Dark Dawn
32 Capítulo 32: Confissões da Madrugada
Notas iniciais
Capítulo 32:
Confissões da Madrugada
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SAKURA E SARADA PREPARARAM O JANTAR juntas enquanto conversavam sobre todo tipo de assunto, trocando sorrisos ao modelar o arroz no formato de onigiris; o missoshiro cozinhava numa panela funda no fogão, fumegando e enchendo a cozinha com um aroma delicioso.
De repente, Sarada franziu o rosto numa careta assim que viu a mãe começar a cortar tomates.
— Não se coloca tomates no missoshiro, mamãe! Eu já te disse isso — protestou, arrancando risos de Sakura.
— O seu pai gosta deles, não é mesmo, Anata? — E virou-se para Sasuke em busca de apoio.
Sasuke encostou o quadril ao balcão que divisava a cozinha da sala de jantar. Embora os lábios não houvessem se movido, sorria com os olhos ao encarar a esposa e a filha discutirem sobre o acréscimo de tomates na sopa de miso. Sakura argumentava sobre o valor nutritivo do fruto, mas Sarada enrugava o rosto em desgosto, alegando detestá-los.
Sasuke poderia observá-las por horas sem se cansar. Depois de ter sido privado por dias da companhia delas, estar por perto outra vez dava-lhe a impressão de que estava sonhando, um sonho do qual não gostaria de despertar nunca mais.
Quando o jantar foi servido, os três se sentaram à mesa e começaram a comer. Havia fartura de comida e as conversas fluíam enquanto comiam, os assuntos surgindo graças à Sakura e Sarada que faziam questão de relatar a Sasuke tudo o que havia acontecido durante a sua ausência.
Sasuke ouviu tudo com atenção, tentando imaginar como sua família e amigos haviam se sentido com a troca. Se para ele fora desesperador, para as pessoas que o amavam deveria ter sido torturante.
Sarada, de repente, afastou os hashis e colocou sua tigela de lado, olhando com angústia para o pai.
— Papai... O que aquela pessoa disse... É tudo verdade? V-Você lutou mesmo contra o Nanadaime-sama? Enfrentou o Nanadaime-sama no passado?
Sakura olhou com preocupação do marido para a filha, que esperava pela resposta do pai. O clima leve do jantar desapareceu depressa, dando lugar a uma tensão palpável. Sasuke, entretanto, suspirou, não avertendo os olhos em nenhum momento enquanto falava com a filha:
— Sarada, houve uma época em que eu estive perdido em dor e em solidão — respondeu devagar, não omitindo o passado doloroso da filha. — Eu acreditava que só havia um caminho para mim: o da escuridão. Estava determinado a segui-lo, convicto de que nunca existiria mais nada para mim.
“Durante essa época, também cometi muitos erros. Especialmente com o Naruto e com a Sakura. — Cada palavra ressoava com um pesar tão contundente quanto incontestável; sombras se aprofundavam no semblante sereno de Sasuke. — Cheguei perto de perder tudo com o que eu me importava, muito perto. Mas percebi que estava cometendo o maior erro da minha vida antes que fosse tarde demais graças ao Naruto.
Sarada mordeu o lábio, os olhos inseguros fugindo dos de Sasuke ao se desviarem para a mesa. Sasuke amenizou o tom ainda mais, esperando conseguir confortar a filha.
— Algum dia eu te contarei tudo sobre o meu passado. Não omitirei nada de você. Eu o farei não com o intuito de me justificar ou justificar os meus atos perante os seus olhos, mas para te fazer compreender por que cheguei aonde cheguei.
A promessa animou-a, fazendo-a erguer o rosto e encarar o pai outra vez.
— Promete, papai?
Sasuke aquiesceu e Sakura sorriu com alívio.
— Aa. Eu prometo. Algum dia, você saberá tudo.
