Dark Blue
13 Um dia normal
Daniel
Fui tranquilamente ao meu carro, abri até que senti alguém cutucar meu ombro. Fiquei meio tonto com o murro que levei, encarei o cara a minha frente. Duas vezes o meu tamanho, cara fechada e acho que tinha tatuagens, não dava para enxergar direito com o sol na minha cara. O mesmo me segurou pela gola da camisa batendo minhas costas contra o carro:
— O quê o senhor quer ? — Perguntei sentindo o gosto do sangue.
—Esta com medo ?
Respirei fundo o encarando, o mesmo me jogou no chão com toda força. Levantei devagar , lhe dei um murro no queixo o fazendo cambalear para trás. Aquelas aulas de boxe estavam funcionando, peguei a chave do carro com pressa, minha mão estava tremendo o que não facilitava para colocar na entrada. O homem me puxou para trás e me levantou do chão apertando meu pescoço. Fui jogado novamente batendo minhas costas e cabeça no carro ao lado do meu. Aquele desgraçado segurou firme no meu braço , dando uma gravata, torcendo para trás. Gritei sentindo estalos. Fui prensado no carro e dessa vez levei diversos murros no rosto.
Cai no chão jogando sangue da minha boca, antes de ir embora o brutamontes pisou no meu pulso, urrei com os olhos lacrimejando:
— Por que… fez isso ?
— Por que você não foi um bom cavalheiro.
— O quê?
— Você vai se lembrar.- Rio saindo dali.
Tentei me levantar mas algo atingiu minha cabeça. Cai novamente e a última coisa que ouvi foi uma voz:
— Tudo está saindo como planejado.
Scarlet
— Xeque mate.- Sorriu Kate vitoriosa pela quinta vez seguida.
— Como ?
— Você perdeu a chance de capturar a minha rainha e eu aproveitei capturando seu rei.
— Não!- Me levantei do carpete bege do quarto de Kate.- Por que aceitei jogar.
— Por que sou uma ótima manipuladora e por isso sempre ganho.
— Te odeio.- Me joguei na cama olhando o teto.
— Eu sei, fazer o que, desperto o pior nas pessoas.
— Com certeza… Estou entediada, não tem nada melhor pra fazer ?
— Hum… Visitar a cidade ? Afinal estamos aqui a mais de um mês e não conhecemos nada ainda.
— É seria uma boa.
— Então vamos !
— Tá maluca ?! A gente precisa de um guia, se não vamos nos perder !
— Essa seria a graça, assim podemos descobrir a cidade sozinha.- Sorri a encarando.
— Tô afim de bancar Indiana Jones hoje não.
— Ah Kate! Por favor !
— Não, além de que vai que achamos assassinos malucos ?
— Kate… você já reparou que sempre acha que vai morrer? Que sempre cita algo ruim pra acontecer ?
— Já… Será que eu tenho super poderes ? — Arqueei a sobrancelha, balancei a cabeça levantando da cama.
— Vai sair ?
— Acho que sim, me perder um pouco.
— Só não morre ta ?
— Vou ignorar suas maluquices hoje.
— Tá e eu vou dormir.
— De novo ?!
— Sono acumulado fofa !
Ri fechando a porta do quarto, peguei um casaco e calcei uns tênis. Sai sentindo aquela brisa fria em meu rosto, comecei a caminhar pelo caminho que eu menos conhecia, com certeza isso não seria inteligente, mas adorava fazer esse tipo de coisa.
Olhei em volta daquela rua desconhecida, as casas grandes como a da Tia Lis, e muito luxuosas, deixaria uma certa patricinha dorminhoca impressionada. Andei mais duas quadras até achar uma praça, pessoas corriam pelas calçadas branquinhas , outras sentavam debaixo das árvores para aproveitar o piquenique. Fiquei muito tempo, talvez horas olhando aquele lugar lindo, me sentei em um dos banquinhos enquanto comia uma pipoca.
