Dark Blood

2 Tristes escolhas


10/05/2013 — 23h01min — Mansão de Jessica — Cidade de Sankya (EUA)

— "Você está ouvindo a rádio Dallas Stars! Continue na sintonia! São exatamente 23 horas e um minuto, com um céu totalmente sem estrelas e caindo neve de montão! Prepare seu casaco, sente perto de sua lareira e fique comigo até a meia-noite! Vamos de Katy Perry, Last Friday Night! Voltamos já!"

*Som de porta abrindo*

— Nossa, estou exausta hoje. Estou muito estressada ultimamente... Karen, está aí? Karen? Ah, esqueci que ela foi estudar na casa da amiga e ia ficar dormindo por lá. Vou fazer o mesmo, vou descansar. Deixa eu desligar esse rádio, que a Karen deve ter esquecido ligado.

*Telefone tocando*

— Quem pode ser uma hora dessas? Alô?

— Oi, boa noite, desculpe ligar a esta hora!

— Quem fala?

— Oh, sim, claro. Jessica, eu sou Ane, a mãe de Samantha, a amiga de sua filha. Encontrei este número na agenda da minha filha e precisei te ligar.

— Tudo bem, mas o que houve?

— Bom, tenho uma pergunta para lhe fazer antes. Minha filha foi para sua casa para estudar com a Karen?

— Não, a Karen disse que ia ir para a sua casa, pois iria fazer uns reforços de matemática com a Samantha! Não estou entendendo!

— Jessica, era isso com o que eu estava preocupada! Acabei de ver, no notebook da Samantha, uma conversa com a Karen, dizendo que iam ir numa festa lá nas Montanhas Rústicas, que ia ter bebida e poderia rolar até drogas! Estou em nervos! Eu estou indo buscar a Samantha de lá, queria ver contigo se você quer que eu traga a Karen.

— Não precisa, eu mesmo irei buscá-la! Obrigada, senhora Ane!

*Desligando telefone*

— Karen, você me paga!

11/05/2013 — 04h52min — Montanhas Rústicas — Cidade de Sankya (EUA)

Jessica já havia caminhado muito. Estava indo em direção à casa que Karen estava, em uma festa "inapropriada", como Jessica disse para a filha. Tinha esperanças de que Karen estivesse por lá. Na memória de Jessica ainda estavam as imagens daqueles dois homens que ela havia atropelado. Mas ela precisava esquecê-los. Sua perna ainda doía um pouco e a neve já não caía com tanta frequência.

— Eu devo estar longe, ainda. Acho que desde a casa onde Karen estava até o acidente, eu fiz um percurso de, mais ou menos, cinco quilômetros.

Após andar mais alguns minutos, sons de tiros e gritos chamaram a atenção da empresária. Jessica correu o mais rápido que podia, convicta de que Karen estaria por ali. Mas logo que avistou um homem, vestido com um pijama felpudo, se escondeu atrás de uma pedra. O homem chorava muito e seu braço sangrava. Ele estava com uma pistola na mão, tremia muito.

— Por que, meu Deus, por quê? O que eu fiz ao Senhor para merecer isto? — o homem estava desesperado e gritava muito alto, olhando para os céus, como se estivesse, realmente, discutindo com Deus. O homem colocou a pistola na cabeça. Jessica não podia deixar ele se matar, precisava saber se ele tinha informações de Karen.

— Senhor, por favor, não atire! — Jessica saiu por detrás da pedra, fazendo o homem levar um pequeno susto e mudar a mira da pistola para o peito de Jessica.

— Quem é você? Você está doente, também? — gritou o homem.

— Doente? Não, não. Eu só preciso saber se você não viu uma garota, com roupas de rock, cabelos pretos e mechas vermelhas nas pontas, tem um piercing no nariz...? Ela é minha filha, preciso encontrá-la!

— Não a vi, moça. A única coisa que eu vi foi o sangue da minha pequena filha, de quatro anos, e de minha esposa, jorrando no meu rosto, quando atirei na cabeça delas! — o homem gritou ainda mais alto, suas lágrimas caíam sem parar, ele estava fora de controle. Jessica ficou com muito medo. Pensou em "como aquele homem teve coragem de matar sua filha e mulher?".

— Por favor, senhor, não atire em mim! Eu só quero encontrar a minha filha! — suplicou Jessica, erguendo suas mãos para o alto.

— Atirar em você? Não, não. Não vou desperdiçar minha única bala em você. Eu vou atirar aqui, na minha cabeça. Eu não me perdoo pelo o que acabei de fazer com minha família, mas era a única coisa a ser feita! — o homem ergueu seu braço. — Está vendo esta mordida? Foi minha pequenina Julia que fez isso. Ela e minha mulher, desde ontem, estavam com febre e vomitavam muito. Pensei que era apenas uma virose. Mas agora, acordei com minha mulher, na cama, agonizando. Ela foi a primeira a tentar me morder, mas fui rápido e peguei minha pistola. Atirei em sua perna, para ver se ela parava, mas não, ela só queria tentar me morder. Tive que matá-la! Depois fui ver minha filha e ela me mordeu. Elas estavam doentes, foi necessário fazer o que eu fiz! Você entende?! — o homem não parava de chorar. — Boa sorte na procura à sua filha, mas creio que agora ela já esteja doente, como a minha família. Quer uma dica? Atire sempre na cabeça, só assim você consegue fazê-los parar. — o homem ergueu sua arma até a cabeça. Puxou o gatilho.

O barulho da arma foi ensurdecedor para Jessica. Por alguns instantes, ela ficou zonza. Após voltar a si, correu até o corpo do homem, vendo se ele ainda estava vivo. Comprovando que não estava mais, pegou a pistola dele e guardou na bolsa da jaqueta, junto com o celular que a filha esquecera no carro. Sabia que aquela arma, mesmo sem munição, seria útil em algum momento. Barulhos de gemidos começaram a serem ouvidos por Jessica. Ela correu e se escondeu atrás da mesma pedra de antes. Aos poucos, começaram a sair algumas pessoas do meio do mato, que rodeava a casa solitária do homem que matou a própria família e depois suicidou-se. Uma, duas, três, cinco... o número só aumentou. Depois de alguns segundos, umas 15 pessoas estavam ali, naquela cena. Todas com uma aparência estranha, com mordidas em algum lugar do corpo, sangue nas roupas e gemidos aterrorizantes. Todos caminhavam na direção do homem suicida. Aos poucos começaram a se ajoelhar e comer a carne humana do homem.

— Eles devem ser canibais! — disse Jessica, sem desconfiar de que aquilo não era um ato de canibalismo.

Jessica tampou sua boca ao máximo, para não fazer barulho. Já tinha percebido que aquelas criaturas sanguinolentas eram atraídas com os barulhos, pois somente depois que o tiro foi dado, e fazer um barulho altíssimo, que as pessoas "doentes", como o homem havia dito, começaram a aparecer. Mas uma coisa inesperada aconteceu: o telefone celular de Karen começou a tocar. O som de música era altíssimo e todos os zumbis que não estavam se alimentando do homem, voltaram suas atenções para Jessica. A empresária tinha que atender ao telefonema, pois provavelmente eram notícias de sua filha, mas, ao mesmo tempo, tinha que desligá-lo, pois se não aquelas pessoas canibais iriam perceber que ela estaria ali. Jessica estava encurralada. Não sabia o que fazer. E enquanto isso, os "canibais" não paravam de chegar mais perto de Jessica.

Continua...

Notas finais
Um novo episódio amanhã, por este horário! Aguarde!