Sarada sorriu e então voltou a se concentrar na comida. Sasuke e Sakura trocaram um olhar intenso à mesa e também voltaram a comer. Ao término, Sasuke ajudou-as a retirar a mesa e a cuidar da louça suja.
Em pouco tempo, tudo estava limpo e organizado outra vez. Sarada retirou-se para o quarto entre bocejos, alegando estar cansada por ter tido um dia cheio. Deu boa noite aos pais e afastou-se, deixando Sasuke e Sakura sozinhos na espaçosa sala de jantar; seus passos tornaram-se distantes e, alguns segundos depois, uma porta no fim de um corredor se fechou.
Uma vez que o silêncio imperou — as conversas alegres de antes tendo esmorecido —, Sakura encorajou o marido com um sorriso afetuoso:
— Por que não toma um banho e se prepara para dormir? — sugeriu. — Todos nós tivemos um dia cansativo, mas você mais do que ninguém deve estar precisando de uma boa noite de sono, Anata.
Sasuke sentiu os cantos da boca se repuxando num sorriso ameno, assentindo. Seria bom dormir em uma cama macia outra vez, principalmente uma cama que dividisse com Sakura. Estava ávido por senti-la dentro do seu abraço, o calor e o cheiro dela envolvendo-o e embalando-o até que pegasse no sono.
Portanto, seguiu para o quarto mais espaçoso da casa, entrou e fechou a porta. Percorreu com os olhos o cômodo obscurecido pelas trevas da noite, os contornos da mobília. Procurou por uma muda de roupas limpas na cômoda e seguiu para o banheiro contíguo ao quarto, entrando e ligando o interruptor. Ligou o chuveiro e despiu as roupas; uma nuvem de vapor rapidamente encheu todo o banheiro.
Sasuke entrou debaixo da torrente de água quente, fechando os olhos e, enfim, permitindo-se soltar o suspiro profundo de alívio que segurara até aquele momento, tirando o cabelo molhado do rosto e passando os dedos nas grossas mechas negras. Estava em casa. Com Sakura e Sarada. Conseguira voltar para o próprio mundo e nem nada nem ninguém o tiraria dali outra vez.
Perdido em pensamentos, ele procurou pelo sabonete e ensaboou o corpo. Sorriu devido à fragrância floral que lhe chegou às narinas, era a mesma da qual se recordava. A fragrância que o perseguira em todas aquelas noites frias e solitárias na outra realidade nas quais ansiou, mais do que tudo, em poder senti-la de novo.
Depois, ele procurou pelo frasco de xampu. Sakura sempre deixava um à mão para o caso de ele voltar sem sobreaviso para casa. Lavou o cabelo sem pressa, e poucos minutos depois fechou o chuveiro e enrolou uma toalha na cintura. Passou a palma da mão no espelho acima da pia, enxugando o vapor.
Olhou para o próprio rosto refletido na superfície úmida do espelho e contentou-se por perceber a leveza que lhe tomava o semblante, o brilho contido no olho negro e solitário. Tocou o toco do braço esquerdo, sentindo-se aliviado por constatar que a cicatriz era antiga.
Sasuke colocou uma segunda toalha ao redor do pescoço a fim de aparar as gotas de água que pingavam do cabelo; desatou o nó da toalha que usava na cintura e se vestiu. Não se importou de vestir a camiseta e foi para o quarto, que continuava às escuras. Sentiu uma aproximação repentina e não se moveu um único centímetro, mesmo quando o corpo de Sakura colou-se às suas costas e os braços dela envolveram-no, as mãos pousando sobre o abdome e o peito despidos e ainda úmidos do banho.
Os lábios dela pressionaram-se contra a pele das suas costas, só então ela suspirou.
— Senti saudade de te abraçar assim — confessou num sussurro, não fazendo menção quanto a desfazer o abraço e separar-se dele. — Na verdade, por um instante, tive medo de que nunca mais seria capaz de fazer isso.
Sasuke tocou o dorso de uma das mãos que o envolvia.
