Dark Eyes

13 Acerto de contas


Notas iniciais
Eu cheguei aqui dia 1/01/14 e vi D-U-A-S novas recomendações. Quase tive um treco e queria agradecer MUITO! LucyMusics2 e Mrs. Pads, esse capítulo é dedicado à vocês. Não postei antes de hoje, pois com esse negócio de ano novo e viagem sendo planejada, andou meio complicado. Desculpem-me por isso. Ah, agora Dark Eyes tem um cronograma que pode ser encontrado no meu perfil. Tenho outra novidade também ... A partir de hoje, estarei indicando qualquer estilo de fanfic que eu goste aqui. Vocês podem deixá-las aqui nos comentários para eu ler. A primeira fanfic a ser indicada hoje é Lonely (TWD): http://fanfiction.com.br/historia/403146/Lonely Esperam que gostem da leitura... Eu juro que tentei fazer o P.O.V. do Ares legal. Se preparem para uma conversa entre mãe e filha. BOA LEITURA!

Capítulo XI

“Acerto de contas”

P.O.V. Ares

Rachel tocou em sua mão, seus olhos ficaram verdes e palavras de uma profecia – ou melhor, da profecia que nos envolvia- começaram a sair de sua boca. Aquela profecia que não saia a cerca de dezoito anos da minha cabeça nem da de Apolo.

– O fruto de dois deuses crescerá sem saber o seu passado.

Por batalhas,no exterior e interior, passará.

O sol e a guerra se enfrentarão para conquistar seu coração.

Sangue ela carregará em sua mãos.

Um dos deuses ela terá que escolher

Até o último floco de neve cair sobre o acampamento.

Quando a noite chegar, o mais profundo segredo será revelado.

Enquanto Rachel citava a profecia, Kimberly segurou na mesa para não desabar. Seus olhos se encheram de lágrimas. Apolo gritou mandando seus filhos levaram Rachel para a caverna dela, quando a garota desmaiou.

Kimberly estava com as pernas bambas e pelo visto estava tonta. Ela segurou numa mesa para se equilibrar. Pela primeira vez eu vi a minha garota chorar em público. As lágrimas lutavam para sair de seus olhos negros. Ela bagunçava seus cabelos na tentativa de acalmar sua fúria, no entanto foi em vão. A filha de Quione me encarou com fúria. Não só a mim, mas como Apolo também. Enxerguei a decepção e raiva no seu olhar. Senti um buraco abrir em mim. A deusa da neve caminhou ligeiramente até a filha, entretanto Kim afastou-a.

–Você mentiu para mim. Eu sou filha de um deus?! – Exclamou com ódio e encarou a mãe. – Você disse que meu pai estava morto, Quione.

–Kim... – A deusa começou a falar, entretanto viu que não adiantava nada.

– Era por isso que se aproximaram de mim?! – Ela olhou para mim e Apolo. Abri a boca diversas vezes, porém as palavras não saiam da minha boca. Ela me encarou com um olhar perdido e desabou no chão.

Após Quíron gritar para os campistas se retirarem, eu caminhei até ela enquanto Apolo examinava Rachel. A filha de Quione chorava baixinho sentada na relva clara e, agora, cheia de neve. Ela fazia flocos rodarem no ar. Kim se levantou quando me viu e caminhava para longe de mim. Puxei seu braço e a abracei. Ela deu um tapa em meu peito tentando sair dos meus braços, mas depois chorou ali mesmo.

–Por que você fez isso comigo? – Questionou, limpando suas lágrimas. –Você mentiu para mim... Iludiu .... Fez que eu me amolecesse por sua causa. — Olhou para mim. -Eu beijei você.

–Você acha mesmo que eu queria amar você? – Questionei e ela arregalou os olhos. –Eu sou o deus da guerra, achei que isso era impossível. No inicio, eu realmente achei que era só a profecia, mas quando eu te vi aqui e te conheci, vi que não era. – Falei sinceramente e limpei sua lágrima. — Eu amo você, filha de Quione.