Era uma pena ter esquecido meu caderno, agora não poderia desenhar um pouco desse lugar.
Levantei voltando a caminhar, consegui achar uma ponte feita mármore. Olhei para baixo tomando cuidado para não cair na água que com certeza estava gelada. Uma menininha de uns 8 anos estava fazendo a mesma coisa, ela sorriu acenando para mim. A pequena sentou no parapeito virada para o lago, me aproximei devagar com medo dela cair dali.
A mesma riu acenando para mim, virou se para descer mas acabou escorregando caindo para trás, corri a pegando pelos braços, a puxei com certa dificuldade. Coloquei ela no chão que chorava assustada:
— Esta tudo bem ?
— Obrigada.- Sussurrou entre soluços.
— Não precisa…
— Wendy ! O que aconteceu? — Perguntou um cara a olhando assustado.
— Ela sentou ali na ponte e quase caiu.
— Obrigado por salva la. — Sorriu se levantando com ela no colo.
— Não precisa agradecer.
— Sou Garrix.
— Prazer… Seu nome é bem…
— Esquisito ? — Rio pegando na minha mão.
— Diferente.
— Como você se chama ?
— Scarlet .
— Obrigado de novo por salvar Wendy.
— Não se preocupe, qualquer um faria isso.- Dei de ombros olhando para o lado .
Vi Samy , parecia triste, fiquei a encarando confusa enquanto Garrix dizia algumas coisas:
— Desculpe, mas tenho que ir.- Sorri me afastando, que com certeza ficou confuso.
Sentei do lado da loira e toquei em seu ombro, a mesma suspirou sem olhar para mim:
— Tá tudo bem Samy ?
— Não.- Disse suspirando.
— O quê houve ?
— Taylor, não acredito que ela fez isso.
— O quê ela fez de tão grave ?
— Alguém deu um surra naquele idiota do Daniel e ela ajudou ele, levou ele pro hospital !
Arregalei os olhos confusa, Daniel apanhou, Taylor ajudou ele. Algo de errado não está certo:
— Por que ele apanhou ?
— Sei lá! Mas com certeza mereceu.
— Taylor deve ter ajudado ele por conta do luau.- Mencionei me lembrando do loiro ter ajudado ela.
— Não, ela está maluca, ele tentou agarrar ela enquanto estava bêbada!
— Esta enganada Samy, eu vi ele ajudando, a Kate deu bebida pra ela é depois sumiu, o Daniel cuidou dela, difícil de admitir e acreditar mas foi isso.
— E quando ele tentou agarrar ela ?!
— Ela queria e ele parece gostar dela.- Dei de ombros a encarando.
— Acha que isso vai dar certo ? Acha que eles vão ficar juntos ?!
— Eu não acho nada, eles que tem que achar, mas ela só retribuiu o favor que ele fez, isso não faz ela estar apaixonada.
— É, tem razão, agora… o que faz aqui ?
— Vim dar uma volta.
— Sabe voltar pra casa ?
— Vou descobrir.- Sorri me levantando.- Não se preocupe Samy, a Taylor sabe se cuidar.
Assentiu voltando a olhar o nada. Voltei a caminhar para ir embora. De repente um skatista passou por mim quase me derrubando, segurou em meus braços parando em minha frente descendo do skate:
— Desculpa Scar.
— Bruce… Você é maluco !
— Estava praticando, nunca usei, prefiro motos.
— Seria uma boa voltar para ela.
— Acho que vou concorda.- Sorriu encarando o skate ir embora.- Cadê a esquentadinha?
— Dormindo.
— Pensei que estivesse fazendo compras.
— Só quando está inspirada.- Dei de ombros.
— E você?
— Me perdendo.
— Oi ?
— Deixa pra lá.- Ri negando com a cabeça.
— Quer ir comer alguma coisa ?
— Pode ser.