— Como soube que ele não era eu?
— Vocês tinham o mesmo rosto, a mesma voz e o mesmo cheiro... Ele até agia como você. Falava como você. Mas eu via a verdade nos olhos dele toda vez que ele me olhava e eu sentia isso no meu coração... Aquele não era o homem com quem eu me casei.
Sasuke reprimiu um sorriso. Seu polegar afagava o dorso da mão de Sakura. Ela deu de ombros.
— Quando pedi ao Naruto para checar o seu chakra e ele também percebeu... Não tive dúvidas de que alguma coisa tinha acontecido com você. Alguém tinha te levado para longe de nós.
Não pela primeira vez, Sasuke se sentiu imensamente grato por Sakura conhecê-lo tanto e tão bem. Obviamente ela perceberia as trocas antes de qualquer um. A conexão que possuíam era forte demais, profunda demais; não seria ludibriada mesmo pelo Sasuke de outra realidade.
— Eu prometi que voltaria, não prometi? — Sasuke lembrou-a da promessa que fizera na noite em que foi tirado do lugar ao qual pertencia pelo plano malicioso do Chikage.
Sakura assentiu, esfregando a bochecha nas costas fortes e nuas.
— Ainda assim, fiquei contente quando ele disse que cooperaria conosco.
— Ele se arrepende de tudo o que fez — Sasuke murmurou, a voz embargada. — Tentei ajudá-lo a encontrar o próprio caminho, a se redimir pelos pecados... Espero ter conseguido.
Sakura moveu as mãos, pousando uma delas bem sobre o coração de Sasuke.
— Você não suportou vê-lo preso àquela existência, não é?
Sasuke não negou.
— Não, não suportei. Comecei a imaginar a mim mesmo vivendo aquela vida solitária, e perdida em remorso e escuridão. Quando penso que cheguei tão perto de estar no lugar dele, de cometer o mesmo erro que ele cometeu...
Sakura apertou os braços à volta dele, interrompendo-o.
— Mas você não está. Não é ele. Os erros dele não são os seus erros. Não pode se responsabilizar pelas decisões que ele tomou.
— Mesmo que eu tenha chegado tão perto de tomar as mesmas decisões que ele tomou?
Sakura não conseguiu encontrar uma resposta para isso. Sasuke pensou que ela se afastaria, pois ficou em silêncio, mas então as mãos dela escorregaram pelo seu torso até a barra da calça que ele vestia, provocando-o. Quando as mesmas mãos atrevidas abaixaram ainda mais, infiltrando-se dentro da calça, e tocaram-no com firmeza, Sasuke arfou. Os lábios macios de Sakura pressionaram-se primeiro num ombro, depois nas costas outra vez, onde pudessem alcançar.
— Espere por mim — ela pediu num tom rouco, sensual. — Eu já volto.
Sasuke virou-se quando ela se afastou num único movimento fluído. Sua esposa desapareceu no banheiro e um tempo depois ele ouviu o som do chuveiro. Suspirando, terminou de se secar, enxugando o cabelo com a toalha que levava ao redor do pescoço.
Sentou-se à cama, atentando-se que em poucos minutos Sakura fechou o chuveiro e voltou ao quarto. Distinguiu os contornos esbeltos dela na semiescuridão; a luz da lua e das estrelas varava a grande janela do quarto de casal. Uma brisa suave entrava pela fresta aberta, balançando as cortinas.
Ela veio até ele, movendo-se com a indolência de uma tigresa. Vestia uma camisola fina que mal lhe chegava à metade das coxas. Sasuke descobriu que mal respirava até que ela o alcançou, estendeu uma mão para afagar seu cabelo e desceu-a pelo pescoço até envolvê-la na mandíbula. Inclinou-se ao toque dela, apreciando-o.
