Dark
1 Prólogo
O verdadeiro amor vai além da escuridão.
Dark
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Escrita por Inis.
— Eu preciso ir. — Ela disse. — Não da mais, eu não aguento.. eu.. — Ela gaguejou, o corpo visivelmente tremulo, mas seus dedos foram firmes ao terminar de guardar as últimas peças de roupa dentro da mala, fecha-la e sair do quarto. — Shin já está na casa dos meus pais com Itachi e Shizune se ofereceu para buscar Sarada no portão da vila, ela ainda não sabe, está em missão e… eu… eu não disse nada, mas sei que vai entender. É uma menina tão esperta. — As maçãs do rosto delicado ganharam um tom avermelhado. Ela estava envergonhada.
Os olhos, aqueles olhos que me hipnotizavam, estavam inundados de algo que não pude distinguir. Era um misto de decepção e dor, ou sei lá o que. E em momento algum, durante a pequena caminha até a sala, nossos olhares se encontraram.
Sakura, minha esposa irritante — ou ex-esposa — e a ex-companheira de time irritante, estava indo embora de nossa casa.
Meus pés se moveram em direção a ela, e num pedido silencioso estendi o único braço na tentativa falha forçá-la a encontrar meus olhos.
— Não! Oh, não, Sasuke. Por favor.. Eu.. Eu preciso.. Não é a primeira vez, mas… Mas quantas vezes eu disse que iria partir, arrumava minha mala, e não saia do lugar na esperança de que algo... De que algo mudasse. — A observei morder o lábio inferior que tremia pelo nervosismo — Agora eu preciso... Eu não…Acho que não… amo…. mais… Eu sinto muito. — A voz saiu baixa, doce e gentil. Uma tortura para os meus ouvidos.
— Sakura...
— Não dá. Você não vê? Eu não consigo mais vê-lo ir e vir e fingir que tudo está bem, que tudo ficará bem, porque não está! Não vai ficar! Quanto mais ignoramos mais brigamos, e isso me desgasta. Eu sei que é por uma causa nobre, Sasuke, eu sei... Mas... Não dá. — A mão delicada girou a maçaneta e, como uma intrusa, a brisa da noite entrou assoviando e dançando entre nossos corpos.
Ela tinha razão. Não era a primeira, nem a segunda e muito menos a terceira vez que passávamos por isso. E como nas outras vezes eu pensei em impedi-la. Entretanto, desta vez, eu assisti calado um oceano surgir entre nós nos distanciando a cada passo dado por ela.
— Sakura. — Estava na ponta da língua, eu só precisava dizer. Mas como? Como explicar que amo, mas não sei amar? — Só fique... Fique.
Ela suspirou e fechou os olhos. Estava reunindo forças.
— Você me deu algo que eu não posso viver sem. Sarada e Itachi são os pedacinhos mais lindos de nós, e o Shin... — Sakura não me olhou, apenas deu um passo para fora da casa e parou. — Não me arrependo de nada, Sasuke. Nada. Cada sorriso, cada abraço, cada beijo, cada toque... Cada palavra... Você sabe que sempre vai significar o mundo para mim, Sasuke-kun. Mas eu quero viver e não só sobreviver.
O símbolo da família Uchiha já não enfeitava mais suas costas, e foi quanto o bater oco da porta soou pela sala que eu me vi sozinho, mais uma vez, e não tinha ninguém para culpar porque eu era o único culpado.
Acabou
Sorri.
O amor sempiterno de Sakura havia chegado ao fim.
E ela um dia jurou-me amor eterno.
Balancei a cabeça tentando afastar os pensamentos incômodos e suspirei.
Não sei quanto tempo fiquei ali, parado no meio da sala, observando a porta.
Madeira negra com detalhes nas laterais, uma maçaneta elegante e bem polida de metal fino. Um belo material. Resistente e forte… Superficial.
E agora?
O silencio predominou a casa, nem as madeiras ousaram se pronunciar num simples ranger.
E agora?
Arrastei lentamente meu corpo até nosso quarto, ignorando o piso frio sob meus pés, abri a porta e sentei na beira da cama.
O cômodo refletia minha vida. Escuro e vazio. Sem vida. Sem som. Sem ela.
E agora?
Olhei para a janela aberta, sem nenhum interesse no que poderia encontrar lá fora, e fiquei observando o show que as estrelas apresentavam no céu. Naquele momento eu estava em completo silêncio, mas havia uma guerra dentro de mim.
E agora.
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