte. — Alice piscou. — Na verdade, eu vim aqui para o Edward lhe perguntar uma coisa. — Ela disse sorrindo, o empurrando em direção ao quarto dela. Ele riu, olhando Bella de cima a baixo, a encarando como nunca a tinha encarado.
— Edward, — Ela chamou a atenção dela. — Aqui em cima, por favor. — Ela pediu para que ele a olhasse no rosto, já ficando encabulada com a inspeção.
— Desculpe, amor. — Ele riu travesso. — Eu queria te fazer um convite. — Ele se aproximou dela. — Faz muito tempo que não vou á cidade, mais tempo ainda que não vou ao cinema e coisas do tipo. — Ele disse meio sem jeito, sorrindo pra ela. — Alice comprou dois ingressos para o cinema hoje, Casablanca. — Ele disse sorrindo, sabia que ela queria muito assistir ao filme. — E fiz reservas em um restaurante. — Isabella sorriu, se aproximando dele.
— Claro que eu aceito sair com você, Edward. — Ela sorriu e ele sorriu de volta. Alice bateu palmas, atrapalhando o momento dos dois.
— Lindo, lindo! Mas o filme começas e menos de duas horas e eu ainda preciso dar um jeito em Isabella, por Deus, minha mágica leva tempo! — Ela disse implicante, fazendo os dois sorrirem. Ela foi até Edward e o puxou pelos ombros. Ele lançou um beijo para Isabella e foi para seu quarto, fechando a passagem. Isabella suspirou e encarou Alice, e então ela soube que essas "menos de duas horas" seriam as mais longas de sua vida, mas ela não pode deixar de sorrir.
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