Quando ela colocou um joelho sobre o colchão e impulsionou o corpo para acomodar-se no seu colo, Sasuke envolveu-a com o braço pelos quadris e a puxou para perto. Sua boca grudou-se à dela no mesmo instante, com um suspiro por parte dela, e um gemido por parte dele.
Sakura envolveu o rosto dele com ambas as mãos e entregou-se ao beijo. A respiração de Sasuke tornava-se cada vez mais errática e pesada, a mão dele descansava na curva do quadril de Sakura, os dedos pressionando a pele. Ela quebrou o beijo de repente, pegou a barra da camisola e, sem pensar, puxou-a por cima da cabeça, livrando-se da peça.
Sob a camisola, os seios estavam nus. Sakura buscou pela mão dele, que descansava no seu quadril, e levou-a até o seio esquerdo para que o cobrisse com a palma e sentisse o seu coração bater forte. Assim como ele, a respiração pesada dela fazia com que o seu peito subisse e descesse com cada respiração.
— Não quero sentir nunca mais o que senti nesses últimos dias — disse a ele, os olhos grandes e verdes ardendo de amor e desejo. — Não quero me distanciar de você dessa forma outra vez.
— Não acontecerá outra vez — prometeu em retorno, a voz solene, apertando a mão contra o seio macio, a pele aveludada criando um contraste interessante com a aspereza da palma.
Sakura estremeceu ante a carícia. Os cabelos cor-de-rosa tornavam-se pálidos sob a luz das estrelas, roçando os ombros nus e o pescoço elegante. A boca entreaberta ainda estava úmida e vermelha do beijo de antes. Sasuke intensificou a carícia no seio e decidiu poupá-la da tortura quando se inclinou para frente e envolveu o outro com os lábios.
Sakura abraçou-o com um gemido tímido, contido, enrolando os braços ao redor do pescoço e ombros dele. Correu as mãos pelos músculos esguios das costas, estremecendo timidamente a cada carícia. A mão que cobria o seio deslizou pelo ventre plano até tocar a renda da calcinha, ameaçando removê-la.
Ela o puxou para outro beijo, mordiscou seu lábio e plantou as mãos nos ombros a fim de empurrá-lo contra o colchão, usando sua força superior para subjugá-lo à sua vontade. As costas de Sasuke tocaram os lençóis e ele se viu olhando para o rosto travesso de sua esposa que ainda montava os seus quadris.
Sakura não desperdiçou um segundo a mais para despi-lo, agarrando a barra da calça e empurrando-a para baixo até metade das coxas. Sasuke silvou através dos dentes apertados quando ela voltou a envolvê-lo e acariciá-lo, inclinando o corpo e tombando o rosto de modo que pudesse encaixá-lo no espaço onde o seu pescoço se conectava ao ombro. Sentiu os lábios e depois os dentes contra a sua pele, mas estava imerso demais no próprio prazer para protestar.
Sakura provocava-o com as carícias que aplicava, ora tornando-as vagarosamente torturantes, ora intensificando-as ao ponto de ele achar que se derramaria nas mãos dela. Mas sem jamais permitir que ele atingisse o ápice. Sasuke segurou um gemido por trás dos dentes trincados e passou o braço ao redor da cintura dela. Num impulso, conseguiu rolar a ambos por cima do colchão, invertendo as posições e dominando-a sob o seu corpo.
Mordiscou uma orelha, arfando baixo ao pé do ouvido.
— Está me provocando — constatou e arrancou um riso abafado e perverso de Sakura.
Quando se ergueu para fitá-la, os olhos verdes estavam escuros de desejo, e as pupilas, dilatadas. Ela apoiou uma mão no ombro dele e adejou os longos cílios negros, lançando-lhe um olhar dissimuladamente inocente.
— Eu estou te provocando? Estou te punindo por ter me feito esperar — declarou.
Sasuke torceu a boca num meio sorriso, chutou as calças até ter se livrado por completo delas e sem demora enganchou um dedo na lateral da calcinha que ela usava, puxando-a para baixo. Sakura não ofereceu qualquer objeção a isso, separando as pernas a fim de acomodá-lo mais confortavelmente.
