Os líderes dos grupos pegaram as velas e a lanterna, e comandaram os outros integrantes para saírem da sala de aula e se encaminharem para o corredor.


Luis ligou a lanterna e reuniu o grupo na escada.



– Sentem-se. Tive uma ideia. Nós vamos nos subdividir em 2 grupos denominados A e B. O A vai se encarregar das crianças do primeiro andar e o B do segundo andar. Emanoelle, Thayná e eu cuidamos do primeiro, enquanto Milena, Rodrigo e Jade cuidam do segundo.



– Uma pergunta, sr. inteligente?



Luis revirou os olhos.



– Sim, Milena.



– Como vamos nos subdividir se só temos uma lanterna?



– Aí é que entra o meu truque, srta. Tenho uma mini lanterna no bolso da minha calça, a qual carrego pra todo o lugar.



– Ah, sim, nós deveríamos ter desconfiado. Luis é hiper-mega-preparado. — Rodrigo falou, num tom de deboche.



– Escuta aqui, seu i..



– Parem com isso, meninos. Só vai piorar a situação. — Jade falou.



– É. Vamos começar logo com isso. — completou Emanoelle.



[..]



Do outro lado da escola, o grupo 1 se organizava.



– Certo, eu acho que temos que andar logo com isso. — Carolina falou.



– Disso todo mundo sabe. Mas o que, certamente, vamos fazer? — Dessa vez, foi Desire quem perguntou.



– É só pegar comida. — Alanys falou.



– Qualquer jumento consegue fazer isso. — Angela soltou.



O líder do grupo, que andava de um lado pro outro, parou de se mover. Como quem acabara de ter uma ideia, disse:



– Pois bem. Supomos que o temporal dure 2 dias. O que iremos comer até que a luz volte?



– Fácil. Precisamos de bolsas térmicas e muito gelo. — Adrielly disse.



– Ah, claro, é simples. Onde vamos encontrar gelo, se as geladeiras estão degeladas? — Wonka respondeu.



Os sete começaram a falar ao mesmo tempo, discutindo, impondo ideias, gritando pelos raios... Até que pararam quando Angela falou:



– Eu sei onde!



Então, curiosos, todos ficaram quietos.



– Vocês conhecem o quarto escuro?



As seis pessoas daquele grupo arregalaram os olhos e gritaram juntos:



– Nem pensar! Não quero descer até lá!



E se entreolharam, perplexos. Porém uma menina tinha ficado quieta, não entendia absolutamente nada: A novata.



– O que é isso? Quarto escuro?



Cochichos pesaram no ar.



– Você acha que ela precisa saber mesmo, Deh? — Wonka perguntou.



– Acho, e vou contar. Há dois anos atrás, recebemos uma intercambista nesse colégio interno. Até aquela época, éramos forçadas a sermos perfeitas e certinhas. Gostávamos de ópera, amávamos rosa, usávamos vestidos bordados com borboletas, quer dizer, nós sempre fingimos bem. Até o dia em que a nova aluna chegou. Seu nome era: Amye. Ela era a menina mais estranha que as professoras conheceram. Seu cabelo era preto e curto, seus olhos mal podiam ser vistos. Diziam que ela não sabia falar a nossa língua e sussurrava palavras de uma língua desconhecida.. Coisa que eu nunca ouvi.



– Deh, me disseram que ela cheirava a pum. — Completou Adrielly.



– Boatos dizem que ela fedia mais que mil ratos de esgoto. Então, Amye, por azar/sorte foi escolhida para ficar no nosso dormitório. Enquanto dormíamos, ela se atreve a ficar acordada depois do horário e vagar pela escola. Ela caminhou pelo prédio 19, onde as faxineiras dormiam naquela noite de lua cheia. Amye caminhou, caminhou, caminhou e caminhou. O frio fazia seus pés doerem, mas ela não parou de caminhar por dor. O corredor parecia infinito... Até que ela encontrou uma porta, no final do corredor. Cansada da caminhada (por mais de duas horas), ela colocou a mão na maçaneta, e abriu. Dizem que ela ficou tão horrorizada pelo que viu lá, que por um milésimo de segundo, seu coração parou de bater. Da mesma maneira que o lugar a assombrava, era como se o quarto a convidasse pra entrar. Ela estava com sede, não tinha ninguém lá dentro, a não ser um copo de refrigerante em cima da mesa. Ela entrou e pegou o copo, e antes que pudesse tomar, viu algo sobrevoando a sala. Com o susto que levou, caiu no chão. Quanto pode abrir os olhos, notou uma criatura no ventilador, cuja a pele era vermelha e os olhos negros, porém profundos como o maior dos abismos. Se ela pudesse morrer sem sentir dor, escolheria fazer aquilo agora.



– Eu sempre fico com medo quando ouço isso. — Sussurrou Alanys, que estava agarrada ao pé de Carolina.



– Continuando: Um mês depois, ela apareceu no nosso dormitório e contou a história para mim e para Raissa. É óbvio que nós não acreditamos na primeira vez, então ela nos levou até a porta, mas não deixou que entrássemos. Quando vimos o local, sentimos uma coisa estranha e então percebemos que o que ela disse ter vivido, era verdade. Amye foi maltratada, cortaram dois dedos dela, chicotearam suas costas e a abusaram naquele quarto. Não era apenas uma criatura que lá habitava, mas sim, cinco. Depois daquela noite, Amye foi chamada pela direção e nunca mais voltou.



– Ok, e o que isso tem a ver com o quarto escuro? — Carol perguntou.



– O quarto escuro é o quarto da criatura. A diretora travou as portas e janelas, e quando perguntamos porque, ela disse que é porque a sala estava em restauração. — Deh completou.



– Restauração por dois anos? — Wonka perguntou.



– É, estranho. Muito estranho. Mas por que iríamos até lá pra conseguir gelo?



– Lá, segundo Amanda, a luz/eletricidade nunca acaba. Eles tem geladeiras e essas coisas.



– Eu não acredito nisso. — Edu falou, indignado.



– Acredite no que quiser. Se não conseguirmos gelo, iremos morrer.



– Não duvido disso, Deh. Eu acabei de ver no meu celular, e a previsão do temporal é de duas semanas. Diz também que o sol não virá, por isso teremos ruas escuras. — Adrielly falou.



– Então, quem vai comigo até esse quarto escuro? — Carolina perguntou.