Dark Angel
2 Capítulo Um - O Inicio da Queda
2002
*Yuki’s P.O.V.*
Sempre me perguntei por que não me aceitavam. Tudo bem, sou bem diferente do ‘normal’.Pinto minhas unhas de preto, minha boca é pintada de laranja, verde-limão e preto, uso maquiagem pesada, minhas roupas são pretas e cheias de correntes. Mas o fato deles não me aceitarem não tem nada a ver com minhas roupas ou maquiagem excessiva. Eles não me aceitam porque sou um ‘demônio’, destruidor de vidas, uma tragédia ambulante, um drama sem fim.
Gostava da vida quando ela estava aqui. Quando eu, o Yamaru, o Frederick e ela simplesmente nos deitávamos na grama e conversávamos, quando rolávamos barranco abaixo... Sinto falta dela. Sinto falta de me sentir vivo. De sorrir do fundo de meu coração.
Pena que não consigo nada para amenizar a falta há um ano... Exatamente um ano... Foi nesse mesmo dia, lembra Nee-chan?Dia 15 de setembro...
2001: há exatamente um ano atrás
É tão bom ver ela dando risada! E o Yama-chan e o Frederick-chan ainda a acompanham! Não tem como não rir junto! E é melhor ainda saber que vai ser assim pra sempre!! Terei pelo menos ela e os meus otôtos como apoio! Eles estarão sempre ao meu lado e eu ao deles!!!
Corri pela rua, sendo seguido pelo Yama-chan e pelo Erick-chan. A Nee-chan apenas andava rápido, um pouco atrás de nós. Ela estava com o quimono branco de sempre, com as belas águias adornando o tecido. O obi era vermelho-sangue, e contrastava muito bem com a pele e os cabelos brancos dela, e ainda acentuava os olhos negros! Nee-chan sempre escolheu muito bem as roupas, nee... Ela também está com a sapatilha branca e com a gargantilha branca com a águia. Nee-chan era perfeita pra representar o vento.
O Frederick-chan estava com uma roupa amarela que combinava com o cabelo loiro dele... E com os olhos cor de mel! Era apenas uma calça, duas correntes presas no lado direito da calça e uma blusa e All Stars azuis clarinhos, que combinavam com a gargantilha azul clarinha com pingente de lontra. Meu completo oposto, a água.
O Yama-chan usava roupas um pouco mais chamativas. Eram iguais as do Frederick-chan, mas era inteira azul elétrica e prata. Fora isso, usava um All Star com o cano maior que o de Frederick, que era cano baixo, e o do Yamaru médio. A gargantilha tinha um lobo, representando o trovão. Ou raio, sempre falam um ou outro...
Eu chamava mais a atenção. Meu cabelo, ao contrário dos meus irmãos e da Nee-chan, estava preso, os fios seguros por duas mini katanas. Minhas roupas eram pretas, com bastante correntes; só que as correntes eram ou laranja vivo ou verde-limão. Combinava com o meu cabelo, que tem mechas dessas cores. Minha gargantilha era negra com uma raposa, e eu representava o fogo.
Um barulho chamou nossa atenção. E o que vimos nos chocou. Bom, pelo menos me chocou. A sede da nossa banda pegando fogo. Com mil pessoas lá dentro. Olhei para a Nee-chan e ela acenou com a cabeça, confirmando. Assoviei, chamando Kurohoshi, e meu cavalo logo apareceu. Minha raposa também, e logo Foxy entrou junto conosco no meio das chamas.
Após retirarmos todos os que estavam lá, ouvi um choro. Provavelmente alguém da minha idade. Corri de volta, contra os avisos da Nee-chan. Foi a primeira vez que a desobedeci.
Achei a garotinha, vendo que estava presa entre algumas vigas e a parede. Analisei bem a posição em que ela se encontrava, mas realmente só havia aquela solução. Suspendi as vigas um pouco, deixando a criança livre e ficando preso em seu lugar. E simplesmente esperei, após indicar para a garotinha o caminho de volta. Morrer não seria tão ruim, seria?
Eu não tenho controle suficiente sobre o fogo. Vou morrer queimado mesmo. Irônico. Eu controlo o que vai me matar. Assim como aconteceu com a Hiromu.
Escutei passos, e logo vi um vulto branco parado a porta. Olhei assustado e instantaneamente gritei, mandando-a sair de lá. Ela não!
Mas ela retirou meu braço sem ficar presa, usando o vento. Pena que a calma durou pouco. Logo eu era jogado no chão e uma pedra caia sobre ela, deformando seu rosto e fazendo a cair, um cano partido atravessando sua barriga.
Gritei de novo. Ela não!
Fale com o autor