Passou o braço sob a nuca dela, usando-o como apoio para a cabeça e então se inclinou para mais um beijo sôfrego. As mãos dela voltaram a percorrer toda a extensão das suas costas, os dedos correndo pela sua espinha e as unhas afundando na sua pele quando ele se pressionou mais contra ela.
Sasuke recuou os quadris e impulsionou-se, esfregando-se contra ela sem realmente penetrá-la. Ainda assim, a fricção criada pelo ato fê-la gemer nos lábios dele, o som abafado pelo beijo. Cientes de que não estavam sozinhos na casa, concentraram-se em produzir o mínimo de ruído possível, seus corpos deslizando pelos lençóis que farfalhavam e amarfanhavam sob os movimentos que realizavam.
Sakura voltou a lhe morder o lábio inferior quando uma arremetida particularmente precisa de Sasuke acertou-a no ponto mais sensível. Ele decidiu que teve o bastante de provocações, então se posicionou e arremeteu de novo, daquela vez penetrando-a numa estocada firme. Sakura desfez o contato dos lábios para jogar a cabeça para trás, mordendo o próprio lábio com força a fim de segurar o gemido. As unhas dela se enterraram com força nos ombros dele, deixando marcas de meia-lua na pele.
Sasuke escondeu o rosto no pescoço dela, apertando os dentes para se impedir de gemer. O calor dela à sua volta era tentador demais, a fragrância do seu desejo era inebriante demais. Ele nada pôde fazer exceto recuar os quadris para tornar a investir, cada estocada mais precisa do que a anterior.
Uma fina camada de suor começava a cobrir os dois corpos que se moviam sobre a cama, facilitando para que as peles deslizassem uma contra a outra com menos atrito.
O coração de Sasuke estava batendo forte contra as suas costelas, uma sensação de arrebatamento começava a tomá-lo. Ele moveu o braço, abaixando-o até ter na mão a parte de trás de um dos joelhos de Sakura, erguendo uma perna para que o enlaçasse pela cintura.
Sakura jogou a outra ao redor dos quadris dele por conta própria. Colocou um braço diante do rosto e mordeu o próprio pulso para evitar a si mesma de fazer qualquer som, uma vez que Sasuke estava se mostrando determinado a atingi-la repetidamente no seu ponto mais sensível.
Quando ela atingiu o ápice, abafando um longo gemido contra a pele do pulso, Sasuke não demorou a segui-la, estocando-a mais algumas vezes antes de gozar; um gemido rouco foi abafado contra os lábios dela quando ele os procurou para outro beijo.
Os músculos tensos relaxaram instantaneamente e um torpor irresistível abarcou-o. Deixou-se cair sobre o corpo dela só por um momento, desfrutando dos efeitos do orgasmo de mais cedo que lhe embotava a mente e faziam-no se esquecer de todas as suas preocupações.
Sakura abraçou-o e fez afagos no seu cabelo. Ele deve ter adormecido por alguns minutos, pego no sono devido às carícias no seu couro cabeludo, pois quando despertou, desorientado e confuso, viu-se ainda nos braços dela, mas com a cabeça apoiada sobre os seios macios.
O silêncio imperava no cômodo, mesmo a mais leve das brisas invadia o quarto de forma silenciosa, imperceptível. Por um momento, permaneceram assim, ainda unidos, ainda entrelaçados. Então, a voz dela soou na madrugada serena:
— Como ela era?
Sasuke sabia perfeitamente a quem sua esposa estava se referindo, portanto não se prolongou no seu silêncio.
— Como você — respondeu de modo sucinto, acrescentando em seguida com pesar: — Apenas mais... solitária.
Sakura suspirou, os dedos roçando as têmporas de Sasuke, tirando o cabelo dos olhos sonolentos.