Assenti seguindo o jovem tatuado. Nos sentamos em uma mesa de uma lanchonete perto da praça. Segurei meu colar lembrando de mais cedo com Leo:
— Tá tudo bem ?
— Tá.- Assenti sorrindo fraco.
— Esse seu colar, a outra metade ta no Brasil?
— Não.
— Não tem curiosidade de saber onde está?
— Acho que já sei onde, não tenho certeza.
— É um símbolo um tanto estranho, já viu ele inteiro ?
— Já, segundo meu pai é a única coisa que ele conseguiu desenhar na vida.- Sorri enrolando meu cabelo.
— Você é corajosa, você e Kate, não sei se conseguiria ficar longe dos meus pais.
— Não é fácil, mas é por algo necessário, ou não.
— Como assim ou não ?
— Complicado.- Dei de ombros olhando para ele e seus belos olhos azuis.
— Ok…
— Para que estava treinando no skate ?
— Tem uma mini competição que o irmão da Jinx e ela promove para ajudar um orfanato da família deles, é bem legal, geralmente vou pra tocar com a minha banda, mas Alok me convenceu de participar.
— Uma competição ? Qualquer um pode participar ?
— Acho que sim, você sabe andar de skate ?
— Talvez.- Sorri o olhando.
— Você tem muitos segredos não é ?
— Bom, como uma amiga sempre diz, melhor ser uma caixinha de surpresas do que um livro aberto.- Pisquei sorrindo convencida.
Leo
Ficar no sofá da sala nunca foi tão tedioso, odeio esses exercícios de trigonometria. Soltei um longo suspiro colocando o caderno em cima da mesinha de centro:
— Não sei como explica pro Matt e não consegue fazer sozinho.- Disse meu pai saindo do escritório.
— O dele é do fundamental pai.
— Se você parasse de ir em festas ou agir como o Daniel talvez conseguisse.
— Pai, por favor, não vamos entrar nesse assunto de novo.
Massageei minhas têmporas respirando fundo, desde do ano passado meu pai cisma que tenho que agir como meus primos da Coréia, sinceramente, não gosto e não acho necessário. Mas na cabeça do meu pai:
— Só quero o melhor para você!
— Eu sei, mas o senhor não entende que cresci num meio diferente do Yooungi ! — Respirei fundo para não levantar a voz para o meu pai.- Eu nem nome coreano tenho, pai, tenta me entender, por favor?
— Eu te entendo mas precisa ir nessas festas e ficar trazendo garotas para nossa casa ?
— O senhor sabe que eu vou nas festas para trabalhar, sou agente do Dj.
— Isso não é desculpa.
— Ele prefere, além disso meu dinheiro vem de lá.
— Não precisa trabalhar, precisa focar nos seus estudos, eu sempre te disse isso.
— Não quero depender do senhor para tudo, além de que sei que está passando por uma fase ruim na agência.
Meu pai me encarou sério e sentou do meu lado encarando o chão, ficando calado. Não gostava de contrariar ele, mas ultimamente estava ficando dificil:
— O senhor ainda vai na festa hoje ? Na casa daquele seu investidor ?
— Tenho que ir, você não precisa.
— Eu vou com o senhor, a Jeanne até arrumou minha roupa.
O mesmo assentiu saindo da sala indo para o quarto. Suspirei olhando em volta:
— Além de que vou ver a Lucy, vou ficar bem e o senhor precisa de mim la.
A expressão séria desapareceu do seu rosto, meu pai quase nunca sorria ou dava risada depois da morte de minha mãe. Então sempre me importei em cuidar dele e não contraria-lo. Fechei aquele livro estúpido e fui me arrumar para o evento. Espero que Lucy vá, a conheci antes de Daniel , num internato que fiquei por longos anos. Ultimamente a pequena miss do rosa está passando por problemas e precisa da minha idiotice pra ficar melhor, segundo ela. Me senti um pouco ofendido, mas fazer o que se Lucy tem razão. Sou um idiota ,e por isso muitos me amam. Tirando a Kate.