–Não sei se devo confiar em você ou nele. – Inclinou a cabeça para Apolo. –Você escondeu isso tudo de mim, Ares. Vocês dois.

–Eu não tive escolha. – Falei. –Confia em mim.

–Não estou conseguindo raciocinar agora. – Disse.

–Kim... – Chamei-a.

–E-eu sou uma deusa! – Exclamou. – Não posso acreditar nisso.

–Vai tudo ficar bem. – Sussurrei, tentando acreditar naquelas palavras.

–Não vai e você sabe disso. – Ela se afastou e me encarou. –Não consigo ficar perto de você agora... Não dá.

Dito isso, ela saiu correndo para longe de mim. Travis esbarrou com ela no meio do caminho e os dois se sentaram numa mesa. Eu encarei-a. Ela estava certa, tudo estava apenas começando. Muita coisa poderia acontecer. Eu teria que lutar por ela assim como Apolo. Tínhamos apenas um mês.

P.O.V. Kimberly

A festa tinha sido encerrada devido à profecia. Todos os campistas me lançaram um olha de pena. Eu não preciso da pena deles. Estava sentada numa das cadeiras brancas abraçada com Travis. Eu não queria sair dali. O filho de Hermes mexia em meus cabelos negros enquanto eu desabava. Quione, a deusa da neve, estava com Kirsty e Dimitri. Eu não queria ficar perto dela.

Sabe quando uma cratera abre em seu peito? Quando tudo o que você viveu em anos não passava de uma grande mentira? Todos à sua volta mentiram ou esconderam algo de você? Quando a pessoa a qual você mais se importa não deve sentir nada por você de verdade? Se você não sabe, nem queira saber. São umas das piores sensações do mundo.

Segundo a profecia, eu tinha um mês para descobrir quem era meu pai, escolher um deus, descobrir um amor, ver sangue ser derramado em minhas mãos ... Não me sentia preparada fisicamente e muito menos emocionalmente.

Observei alguém se aproximar. Desejei tanto que não fosse nenhum dos deuses quando ouvi o barulho de patas. Era Quíron. Desenterrei minha cabeça dos ombros de Travis Stoll e encarei o centauro. Ele abaixou a cabeça no sinal de um “eu sinto muito”.

–Vocês não podem mais adiar essa conversa. — Quíron disse e encarei-o. Odiava quando ele estava certo.

–Está bem. – Murmurei e levantei da cadeira. Travis fez o mesmo e beijou o topo da minha cabeça.

–Você vai ficar bem? – O filho de Hermes perguntou.

–Vou tentar. – Disse e me virei para Quíron. O centauro me levou até a deusa da neve. Ela me olhou. Seus olhos estavam completamente vermelhos de tanto chorar. Suas mãos frias estavam tremulas. -Podem ficar na Casa Grande. – Ele disse e Quione negou com a cabeça.

–Não, obrigada, Quíron. – A deusa agradeceu. –Iremos conversar no chalé. – Ela disse e eu dei os ombros.

Estávamos andando em silêncio até ao chalé de Quione.

Eu sentia meu sangue ferver de raiva. Queria gritar o mais alto possível ou talvez apenas quisesse desabar em lágrimas por viver toda a minha vida vivenciando uma mentira. Quione, Quíron, Ares, Apolo e Atena mentiram para mim fazendo-me acreditar que eu era apenas uma semideusa filha da deusa da neve. Entretanto, eu sou uma deusa menor. Encarei Quione ao pronunciar essa palavra na minha mente. Minha fúria e a decepção subiram minha cabeça. Durante esses dezoito anos, eu pedi a verdade sobre meu passado e sempre me negaram. E minha mãe ainda mente na “cara de pau” dizendo que ele morreu.

Quione abriu a porta do chalé e entrou. Bati a porta com força após entrar e a vi se sentando no sofá ciano claro. Sentei-me na poltrona a sua frente, cruzei minhas pernas e acomodei minhas mãos no “braço” da poltrona branca. Ela me encarava esperando eu que eu falasse alguma coisa, mas não fiz.

