Dark Angel
7 Insônia
Despertei em um lugar gélido, parecendo os túneis que Scott me levara mais cedo, não sei como vim parar aqui, até onde me lembro eu estava na cozinha conversando com mamãe. As paredes são escuras e estão suando, tem uma camada de lodo e um cheiro desagradável, como de um rio sujo. Tem uma risada abafada vindo do fim do túnel, só de ouvi-la eu já começo a sentir calafrios horripilantes. Instintivamente ando até o fim do túnel e lá encontro o cara que me abraçou mais cedo.
– Ora, ora, ora. Eu sabia que você viria ao meu encontro, senhorita Grinster. Dark Angels me amam, é um dom. — Ele disse com um tom extremamente sarcástico e assustador, como se eu tivesse entendendo tudo.
– Quem é você? Como você me trouxe pra esse lugar? O que você quer de mim? — Perguntei impaciente.
– Vamos com calma, docinho. Essas são perguntas que você vai descobrir ao longo do tempo, mas primeiramente quero que você me conheça, tentei falar com você mais cedo, mas você me afastou e eu tive que lhe trazer aqui. Eu só estou aqui pra ajudar, sei que está sendo difícil tudo isso acontecendo e...
– VOCÊ NÃO SABE DE NADA, ME DEIXA EM PAZ. — Não sei quem era esse cara, mas crescia um pânico incontrolável dentro de mim e a cada minuto minha vontade de chorar era maior.
– Calma, menina Annabeth, eu não vou te machucar. — No momento em que disse isso, seus lábios fizeram o contorno de um sorriso maldoso.
– SAI DAQUI AGORA!! — No momento em que gritei isso senti mãos me segurando, tentava me mexer e ouvia uma voz dizendo "calma, calma". Abri os olhos e Nora e Patch estavam me segurando, com uma eminente preocupação em seus rostos.
– O que houve, minha filha? — Perguntou mamãe com um olhar angustiado.
– Onde eu estou? — No segundo em que perguntei, me dei conta de que estava no meu quarto e senti o conforto de olhar pro lado, enquanto minha visão ia se adaptando e tudo ia tomando forma, e ver meus ursinhos em suas prateleiras, os porta retratos com fotos da minha família e o meu closet gigante com forma de um castelo (é, papai e mamãe sempre me deram o que eu queria e aos 7 anos eu queria ser uma princesa, eles fizeram o que puderam) e finalmente ver a silhueta de Nora e Patch ao meu lado, realmente eles. Eles perceberam que eu relaxei um pouco ao perceber que estava em meu quarto. — Não foi nada, mamãe, só mais um pesadelo. — Não queria preocupá-la mais com meus pesadelos sem sentido, então não fazia sentido contar, virei para o lado e eles entenderam e me deixaram só.
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No dia seguinte, voltei para minha casa. Fazia tanto tempo que não ia a Coldwater que já estava com saudades novamente. Quando me mudei pra Tenesse, não esperava tantos turistas ou tantas imobiliárias, mas no fim das contas você se acostuma com pessoas perdidas e outras tentando te vender casas. Mesmo tendo passado basicamente um fim de semana fora de casa, é muito reconfortante sentir o cheirinho da minha casa quando entro e vejo tudo em seu devido lugar, minha estante maravilhosa e repleta de livros que também aconchega uma TV bem singela e em frente a essa estante está minha mesinha bem gasta seguida de um sofá que Nora e a mãe de Car, senhorita Marin, nos deram de presente, nosso apartamento é simples, mas nada como o nosso lar.
Assim que fui checar o telefone, vi que Patrick havia deixado recados, AI MEU DEUS! EU ESQUECI DO PATRICK! A maioria dos recados era sobre ensinar anatomia no fim de semana e um perguntando o que eu achava de a gente sair pra tomar um açaí. Eu até senti um peso na consciência sobre o que rolou com Scott, mas me lembrei que não tenho nada com o Pat, então tudo bem.
O resto da noite foi organizando o que tinha que levar para aula amanhã, mas não conseguia parar de me sentir dividida entre Scott e Patrick. Me forcei várias vezes a pensar em outra coisa, mas não conseguia. Car chegou por volta das 22h, me atualizou sobre seu super fim de semana e quantas vezes o Patrick veio aqui me visitar, no fim acabou capotando em sua cama
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– Bom dia, Grinster. Para a sua informação, faz bem avisar quando vai sumir por um tempo. – Pat disse, com um tom amargo, logo que cheguei na porta da faculdade.
– Bom dia, Patrick. Eu só precisava de um tempo. – Respondi o quão ríspida eu pude. Ele segurou no meu pulso com a mão direita, de uma forma aconchegante e não grosseira e com a outra mão colocou uma mecha de cabelo atrás da minha orelha (por que os garotos gostam de fazer isso) e disse:
– Beth, saiba que para o que você precisar, eu estarei aqui. Você pode sempre contar comigo, ok? Vou estar sempre aqui, Dark Angel.
– Pode deixar, entendi o recado. – Respondi me esquivando de todo esse carinho, odeio contato humano, odeio gente, principalmente quando tentam ser legais e dizem saber o que você está passando. Depois disso segui para a minha aula e lá fiquei até acabar o horário, mal conseguia me concentrar com tanta coisa na cabeça, o segundo horário já havia passado e nem me vi pegando o carro pra ir pra casa, só percebi quando entrei na garagem do prédio. Passei pelo porteiro Ralph e o cumprimentei como sempre, mas quando ele ia falar das correspondências, fiz um gesto que precisava subir urgentemente. Tudo que eu mais preciso nesse momento é um banho quente.
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