Kate
Com os fones quase no último volume eu terminava os últimos traços do novo vestido que estava desenhando. Sou uma péssima desenhista, mas consigo rabiscar algumas coisas que depois viram roupas e depois look's M.A.R.A.V.I.L.H.O.S.O.S.
Só não vou usar ele, por que resolvi fazê lo com tons de vermelho e laranja , mas eu nunca, jamais uso laranja. Além de não ficar bem em mim, me lembra de um mico horrível que passei, usando essa cor.
Terminei o desenho, fui para a cozinha caçar alguma coisa pra eu comer, tomara que tenha kit kat:
— Kate, quer ir na loja comigo ?
— Qual loja tia ?
— A sexy shop que eu trabalho !
— Melhor não, meu pai te mataria .
— Não estou te levando para uma boate de stripp, e você já faz coisas que nem se aprende nessas lojas.
— Ta…
Coloquei umas roupas mais quente, gostava muito do frio, como a minha cidade era bem quente sempre quis morar em lugar frio, mas , isso não significava que eu iria andar de biquíni pelas ruas de Londres. Catei uma bolsinha branca e sai ajeitando o cachecol.
Minha tia costumava ir de á pé já que a lojinha era duas quadras acima da nossa. Ao chegarmos na loja um pouco pequena com algumas luzes em led na porta piscando aberto , entramos dando de cara com um balconista sério. Tia Lis deu um sorriso para o mesmo que apenas lhe disse algumas palavras e saiu. A mesma suspirou começando a olhar os produtos do estabelecimento:
— Kate pega um caixa em baixo do balcão vou repor esses preservativos.
Assenti pegando a pequena caixa com um leve aroma de morango, me aproximei dela que logo abriu a caixa colocando vários ali. Observei mais aquela simpática loja, as fantasias nos maqueniquins espalhados numas prateleiras altas e na vitrine. Vários armários pequenos com caixas e produtos eróticos empacotados. Tia Lis mandou eu me sentar e caminhou até umas lingeries começando a organizar. Peguei meu fone colocando minhas músicas no aleatório, retoquei meu batom quase rosa. Ajeitei meus cabelos olhando para um pequeno espelho. Um homem chamou minha atenção, acho que ele queria comprar algo não sei , titia apareceu do nada falando com ele. Os dois saíram para uma das prateleiras, tirei os fones para ouvir. Sou muito curiosa, eu sei… :
— Então esse é melhor mesmo ?
— Sim, além de estar mais barato, faz tudo que ele promete.
— Ok, obrigado moça, nem sei por que vim, nunca sei o que comprar nessas lojas.
— É… imagino.- Ela estava sendo sarcástica, ele parecia inocente para mim.
— Está achando que posso estar mentindo ?
— Não, longe de mim julgar os clientes.
— Ok, aonde fica o caixa ?
— Pode me acompanhar.
Os dois vieram até onde eu estava coloquei o fone reduzindo o volume e entrei no Instagram para disfarçar:
— 8£ (Oito libras)
— Você sempre está aqui ?
— Talvez.
— Gostei de você, digo, do seu atendimento, desculpe.
— Aqui está, obrigada, volte sempre.
— Pode deixar.
Encarei minha tia que balançou a cabeça me olhando:
— Ele é bonitinho tia.
— Mas é cliente e a maioria que vem aqui agem assim, Kate, isso não é um filme.
— Eu sei Tia, só pensei na possibilidade.
— Ela não existe, ele falaria isso pra qualquer uma, e, se voltar não vai passar de um cliente, além de que não preciso de um homem, estou muito bem.
— Ok, desculpe.- Aumentei um pouco o volume.
— Tudo bem, Mica sempre faz isso quando vem aqui.
— Isso é uma pista para a senhora desencalhar.
— Vou voltar pro meu serviço.
Ri assentindo começando a rabiscar uma folha em branco dali.
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