–Suponho que tenha perguntas a me fazer. – A deusa da neve falou e me fitou com o olhar.

–Várias perguntas. – Respondi. –Mas você sabe qual vai ser a primeira a ser perguntada. –Sorri ironicamente e ela se levantou do sofá. – E por mais uma vez eu lhe pergunto, quem é meu pai, Quione? – Levantei-me da poltrona e fiquei atrás dela.

–Você vai descobrir sozinha. –Ela respondeu friamente, virando-se para mim.

–Vai continuar escondendo o meu passado? – Questionei.

–Não vou poder ajudá-la na profecia. –Ela disse alterada. –São regras e destino.

–Destino não existe. – Afirmei.

–Isso é que você vai descobrir. – A deusa falou.

–Com a sua ajuda ou não, eu vou achá-lo. – Afirmei com raiva.

–Kim... – Chamou-me.

–Cala a boca! – Gritei e ela ficou irritada. –Olhe nos meus olhos. – Ela não fez. – Olhe nos meus olhos agora, Quione. – Disse e ela olhou.

–Você tem os olhos obscuros dele. – Ela falou, olhando para mim.

–Quione, diga-me quem ele é. – Pedi.

–Não posso, Kimberly. – Ela gritou.

–Ele sabe da minha existência? – Perguntei.

–Não. – Ela tinha os olhos lacrimejados.

–Obrigada por ser uma mãe desnaturada. – Falei e ela apertou meu braço fortemente.

–Você não sabe as consequências que isso iria trazer a ele e a mim. Por que acha que eu te levei para o castelo? Não foi só porque eu te amava. Os deuses iriam descobrir sobre você. Agora, eles vão. Tentei adiar isso o quanto pude. – Falou.

–Como você o conheceu? – Perguntei.

–Isso não vem ao caso agora. – Disse.

–Vai continuar me negando respostas? – Questionei e ela não respondeu. Andei até a deusa e apertei seus braços com força. -Preste atenção!- Ela fixou seu olhar em mim. –Eu vou congelar e quebrar qualquer um que entrar em meu caminho. – Ela ficou ainda mais pálida. –Eu vou matar com as minhas mãos quem me impedir, Quione. – Sorri sarcasticamente. –Porém, no final, eu vou encontrá-lo. – Afirmei. –Ou melhor, ele virá até mim.

(...)

Eu rolava na minha cama por horas e horas. Não consegui ficar calma mesmo abraçada com Naomi, minha loba. Sentei-me na cama irritada e minha loba acordou indo para a ponta da cama Box de casal. Enrolei-me nas cobertas e tentei adormecer novamente. Não adiantou. Contei carneiros, também não funcionou. Fiz flocos de neve saltitarem e, adivinhe, acabei despertando mais ainda.

Bufei, levantando-me da cama de casal. Calcei minhas botinhas brancas fofas e enrolei-me num cobertor branco. Peguei uma lanterna e andei até ao jardim do chalé. Estava um frio maravilhoso. Fechei os olhos e senti o vento congelado bater em meu rosto. Sentei-me no banco de gelo e fiquei observando a paisagem. A profecia, as palavras de Quione e as de Ares não queriam sair da minha cabeça. Provavelmente eu seria convocada para uma reunião no Olimpo ou algo do tipo. Eu só queria tirar aquilo tudo da minha cabeça.

Deviam ser cerca de três horas da manhã e eu não tinha conseguido dormir. Era melhor eu sair dali antes que uma harpia viesse atrás de mim. Era só o que me faltava hoje ter que fugir de uma criatura. Minha barriga roncou. Seria arriscado ir até ao pavilhão. Não queria comer. Só queria descobrir logo tudo e ficar em paz.

Respirei fundo.