— Não consigo me imaginar assumindo tamanha responsabilidade como ser Hokage. Com o tempo, acabei associando o cargo ao sonho do Naruto e, agora, ao sonho da Sarada.
— Ela estava preparada para isso — ele limitou-se a dizer. — E acredito que honrar a memória do Naruto seja parte do motivo pelo qual aceitou o cargo.
Sakura ficou em silêncio depois disso e por um longo momento Sasuke acreditou que ela não diria mais nada. Estava quase adormecendo outra vez quando a voz dela voltou a ressoar.
— Acha que haverá uma chance para eles?
Mais uma vez, ela não precisou especificar sobre a quem se referia.
— Eu não sei — admitiu pesaroso.
— Eu acho que talvez haja — ela declarou. — A jornada para eles sem dúvida será dolorosa e extremamente difícil, e eu nem mesmo consigo me imaginar no lugar dela, mas talvez nem tudo esteja perdido.
— Por que acredita nisso? — Sasuke indagou, o cenho se franzindo.
Sakura acariciou o rosto dele com ternura.
— Porque se ainda houver amor, mesmo que seja o menor resquício, será o bastante para que eles superem qualquer barreira. Será o bastante para que deixem a dor e a mágoa para trás.
Sasuke suspirou, satisfeito com a resposta da esposa. Havia amor entre ambos?, indagou-se e não precisou ponderar por muito tempo para chegar a uma conclusão. Sim, havia. Sempre houve. Sempre haveria. O amor esteve lá o tempo todo, por vezes latente, por vezes oculto por uma máscara de mágoa e raiva, mas ele estava lá. Sobrevivera a tudo, mesmo ao ódio e mesmo à escuridão. Agora, teria de sobreviver a mais um obstáculo: o da culpa e do remorso.
— Você seria capaz de me perdoar? — ele perguntou. — Se eu tivesse chegado aonde ele chegou, tivesse cometido os erros que ele cometeu... Se eu te pedisse perdão e pedisse por uma chance para provar que posso me redimir, você me perdoaria, Sakura? Me daria essa chance?
Sakura balançou a cabeça, cada palavra que proferia soava nada menos do que convicta.
— Como eu poderia não te perdoar? Eu te amo — disse.
Sasuke fechou os olhos, um sorriso tocando-lhe a boca. Aconchegou-se mais contra o corpo quente de Sakura e deixou-se levar pela sensação de bem-estar, pela paz que o tomava, dominando sua mente e coração. Estava de volta ao lugar ao qual pertencia e do qual jamais seria tirado outra vez.
Antes de adormecer, pegou-se pensado no outro mundo, contudo. No Sasuke que ansiava por redenção e por perdão, e na Sakura que se culpava pela escuridão que o consumira. Sua esposa estava certa, se houvesse amor entre ambos ainda existia uma chance de que eles superassem todo o restante.
Imaginou-os se reencontrando, imaginou as palavras que ele diria e o que ela responderia. Imaginou-os se reconciliando e encontrando uma forma de enterrarem o passado para poderem construir um novo futuro para aquele mundo tão destruído.
Percebeu que se sentia satisfeito por imaginar que havia uma chance para eles. Incomodava-o pensar numa realidade em que ele não terminasse nos braços de Sakura, curado das dores que tanto o afligiam. Dores que apenas ela seria capaz de levar embora e fazer desaparecer, como a solidão e uma existência vazia de propósitos. Preenchendo com o seu amor dia após dia, até que todo o ódio fosse expulso do seu coração ferido.
Sasuke contentou-se por pensar que tudo terminaria bem, de alguma maneira, para eles também.
A madrugada despedia-se quando ele enfim se rendeu ao sono, e uma nova alvorada acercava-se, trazendo junto dela a promessa de novos tempos, mudanças vindouras e benquistas.
E, daquela vez, Sasuke despertaria no mundo certo. Despertaria em casa.
○♦○
FIM
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