Comecei a caminhar pelo acampamento. Vi todos os chalés apagados e até mesmo escutei alguns roncos. Ri baixinho. Passei por alguns chalés que nunca notei. O chalé quatorze provavelmente era o chalé de íris. Tinham várias cores enfeitadas em suas paredes externas. As janelas mostram um arco-íris em cada uma. Era estranho e fofo demais. Um fofo menos fofo e bizarro do que o de Afrodite. Andei mais um pouco e parei no chalé treze. Ele era bonito e devia ser novo. Pelo que vi, ele era feito de mármore sólido preto com colunas e não tinha nenhuma janela – o que era bem estranho. Vi duas tochas pretas com um fogo grego.

Quando fui ver, estava na porta do chalé onze. Bati na porta de madeira e Travis atendeu. Ele abriu a porta rapidamente e pronto para dar um fora enorme em alguém quando me viu. O filho de Hermes arregalou os olhos e deu espaço para que eu entrasse. Travis estava com uma blusa cinza larga, uma calça de pijama quadriculada azul e seu cabelo bagunçado. Ele encarou meu rosto com olheiras e acariciou minha bochecha. Eu respirei fundo e ele me abraçou. O filho de Hermes me pegou no colo e levou-me até sua cama. Colocou-me deitada lá e se sentou ao meu lado.

Eu não precisava falar nada. Travis só de me olhar sabia que estava mal. Deitei minha cabeça em seu peito enquanto ele mexia em meus cabelos negros e ondulados. O Stoll me abraçou de lado e entrelaçou sua mão com a minha. Eu chorei um pouco e ele secou minhas lágrimas. Eu tinha que agradecer muito por tê-lo como amigo.

–Está melhor? – Perguntou baixinho para não acordar seus irmãos.

–Sim, obrigada. – Ele me fitou com o olhar e me deu um beijo na testa. –Você deve está com sono. –Disse, encarando seu rosto cansado.

–Não tem problema, Kim. – Ele sorriu. – Eu e você. Sempre. Lembra? – Ele perguntou.

–Lógico, meu ladrãozinho. – Eu sorri. — Como eu poderia me esquecer?

–Eu vou te ajudar ... — Ele sussurrou em meu ouvido. — Você vai conseguir enfrentar essa profecia.

–Eu espero que sim. — Suspirei. — Eu estou perdida nessa confusão. — Disse e tentei sorri, mas falhei.

–Você vai se achar. Sempre se acha. — Ele acariciou meu cabelo.

–Você é o melhor, Travis. — Ele sorriu. — Eu te amo, ladrãozinho.

–Eu também. — Falou.

Sorri e me virei para o lado da parede. Travis abraçou minha cintura e senti seus dedos mexerem em minhas mechas. Antes de adormecer, ele deu um beijo na minha bochecha e sussurrou muito baixo:

–Você não tem ideia do quanto eu amo você, baixinha.

Depois disso não ouvi nenhum barulho e acabei dormindo.

"Estava sentada na montanha que Ares me levou. Estava chovendo bem forte. Ele caminhou até mim com os cabelos todos molhados e a roupa encharcada. Levantei-me e ele chegou até mim. Seus olhos estavam cheios de lágrimas.

–Eu amo você. — Ele disse alto e segurou minhas mãos. -Acredita nas minhas palavras.

–Eu acredito em você, deus da guerra. — Falei e selei nossos lábios. -Agora para de falar toda hora que me ama, você não é assim.

–Você tem o dom de me fazer mudar. — Ele sussurrou. — Ei, nós vamos acabar logo com isso, ok? Eu não posso dizer quem ele é ou levá-la até seu pai. Entretanto, ninguém disse que eu não poderia te ajudar um pouquinho.

–Vai me ajudar a enfrentar essa tempestade, deus da guerra? — Questionei.

–Tudo que você quiser, filha de Quione."

Notas finais
Sei que foi mais curto e tentarei recompensar nos próximos... O que será que vai acontecer agora? Deixem ideias. Ah, esse mimi da Kim acabou aqui, ok? Relax. QUERO SABER: Quem vocês acham que é o pai da Kim? O que vocês acham que rolou entre a Drew e a Kim no passado? Conseguem passar dos 100 reviews? Quero ver, hein.